Quem é quem na Companhia das Letras

Nome: André Conti

Há quanto tempo trabalha na editora? Em 2004, traduzi um gibi, Fagin, o judeu, e depois passei a colaborar com a Cia. Fazia os chamados aparatos, que são os textos de orelha, quarta capa e divulgação, e ajudava a editar o jornalzinho de lançamentos. Fui contratado como editor-assistente no fim de 2005 e passei a editor em 2008.

Função: Como assistente da Maria Emilia, aprendi a editar textos, selecionar originais, negociar prazos, lidar com colaboradores e autores, enfim, quase toda a cadeia do livro, que tentamos acompanhar de ponta a ponta. Depois, passei a editar HQs, no selo Quadrinhos na Cia., e clássicos, pela Penguin-Companhia. Eram dois projetos novos, e foi legal trabalhar neles desde a concepção até o lançamento. No início do ano, passei a cuidar apenas de quadrinhos.

Um livro: Poesia completa, José Paulo Paes

Uma citação ou passagem de livro: “Com um grande estrépito de cadeiras, caixotes de munição na vertical, bancos e divãs, a turba do Pirata reúne-se às margens da grande mesa do rancho, uma ilha meridional a alguns trópicos de distância das frias fantasias medievais de Corydon Throsp, as volutas escuras de seus veios de nogueira cobertas agora com omeletes de banana, sanduíches de banana, tortas de banana, bananas amassadas moldadas em forma de um leão rampante como o do brasão da Inglaterra, banana com ovos como massa de rabanada, esguichada de uma bisnaga de modo a escrever, sobre a trêmula e cremosa superfície de um manjar de banana, as palavras C’est magnifique, mais ce n’est pas la guerre (atribuídas a um observador francês durante a carga da Brigada Ligeira), que o Pirata adotou como seu lema… galhetas altas de pálido xarope de banana para ser despejado sobre waffles de banana, um gigantesco jarro vitrificado onde rodelas de bananas estão fermentando desde o verão, misturadas com mel bruto e uvas moscatel em passa, do qual se pode agora retirar, nesta manhã de inverno, conchas de hidromel de banana… croissants de banana e kreplach de banana, aveia com banana e geleia de banana e pão de banana, e bananas flambadas no conhaque envelhecido que o Pirata trouxe ano passado de um porão nos Pirineus onde havia também um transmissor de rádio clandestino…” (O arco-íris da gravidade, Thomas Pynchon)