“As esganadas”, novo livro de Jô Soares

No dia 22 de outubro chega às livrarias As esganadas, novo romance policial de Jô Soares. A história se passa no Rio de Janeiro, na década de 30, e acompanha os crimes um serial killer de gordinhas.

Noite de autógrafos com Jô Soares
Quarta-feira, 26 de outubro, às 18h
Livraria Cultura – Conjunto Nacional
Loja Companhia das Letras por Livraria Cultura
Av. Paulista, 2073
São Paulo / SP

Veja abaixo a capa (feita por Victor Burton e Angelo Allevato Bottino) e um texto de Luís Fernando Verissimo sobre o livro, que já está em pré-venda.

Como ator e comediante, o Jô é um grande fazedor de tipos. Sabe como poucos construir um personagem, defini-lo com um detalhe e dar-lhe vida com graça e inteligência. Como autor, essa sua maestria se expande: os tipos são postos no mundo e, mais do que no mundo, numa trama — e o seu criador (eu quase escrevi Criador, pois não deixa de ser um trabalho de deus) se solta. Toda a ficção do Jô é feita de grandes personagens envolvidos em grandes tramas.

Os tipos e a trama deste livro são especialmente engenhosos e através deles o autor nos dá um retrato saboroso do Rio de Janeiro no fim dos anos 1930 e começo do Estado Novo — o Rio das vedetes que davam e dos políticos que tomavam, das estrelas do rádio e das corridas de “baratinhas”. E nesse mundo em ebulição chega uma figura portuguesa, saída de um poema do Fernando Pessoa, para elucidar o estranho e terrível caso das gordas desaparecidas que…

Mas não vou revelar mais nada. Um dos prazeres da literatura policial é ir acompanhando o desvendar de uma trama, levados de revelação a revelação por alguém com a fórmula exata para nos enlevar — e enredar. No caso do Jô, quem nos guia é um autor que já provou seu domínio do gênero, e que aqui se supera na perfeita dosagem de invenção, humor e erudição que nos prende desde a primeira página, desde a epígrafe.

Prepare-se para ser enlevado e enredado, portanto. E prepare-se para outras sensações. Só posso dizer que a trama deixará você, ao mesmo tempo, horrorizado e com fome. E que depois da sua leitura os Pastéis de Santa Clara jamais significarão o mesmo.

Luís Fernando Verissimo