Quem é quem na Companhia das Letras

Nome: Alexandra Muller

Há quanto tempo trabalha na editora? 17 anos

Função: Vendedora. Meu trabalho é visitar os clientes, descobrir se precisam repor alguns livros, cuidar do acervo das lojas, verificar exposição, falar sobre as novidades, criar novas oportunidades para determinados livros, dar suporte no acerto das consignações, enfim, bastante trabalho. Que bom!!!

Um livro: Me recuso a falar de um único livro. Vou falar de dois, pode ser? Deixa, vai?
Minha querida assombração, de Reginaldo Prandi. Esse livro é mágico, me fez voltar no tempo, mas não em qualquer tempo: eu voltei no tempo da minha infância, quando íamos eu e minhas duas irmãs na casa da Bisa e da Avó, e como uma boa casinha de interior (naquele tempo era), não tinha luz elétrica (era lampião) e, consequentemente, não tinha televisão (rs). A Bisa abusava disso, e para fazer a criançada dormir mais rápido começava contando umas histórias de puro terror. Bastava fechar os olhos e ler o livro… que me fazia voltar, ops! Eu tinha que continuar de olhos bem abertos, afinal, estava lendo Minha querida assombração. Ficava pensando: “Esse Reginaldo… Só pode ter conhecido a minha bisa”. Como pode? Descrever com tamanha maestria coisas que só eu e minhas irmãs sabíamos? Deste dia em diante fiquei fã deste incrível escritor que transita por várias áreas e sempre com muita qualidade literária. Dele, a editora já publicou livros, infantis, juvenis, policial…
O outro livro? O décimo primeiro mandamento, de Abraham Verghese. O livro começa com a incrível história de um parto, mas também não é qualquer parto; é O Parto. Aquele cheio de dificuldades, irmãos gêmeos unidos pela cabeça. Normal? Não, de forma alguma. Fórceps também não, teria que ser uma cesária, mas e a mãe? Ela já estava quase sem forças, mas e as crianças? Precisavam nascer. Após o nascimento, vamos acompanhar esses dois personagens tão parecidos e tão diferentes. E tem ainda um detalhe… O que seria o décimo primeiro mandamento? Eu só conhecia dez, até ler este livro.

Uma citação ou passagem de livro: “Você se torna eternamente responsável por tudo aquilo que cativas”. — O pequeno príncipe (e eu realmente acredito nisso)

Sua parte favorita do trabalho: Quando chego a uma livraria e começo a falar sobre os livros. Eu realmente acredito no potencial de cada um deles e procuro passar isso aos meus clientes, e fico muitíssimo feliz quando volto à mesma livraria e descubro que aquele título foi parar na mesa dos mais vendidos. Aí vem o vendedor e me diz: “Este livro é realmente incrível, li, indiquei e ele está fazendo sucesso”. Esta é a parte mais bacana.

Por que você decidiu seguir essa carreira? Eu trabalhava no departamento comercial, atendia as pessoas ao telefone, tirava pedidos e atendia também na lojinha da editora, destinada ao atendimento de colaboradores, professores, autores, enfim. Trabalhei também em algumas feiras e bienais e sempre gostei de gente (rs), é verdade… Quando surgiu a oportunidade de trabalhar na rua, pensei: “Vou unir o útil ao agradável”. Hoje, trabalho na rua e o mais bacana disso tudo é que meus dias são sempre diferentes uns dos outros e neste ramo conheci muitas pessoas interessantíssimas, pessoas comprometidas com o livro, algumas nem tanto, mas pessoas são diferentes e isso é muito legal.

Uma história que você se lembre da editora: Existem gigantes que sabem tratar bem os pequeninos (isso é uma das qualidades que mais admiro em um ser humano). Dito isso, contarei agora uma das histórias da Companhia das Letras que mais me sensibilizou.
José Saramago esteve no Brasil pela última vez acho que foi em 2008, no Sesc da Vila Mariana. Após a palestra ele daria autógrafos, mas como não era qualquer escritor (era o José Saramago!), a fila dobrava a esquina do Sesc, e nós (os organizadores) estávamos muito preocupados com a saúde do nosso querido autor, que (não sei se me recordo bem) já estava com a saúde debilitada. Enfim, fomos perguntar a ele: “O senhor dará quantos autógrafos?”. E ele responde: “Quantos forem necessários e até a última pessoa da fila”. Aquilo realmente me impressionou e eu pensava: “Será que ele sabe quantas pessoas tem nesta fila?”. E, como se não bastasse, lá pelo final da fila havia um garotinho com um papelzinho nas mãos, querendo o tão famoso autógrafo, e alguém disse: “Garoto, só com livro você pode pegar o autógrafo”, mas o Saramago escutou e disse: “De forma alguma! Venha cá que lhe darei o autógrafo”. Impressionante! Era ou não um gigante?

14 Comentários

  1. Camila F. Meloque disse:

    Alê !!!!

    Muito profissional e muito especial.
    Adoro vc , Peruaaaaaa …..kkkkk

    bjssssss,
    Camila Meloque

  2. Lilu disse:

    Alê, você é uma linda! Morro de saudades!

  3. Camilla disse:

    Parabéns Ale,
    Você é um exemplo que me inspira! Sua alegria e amor pelo trabalho são contagiantes! Muitas Felicidades!!! bjs

  4. Raquel disse:

    Ale,

    você me emociona e encanta muito com essa sua maneira apaixonada de falar dos livros. Admiro muito sua capacidade de ser ponderada e tratar a todos com respeito e educação, mesmo nos momentos mais difíceis.
    Além de tudo é uma mulher muito bonita!

    Beijo grande.

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