Dia das crianças

Por Júlia Moritz Schwarcz

Amanhã é dia das crianças — nem que você fizesse questão de não saber, já saberia. Eu resolvi me aproveitar da efeméride para fazer meus colegas prestarem uma homenagem à minha editoria, mais conhecida como “a ala infantil da Companhia”. Se há uma criança nesta empresa, ela é a Companhia das Letrinhas. Assim, pedi a todos os funcionários da editora que falassem sobre um livro da Letrinhas de que gostam. Nem todo mundo respondeu, nem era obrigado. Mas dá para conhecer um tanto de gente que trabalha aqui e várias das funções que compõem uma editora pela lista a seguir.

(Eu vou sair pela tangente e dizer que indico o catálogo inteiro da Companhia das Letrinhas — só tem livro ó-te-mo, gente!)

* * * * *

Como contar crocodilos é um livro com oito historinhas, todas ótimas. Este com certeza é o meu predileto. Já li várias vezes e em todas as ocasiões a reação foi a mesma, muito riso, principalmente com a primeira história, que é justamente a que intitula o livro. Minha filha também gosta muito, só precisamos descobrir quem gosta mais, se eu ou ela (rs). Acho que o livro infantil precisa ter este formato, divertir e fazer com que as crianças sonhem, e fazer com que o adulto acorde sempre a criança adormecida que existe dentro dele.

Alexandra Muller
Departamento de vendas

Difícil dizer qual livro a gente mais gosta, eu tenho uma paixão pela Píppi, mas aqui quero registrar um em especial: Minha querida assombração, do Reginaldo Prandi, um livro singelo, que nos remete à infância. Eu me emocionei com a história e as estórias do livro, porque lembrei de quando minha mãe nos contava histórias de sua infância no interior aos finais de tarde, e também de assombrações (essas ela deixava para dias chuvosos em que faltava energia elétrica).

Cintia Oliveira
Departamento de vendas

Escolher um livro da Letrinhas é uma “tarefa” deliciosa e muito difícil, pois são tantos os que adoro e escolher um não é simples. Resolvi oferecer o dia das crianças ao meu avô, que fez da minha infância uma lembrança tão doce e linda.
O meu livro preferido é Macacos me mordam, do Ernani Ssó, pois sempre que leio esse livro tenho a impressão de que estou ouvindo os “causos” que meu avô contava, quando a família se reunia à noite na cozinha em volta do fogão de lenha.

Patrícia
Departamento de divulgação escolar

Tenho um carinho especial pelo livro A espiã, escrito em 1964. Harriet, a personagem principal, é uma menina carismática que está decidida a se tornar uma escritora famosa.

Mariana Mendes
Supervisora de divulgação escolar

O meu filho Guilherme gargalhava quando eu lia pra ele o Cocô no trono. Era leitura obrigatória no penico lá de casa.

Cintia Lublanski
Departamento Editorial

O Barata!… Esse livro faz você morrer de rir… Lembro que, antes de dormir, minhas filhas já cada uma na sua cama, ficavam lendo e não queriam parar, era preciso tirar os livros delas para que pudessem dormir. No outro dia de manhã e na hora do almoço, quando elas chegavam da escola, comentavam e davam risadas das travessuras da barata.

Mario Fernandes
Responsável pelo xerox, encadernamentos e papel

Minha indicação e desejo de muita diversão para nossos pequeninos leitores é o divertidíssimo Quem soltou o Pum?, um jogo de palavras onde o riso é garantido! É pura brincadeira de criança.

Renata Callari
Revisão

Difícil escolher só um, mas Dez patinhos com certeza está entre os meus prediletos. A partir da história de nove patinhos que, ao longo de seu caminho, se distraem com outros bichos e saem da história, as crianças aprendem subtração e adição de maneira fácil, além da ilustração ser linda e muito fofa. E ainda, no fim, tem um joguinho dos patinhos. Esse eu recomendo.

Andreia Arruda
Departamento de vendas

Sou editora da Companhia das Letras e tenho duas filhas, agora com dez e treze anos. O Caldeirão de poemas, da Tatiana Belinky, foi muito importante pras duas, quando tinham em torno de sete anos: descobriram o prazer de ler sozinhas, aliado ao prazer de ler poesia mais especificamente, poesia gostosa e variada, às vezes mais brincalhona, às vezes mais lírica. Descobriram também que é muito legal ler em voz alta.

Marta Garcia
Editora

Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça dela é um dos livros mais divertidos que eu já li! Engraçado para os pais e os filhos, tios e sobrinhos.
Ainda mais na versão pop-up.

Fabio
Produtor gráfico

Histórias da Bíblia é um livro maravilhoso, e que indica um caminho para as crianças.

Izabel Cerdeira
RH

Gosto muito de ler e contar histórias tradicionais com um novo sentido. Por isso recomendo, dentre outros, A verdadeira história dos três porquinhos, o livro que me fez concluir que o lobo estava apenas resfriado e os porquinhos é que são mal-humorados. Na mesma linha acho que vale a pena ler O carteiro chegou: um personagem tradicional de contos de fadas manda mensagens para outro e assim vamos. O resultado é que as histórias vão ficando todas misturadas. Por fim, não deixem de ler Vice-versa ao contrário, em que autores nacionais entortam de vez o conteúdo dos contos que mais conhecemos.
Posso indicar mais um? O homem no teto é um livro que me arrepia desde a primeira leitura. Feiffer mostra as dificuldades do dia a dia de uma maneira sensível e bem-humorada. O desafio final (e maior) do menino é conseguir desenhar uma mão. Até hoje ando tentando finalizar uma e ainda não tive sucesso.

Lili Schwarcz
Editora do selo infantil e da linha de não-ficção da editora

Um dos livros da Companhia das Letrinhas de que gosto muito é Píppi Meialonga, uma obra fascinante que presenteia os grandes e pequenos com fantasia.

Tamara Queiroz
Departamento de produção

De Aristófanes a Twain, todos concordam, humor de flatulência é um clássico. Assim, indico Quem soltou o Pum?.

Arthur Higasi
Departamento de divulgação escolar

Eu indico Zoo zureta, do Fabrício Corsaletti. Poemas curtos e bem-humorados sobre vários animais combinam perfeitamente com ilustrações super criativas, feitas de colagens.

Luciana Gonçalves
Departamento de divulgação (imprensa)

O meu livro infantil preferido é Queria ser alta como um tuiuiú, pois além de lindo (texto e ilustrações) me fez amar demais as capivaras.

Raquel Vieira
Responsável pela “lojinha” da editora

Eu indico o livro O gato e o escuro, de Mia Couto. Além de abordar com muita delicadeza a relação da curiosidade e do medo, as ilustrações são divinas. É um prazer ler esse livrinho tão gostoso.

Mariana Figueiredo
Estagiária do departamento de divulgação

Meu circo, de Xavier Deneux: um livrinho simpático para os pequeninos aprenderem a gostar de livros.

Clara Dias
Estagiária do departamento editorial

Minha sobrinha Alice (de 10 meses) fica hipnotizada com as cores vermelho, preto e branco do livro Meu circo. Ela presta a maior atenção enquanto conto e viro as páginas do livrinho. Ela ainda aproveita para coçar sua gengiva na capa emborrachada.

Gisela Creni
Departamento de produção (responsável pela liberação de imagens, site, entre outros)

Eu gostaria de recomendar o livro O patinho realmente feio e outras histórias malucas, do Jon Scieszka, um livro super divertido e bem-humorado para ler e reler.

Priscilla
Departamento de direitos estrangeiros

Como contar crocodilos foi eleito o livro preferido de meu filho Bruno, que adora histórias de bichos.

Fabiana Roncoroni
Supervisora do departamento de produção

Minha irmãzinha Maria Eduarda adora as artimanhas da Píppi. O livro que ela mais gosta é o Píppi Meialonga. Ela disse “eu gosto muito da Píppi porque ela é divertida e mora sozinha”. Ah, a Maria tem oito anos!

Ana Laura Souza
Departamento de produção (liberação de imagens)

Queria ser alta como um tuiuiú, de Florence Breton. Personagens fofas e carismáticas da fauna brasileira com bonitas ilustrações.

Carolina Grego
Estagiária de direitos estrangeiros

Livros de poesia para crianças fazem muito sucesso com meu filho Francisco, de oito anos. E um dos mais bacanas é Ri melhor quem ri primeiro, uma coletânea de 31 poemas de diversos lugares e épocas, selecionados e traduzidos por José Paulo Paes. Ah, e o Francisco também adora os livros da Babette Cole.

Ana Maria Alvares
Editora assistente da Companhia das Letrinhas

Um dos livros com os quais eu me divirto com um dos meus sobrinhos é o Seu Soninho, cadê você?, sobre uma época da vida da qual temos saudades quando envelhecemos. E é exatamente nessa data dedicada a todos esses pequenos seres, que têm a inocência como principal característica, que devemos não só valorizar a vitalidade infantil, como também procurar resgatar a essência da criança. Feliz dia das crianças!

Luciana Cavalcante
Assistente contábil

Adoro As lavadeiras fuzarqueiras, de John Yeoman e Quentin Blake, porque ele tem o espírito libertário! As lavadeiras fazem muita fuzarca em busca de sua própria felicidade… E, com certeza, uma bagunça feliz agradará as crianças.

Rafaela Deiab
Departamento de divulgação a professores

O livro Da pequena toupeira que queria saber quem tinha feito cocô na cabeça dela faz a alegria de qualquer criança (e qualquer adulto também). Nada rende tanto assunto quanto “cocô”, e a investigação que a toupeirinha faz sobre a quem pertence cada excremento é fabulosa!

Júlia Bussius
Editora assistente

O livro que mais diverte minha “criança interna” é o Liga-Desliga. Extremamente criativo (Painasonic e Mãetsubishi — muito bom!!) e estimulante! A inversão dos papéis é muito bem pensada e explorada. Vale a pena ler, reler e rir sempre!

Thaís Richter
Revisão

Meu circo: tão fofo que dá vontade até de morder!

Otávio Costa
Editor assistente

No meu caso, é praticamente uma covardia me fazer escolher um livro querido… Eu tenho tantos que não saberia por onde começar… Essa semana fiquei ouvindo tanto sobre o dias das criancas e propagandas de brinquedos e doces feitos especialmente para a data… Mas sobre trabalho infantil ouvi falar apenas uma vez, e na verdade não muito a respeito de políticas preventivas ou sobre subsídios para evitar que isso aconteça… Por isso pensei em comentar sobre o livro do Roger Mello, o Carvoeirinhos, que tem tudo a ver com a data e com o assunto do trabalho infantil. Esse livro é especial para mim porque os livros do Roger são sempre um desafio gráfico, e ele trata o assunto do trabalho infatil de uma maneira tão poética, leve e plasticamente inusitada… Foi um livro particularmente difícil no tratamento de imagens porque o Roger sempre associa colagens de materiais improváveis e contrastes divertidos… Melhor para mim, já que livros como esse são um ensinamento! Ele concorreu este ano ao Jabuti e ganhou o segundo lugar! Espero que gostem!

Helen Nakao
Responsável pela produção gráfica da Companhia das Letrinhas e do selo Quadrinhos na Cia.

O Gato Malhado e a andorinha Sinhá, um livro encantador que fala sobre intolerância e preconceito!

Geane Mantovani
Assistente de produção da Companhia das Letrinhas e do selo Quadrinhos na Cia.

O menino que gritava olha o lobo, do Tony Ross. Acho esse livro muito divertido, por ser uma paródia da fábula do menino pastor. As ilustrações são engraçadas e o final da história também!

Natália
Estagiária do departamento de produção da Companhia das Letrinhas e do selo Quadrinhos na Cia.

Além de ser o mais simpático de todos os animais, e a melhor editora de clássicos do mundo, o pinguim é o símbolo máximo da elegância: sempre de fraque, porte austero, temperamento sóbrio. Para celebrar essa graciosa ave, a Companhia das Letrinhas publicou 365 pinguins, uma ode ao verdadeiro rei dos animais, além de uma inteligente e bem-sacada brincadeira com os números e a matemática.

André Conti
Editor dos selos Quadrinhos na Cia. e Penguin-Companhia das Letras

* * * * *

Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

5 Comentários

  1. […] com um e-mail da empresa. Quando mandei uma mensagem pra todos os funcionários da editora pedindo uma indicação de livro da Letrinhas para o dia das crianças, ele foi o primeiro a responder. Mandou a indicação, o preferido das duas filhas (Barata!, do […]

  2. Ana Rachel Leão disse:

    Adorei o post!
    E concordo com várias das indicações (várias porque não conheço todas…)

  3. bonito mesmo é “bem perto de leo”, do christophe honoré, que vocês lançaram (valeu). pros que acham que vínculos entre irmãos são tão fortes quanto os de pais e filhos, uma leitura extraordinária e convulsiva.

    definitamente não é um livro infantil, mas “os meninos da rua paulo” tampouco é e isso não o afasta da meninada. fora que dar conta da tradução esmerada mas pomposíssima do grande paulo rónai é tarefa complicada pros menores.

  4. […] This post was mentioned on Twitter by Diana Passy, Nanda Dutra, Leila, Arthur Kenzo Higasi, luciana travassos and others. luciana travassos said: RT @cialetras: A equipe da @cialetras recomenda livros para o Dia das Crianças: http://bit.ly/aOYkTm […]

  5. thyago nogueira disse:

    Cheguei atrasado, Júlia! Mas indico MENINOS DO MANGUE, do Roger Mello, um verdadeiro clássico brasileiro. (Pra não dar briga, caro leitor, já compre dois: um pra você e outro pro seu filho.) — Thyago Nogueira, editor.

Deixe seu comentário...





*