Minhas promessas para 2014

Por Juan Pablo Villalobos

Wind Turbines

1. Parar de roubar no quilo.

2. Não fazer piadas e xingamentos xenofóbicos durante a Copa (inclusive contra a Argentina e especialmente se o México perder de novo para a Argentina).

3. Começar todas minhas frases assim: “Mas porra…”

4. Cobrar dos amigos pelo guacamole (chega de ser explorado etnicamente!).

5. Patentear a receita de farofa à mexicana que inventei e virar rico.

6. Arrumar um sotaque enigmático.

7. Soltar no México o boato de que eu conheço Fernanda Lima.

8. Parar de usar meus filhos para furar filas.

9. Terminar todas minhas frases assim: “porra!”

10. Escrever um livro críptico que ninguém vai entender e ninguém vai comprar e ficar super tranquilo achando que sou um gênio graças aos milhões ganhos com os royalties da receita de farofa à mexicana.

11. Achar o cabeleireiro perfeito num raio de cinco quilômetros da minha casa.

12. Falar a seguinte frase para meu gastroenterologista: “Mas porra, eu sou mexicano, porra!”

13. Ser convidado ao aniversário de um amigo de um amigo para, finalmente, encontrar destino para essa garrafa péssima de vinho que um amigo de um amigo me deu de presente no meu aniversário.

14. Parar de criticar livros que não li (à exceção de Paulo Coelho).

15. Expor na Bienal de Veneza (ou Basileia) os desenhos da minha filha de quatro anos.

16. Convencer a prefeitura de Campinas e o governo do estado de São Paulo a usar essa porra de vento de Campinas numa central eólica.

17. Viajar ao Uruguai como membro de uma comissão internacional verificadora da legalização da maconha.

18. Entender por que o paulista gosta de comer pastel na praia.

19. Parar de sorrir quando um cretino me dá tapinhas nas costas.

20. Comer um prato de arroz, farofa e espaguete sem ter bebida para acompanhar e assobiando o hino brasileiro.

21. Aprender a usar de maneira correta e no contexto certo as palavras: cacete, caralho e mimimi.

22. Falar a seguinte frase para meu otorrinolaringologista: “Mas porra, você cobra comissão por passar receita de antibiótico, porra!?”

23. Colocar o gato de dieta.

24. Parar de falar “imagina!” de maneira irônica para minha sogra.

25. Comprar um drone e programá-lo para trazer tacos al pastor e tequila do México.

26. Roubar um Rothko para essa parede enorme da sala.

27. Entender o contexto no qual fica legal chegar gritando: “E aí, galera!”

28. Popularizar no mundo hispânico a expressão “cara” para não ficar angustiado cada vez que tenho que traduzi-la.

29. Bloquear de minha memória a história do rei do camarote.

30. Parar de me irritar cada vez que alguém diz que uma coisa é “charmosa” ou “chique”.

31. Solicitar ao Congresso Brasileiro declarar ilegal o sertanejo universitário.

32. Dar um tapa bem forte na cabeça dos que disserem “chiquérrimo”.

33. Lembrar que tenho 40 anos.

34. Ah, quase esqueço: e escrever meu terceiro romance.

Caros: Feliz Natal e um ótimo 2014 para todos.

Tradução do portunhol para o português por Andreia Moroni.

* * * * *

Juan Pablo Villalobos nasceu em Guadalajara, México, e atualmente mora no Brasil. Festa no covil, seu romance de estreia, foi publicado em quinze países. Em setembro a Companhia das Letras publicou seu segundo romance, Se vivêssemos em um lugar normal. Ele colabora para o blog com uma coluna mensal. http://www.juanpablovillalobos.com/

22 Comentários

  1. Maria Eugênia disse:

    Muito bom! Rs

  2. Rafael disse:

    Estou na espera do seu próximo livro pra poder tirar a má impressão que tive do “Se vivêssemos em um lugar normal” e resgatar a ótima impressão de “Festa no Covil”.

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