A trilha sonora de Renato Russo

Por Camila Berto Tescarollo

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Foto: Cesar Diniz/AE

Já está nas livrarias Só por hoje e para sempre — diário do recomeço, relato até agora inédito do período que Renato Russo passou numa clínica de reabilitação, entre abril e maio de 1993.

Além de oferecer a seus fãs um vislumbre da intimidade, dos pensamentos e das memórias de Renato, essas páginas também nos convidam a conhecer mais sobre seu gosto musical e suas referências.

Ao lado de clássicos do rock como Beatles, Janis Joplin e Jimi Hendrix, o líder da Legião Urbana também ouvia bandas nem tão óbvias.

Separamos para os leitores alguns desses nomes que faziam parte do universo do cantor — e trechos do diário.

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Ao listar cinco momentos em que se comportou de forma autodestrutiva, Renato relembra o último show da turnê do disco As quatro estações, em que estava aflito por enfrentar o público: “Abrimos esta última apresentação com ‘A Whiter Shade of Pale’, que descrevia meu estado perfeitamente, e, já no palco, não tive maiores problemas”. A música que a Legião Urbana interpretou é de Procol Harum, banda inglesa de rock progressivo da década de 1960.

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Renato comenta também as músicas que tocavam no rádio da clínica Vila Serena. Um de seus registros mostra que ele ouviu “Be my Baby” no dia 5 de maio de 1993. A canção é do grupo The Ronettes, trio feminino norte-americano da década de 1960.

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Se Renato era alvo de atenção quando se apresentava, ele também esteve do outro lado do palco, como quando foi assistir ao show de uma banda da qual era fã: “No começo de março deste ano fui assistir a um show que esperara 21 anos para ver: Emerson, Lake & Palmer no Canecão. Fiquei tão feliz que fiz tudo eu mesmo (geralmente, a reserva e compra de ingressos, segurança, transporte até, é tudo verificado pelo nosso escritório)”.

Britânicos, Keith Emerson, Greg Lake e Carl Palmer formavam a banda que ficou conhecida por ser o primeiro conjunto de rock a levar um sintetizador para um show. Lucky Man é um dos maiores sucessos do trio.

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Renato ainda relembra a perda de dois amigos no show da banda australiana de rock ativista Midnight Oil. O grupo cantava pelo direito dos aborígenes e pela proteção ao meio ambiente, fazendo sucesso entre os surfistas.

“Lembro que o que mais me chocou foi a morte de dois amigos (um eletrocutado e o outro afogado ao tentar salvar seu amigo), de dezenove anos, no show do Midnight Oil no Maracanãzinho, há cerca de um mês.”

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Camila Berto Tescarollo estuda jornalismo e é estagiária do departamento editorial da Companhia das Letras.