Semana setenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Livro do desassossego, de Fernando Pessoa (edição revista e ampliada)
O narrador principal das centenas de fragmentos que compõem este livro é o “semi-heterônimo” Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros em Lisboa, ele escreve sem encadeamento narrativo claro e sem uma noção de tempo definida. Os temas não deixam de ser adequados a um diário íntimo: a elucidação de estados psíquicos, a descrição das coisas através dos efeitos que elas exercem sobre a mente, reflexões sobre a paixão, a moral, o conhecimento. Nesta nova edição, o pesquisador Richard Zenith estabelece nova ordem, acrescenta trechos recentemente descobertos e descarta outros que só depois da digitalização do acervo do autor puderam ser corretamente compreendidos — a caligrafia difícil dava margem a inúmeros equívocos. Livro fundamental para a compreensão da extensa influência de Pessoa na criação da noção contemporânea de indivíduo, suas páginas revelam o gênio de um autor no seu auge.

Os cantos perdidos da Odisseia: um romance, de Zachary Mason (Tradução de Rubens Figueiredo)
Odisseu está sempre voltando a Ítaca, por mais que os deuses retardem seu regresso à terra natal. Aqui, porém, os acontecimentos escapam a seu controle, e o herói da Guerra de Troia já não se comporta como um guerreiro mítico. Este é um Odisseu de carne e osso, abandonado pelos deuses, que faz a corte a Helena, dá vida a um duplo de Aquiles, enfrenta a ira do ciclope Polifemo e o canto das sereias. E enfim retorna a Ítaca para reencontrar uma Penélope envelhecida e cansada de esperá-lo. Zachary Mason cria 44 cantos para uma história fundadora, reinventado-a a partir de episódios inusitados e explorando as possibilidades imaginativas da literatura.

Poemas, de Wisława Szymborska (Tradução de Regina Przybycien)
Este livro da maior poeta polonesa viva, ganhadora do Nobel e inédita no Brasil, inaugura, ao lado de Omeros, a reedição da coleção de poesia traduzida da Companhia das Letras, com novas capas e projeto gráfico. Aos 88 anos, Wisława Szymborska vive desde menina em Cracóvia, no sul da Polônia. O fato de ter permanecido a vida inteira no mesmo lugar diz muito sobre essa poeta conhecida por sua reserva e extrema timidez. Seus poemas, contudo, viajam pelo mundo. Não são tantos: sua obra inteira consiste em cerca de 250 poemas cuja função, como declarou a poeta no discurso de Oslo, é perguntar, buscar o sentido das coisas. Com sua poesia indagadora, Szymborska foi chamada “poeta filosófica”, ou “poeta da consciência do ser”. No Brasil, teve poemas esparsos publicados em jornais e revistas ao longo dos anos, mas esta edição, com seleção, introdução e tradução de Regina Przybycien, é a primeira oportunidade que tem o leitor brasileiro de lê-la em português. A coletânea de 44 poemas é uma belíssima apresentação à obra dessa importante poeta contemporânea.

Contos e lendas dos Jogos Olímpicos, de Gilles Massardier (Ilustrações de Nicolas Thers; Tradução de André Viana)
No fim do século XIX, o barão de Coubertin, um grande incentivador da prática de esportes nas escolas e admirador incondicional da Grécia, teve uma grande ideia: reviver os antigos Jogos Olímpicos. Assim, em 1986, foram realizadas as primeiras Olimpíadas da era moderna. Desde então, de quatro em quatro anos, homens e mulheres tentam romper os limites físicos da humanidade, de acordo com um dos lemas dos jogos: ser mais rápido, ir mais alto, impor mais força. Os contos deste livro trazem informações sobre a história dos jogos e dados biográficos de alguns atletas ainda pouco conhecidos, entremeados em narrativas de ficção. Alguns deles são cômicos; outros, emocionantes e outros ainda bastante inusitados. Em comum, falam de maneira variada sobre o universo dos esportes, para aqueles que não perdem uma boa história.

Cinco histórias de cinco continentes (Vários autores e ilustradores; Tradução de Heloisa Jahn)
Dizem que as histórias nos fazem viajar sem sair do lugar. Se elas falam de outras culturas, o passeio fica ainda mais interessante. Como numa espécie de volta ao mundo em 120 páginas, este livro apresenta histórias dos cinco continentes do planeta Terra: partindo da Rússia, as narrativas passam pela China, Austrália, Magreb e América do Norte. Um menino que engana a bruxa Baba Yaga com sua esperteza; uma princesinha muito voluntariosa que aprende a sua lição; um papagaio que, com seu sangue colorido, pinta os pássaros; uma lebre que acredita estar sendo perseguida mas acaba descobrindo que tem uma sombra; e uma cigarra que procura um pretendente para casar e acaba arranjando um partidão são os personagens que recheiam esta antologia ilustrada e saborosa.

Um Comentário

  1. Marcos Vilela disse:

    de certo comprarei essa nova edição de pessoa, já que não tenho a antiga. e, nossa, finalmente o livro da wislawa… desde que li uma quadra dela, n’o instante contínuo do geoff dyer (editado pela companhia), sempre quis lê-la em português, não recorrendo — sem desmerecer — às traduções em inglês.

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