Chaucer, Chico, Ivan

Olha que beleza de carta (carta mesmo: em nobre papel e com o timbre “Ad Imortalitatem”) recebeu José Francisco Botelho, o tradutor de Contos da Cantuária (dos livros mais divertidos que publicamos em 2013). O remetente é nada menos que Ivan Junqueira, poeta, grande tradutor — responsável por verter para a última flor do Lácio as obras de, entre outros, Baudelaire, T.S. Eliot e Leopardi  — e imortal da Academia Brasileira de Letras:

“Meu estimado José Francisco:

Li, maravilhado e quase incrédulo, a sua excepcional tradução de The Canterbury Tales. Jamais passou por minha cabeça que se pudesse verter Chaucer para nosso idioma com tamanha fluência, elegância, concisão e inteligência métrico-rítmica. Vou mais longe: não se percebe que se trata de uma tradução, e apraz-me às vezes dizer, calcado naquele conceito coleridgiano da suspension of disbelief, que gosto mais de certas traduções do que dos originais, exatamente porque se trata de uma tradução, ou seja, a poesia ‘alheia’ que nos serve o ‘homo ludens’ a partir do que escreveu o ‘homo faber’. Pode estar certo de que você realizou um milagre… Abraço afetuoso do seu

Ivan Junqueira”.