Diário da Flip – Dia 2

Por Mohsin Hamid


O festival começou. A atmosfera de um festival é feita das pessoas que o frequentam, e as pessoas daqui são amáveis. Elas são relaxadas, amigáveis, curiosas — e são tantas. Andando pelas ruas de Paraty, vejo rostos que poderiam ser paquistaneses. Essa experiência é igual a atravessar um espelho e se deparar com um reflexo, ao mesmo tempo familiar e magicamente diferente.

São as pequenas coisas — o formato de um sorriso, o som de uma conversa — que me lembram que não estou em casa. Fico feliz de atravessar esse espelho. Satisfeito. Andando sem rumo, vejo um cachorro que poderia ser meu. No entanto, algo, algo sobre esse cachorro é diferente. Eu fico me perguntando, de pé em uma Terra que sei que ainda está girando, o que poderia ser?

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Mohsin Hamid nasceu em 1971 em Lahore, no Paquistão. É autor dos romances Moth SmokeO fundamentalista relutante, que deu origem ao longa-metragem dirigido por Mira Nair. Seus livros já foram traduzidos para mais de 30 idiomas. Tem ensaios e contos publicados pelo New York Times, Guardian, New Yorker e Granta. No Brasil, acaba de lançar Como ficar podre de rico na Ásia emergente, e é um dos autores convidados da Flip 2014.

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