Semana quarenta e seis

[Novidade: agora é possível acompanhar a lista de livros que a Companhia lançará nos próximos meses]

Os lançamentos da semana são:

Zeitoun, de Dave Eggers (Tradução de Fernanda Abreu)
Abdulrahman Zeitoun decide ficar em Nova Orleans para salvar sua casa durante a passagem do furacão Katrina. A tempestade daquela noite é intensa e a devastação enorme; mas a água escoa rápido. Até que uma torrente invade a cidade. E é então que os efeitos do temporal começam a se tornar mais dramáticos. Neste relato verídico, com cenas tão absurdas que parecem saídas de uma história ficcional, Dave Eggers dá voz a uma família de imigrantes para mostrar como a mistura de desinformação, paranoia e atuação política desastrosa transformaram um cataclismo natural numa injustiça humana de proporções inimagináveis.

O país do Carnaval, de Jorge Amado
A narrativa começa no navio que traz de volta ao Brasil o jovem filho de fazendeiro Paulo Rigger, depois de sete anos em Paris, onde cursara direito e absorvera comportamentos e ideias modernas. Nos primeiros dias que passa no Rio de Janeiro, Rigger tenta compreender um país onde já não se sente em casa, um país que tenta timidamente superar seu atraso oligárquico e ingressar na era industrial e urbana. Sintonizado com os dilemas de seu tempo, o primeiro romance de Jorge Amado já revela uma literatura vívida e calorosa, em que a veia satírica convive com uma profunda compreensão das limitações humanas.

Jakob von Gunten — Um diário, de Robert Walser (Tradução de Sergio Tellaroli)
Composto sob a forma de diário, e publicado em 1909, Jakob von Gunten é o relato da trajetória do jovem de origem supostamente nobre que ingressa no Instituto Benjamenta para aprender a servir. Walser escreveu-o ao longo de 1908, em Berlim, onde, três anos antes, chegara a frequentar ele próprio instituição semelhante. Recheado de elementos autobiográficos, o diário de Jakob von Gunten descreve seu relacionamento conflituoso com o colega Kraus, modelo absoluto de humildade e subserviência, e com os misteriosos proprietários da instituição educacional: o diretor e sua enigmática irmã, mestra adorada. Do conflito do jovem Jakob entre uma suposta grandeza de berço e a certeza de que não será nada na vida, entre o orgulho familiar e o aprendizado da humildade, Walser extrai uma das narrativas mais intrigantes do século. Escritor admirado por Kafka, Thomas Mann, Robert Musil, entre outros, o autor é fonte de inspiração para os maiores nomes da literatura contemporânea.

Ilusões pesadas, de Sacha Sperling (Tradução de Reinaldo Moraes)
Aos dezoito anos, Sacha Sperling causou sensação na exigente cena francesa com este romance de estreia, de forte inspiração autobiográfica. A intensidade dos relatos sobre amor, sexo e drogas na adolescência chegou a lhe render a alcunha de “Rimbaud pop”. No livro, um garoto que mal completou quinze anos já se sente vivido o bastante para contar sua vida, em especial tudo que se passou com ele um ano antes, numa fase de profunda crise existencial. E ele tem mesmo o que contar, começando por suas explorações sexuais com garotas e com um garoto de sua idade, o pasoliniano Augustin, que tem um pé na delinquência e virá a ser seu primeiro grande amor. Não faltam as epifanias nem sempre luminosas, obtidas às custas de muito álcool e drogas, desde maconha até cocaína, passando por anfetaminas e calmantes de farmácia.

O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm (Tradução de Tomás Rosa Bueno)
Janet Malcolm, uma das mais importantes jornalistas americanas do século XX, narra a história de um médico, Jeffrey MacDonald, condenado pelo assassinato da esposa e das duas filhas, e que moveu uma ação inaudita contra um jornalista, Joe McGinniss, que escrevera um livro sobre ele, baseado em entrevistas feitas durante o julgamento e na prisão. Colocando em pauta temas tão polêmicos quanto a ética do jornalismo e a liberdade de imprensa, a clássica reportagem de Janet Malcolm sobre a ética jornalística inaugura a série Jornalismo Literário de Bolso, mais econômica. A edição inclui posfácio de Otavio Frias Filho.

2 Comentários

  1. Adriana de Godoy disse:

    Sim, eu também quero “Jakob von Gunten”, e também “O país do carnaval”, “Zeitoun”, e “O jornalista e o assassino”.

  2. Desde que li no site da Companhia Das Letras a publicação do livro de Robert Walser, “Jakob von Gunten”, tenho estado ansioso. Não é fácil encontrar o autor nas livrarias e a editora presta um grande serviço a quem desfruta da boa literatura.

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