Bom de briga

Por Arnaldo Branco


Paul Pope surgiu em meados dos anos noventa com um traço que parece resultado de pinceladas no ar que espirrassem gotas sobre a página, dando mais impressão de movimento. Seu estilo tem bastante influência do mangá — não por acaso logo foi contratado pela editora Kodansha, uma das maiores do gênero.

Mas seu desenho causou mais impacto em um selo mais mainstream: seu trabalho para a DC Comics, Batman ano 100, chamou atenção para seus humanos retorcidos e cores fortes, destoante de trabalhos mais convencionais de outros colegas de editora. Ele vem agora com Bom de Briga, um trabalho voltado para um público mais adolescente — mesmo seu traço parece um pouco mais domado — mas sem deixar de casar muito bem trama e belas imagens.

A primeira parte da saga tem grande apelo por contar uma clássica história de amadurecimento através do combate às adversidades. A trama é simples: Acropolis é uma cidade que parece (como Metrópolis e Gotham City) ser a única da Terra; lá os cidadãos sofrem com constantes ataques de monstros que surgiram sem motivo aparente e que saem de seu esconderijo à noite para sequestrar crianças, também sem nenhuma explicação até o fim deste primeiro livro.

O único obstáculo entre os monstros e as crianças indefesas de Arcopolis (além de um exército inepto) é Haggard West, um cientista que banca o super-herói com bons resultados, até que é morto em uma emboscada. Cabe à sua filha Aurora a tarefa de herdar seus inventos para substituí-lo na missão, apesar de sua pouca idade e experiência.

Mas os deuses (uma Federação de seres fantásticos lembrando Os Eternos, de Jack Kirby) que vivem em uma espécie de estação espacial vigiando o Universo, resolvem mandar socorro. Bom de Briga, filho de um de seus maiores guerreiros, é mandado a Arcopolis para combater os monstros como rito de passagem — ele recebe do pai uma maleta de 16 itens de sobrevivência (entre eles um cartão de crédito infinito e camisetas com figuras representando animais que lhe dão poderes correlatos) e não muitas instruções.

A primeira tarefa desse Hércules-mirim é uma criatura descomunal chamada Humbaba, que o garoto não consegue enfrentar sem a ajuda telepática de seu pai guerreiro — ele mesmo às voltas com seu próprio duelo mortal com um monstro em outro universo. A criatura é derrotada para alívio de Bom de Briga e deleite dos políticos da cidade — até ouvirem do novo candidato a herói que ele não matou o brutamontes sozinho e que daqui para frente vai estar por conta própria. Até que, claro, Aurora chega para se juntar ao time.

Os próximos capítulos prometem.

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Arnaldo Branco é cartunista e jornalista brasileiro. Autor e criador de personagens de quadrinhos Capitão Presença e Joe Pimp, publicados pela revista Tarja Preta. Também mantém as tirinhas do Mundinho Animal no site G1.
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Paul Pope surgiu em meados dos anos noventa com um traço que parece resultado de pinceladas no ar que espirrassem gotas sobre a página, dando mais impressão de movimento. Seu estilo tem bastante influência do mangá – não por acaso logo foi contratado pela editora Kodansha, uma das maiores do gênero.

Mas seu desenho causou mais impacto em um selo mais mainstream: seu trabalho para a DC Comics, “Batman ano 100” chamou atenção para seus humanos retorcidos e cores fortes, destoante de trabalhos mais convencionais de outros colegas de editora. Ele vem agora com “Bom de briga”, um trabalho voltado para um público mais adolescente – mesmo seu traço parece um pouco mais domado – mas sem deixar de casar muito bem trama e belas imagens.

A primeira parte da saga tem grande apelo por contar uma clássica história de amadurecimento através do combate às adversidades. A trama é simples: Acropolis é uma cidade que parece (como Metrópolis e Gotham City) ser a única da Terra; lá os cidadãos sofrem com constantes ataques de monstros que surgiram sem motivo aparente e que saem de seu esconderijo à noite para sequestrar crianças, também sem nenhuma explicação até o fim deste primeiro livro.

O único obstáculo entre os monstros e as crianças indefesas de Arcopolis (além de um exército inepto) é Haggard West, um cientista que banca o super-herói com bons resultados, até que é morto em uma emboscada. Cabe à sua filha Aurora a tarefa de herdar seus inventos para substituí-lo na missão, apesar de sua pouca idade e experiência.

Mas os deuses (uma Federação de seres fantásticos lembrando Os Eternos, de Jack Kirby) que vivem em uma espécie de estação espacial vigiando o Universo, resolvem mandar socorro. “Bom de briga”, filho de um de seus maiores guerreiros, é mandado a Arcopolis para combater os monstros como rito de passagem – ele recebe do pai uma maleta de 16 itens de sobrevivência (entre eles um cartão de crédito infinito e camisetas com figuras representando animais que lhe dão poderes correlatos) e não muitas instruções.

A primeira tarefa desse Hércules-mirim é uma criatura descomunal chamada Humbaba, que o garoto não consegue enfrentar sem a ajuda telepática de seu pai guerreiro – ele mesmo às voltas com seu próprio duelo mortal com um monstro em outro universo. A criatura é derrotada para alívio de Bom de Briga e deleite dos políticos da cidade – até ouvirem do novo candidato a herói que ele não matou o brutamontes sozinho e que daqui para frente vai estar por conta própria. Até que, claro, Aurora chega para se juntar ao time.

Os próximos capítulos prometem.