Imagens da capital da vertigem

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A capital da vertigem, obra de fôlego do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, cobre o período entre 1900 e 1954, quando São Paulo se torna a principal cidade brasileira, passa por um profundo processo de industrialização e ultrapassa o Rio de Janeiro em tamanho, número de habitantes e geração de riquezas. A capital paulista passa também a ditar o modelo cultural que iria predominar no século XX: o modernismo.

O livro descreve as mudanças urbanas de São Paulo, o surgimento das grandes avenidas (Paulista, São João), dos parques e jardins a exemplo de cidades modernas, como Paris (o ajardinamento do Vale do Anhangabaú), e os primeiros arranha-céus (Edifício Sampaio Moreira, de 1924, Edifício Martinelli, de 1929, as primeiras casas modernistas de Warchavchik, de 1930). São Paulo se torna, de fato, uma cidade cosmopolita.

Separamos alguns trechos do livro sobre as mudanças da paisagem urbana da maior cidade da América do Sul e imagens raras em vídeos ao longo dessas cinco décadas para você ver São Paulo de um jeito diferente.

São Paulo de 1900 a 1910.

São Paulo na década de 1920.

Cenas da cidade de São Paulo no ano de 1943 mostram o Vale do Anhangabaú, Avenida 9 de Julho, Biblioteca Mário de Andrade, Estádio do Pacaembu, Avenida Brasil, Fábrica da Pirelli, entre outros.

São Paulo na década de 1940.

Edifício Martinelli, que leva o nome de seu idealizador, o imigrante da Toscana Giuseppe Martinelli.

“Martinelli contratou o arquiteto húngaro William Fillinger para fazer os primeiros esboços. Neles já apareciam as quatro reentrâncias, dando ideia de quatro corpos distintos, que seriam a marca registrada do edifício. A construção começou em 1924. Os cálculos da estrutura de concreto armado eram feitos com a meta de se levantar de catorze a eventualmente dezoito andares. Martinelli queria tudo do bom e do melhor. O cimento, que só dois anos depois começaria a ser produzido no Brasil, era importado da Suécia. (…) A inauguração foi em 1929. O prédio abrigou um hotel — o São Bento —, um cinema — o Rosário — e salões para eventos — o salão Verde e o Mourisco. Tudo ‘de luxo’.”

Edifício Banespa – inspiração no Empire State Building

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“Em fevereiro de 1946 o novo prédio do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) ainda estava a um ano e quatro meses da inauguração oficial, mas já se destacava na paisagem, no centro da praça Antônio Prado e a cavaleiro da avenida São João. A coroar seu porte esguio, os últimos andares se estreitavam uns sobre os outros, num estilo bolo de noiva que imitava o Empire State Building, símbolo supremo de Nova York e mais famoso arranha-céu do mundo. Nunca São Paulo expressara tão explicitamente a aspiração de ser Nova York. Era uma época em que a capital do delírio delirava de autocelebração. Era ‘a cidade que mais cresce no mundo’, além de ‘o maior centro industrial da América do Sul’, como apregoavam os letreiros nos bondes, ou ainda “o maior centro industrial da América Latina.”

Arquitetura modernista de Gregori Ilitch Warchavchik (vídeo com registro raro de Mário de Andrade recuperado pela Biblioteca da FAU/USP).

“Warchavchik fugiu do país natal convulsionado pela guerra civil em 1918; (…) em 1923, aos 27 anos de idade, embarcou para o Brasil. (…) Em 1927, Warchavichik casou-se com Mina Klabin, filha do industrial Maurício Klabin, de origem lituana. (…) No mesmo ano, em terreno destacado da vasta gleba possuída pelo sogro na Vila Mariana, ele poria pela primeira vez em prática suas ideias com a construção, na rua Santa Cruz, para própria residência, daquela que passaria para a história como a primeira casa modernista do Brasil. Toda branca, em formas rigorosamente geométricas e sem resquício de recursos decorativos, a casa da rua Santa Cruz, inaugurada em 1928, causou na mentalidade vigente espanto semelhante aos quadros de Anita Malfatti ou aos poemas da Pauliceia desvairada.”

Avenida São João – A Cinelândia paulistana e os cinemas palácios

“A São João já vinha cevando a condição de ‘Cinelândia paulistana’ desde a década anterior. Foi quando surgiram na avenida os primeiros “cinemas palácios” — salas amplas, suntuosas, de exuberantes fachadas. O primeiro dessa linhagem foi o Broadway (inaugurado em 1934), de fachada art déco e cúpula de vidro. (…) O segundo foi o Art Ufa (1936), administrado pela poderosa produtora cinematográfica Universum Film que ostentava no nome, e especializado em filmes alemães. (…) E o terceiro dos cinemas palácios foi o Metro (1938), de arquitetura igual à que a Metro-Goldwyn-Mayer impunha a seus exibidores ao redor do mundo. Na década de 1940 o investimento nos cinemas duplicou. Em 1943 surgiu o Ipiranga, na avenida do mesmo nome, mas juntinho à São João, quase na esquina. (…) Dois anos depois o Marabá lhe veio fazer companhia, do outro lado da rua. Havia ainda o Bandeirantes, no largo do Paissandu, o Ritz, na própria São João, o Ópera, na rua Dom José de Barros. E no fim da década de 1940 já estava em construção aquele que viria para arrasar — o Marrocos, na Líbero Badaró.”

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vertigemA CAPITAL DA VERTIGEM
Sinopse: Após reconstituir em A capital da solidão a história de São Paulo das origens a 1900, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo narra em A capital da vertigem sua arrancada rumo à modernidade. Eis uma cidade que deixa a condição de vila e se torna a maior metrópole do país. É a capital da vertigem: vertigem artística, industrial, demográfica, social e urbanística.

Lançamento:

São Paulo — Terça-feira, 30 de junho, às 19h, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (Rua Maranhão, 88).

Roberto Pompeu de Toledo também é um dos convidados da FLIP 2015. Ele divide a mesa “São Paulo! comoção de minha vida…” com Carlos Augusto Calil no dia 3 de julho, às 12h. Os ingressos estão à venda.

2 Comentários

  1. Livros maavilhosos. tinha o meu A capital da Solidão” me assediando há anos, quando surgiu “A Capital da Vertigem”. Li no “susto” os dois de uma só vez. devorando as mais de mil páginas. Não satisfeita, fiz todas as marcações que me interessavam para as explicações dos meus quase 400 slides sobre a cidade e digitei um resumo acrescentando mais imagens e algumas complementações e comentários.

    São livros saborosos de serem lidos pela linguaem coloquial, motivadora e cominformações preciosas e preciosas.

    O que mais eu escrever será redundancia e quem sabe algum dia terei a oportunidade de conhecer pessoalmente Roberto Pompeu de Toledo para trocar idéias e assim aumentar cada vez mais todo o material que tenho sobre acidade que eu amo de paixão e tenho lembranças vividas nestes meus 85 anos de existência como paulista-paulitana em tempo integral

  2. Bardamu disse:

    O Marrocos não fica na Conselheiro Crispiniano, atualmente ocupado?

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