Passo a passo: Getúlio, vol. 2

Esses dias Lira Neto esteve aqui para falar sobre as imagens do segundo volume de Getúlio. Especialmente em biografias e, de modo geral, em livros de não ficção, a escolha acertada da iconografia contribui imensamente para a experiência do leitor. Mas o desafio do autor e do editor é grande: é preciso fugir daquelas imagens muito conhecidas, que por vezes só promovem a reiteração de clichês, e também procurar estabelecer um diálogo construtivo entre texto e imagem, evitando a escolha, por exemplo, de fotografias meramente ilustrativas ou que não tenham conexão com episódios narrados no livro.

Como pesquisador quase obsessivo que é, Lira não descuida da pesquisa iconográfica. Além de visitas ao CPDOC da Fundação Getúlio Vargas e a acervos e arquivos diversos por todo o país, o autor vasculhou sites de compras na internet em busca de memorabilia referente ao período getulista, onde encontrou coisas curiosíssimas (e que tanto dizem da época…), como pequeninas esculturas de bronze e latão do então presidente: em uma bolinha quase portátil, sem membros, são esculpidos os traços de GV! Entre cartilhas escolares com a biografia do líder, apostilas de canto orfeônico (concebido por Heitor Villa-Lobos como atividade cívica durante o Estado Novo) e caricaturas da revista Careta, passamos uma agradável tarde fazendo a primeira triagem para os cadernos.

Mas nem tudo são flores. Há muito trabalho e burocracia por trás das imagens estampadas em nossos livros. Ana Laura e Erica, do nosso departamento de iconografia, se encarregam do processo todo, da pesquisa ou contratação de pesquisador à liberação dos direitos de acordo com os usos pretendidos. Além disso, cuidam dos contratos com fotógrafos, ilustradores, artistas, fotografados, instituições detentoras e organizam  pagamentos. Por fim, recebem os arquivos em alta resolução e os enviam para o departamento de arte, que verifica qualidade, resolução e tamanho. Todas as imagens que são publicadas nos livros da editora passam pelas mãos delas: as que entram no miolo e na capa dos livros impressos e digitais, no material de divulgação e no site da editora, e as fotos dos autores nas orelhas.

Na próxima semana voltamos com mais informações do backstage!

5 Comentários

  1. […] fim, retomando o último post, em que falamos sobre a seleção de imagens, o departamento de iconografia fechou com Lira o uso […]

  2. Lira Neto disse:

    Prezada Aline;

    O nome da FGV é realmente Fundação Getulio Vargas, assim, sem acento. Mas, no livro, resolvemos padronizar todos os nomes próprios seguindo os critérios do Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, publicado pelo próprio CPDOC da FGV. Nele, o verbete relativo ao ex-presidente vem grafado da seguinte maneira: “VARGAS, GETÚLIO” (com acento). Na introdução do Dicionário, explica-se: “Com a finalidade de unificar e padronizar a grafia de topônimos e antropônimos da língua portuguesa, conforme fazem as mais respeitadas obras em que a matéria é ordenada alfabeticamente, adotamos o princípio de atualizar todos esses nomes de acordo com a ortografia vigente”.

    Grande abraço!

  3. aline naomi disse:

    Olá!
    Estudo na FGV e por lá nunca vejo registrado o nome do Getulio Vargas com acento (Getúlio). Isso foi pesquisado, o nome de batismo dele tinha mesmo acento?
    Obrigada!

  4. Diana (admin) disse:

    Obrigada pelo aviso, Adriano. Já corrigimos a informação no post.

  5. Adriano Gomes Filho disse:

    Amigos da Cia. das Letras,

    Apenas um pequeno reparo no texto: é “Cpdoc”, e não “Cepedoc” como está escrito.

    No mais, excelente a iniciativa de compartilhar com o público o processo de construção do livro.

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