O que deu para fazer em matéria de história de amor

Nesta sexta-feira chega às livrarias O que deu para fazer em matéria de história de amor, novo romance de Elvira Vigna (vencedora do prêmio de ficção da Academia Brasileira de Letras). Veja abaixo um vídeo em que ela conta um pouco sobre o livro:

Sinopse:

Os mesmos fatos. Que mudam, dependendo de como são contados. Pode ser que façam uma história de amor. Do tipo amor total, desses que só se ouve falar. Pode ser que façam a história de um crime. No fim, uma questão de escolha. A narradora deste livro se vê debruçada sobre a vida de duas pessoas. Já mortas. São lembranças sem importância. Vestígios concretos de uma vida. Ilações a partir de quase nada.
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Ela arruma um apartamento para venda. Precisa jogar coisas fora. Precisa também resolver o que fará quando acabar a tarefa. Faz um jogo consigo mesma. Se conseguir entender a vida daquelas duas pessoas como sendo uma história de amor, poderá fazer a mesma coisa com sua própria vida.
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Seu caso com Roger dura há décadas. Não estão juntos. Não estão separados. São sócios em uma galeria de arte. Conhecem-se desde a adolescência.

A unir as duas histórias — a do casal já morto e a da narradora e Roger —, uma situação de adultério. Uma transa rápida, fugidia, sem demonstrações de afeto. Mas com consequências. A questão, no entanto, não são as consequências. Mas as causas. Ao reviver ou inventar o que aconteceu com Rose e Arno, a narradora procura entender o que aconteceu com ela própria.

Há uma obra no apartamento ao lado. Um pedreiro que conheceu Arno e que pode saber mais do que diz. Há um quadro de Arno a ser encontrado. Há uma vizinha curiosa. Um remédio que está onde não deveria estar. E, principalmente, há o peso da Segunda Guerra, das migrações forçadas e das mortes, mais presentes ainda em quem conseguiu ficar vivo. E nos filhos dos filhos de quem enfrenta situações-limite, impossíveis de esquecer.

Isso tudo em um apartamento caindo aos pedaços, em um Guarujá nem um pouco festivo. É agosto. Todos foram embora. Seus habitantes aparecem aqui, ali, em grupinhos pelas esquinas. A cidade está deserta. A ressaca come o calçadão. E chove sem parar.

Site da autora: http://vigna.com.br
Twitter: http://twitter.com/elviravigna

5 Comentários

  1. […] O que deu para fazer em matéria de história de amor, da Elvira Vigna | Post no Blog da Companhia […]

  2. Ronaldo Cagiano disse:

    Sem dúvida, este é mais um grande livro de uma das mais originais e talentosas autoras da literatura brasileira. Obra radical na linguagem e no desenvolvimento do tema, um verdadeiro desafio para o leitor que mergulho num universo profundo de um narrador às voltas com suas inquietações afetivas e estéticas.

  3. Marco Severo disse:

    Comprei o livro, junto com o “Nada a dizer”. Doido pra devorá-los! Prometem, ambos.

  4. […] Resenha que dá vontade de ler o livro: O que deu para fazer em matéria de história de amor, novo romance de Elvira Vigna, resenhado pela Diana. (fonte: Blog da Companhia das […]

  5. Marco Severo disse:

    A mim, pareceu idêntica à história de “O último mamífero do Martinelli”, obra clássica do saudoso Marcos Rey, na qual um político se refugia no Martinelli, abandonado, e passa a visitar cada reentrância daquele enorme prédio, e ao fazê-lo, revê momentos de sua própria vida, e inventa detalhes da vida e da história dos outros a partir do que vai encontrando nos muitos outros recônditos do lugar.

    Será que a Elvira leu a obra do Marcos?

    De qualquer forma, pareceu-me interessante, até para comparar as duas obras.

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