Edgar Moura

Autoironia fina: a maior forma do humor

Pasquim Edgar Demo Jaguar detalhe

Para o colega Jaguar, com quem trabalhou em O Pasquim no fim dos anos 60, o diretor de fotografia de cinema Edgar Moura e o cartunista Demo — codinome que o mesmo Edgar usava para rabiscar nas páginas do tabloide carioca — são “dois caras muito vivos que se juntaram numa só pessoa física para não pagar dois impostos de renda”. Na época, Edgar assinava a direção de fotografia do clássico Bar Esperança, de Hugo Carvana, e, segundo relata o mestre do humor na continuação da piada, “nas horas vagas de fotógrafo Edgar desenhava ‘nas coxas’ em guardanapos do Bar.

Quatro décadas, dois livros emblemáticos publicados sobre fotografia de cinema e uma considerável coleção de rabiscos e elogios humorísticos depois, o mesmo Demo e o mesmo Edgar Moura na mesma pessoa física são — é — o mais novo colaborador do Blog da Companhia das Letras. Para a estreia, tema mais contemporâneo impossível: as selfies na sua melhor forma. Como definiu outro padrinho, Millôr Fernandes, no prefácio do livro Apresentações, de seu pupilo também dos tempos áureos do Pasquim, o traço de Edgar “por tudo perpassa (?) o mais fino humor, em sua forma melhor, a ironia, em sua forma maior — autoironia. Sem explicitar, Edgar deixa claro que não pretende salvar o mundo com a sua profissão. Nem com seu livro. Acho bom. (…) Bom de traço e de significado, o Edgar. Quase menino, não chegou a amadurecer desenhos e legendas, se mandou para artes e ofícios mais importantes. Cinema, iluminação, direção de fotografia, estudos dessas habilidades urbe et orbi. De longe eu o acompanhava. Em nossas profissões, apaixonantes, jornalismo, ciclismo, tiro ao alvo, cinema, roleta russa, todos, mais ou menos, nos acompanhamos. Vi Edgar crescer — inclusive em tamanho, acho que chegou aí a um e noventa — pelas ruas de Paris, Bruxelas, Michigan, e até Moçambique (até por que, Millôr?)”.

Em roda de conversa com o mesmo Millôr, ao ser indagado pelo ídolo se ele achava que tinha uma profissão inusitada, Edgar respondeu, resumindo na mais fina autoironia: “Eu?.. tenho… a-acho que é… porque não precisei estudar para fazer o que faço”. Eis Edgar Moura, agora todo mês aqui no Blog.

selfies

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Edgar Moura é diretor de fotografia e autor de Câmera na mão — Som direto e informação (Funarte, 1985), Coleção de fotografia (Senac, 2008) e 50 anos luz: câmera ação (Senac, 2009). É o novo colunista mensal do Blog da Companhia das Letras.

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