Semana cinquenta e nove

Os lançamentos da semana são:

A ausência que seremos, de Héctor Abad (Tradução de Rubia Prates Goldoni e Sérgio Molina)
“Já somos a ausência que seremos,/ o pó elementar que nos ignora…” são os versos iniciais do soneto atribuído a Jorge Luis Borges que Héctor Abad leu pela primeira vez num papel manchado de sangue ainda fresco. Encontrou-o no bolso do pai estirado na calçada, minutos depois de ter fuzilado por matadores de aluguel. Apenas 20 anos depois o autor conseguiu dar nome à sua dor, reconstruindo a trajetória do sanitarista Héctor Abad Gómez e sua obstinada luta contra as injustiças sociais, além da saga de sua família e as guerras que assolam a Colômbia. Abad mergulhou fundo na alma de seu povo e compôs um livro sensível sem sentimentalismo, cru sem truculência, carregado de dor e surpreendente humor, em que contempla a pequena e a grande história com olhos que já viram e choraram muito.

Por trás daquela foto: contos e ensaios a partir de imagens (Organização de Lilia Moritz Schwarcz e Thyago Nogueira)
Quantas histórias guarda uma imagem? Dirigido aos jovens de idade e de espírito, este livro é uma aula primorosa sobre a fotografia e sobre o que ela pode nos contar, dada por um time de autores tão variado quanto tarimbado. Escritores e jornalistas foram convidados a eleger uma imagem e, a partir dela, criar um conto ou ensaio que falasse de fotografia, mas também de cultura e histórias brasileiras. O resultado — esta coleção de textos saborosos e instrutivos sobre cenas consagradas e comuns, feitas por fotógrafos famosos e desconhecidos — mostra que uma imagem pode render bem mais que mil palavras, e que, por trás de cada foto, ainda há muito que descobrir sobre o Brasil e o mundo, seus personagens e lugares. É só ter olho vivo. (Textos de Humberto Werneck, Pedro Vasquez, Moacyr Scliar, Arthur Nestrovski, Lilia Moritz Schwarcz, Reginaldo Prandi, Alberto Martins e Nina Horta)

Um certo Henrique Bertaso, de Erico Verissimo (Prefácio de Luís Fernando Verissimo)
A epígrafe de Maulraux, “O homem é aquilo que faz”, introduz perfeitamente o tema e os personagens deste livro: a criação da editora Globo no início da década de 1930, em Porto Alegre, pela dupla Henrique Bertaso e Erico Verissimo. Bertaso começou a trabalhar como caixeiro pela Livraria do Globo aos 15 anos. Em Cruz Alta, Erico Verissimo, 17 anos, trabalha num armazém para se sustentar. O amor pelos livros e pela literatura reunirá os dois dali a alguns anos na construção de uma das mais importantes “publicadoras” que opaís já teve — matriz de um modelo de casa que teria papel decisivo no amadurecimento cultural do país.

Equador, de Miguel Sousa Tavares
Um dos maiores best-sellers da literatura portuguesa contemporânea, traduzido para diversos idiomas, Equador traça um retrato primoroso dos últimos anos da monarquia portuguesa, no início do século XX. O protagonista, Luís Bernardo, parte de Lisboa rumo à ilha de S. Tomé, na África, onde assume o cargo de governador, e se depara com uma realidade muito mais complexa e conflituosa do que poderia imaginar.

A lebre da Patagônia, de Claude Lanzmann (Tradução de Eduardo Brandão e Dorothée de Bruchard)
Com espírito libertário e numa prosa efervescente, o autor de Shoah (o documentário que representa para a história do Holocausto no cinema o que a obra de Levi significou para a literatura) reconta uma vida de aventuras, ousadia e toda a sorte de paixões — das intelectuais às amorosas —, transpirando uma alegria selvagem ao descrever, nomear e interpretar os fatos de uma vida que procurou sempre seguir em frente — como a lebre que empresta sua imagem para o livro.

9 Comentários

  1. Josue disse:

    Obrigado. Estarei no aguardo.

    Sugestão: vocês poderiam dar um desconto para quem comprar a coleção toda de maneira antecipada né ? :D

  2. Marco Severo disse:

    Obrigado, você é demais!

  3. admin disse:

    Josue, os livros da coleção chegam às livrarias esta semana.
    Marco, colocarei a lista o quanto antes no post dos 25 anos, provavelmente amanhã, ok?

  4. Marco Severo disse:

    E quando vão publicar os livros com desconto do mês de julho??

  5. Dentre tudo, também amei a foto dos livros, ficou muito linda, tá cada vez melhor!

  6. Josue disse:

    Oi.

    Os 4 primeiros livros da Coleção Prêmio Nobel serão lançados quando ?

    Obrigado.

  7. admin disse:

    Marco e Tiago, a página Futuros Lançamentos não reflete todos os livros programados, é apenas uma amostra do que estamos planejando.
    Os livros de Saramago continuam programados como foi divulgado pelos jornais: “Claraboia” no final do ano, “Alabardas, Alabardas! Espingardas, Espingardas!” em 2012.

  8. Tiago Rodrigues disse:

    E esses livros do Saramago mencionados acima, alguma previsão?

  9. Marco Severo disse:

    Muito bons lançamentos. Finalmente vou poder colocar “A Ausência que seremos” numa lista de compras. O Relançamento de “Equador” pela Companhia também emociona, e o “Por trás daquela foto” também parece-me valer uma leitura.

    Agora, o que me intriga/preocupa é que o romance inédito de José Saramago, “Claraboia”, assim como as páginas de seu romance inacabado, “Alabardas, alabardas! Espingardas, espingardas!” estão sendo anunciados aos quatro cantos do mundo (“Claraboia” tem lançamento previsto para o final do ano), e até agora nada consta na seção “futuros lançamentos” desse blog, nem para o segundo semestre, nem para 2012. Que houve? A Companhia deixará de publicar essas preciosidades Saramaguianas? (Sem falar no segundo volume de “O Caderno”, que saiu em Portugal há bastante tempo e por aqui, até agora, nada).

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