A identidade de Simenon

Por Alceu Chiesorin Nunes

O convite para fazer Comissário Maigret chegou de surpresa, mais ainda quando o Luiz anunciou o desafio completo: criar a identidade para a série de livros que sairiam na Inglaterra e Estados Unidos com a mesma roupagem do Brasil. Inacreditável para quem, na época, estava há menos de um ano na Companhia.

A proposta era trazer um tom contemporâneo ao policial já reconhecido pelo insistente uso do cachimbo e clima noir das fotos. A busca foi oposta, fotos coloridas com linguagem atual. A sugestão do Luiz era trabalharmos com o fotógrafo americano Gregory Crewdson. No mesmo dia fiz um estudo com mais de 20 fotos pra ver se funcionavam como capa de livro e coleção, a assinatura com o escrito “Simenon” ainda era primária, mas tínhamos uma coleção.

Os ingleses da Penguin acharam as imagens um pouco anacrônicas, mas não incomodava muito, a preocupação era em relação aos carros. Infelizmente não fechamos com o Crewdson. Pedimos uma ajuda a Peter Galassi, curador do MOMA, que indicou o italiano diCorcia, novos estudos a caminho… O clima manteve-se atual, a assinatura “Georges Simenon” evoluiu, o projeto parecia finalizado. Mais uma vez não fechamos com o fotógrafo, o clima ficou um pouco tenso, já estávamos trabalhando no projeto há seis meses, o tempo para estudos chegava ao fim, precisávamos da aprovação definitiva. Cada mudança uma nova rodada de aprovação com os parceiros da Penguin, era preciso acertar.

Parecia que o tempo amadureceu o projeto, a assinatura foi feita com a utilização da versão moderna do “branquinho” para apagar erros, ou pistas… Nosso guru “imagético” Peter Galassi sugeriu trabalhar com um novo fotógrafo, belga tal como Simenon, era um bom sinal. Harry Gruyaert possui um acervo de fotos incríveis, o registro do cotidiano de uma maneira simples, com temas naturais e mais ligados ao clima de Maigret.

Nove meses depois, como num parto, o projeto chegou à configuração aprovada. Para a Penguin já estamos na 13ª capa de Comissário Maigret, por aqui, este mês, fechamos mais duas edições. Eu, que não apreciava tanto o gênero policial, estou totalmente envolvido e surpreso com Simenon.

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Simenon como você nunca leu

Participe do debate “Simenon como você nunca leu” no Rio de Janeiro. Para marcar o lançamento da coleção Georges Simenon, vamos promover um debate entre seu filho, John Simenon, e Tony Bellotto, com mediação de Raphael Montes. A conversa irá abordar a vida e obra do autor e a história da literatura policial.
Quinta-feira, 29 de maio, às 19h
Local: Casa do Saber O Globo – Av. Epitácio Pessoa, 1164 – Rio de Janeiro, RJ

A distribuição de senhas começará meia hora antes do evento.

 

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Alceu Chiesorin Nunes é diretor de arte da Companhia das Letras e responsável pela identidade da coleção Comissário Maigret, de Georges Simenon, publicada no Brasil, Inglaterra e Estados Unidos.

6 Comentários

  1. Ahh legal! Obrigada pela resposta! ;)

  2. admin disse:

    Oi, Camila!

    Não é necessário ler na ordem cronológica, os livros são independentes uns dos outros. :)

  3. Olá. Tenho esses três livros já na minha estante, mas uma dúvida:Existe uma sequência a qual eu não possa mudar ou os livros são mais independentes?

  4. admin disse:

    Oi, Edson!

    Sim, vamos publicar os outros romances de Simenon também. O primeiro será “A neve estava suja”, que está programado para outubro. :)

  5. edson portella pinto disse:

    Sou leitor admirado de Simenon e gostaria de saber se seus romances psicológicos (Romances duros)também serão publicados.

  6. Luiz Schwarcz disse:

    Muito orgulho nos deu este projeto feito no Brasil para três editoras em três países diferentes relançando Georges Simenon com visual contemporâneo. Grande Alceu.

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