Rosemary Fields Forever…

Femme nue devant sa glace, de Henri de Toulouse-Lautrec

1. Desculpem o título da crônica, não tem nada a ver com o assunto. É que, ao ver nos jornais as fotos aterradoras da esfíngica Rosemary Noronha, não resisti ao infame e kafkiano trocadalho…

2. O assunto, na verdade, é a bunda do Philip Roth. Ou, antes: a bunda da Rita Lee.

3. Há algumas semanas, tocamos, os Titãs, num festival em Brasília. Alegrei-me em saber que a Rita se apresentaria no mesmo festival, pois as notícias eram de que ela havia se aposentado.

Ainda no camarim, ouvi que Rita, no palco, cantava Ovelha Negra. Sou fã dessa canção e o solo de guitarra concebido originalmente por Luis Carlini é pra mim o melhor solo de guitarra do rock brasileiro (naquele momento ele estava sendo executado por dois craques, Bob Pai e Bob Filho, Roberto de Carvalho e Beto Lee, respectivamente).

Subi ao palco para vê-los tocar. Era a última música do set de Rita, e quando terminava a canção, depois de se comunicar com o público e mandar recados diretos e bem-humorados para a presidente Dilma, Rita virou de costas para o público, baixou as calças e presenteou a Esplanada dos Ministérios com a visão de sua bunda.

Uma surpreendente, bela e enxutíssima bunda, diga-se de passagem.

Quem é rainha nunca perde a majestade.

4. Alguns dias depois do evento, tomei conhecimento de uma entrevista de Philip Roth a um jornal francês, em que o escritor anunciava sua aposentadoria. A entrevista me pareceu um tanto sinistra e depressiva, e torci para que o anúncio da aposentadoria de Roth, assim como o da de Rita Lee, fosse um blefe.

Espero que Philip Roth nos surpreenda a qualquer hora com a visão de sua bunda enxuta e tonificada. Afinal de contas, o rei está nu.

5. Em tempos da baixa visibilidade, bundas – munidas ou não de lentes de Fresnel – podem funcionar como faróis de sinalização e boias de luz.

* * * * *

Tony Bellotto, além de escritor, é compositor e guitarrista da banda de rock Titãs. Seu livro mais recente, No buraco, foi lançado pela Companhia das Letras em setembro de 2010.

6 Comentários

  1. Agora cheguei aqui, obrigado.

    Sobre R. Lee, admito que admiro mais artistas que não se contentam com as glórias passadas e verbalizam suas indignações com música (pode ser instrumental, DUOFEL fazendo “Surfando no Trem” é muito mais “menino travesso” que qualquer “Lança Perfume” cantado hoje em dia), e esse claramente não é o caso de Rita Lee, cujos “stage banters” ganharam tamanha e previsível proporção simplesmente porque ninguém se recorda qual foi o último bom disco que ela tirou do forno, e ela capitaliza em cima disso.

  2. Michelle Adelário disse:

    Boa tarde, Tony! Sou jornalista, repórter da Folha do Povo, considerada o principal jornal da cidade de Itaúna, em Minas Gerais. Estamos acompanhando a polêmica em torno do livro Os Insones, inclusive, já publicamos uma matéria, acabamos de receber uma manifestação dos pais e voltaremos ao assunto na edição deste sábado, 08. Gostaríamos do seu posicionamento, se possível, por meio de uma entrevista. Como podemos entrar em contato? Aguardo retorno. Abraços!

  3. Tony Bellotto disse:

    A bunda da Rita é bem mais interessante do que comentários polêmicos, Rody, tenha certeza disso…nada como um doce e silencioso marasmo, em que posso me concentrar e dar seguimento ao Bellini que, sem duplo sentido, cresce em minhas mãos.

  4. Rody Cáceres disse:

    Salve, Tony! Depois de uma polêmica, nada melhor do que o marasmo de um post com poucos comentários, não é?

    Fiquei curioso para ver a bunda da Rita!

    Abraços!

  5. Tony Bellotto disse:

    valeu, Joca! que esse filhadaputa continue a fazer chover sempre em nosso piquenique!

  6. joca terron disse:

    Caro Tony

    Rita Lee sempre desafiou a gravidade, então não vejo porque sua bunda não faria o mesmo, haha. Como disse o Leminski, “Tudo que li/ me irrita/ quando ouço/ Rita Lee”. Bom texto!

    Abrazo

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