Humano, demasiado humano

Por Luiz Schwarcz

Na semana passada falei do orgulho de publicar literatura brasileira. De fato, acho que isso é o mais importante que um editor nacional pode fazer: dedicar-se a seus autores, aos que lhe confiam seu trabalho para a primeira leitura e futura publicação. Conseguir projetar um autor e lançá-lo como merece e, ainda mais, tentar levar sua obra para outros países são funções prioritárias dos que escolheram a mesma profissão deste que assina este post.

Porém, há sempre um porém. Se queremos que nossos livros sejam lidos fora do Brasil, que recebam traduções de importantes editoras em várias línguas — e esse assunto fez parte da minha agenda de trabalho na semana que passei na Penguin dos Estados Unidos e da Inglaterra —, não podemos fechar as portas para a literatura estrangeira, ou hierarquizar livros por serem escritos nessa ou naquela língua.

Não há nacionalismo que resista a um mau livro. Não há também nacionalismo que evite que a literatura seja por natureza universal, e que através dela possamos levar nossa emoção e sensibilidade para onde houver uma boa história, ou melhor, uma história bem contada.

Por isso meu post de hoje traz a lista de alguns destaques do nosso catálogo do ano que vem escritos, para o nosso deleite, em outros cantos do planeta, e que chegam a nós simplesmente porque não vale impor limites alfandegários a algo demasiado humano.

Bom ano a todos e obrigado pela leitura.

* * * * *

A prosa de Roberto Bolaño (Chamadas telefônicas), Juan Pablo Villalobos (Festa no covil), Hector Abad (Receitas para mulheres tristes) e Javier Marías (com o premiado Os enamoramentos).

A viagem de Oliver Sacks ao coração do México (Diário de Oaxaca) e à mente humana (Alucinações).

Os mistérios de Dennis Lehane (Estrada escura, último romance da série de Kenzie e Gennaro) e Patricia Cornwell (Scarpetta).

Os monumentais romances de Jeffrey Eugenides (A trama do casamento), Thomas Pynchon (Contra o dia) e Laurent Binet (com o premiadíssimo HHhH).

Uma história do câncer (O imperador de todos os males, de Siddhartha Mukherjee, vencedor do Pulitzer) e duas sobre o universo (A magia da realidade, de Richard Dawkins, e A realidade oculta, de Brian Greene).

Os quadrinhos de Daniel Clowes (Wilson) e Craig Thompson (Habibi).

A prosa inventiva de Georges Perec (As coisas, primeiro romance do autor de A vida: modo de usar) e José Luis Peixoto (em seu premiado romance, Livro).

As ideias de Simon Winchester (Atlântico), Thomas Friedman (Éramos nós), Sylvia Nasar (A grande busca), James Gleick (A informação), Kwame Anthony Appiah (O código de honra), Robert Darnton (O diabo na água benta) e Stephen Greenblat (The swerve, vencedor do National Book Award).

Os ensaios de David Foster Wallace e Jonathan Franzen.

Os suspenses de Henning Mankell (A quinta mulher) e Arnaldur Indridason (Vozes).

As biografias de Mick Jagger (por Philip Norman), Frank Sinatra (James Kaplan), Malcolm X (Manning Marable), Stieg Larsson (Jan-Erik Petterson), Van Gogh (Steve Naifeh & Gregory White Smith) e Gandhi (Joseph Lelyveld).

O pensamento científico de Steven Pinker (The better angels of our nature) e  E. O. Wilson & Ber Hölldobler (O superorganismo).

A prosa de Paul Auster (Sunset Park) e David Grossman (Fora do tempo).

Os vencedores do prêmio Nobel, Orhan Pamuk (A casa do silêncio), Saul Bellow (O legado de Humboldt) e V.S. Naipaul (Miguel Street).

Os ensaios de Claude Lévi-Strauss (A antropologia diante dos problemas do mundo moderno e A outra face da lua).

A prosa poética e comovente de Mia Couto (Histórias abensonhadas).

As reportagens de Roberto Saviano (A máquina da lama), Ryszard Kapuscinski (Xá dos xás) e David Remnick (O túmulo de Lênin).

As memórias de Salman Rushdie durante o período de perseguição religiosa.

Os grandes clássicos Ulysses, de James Joyce, e Ligações perigosas, de Choderlos de Laclos, ambos em novas traduções.

Os romances de Arthur Miller (Foco), John Boyne (O absolutista), Teju Cole (Open city) e Steve Sem-Sandberg (Os destituídos de Lodz).

A poesia de Adonis, Paul Auster e Elizabeth Bishop.

* * * * *

Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Ele contribui para o Blog da Companhia com uma coluna semanal chamada Imprima-se, sobre suas experiências como editor.

25 Comentários

  1. Diana (admin) disse:

    Oi, Francisco. “A informação” chega às livrarias em maio.

  2. Luiz,
    quando a Cia. das Letras está pensando em publicar “A Informação” do James Gleick? Ele consta dessa sua lista para 2012, que já passou, mas além dela não descobri no site outra menção ao livro. Até pensei em importar de Portugal. Será mesmo publicado? Gostaria de saber.
    Obrigado,
    Francisco Sá Godinho.

  3. Diana (admin) disse:

    Roberto, não sei quando você mandou seus manuscritos, mas só para lembrar: no momento estamos fechados para análise de originais. Voltaremos a receber material em março (a página para consulta dessas informações é http://companhiadasletras.com.br/contato.php)

  4. […] Para maiores informações sobre as obras nacionais, leia o post “Orgulho nacional”. Já para os livros estrangeiros, veja “Humano, demasiado humano”. […]

  5. Adriana de Godoy disse:

    Oi Amanda,
    Acho que sua resposta vai de acordo com o que eu postei, já que estamos falando de mercado europeu com uma moeda em comum, mais forte que o dólar, o que naturalmente não afeta os interesses nacionalistas dos ingleses. Ser inglês e europeu não é um contrassenso.
    Obrigada pelo debate. Bom fim de ano.
    Bom fim de ano a todos.

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