Diário de Paraty: 7 de julho de 2013 – Como eu perdi meu encontro marcado com a História

Por Laurent Binet (Tradução de Rita Mattar)

Na verdade, houve sim uma manifestação em Paraty, mas ela começou às 15h, e não ao meio-dia, como eu pensava, bem na hora do meu encontro com Aleksandar Hemon. Ele contou como, no Onze de Setembro, apesar de estar nos Estados Unidos, não teve a impressão de estar vivendo um momento histórico, ao contrário de inúmeros americanos.

Da minha parte, confesso ao público que meu desejo de vir ao Brasil se viu reforçado pela perspectiva de descobrir um país em ebulição política e pelo desejo, em certa medida, de ir ao encontro da História, mas me vejo afinal, como de costume em todos os outros países que já me convidaram a visitá-los, em um palco, diante de um público, falando sobre meu livro. Eu nem digo “fazer parte”, mas simplesmente “margear” a História é algo bastante complexo.

Ao final da mesa, no entanto, ouvimos gritos de manifestantes vindos de fora. O público ri, e as pessoas me dizem: você poderá finalmente encontrar a História! De fato, já na saída vejo manifestantes aglomerados sobre a ponte, mas nós esperamos sob uma outra tenda, na direção oposta, para autografar livros, então dou as costas aos manifestantes. A mesa fez tanto sucesso que levamos uma hora para assinar todos os livros. Quando terminamos, os manifestantes se foram, o trem da História passou e eu o perdi mais uma vez.


Obrigado a Marina Araujo – uma verdadeira jornalista – pelas fotos.

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Laurent Binet nasceu em Paris, em 1972. Formado em literatura pela Universidade de Paris, é escritor, professor e autor de dois livros de não ficção. HHhH, seu primeiro romance, teve calorosa recepção crítica na França e recebeu, em 2010, o prêmio Goncourt para romances de estreia. Ele está no Brasil como convidado da 11ª Festa Literária de Paraty e participou da mesa “O espelho da história” no sábado.

Um Comentário

  1. Sergio Benatti disse:

    Decepcionantes todos esses posts de Binet! Parece que ele queria presenciar uma sessãozinha de guilhotina para ter o que narrar depois. Quase não falou de Literatura! Impressões “chulé” da cidade…

    Lydia Davis teria feito muito melhor e com menos espaço.

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