Semana vinte e três

Os lançamentos desta semana foram:

O poder da arte, de Simon Schama (Tradução de Hildegard Feist)
Em O poder da arte, Simon Schama escolhe oito momentos tensos do Renascimento. Cada capítulo, recheado de ilustrações coloridas, narra uma virada crítica na carreira de um grande nome da história da arte: Caravaggio, Bernini, David, Rembrandt, Turner, Van Gogh, Picasso e Rothko. São passagens históricas em que os meios plásticos deixaram a beleza em segundo plano e embarcaram em processos que mudaram o modo de entender a pintura e a escultura.

As aventuras da virtude, de Newton Bignotto
Newton Bignotto mostra que havia na França do século XVIII uma linguagem republicana anterior às ameaças efetivas ao regime monárquico, e que encontrou nos anos decisivos da Revolução terreno fértil para se desenvolver. Recriada pelos iluministas em seus passeios pela Antiguidade, transformada por Rousseau, que a ela forneceu uma gramática rigorosa e inovadora, essa linguagem tornou-se um código obrigatório quando o Antigo Regime ruiu definitivamente. Nesse caminho, uma noção ocupou um lugar de destaque: a virtude. Seguir os caminhos e percalços da virtude é uma maneira não apenas de acompanhar o processo de transformação da paisagem política e intelectual da França, mas também de assistir ao encontro da nova realidade do século das Luzes com ideias e concepções de um mundo que já desaparecera.

A segunda confissão, de Rex Stout (Tradução de Renata Guerra)
Apesar de pouco instigante para um detetive de inteligência comparável a sua retumbante estrutura corporal, o gordíssimo Nero Wolfe aceita a tarefa de investigar o jovem advogado Louis Rony. O serviço, encomendado pelo magnata da mineração James Sperling, prometia bons pagamentos, e tudo o que ele precisava era comprovar a filiação do jovem ao Partido Comunista. Mas quando o investigado aparece morto, a sagacidade de Nero Wolfe será posta à prova. As perguntas começam a pipocar: teria o próprio magnata se livrado do que considerava um “câncer comunista”? Ou o
corpo tinha alguma coisa a ver com o misterioso chefão do crime organizado de Nova York, que advertira Wolfe de que a continuidade nas investigações produziriam retaliações inevitáveis?

Nada me faltará, de Lourenço Mutarelli
Numa novela ágil, narrada somente com diálogos, Mutarelli conta a história de um homem que ressurge um ano depois de ter desaparecido junto com a mulher e a filha. Incapaz de se lembrar do que aconteceu, ele precisa enfrentar a cobrança dos amigos e as suspeitas da mãe e da polícia. Leia aqui um texto do próprio autor sobre o estilo minimalista do livro, além de um trecho da obra.

Os andarilhos do bem, de Carlo Ginzburg (Tradução de Jônatas Batista Neto)
Um dos maiores historiadores contemporâneos, Carlo Ginzburg reconstitui um fato até então ignorado e que joga nova luz sobre a questão da feitiçaria. Os “andarilhos do bem” (benandanti) — como são chamados no Friuli, entre o final do século XVI e a primeira metade do XVII, os praticantes de um culto da fertilidade — apresentam-se, num primeiro momento, como defensores das colheitas contra bruxas e feiticeiros, a quem, em sonho ou durante um delírio semionírico, combatem com ramos de erva-doce nas mãos. Caso vençam, as colheitas de trigo ou de uva serão soberbas no ano seguinte; perdendo, o resultado será a fome. Descobridor de uma religiosidade não cristã, ligada à fecundidade agrícola e às crenças perigosas no além, Carlo Ginzburg demonstra neste livro magistral que a erudição mais escrupulosa muitas vezes tem afinidades estreitas com o fantástico.

A ascensão do romance, de Ian Watt (Tradução de Hildegard Feist)
A ascensão do romance é, com razão, considerado um clássico da teoria literária e da história cultural sobre as origens e a sedimentação deste que se tornou o mais popular dos gêneros literários na Inglaterra da primeira metade do século XVIII: o romance. As razões dessa popularidade, assim como do realismo inerente ao gênero, são buscadas por Ian Watt no surgimento da classe média, no individualismo econômico, nas filosofias inovadoras de Descartes e Locke, na secularização da sociedade e nas mudanças ocorridas tanto no público leitor quanto no papel social da mulher.

Outras cores, de Orhan Pamuk (Tradução de Berilo Vargas)
Resgatando as lembranças da infância em Istambul ou discutindo o atual “choque de civilizações”, de que a Turquia é um posto de observação privilegiado, Pamuk compartilha generosamente com os leitores os bastidores de sua criação literária. Obcecado pela exatidão na ambientação de seus enredos, o escritor revisita os lugares em que seus personagens transitam em romances como O livro negro e Neve. Posfácios, discursos e pequenos momentos ficcionais que, segundo o próprio Pamuk, não puderam ser aproveitados nos romances, são reunidos em capítulos curtos, por meio de conexões temáticas e cronológicas. Outras cores sintetiza os interesses multifacetados de seu autor, e ajuda a esclarecer os mecanismos de sua escrita premiada.

Orfeu, o encantador, de Guy Jimenes (Tradução de Álvaro Lorencini)
Uma das mais belas e trágicas histórias de amor de todos os tempos, o mito de Orfeu, o poeta que desce aos Infernos em busca de sua amada Eurídice, é o tema deste novo volume da coleção “Histórias Sombrias da Mitologia Grega”. O volume ainda traz um mapa da Grécia antiga, uma árvore genealógica das personagens, um glossário e um apêndice sobre a origem do mito e as várias interpretações que recebeu, além de apresentar as obras de arte inspiradas por ele, inclusive algumas realizadas no Brasil.

Um Comentário

  1. […] Lançamentos da semana pelo Blog da Companhia das Letras: […]

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