Com a palavra, as crianças

Por Mell Brites

Dia 3

A proposta do meu relato de hoje era um pouco diferente. Me juntei aos autores do Pum, Blandina Franco e José Carlos Lollo, de quem já falei aqui, para fazer uma oficina de escrita com as crianças na Tenda da Biblioteca da Flipinha. A ideia parecia ótima: passar o bastão a elas para que escrevessem sobre suas experiências na festa, e depois publicaríamos tudo aqui, neste blog. Então hoje, às dez da manhã, começamos tentando: “Que tal vocês serem os jornalistas e falarem sobre o que mais gostaram de tudo que participaram?” Silêncio. “Vocês não querem que a gente coloque na internet tudo que fizermos aqui?” Silêncio. “E se em vez de escrever vocês desenharem?” Silêncio. É claro — naquela hora me dei conta — que não seria tão fácil. Depois de tantas horas mergulhadas em livros, peças de teatro, shows de música e todos os outros convites à imaginação, por que elas topariam voltar à realidade? Ali ficou evidente que falar do que tinha sido legal, do que tinha sido chato e narrar as atividades experimentadas até então parecia mais uma lição de casa.

Bem, só mesmo a criatividade de dois autores experientes seria capaz de reverter o jogo. Foi o Lollo quem disse: por que então não inventamos uma história todos juntos? Depois de um ou outro olhar de dúvida, para o nosso alívio a ideia foi acatada, e o resultado vocês podem ver logo abaixo. Com a palavra, as crianças:

Era uma vez um grupo de crianças em Paraty que estava brincando de esconde-esconde e lendo.

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Elas estavam em uma praça em um dia de sol.

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As que que estavam se escondendo encontraram, atrás de uma moita, um templo antigo com um livro mágico onde tudo que era escrito ali virava realidade.

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A primeira criança desenhou um guardião mutante. A segunda, uma coroa. A terceira, um dinossauro. Uma girafa de pescoço torto, um menino de cabelo preto, uma sereia cabeluda, um avião, um urso gigante guardião, um porco e um tubarão.

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As crianças fugiram das criaturas que não paravam de aparecer, mas quando chegaram na praça da Matriz perceberam que todos esses personagens que estavam pulando do livro mágico na verdade eram os personagens dos livros que elas tinham lido na Flip. Todos eles saíam dos livros e entravam direto na sua imaginação. Como qualquer personagem de qualquer livro.

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FIM

Autores da história e das ilustrações: Luiz Arthur, Sofia, Lívia, Gabriela, Silvia, Gael, Mateu, Maria Fernanda, Renato, Mell, Blandina e Lollo.

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Mell Brites é editora da Companhia das Letrinhas e acompanhará os eventos da Flipinha durante a Festa Literária Internacional de Paraty.

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