Samurai total

Por Sofia Mariutti

Tarefa difícil é fazer a poesia de Paulo Leminski caber num livro só. Se Leminski era múltiplo — poeta, romancista, tradutor, biógrafo, compositor, professor, jornalista, publicitário e faixa preta de judô —, também múltipla é a sua obra poética. Cultura oriental, MPB, movimento operário polonês e cinema americano: eis algumas das influências do mestre curitibano, que criou de tudo um pouco, de poemas concretos e haikais a versos líricos e canções populares.
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Além de experimentar todas essas formas, Leminski fazia a poesia dialogar com outras artes. Em Quarenta clics em Curitiba (1976), hoje uma raridade, fotografias de Jack Pires figuravam ao lado dos versos, numa espécie de portfólio com folhas avulsas; em certa página de Distraídos venceremos (1987), lê-se a seguinte nota de rodapé: “Este poema já foi musicado duas vezes. Uma por Moraes Moreira, outra por Itamar Assumpção. Que tal você?”; em Winterverno (2001), eram os desenhos de João Virmond Suplicy Neto que conversavam com os poemas.

Se os versos de Leminski já foram desenhados, cantados e até pichados, como dar forma de livro a Toda poesia, sem abrir mão de sua pluralidade? Este foi um dos maiores desafios do projeto. Acabamos nos dedicando à nossa especialidade (e à dele): o texto. A partir de um longo diálogo com Alice Ruiz, poeta e companheira de Leminski por décadas, repensamos cada livro e cada verso — muitas vezes, era difícil distinguir quais quebras de verso eram intencionais e quais eram consequentes da largura dos livros da Brasiliense à época.

Para não perder o melhor dessas edições, reunimos no apêndice a introdução de Haroldo de Campos e a quarta capa de Caetano Veloso a Caprichos & relaxos, entre outros textos de apoio que integravam os livros originais, além de “Leminski, o samurai malandro”, ensaio memorável de Leyla Perrone-Moisés. Contamos com Alice também para a apresentação, em que ela relembra o encontro dos dois e a história de cada um dos livros que integram Toda poesia. Para escrever uma nota sobre o cancioneiro de Leminski, convidamos o crítico e compositor José Miguel Wisnik, que, além de compartilhar as origens desse “polaco loco”, é seu parceiro em algumas canções.

Mas se Toda poesia, que nesse momento já deve estar na gráfica, reúne a obra escrita e publicada de Leminski, temos a sorte de poder acessar uma extensa produção extratextual dele e sobre ele na internet. Vídeos, fotos, músicas. Embora não tenha vivido em tempos digitais, Leminski está em cada canto da rede: tem ao menos seis perfis no twitter e outros seis no facebook, aparece em vídeos no youtube e é homenageado em blogs de fãs e mais fãs. Abaixo alguns links que selecionamos para aquecer a chegada de Toda poesia (que estará nas livrarias no fim de fevereiro).

Evoé Leminski!

Especial Paulo Leminski – Programa “Meu Paraná”:
Parte I, com Ruy Castro:

Parte II, com Caetano, Moraes Moreira, Alice Ruiz:

“Dor elegante”, parceria de Leminski e Itamar Assumpção, por Itamar:

Documentário “Ervilha da fantasia”: Leminski fala sobre poesia, judô, psicanálise:

Leminski (voz e violão), acompanhado de Kito Pereira (bateria e percussão) canta três composições de sua autoria: “Mudança de Estação”, “Valeu” e “Verdura”. Curitiba, anos 1980:

Documentário “Polaco loco paca”, de João Knijnik, década de 1980: Leminski fala sobre o prazer da linguagem, sobre a função poética, e recita trechos de poemas. Com participação de Alice Ruiz:

Leminski faz uma defesa do graffiti como fenômeno poético, em 1985, na Reitoria da Universidade Federal do Paraná:

Poemas de Leminski pichados em São Paulo: http://pauloleminskipoemas.blogspot.com.br/2009/07/pichacoes-de-leminski-em-sao-paulo.html.

Lista de algumas das gravações das canções de Paulo Leminski: http://www.elsonfroes.com.br/kamiquase/musica.htm

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Sofia Mariutti é editora da Companhia das Letras.

7 Comentários

  1. Ramon de Córdova disse:

    Leminski acordado…
    Poesia amanhecendo.
    O amor, canta de cor!
    Coração palpita…
    A corda desnuda o palco.
    A oração agita!
    Verbo Ser…
    Só mesmo sendo.
    Luz,
    Página,
    A-ção!

  2. Conheci a obra de Paulo Leminski há 2 anos.Me apaixonei!

  3. Fluido disse:

    Talvez com um pouco de ciúme eu digo que “Pixações de Paulo Leminski pela cidade”, nada. Seria “Pixações de Paulo Leminski por São Paulo”. A cidade, no contexto, se tem uma, é Curitiba.

  4. José O. disse:

    anseios crípticos pela chegada deste volume

  5. Leminski é daqueles escritores IMPRESCINDÍVEIS!

  6. Mariana Mendes disse:

    adorei, Sofi!Cinco mil vai ser pouco, eita livraço!

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