Nota sobre o Jabuti

Aos nossos leitores

1 – A imprensa está dando acolhida a uma petição que corre na internet tentando constranger Chico Buarque a devolver o Jabuti de Melhor Livro do Ano — prêmio conquistado de maneira legal e legítima, escolhido por um amplo corpo de jurados ligados à indústria do livro no Brasil.

2 – A petição tem, entre uma infinidade de nomes duvidosos e repetidos, as assinaturas de Dom Quixote de la Mancha, Jesus Cristo e Pedro Álvares Cabral. Até o nome do próprio Chico Buarque assina o documento.

Como a imprensa pode precisar o número correto de assinantes, se a lista foi propositalmente inflada por uma parcela imensa de nomes falsos e repetidos? Quais critérios teriam os jornais e as revistas para verificar, entre milhares de assinaturas, quais são as autênticas e quais são as falsas? Não é preciso muito para se concluir que esta é mais uma daquelas ações de baixa credibilidade tão comuns na internet.

4 – A ombudsman da Folha, Suzana Singer, e o jornalista Clóvis Rossi fizeram esta semana importante alerta sobre a necessidade de o jornalismo desenvolver mecanismos eficientes para separar informação fidedigna e verdadeira da avalanche de insultos, boatos, falsificações e mensagens apócrifas que a internet despeja todos os dias. O debate cultural sério não pode ser pautado por aqueles que se dedicam à difamação em tempo integral.

5 – Nos dezoito anos de vigência deste regulamento, o prêmio de Melhor Livro do Ano foi concedido por dezessete vezes a um livro que não estava em primeiro lugar nas categorias do Jabuti. A reação ao prêmio deste ano revela tanto desconhecimento da obra do escritor quanto das regras e histórico do prêmio Jabuti.

6 – A Companhia das Letras agradece a manifestação de solidariedade que vem recebendo de leitores, autores, editores, livreiros, jornalistas e agentes literários. Mantemos a nossa convicção de que a obra de Chico Buarque é maior do que este lamentável episódio e que ela ficará — assim como a nossa política editorial criteriosa e de sempre renovado compromisso com a qualidade.

35 Comentários

  1. Adriana de Godoy disse:

    Rogério,
    Amei….rsrsrsrs…elogio aos idiotas é ótimo….rsrsrs…
    Também parodiando Shakespeare, de certa forma é “muito barulho por nada”, vindo da parte de gente que quer brilhar com a estrela alheia.
    Mas sei lá, por minha experiência com um setor bem conservador no Brasil, se não há um embate por parte das pessoas que discordam do autoritarismo, ele pode avançar e quando vemos atingiu proporções desconfortáveis.
    Ninguém precisa disso. Sabemos que há setores que sempre vão jogar sujo, mas tem limites que nós podemos segurar, com uma atitude de defesa das instituições, do debate construtivo, do respeito. Sinto assim.
    Valeu.

  2. Rogério disse:

    “O debate cultural sério não pode ser pautado por aqueles que se dedicam à difamação em tempo integral.”
    Acho que a Cia leva muito a sério essas pessoas que são embaladas por Som e Fúria (perdão Faulkner). Como leitor, ficaria satisfeito se os tratasse com a ironia de Elogio aos Idiotas.

  3. Adriana de Godoy disse:

    Elizabeth e outros,
    Tenho conversado com as pessoas na rua e vejo que o sr. Sergio Machado cometeu o maior erro de sua vida como vendedor de livros nesse país.
    Talvez isso não seja sentido bem agora, mas promete dar seu retorno para ele, com seu aríete da Veja-Que-Porcaria-Nós-Fizemos e seu autor-de-uma-obra-só-que-visa-agora-o-Nobel.
    Essa postura dele, com tons megalomaníacos, afasta os leitores e os cidadãos de bens desse país, que não podem jamais serem colocados sob o julgo de injúrias e calúnias.
    Vejo que eles perderam a grande oportunidade de buscar uma dignidade, uma integridade, que é coisa de poucos.
    Abços.

  4. Adriana de Godoy disse:

    Elizabeth,
    ok, sem problemas, foi um prazer te conhecer e debater.
    a gente se fala.
    se cuida, abços.

  5. elizabeth disse:

    PARA ADRIANA GODOY,
    É ISSO MESMO!
    DEPOIS VOU TE PROCURAR NO FB – ANDO ULTRA OCUPADA, SEM TEMPO PARA NADA – OU QUASE NADA…
    ABÇS, ELIZABETH

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