Um olhar sobre os cursos na Companhia

Por Maria Queiroz

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Uma das missões que recebi ao entrar no Departamento de Educação, aqui na Companhia das Letras em julho deste ano, foi acompanhar os cursos — uma programação elaborada semestralmente que traz autores, tradutores, professores ou especialistas abordando temas sobre literatura e o fazer literário. Minha intenção aqui é conduzir o leitor a conhecê-los a partir da experiência que tive.

Com a proposta de falar sobre percepção da linguagem, Vanessa Ferrari abre a programação de setembro e se prepara para ministrar Os mitos da boa narrativa e a percepção da linguagem, baseado em sua experiência como editora na avaliação de originais. O ambiente está pronto e o público se aproxima, os lugares vão sendo ocupados e há um leve desassossego; olhares e movimentos inquietos preveem o início da aula.

Com zelosa atenção, a plateia acompanha cada tópico. As palavras proferidas pela Vanessa parecem encontrar lugares próprios e fazem a conversa ganhar fôlego à medida que os mitos dessa boa narrativa vão sendo colocados por meio da discussão dos textos que entram como exemplo. Os ouvintes demonstram receptividade ao assunto e repousam suas curiosidades sobre uma estreita conversa com o poeta Alberto Martins, que atendendo ao convite de participar apenas no encerramento da aula, traz à luz, junto com a colega, um pouco do processo de construção da sua narrativa. A conversa com o público reflete a necessidade de usar a língua em seu máximo aproveitamento e, por último, pensar a respeito da linguagem como instrumento de comunicação e como ferramenta estilística.

Ao final de outubro partimos para o segundo curso: Por que eu quero este livro — O papel da capa na escolha do livro. Temos Alceu Nunes, designer de profissão e funcionário da Companhia, analisando o processo criativo da produção da capa de livros. A cada slide, esboços de capas e exemplos de artistas, é quase impossível não se impressionar com o cuidado com que cada arte é concebida. O público, composto por curiosos, profissionais e estudantes, parece estar em busca de dicas. O contato com a bagagem do professor torna a conversa ainda mais animada, colocando-os diante de fatos interessantes diante dos protótipos apresentados, aproximando ambos da experiência do capista e de sua importância em relação ao mercado editorial. Afinal, a arte exposta na capa é imprescindível no primeiro contato do leitor com o livro.

Já na primeira semana de novembro, o curso de Escrita literária, com o autor Luiz Ruffato, propõe uma reflexão sobre o ato de escrever tendo como foco a prosa de ficção. Designados a trazerem um conto ou trecho de romance próprio, os participantes vão chegando e se acomodando em círculo, doze pessoas compõem o grupo que se mostra empolgado para o início das leituras. No papel de mediador do grupo, o autor estimula cada um a ler o próprio texto e em seguida ouvir as opiniões dos demais integrantes, as análises são expostas entre ideias e olhares que transitam num clima amistoso proporcionado pelo calor da discussão. Assim, o argumento das duas aulas pode ser compreendido à medida que fatos recorrentes ou novos acerca do sentido da escrita possam ser pautados ao elemento essencial ao escritor: a leitura.

O curso Sopa de pedras – um passeio pela paisagem da arte de contar histórias encerra a programação do semestre durante a terceira semana de novembro. Nele, Regina Machado conduz suas alunas a uma viagem pelo universo da “contação de histórias”. Para isso, recorre à sua vasta experiência. O público é envolvido por uma atmosfera singular: a aula transcorre entre a bagagem que cada uma traz consigo e as matrizes dessa verdadeira arte. Vislumbra-se o sentido que a história exerce sobre quem conta. Com um semblante terno, as participantes sentem-se convidadas a criar situações de encontros através de palavras quase encantadas: “Era uma vez…”, “E se fosse possível que…”. Refletir sobre essas e outras questões ligadas também à qualidade ancestral da história de narrar parece motivar as alunas que, no segundo momento da aula, dão vida ao processo criativo por meio de uma atividade prática que possibilita abraçar um mundo infantil também presente no adulto.

É nesse clima de estreitas relações entre língua, linguagem, criação, imaginação e diálogo aberto com o público que a programação se encerra. Ao imergir na multiplicidade de facetas do processo de ensino-aprendizagem é possível perceber nesses ângulos o conhecimento que pode ser extraído através das ideias colocadas na roda, expostas e debatidas com o objetivo de ampliar os horizontes presentes no universo literário.

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Maria Queiroz é formada em Letras e assistente no Núcleo de Incentivo à Leitura do Departamento de Educação da Companhia das Letras.

7 Comentários

  1. Jaqueline Queiroz disse:

    Parabéns pelo texto, muitas conquistas mais nessa caminhada de aprender e ensinar.

    Beijos!!!

  2. Roberta Resende disse:

    Grande Maria! É muito bom poder contar com você como apoio ao nosso clube! E que texto você tem, einh? Bjs!

  3. Paulo Catapani disse:

    Oi Maria Queiroz..

    Parabéns !! siga em frente !!!
    Bjo !

  4. Danielle disse:

    Oi Maria!
    Amei o texto.
    Bjo

  5. Janine Durand disse:

    Maria arrasou no texto, e arrasa todos os dias aqui no Núcleo de Incentivo à Leitura do Departamento de Educação, não só nos cursos, mas também no programa de clubes de leitura. É uma grande felicidade te-la conosco!

  6. admin disse:

    Olá, Tobias!

    Sim, os cursos são abertos a todos os públicos! As informações sobre os próximos cursos estão em http://www.companhiadasletras.com.br/cursos/ (e você também pode saber mais entrando em contato pelo e-mail cursos@companhiadasletras.com.br)

  7. Tobias disse:

    Oi Maria !

    Gostei do teu texto. Também tenho uma dúvida: o público externo (leitores da Cia. das Letras) podem participar destes cursos ? Em caso positivo, onde faço pra conseguir mais informações ?

    Abraço

    Tobias

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