Semana oito

Os lançamentos desta semana foram:

Poemas escolhidos de Gregório de Matos (Seleção e prefácio de José Miguel Wisnik)
Gregório de Matos é, historicamente, o primeiro grande poeta do Brasil. Nesta já clássica coletânea preparada por José Miguel Wisnik nos anos 1970, e agora revista pelo organizador, o leitor encontrará uma seleção dos melhores poemas de Gregório de Matos nas diversas modalidades que cultivou — a satírica, a encomiástica, a lírica amorosa e a religiosa —, de par com numerosas notas de esclarecimento do texto, um pequeno perfil biográfico do poeta e uma análise crítica de sua obra.

A máquina de Joseph Walser, de Gonçalo M. Tavares
O romance integra a tetralogia O Reino, dedicada ao mal, e é escrito numa prosa cuja habilidade narrativa é apenas superada pela desenvoltura com que Tavares combina ficção e investigação filosófica. O pacato funcionário Joseph Walser leva uma vida previsível, enquadrada pelos movimentos repetitivos da máquina industrial que opera. Nem mesmo a guerra é capaz de afetar a estabilidade de seu cotidiano. Entretanto, Walser tem uma paixão secreta: a enorme coleção que mantém fechada à chave, protegida até mesmo dos olhares de Margha, sua calada mulher.

O Sul mais distante, de Gerald Horne (Tradução de Berilo Vargas)
Em meados do século XIX, os Estados Unidos da América e o Império do Brasil estavam profundamente atados pelo envolvimento com a escravidão negra e o tráfico transatlântico de escravos. Então os maiores produtores mundiais de algodão e de café, os senhores de escravos de ambas as nações enfrentavam a hostilidade crescente dos militantes abolicionistas da Grã-Bretanha e das unidades federativas do Norte dos Estados Unidos. Baseado em uma vasta pesquisa realizada em arquivos de diversos países, Gerald Horne explora as percepções que os ideólogos da escravidão no Sul dos Estados Unidos tinham do Brasil (o “Sul mais distante”), os projetos que delinearam a partir delas, seu papel nas polêmicas seccionais que conduziram, em 1861, à eclosão da Guerra Civil e o impacto do conflito norte-americano sobre os destinos da escravidão brasileira.

Coleção de areia, de Italo Calvino (Tradução de Maurício Santana Dias)
Uma análise de A liberdade guiando o povo, de Delacroix. O aspecto inquietante dos museus de cera e dos teatros de aberrações. Relojoeiros e autômatos dos séculos XVIII e XIX. Reflexões sobre os primórdios da escrita. A coluna de Trajano transformada em relato de guerra. Uma homenagem a Roland Barthes nos dias de sua morte. Relatos de viagem ao Japão, México e Irã. Tudo isso cabe no último livro publicado por Italo Calvino, certamente sua obra mais heterogênea e, talvez, a mais insólita.