Boris Fausto e Cynira

Por Lilia Moritz Schwarcz

Fotografia da casa de móveis da família de Boris Fausto, usada na capa de Negócios e ócios. (Coleção Boris Fausto)

No começo da semana passada, Boris Fausto veio à Companhia discutir seu novo original: Memórias de um historiador de domingo.

Sensível e muito informativo, o documento dá continuidade a Negócios e ócios, e dessa vez, com o mesmo tom memorialístico, Boris narra um pouco de sua “vida adulta”. O estilo é impecável, as lembranças, comoventes, e ficamos sabendo como é que o ativista trostkista se transforma em advogado e, ao mesmo tempo, em historiador.

Uma das partes mais emocionantes do futuro livro é quando Boris conta a história de sua companheira da vida toda: a Cynira. A menina de fazenda ganha a cidade, para conquistar utopias e montar, em um bairro da periferia, seu modelo de educação, contra tudo e todos.

Quem conhece Cynira  sabe de seu trabalho incessante na formação da escola Vera Cruz — outro modelo de projeto de formação escolar —, mas não imagina a força da garota que enfrenta tabus de toda ordem; tudo em nome dos ideais de época. E Boris capricha nas palavras quando trata de descrever a atividade de sua futura esposa, ou admirar sua coragem, determinação e coerência.

Ainda no escritório, conversei longamente com Boris sobre o seu original, e fiz apenas um pedido: – aumente um pouco a parte da Cynira. Mal sabíamos que o destino aprontaria das suas. Na última quinta-feira faleceu essa musa das memórias de Fausto, que, se não teve tempo de ler o livro pronto, vai ao menos ficar, para sempre, como a grande homenageada dessa obra que tem tudo para se transformar num clássico para nossos tempos. Há discussões se o título será esse, mas o livro vai entrar no catálogo da Companhia neste ano de 2010.

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Lilia Moritz Schwarcz é professora titular no Departamento de Antropologia da USP, além de autora de O espetáculo das raças, As barbas do imperador (vencedor do prêmio Jabuti na categoria ensaio), D. João carioca (em coautoria com Spacca) e O sol do Brasil (vencedor do prêmio Jabuti na categoria biografia), entre outros.

4 Comentários

  1. […] Memórias de um historiador de domingo, de Boris Fausto Neste segundo volume de suas memórias, Boris Fausto — um dos mais respeitados historiadores brasileiros — se debruça sobre o começo de sua vida adulta, a formação em direito, a luta política e a construção da família. Leia aqui o post que Lilia Moritz Schwarcz escreveu ao receber o manuscrito. […]

  2. Juvenal Honório disse:

    Boris Fausto escreve no Estadão de 19.12.2010 que foi Boris Casoy que na TV encurralou FHC anos atrás perguntando se ele acreditava em Deus, mas quem fez isso foi o tal radialista Afanásio e no rádio, não na TV

  3. pedro laurindo de morais disse:

    acabo de completar o primeiro ano colegial aos trinta e oito anos e sou afccionado por história do brasil, principalmente pela região amazonica,apesar de ser paulista. queria parabeniza-lo pois são pessoas como você que ainda inspiram a cultura do pais p.s ainda me formarei em história

  4. Cara Lilia,

    A vida é assim mesmo. Coisas fulminantes acontecem em nossas vidas e só temos uma opção; retomar o cotidiano.

    Deborah

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