Gênio criativo

Por Fernanda Pantoja 

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Quando o livro de memórias Comer, rezar, amar, de Elizabeth Gilbert, foi publicado pela Editora Objetiva em 2007, ele já era um acontecimento de vendas nos Estados Unidos. Ocupou por mais de cinquenta semanas o primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times e vendeu mais de dez milhões de exemplares em trinta países — no Brasil, quase 1 milhão. O número brasileiro impressiona, sobretudo por ser um livro de não ficção escrito por uma autora americana sem notoriedade por aqui. Na história, a autora parte para uma viagem de autoconhecimento na Itália, na Índia e na Indonésia, onde se apaixona por um brasileiro, com quem é casada até hoje.

Gilbert escrevia ficção, e jamais poderia esperar a enorme repercussão de Comer, rezar, amar. Em 2009, ainda colhendo os frutos do sucesso de suas memórias, apresentou uma palestra no TED, na qual discorre sobre nosso gênio criativo, o processo de escrever Comer, rezar, amar e como foi lidar com o peculiar, assustador e mega bombástico — em suas próprias palavras — sucesso internacional do livro. O vídeo foi acessado por mais de dez milhões de pessoas e figura entre os dez mais assistidos de todos os tempos. Em 2014, já tendo publicado Comprometida, uma espécie de continuação de Comer, rezar, amar, e sido interpretada por Julia Roberts nos cinemas, apareceu novamente no TED e falou mais uma vez sobre criatividade. Nos dois momentos, a autora discursa de forma apaixonada sobre a necessidade de repensarmos nosso relacionamento com o processo criativo, de o dissociarmos da declaração do escritor americano Norman Mailer, que em sua última entrevista, pouco antes de morrer, afirmou que “cada um dos meus livros me matou um pouco”.

De volta à não ficção com o livro Grande Magia, que a Objetiva publicará em outubro, alguns dias após o lançamento nos Estados Unidos, Elizabeth Gilbert lança mão de relatos autobiográficos para ampliar suas reflexões sobre criatividade. E, dessa vez, faz questão de esclarecer que viver criativamente não é apenas viver dedicando-se profissional ou exclusivamente às artes: uma vida criativa é aquela motivada pela curiosidade, uma vida sem medo, um ato de coragem.

Assista aos vídeos:

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Fernanda Pantoja é editora do selo Objetiva.

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