Júlia Moritz Schwarcz

Ollie, yeah!

Por Júlia Moritz Schwarcz

Confesso que me espantei quando a minha filha me pediu um skate pela primeira vez. Quando eu tinha a idade dela, deslizava em cima da bicicleta, dos patins inline (quem lembra da Bad Wolf?) e do patinete, sendo o “motorizado” o grande sonho de consumo.

Mas, enfim, depois de um ano de pedidos insistentes da Zizi, acabei cedendo e descobri o mundo das rampas. E, caramba, como tem gente andando de skate! — e sem nenhum livro sobre o assunto para ler, diga-se de passagem.

Mas isso não é mais um problema, porque acabamos de lançar o Manual do Pequeno Skatista Cidadão, que conta a história e a filosofia do skate; apresenta as dez modalidades; explica as gírias e expressões praticadas pelos iniciados; relembra quais os principais equipamentos de segurança; entre otras cositas más.

O livro nasceu a partir de uma música do segundo CD da banda Pequeno Cidadão, chamada “SK8” (o videoclipe está aí embaixo), e da criação da super Taciana Barros, do nosso autor skatista Vinícius Patrial e do Jimmy Leroy, que ilustrou o livro com todo o capricho e teve um trabalho danado estudando as manobras e posturas todas a fundo.

O livro ficou demais e, para comemorar, sábado teremos o lançamento com um pocket show do Pequeno Cidadão, no Teatro Eva Herz do Conjunto Nacional, às 11h. Vai ter até participação especial do Rene Shigueto, tetra campeão brasileiro e vice campeão mundial de free style. Estão todos convidados!

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Lançamento do livro SK8 – Manual do pequeno skatista cidadão
Sábado, 31 de agosto, às 11h
Pocket-show do Pequeno Cidadão* seguido de sessão de autógrafos. Participação especial do skatista Rene Shigueto, tetra campeão brasileiro e vice campeão mundial de free style.
* As senhas serão distribuídas 1 hora antes do show na entrada do teatro. Sujeito à lotação.
Local: Livraria Cultura – Teatro Eva Herz – Av. Paulista, 2073 – Conjunto Nacional – São Paulo, SP

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Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Seguinte.

24 horas em Passo Fundo

Por Júlia Moritz Schwarcz


Tania Rösing recepciona os convidados no aeroporto.

Cheguei de Passo Fundo (RS) há quase duas semanas mas ainda tremo de frio ao lembrar das 24 horas que passei lá, onde fui participar do 1º Simpósio de Literatura Infantojuvenil da 14ª Jornada da cidade. Imaginar o frio de três graus é uma coisa, mas sentir o frio de três graus — com aquela chuvinha! — é bem diferente.

Voltei muito impressionada com o que vi, e caí de cama, toda doente. Nos dois dias de virose e dor no corpo, fiquei lembrando de algumas cenas de Passo Fundo: a Tania Rösing, idealizadora e comandante-geral do evento desde o seu início, há trinta anos, em pé em cima de uma mesa no aeroporto agradecendo a presença de todos e nos dizendo que era só fazermos exatamente o que ela mandava que sairia tudo às mil maravilhas — “aqui, a literatura é um ato democrático!”, ela avisava; as “líderes” do meu grupo de convidados, preocupadas com a minha mochila, com os meus horários, com o que eu comia e com a hora que ia dormir — “Minha menina dormiu bem?!”, elas perguntavam; a abertura do evento em uma tenda de circo, enorme e lotada — “Pelo espaço-tempo viaja a palavra/ Deletando os vácuos do esquecimento/ Das placas de barro de antigos sumérios/ Chega ao livro impresso salta pra internet”, cantava Humberto Gessinger; as refeições com os meus colegas, no Clube Comercial — “experimentaste o arroz negro? E o palmito, provaste?”, se orgulhava o dono do estabelecimento. E mais as conversas importantes e os comentários sobre o meu trabalho, que ficaram rodando na minha cabeça.

É sempre muito bom ter de parar para refletir sobre o que fazemos, quais são as nossas reais convicções. É o que acontece quando escrevemos sobre a nossa profissão (como tento fazer às vezes aqui para o blog), quando participamos de eventos de trabalho e nos encontramos com pessoas que têm um cotidiano parecido com o nosso, ou quando debatemos em mesas-redondas e com o público, o que é uma raridade para mim.

Na manhã da penúltima 3ª feira de agosto, mais precisamente às 8h30, numa temperatura de pouquíssimos graus centígrados, conversei com uma escritora carioca que estava sofrendo com as condições climáticas, e com duas editoras de muita experiência — com quem partilhei um dia e três refeições e me diverti muito. Se em Bolonha me lembrei de passar batom para me sentir mais madura, desta vez até pintei as unhas, e aproveito para agradecer ao marido, que ficou limpando os cantos com cotonete embebido em acetona, um sofredor.

Se querem saber como foi a nossa mesa, é só imaginar quatro mulheres animadíssimas e cheias de opinião discutindo o espaço da criação literária, o mercado infantojuvenil, o papel do editor, os livros digitais… Pobre do nosso mediador, o único homem da mesa, tentando se aproximar do microfone!

Entre tantas questões importantes debatidas nas três horas que passamos no palco, uma pergunta do público me deixou até acalorada. A professora nos contava que, naquela cidade onde os índices de leitura são os mais altos do país — com seus habitantes lendo em média 6,7 livros por ano, se não me engano—, muitas crianças se sentiam motivadas a escrever seus livros. Até aí, tudo ótimo, afinal, quem lê mais, tem maior probabilidade de querer também escrever. Mas foi aí que soubemos do motivo de sua maior indignação: os alunos dessa professora, com entre onze e quinze anos, não conseguiam publicar seus livros por editoras comerciais. Uma das mães teria até custeado uma edição, vejam que coisa!, ela dizia.

Essa professora queria saber como lidar com a frustração dos jovens, que se deparavam com as portas fechadas das editoras. A Dolores Prades, umas das editoras-debatedoras (que me emprestou seu precioso cobertor na gélida sessão de abertura, assim como dividiu o guarda-chuva comigo inúmeras vezes a caminho e na saída do nosso busão literário) foi a primeira a responder: muitas editoras não assinam contrato com menores de dezoito anos, ponto final. Claro! E como é que podemos achar bom que menores de idade façam parte de um mercado, procurem produzir para ter lucro, e lidem com a rejeição ou crítica negativa que podem surgir dos leitores? A Miriam Gabbai, editora da Callis (uma pessoa doce e incrivelmente rápida e clara em todas as respostas), tentou ajudar com uma ótima ideia: fazer, com os alunos, uma revista, em um projeto escolar que poderia abarcar várias disciplinas, integrar e ensinar coisas importantes ao grupo. Outra possibilidade seria criar com esses alunos blogs para troca de textos.

A Ieda de Oliveira, a escritora da mesa, contou como alguns de seus livros ficaram na gaveta por mais de quinze anos. E quantos não são os escritores sem livros publicados? O mercado oferece um espaço muito menor do que o que se escreve no Brasil e no mundo.

Acho mesmo que, com doze anos de idade, as crianças estão no momento de ler bastante e escrever muito, mas com o único intuito de se exercitar, aprimorar, mostrando sempre seus textos aos pais, professores e amigos, ponto final. Vivo insistindo na importância da forma, do texto, ou do discurso, como diria a Ieda, nos livros infantis. Muitas pessoas acham que basta contar uma boa história, que as palavras escolhidas e a composição do texto não importam. Os escritores às vezes demoram anos para concluir um único livro. E uma criança de catorze anos de idade ainda não sabe quem é, o que realmente gosta e sabe fazer. Está em fase de formação. Mais um ponto final.

E por que esses jovens precisam esperar ter seus livros publicados por uma editora comercial para se sentirem plenamente satisfeitos? De quem será que vem essa espécie de cobrança? Será que essa não seria uma ideia dos adultos?

Lembro bem de umas duas histórias das quais senti muito orgulho de ter escrito, isso do alto dos meus dez anos de idade. Em um dos casos, no final do ano, quase explodi de felicidade ao receber o “livro” de histórias da classe (na verdade um xerox grampeado que a professora fez dos textos escritos a mão por nós, alunos) com a minha “criação” ali no meio. Levei no tradicional jantar familiar de sexta-feira e mostrei para todos. E li não sei quantas vezes a versão xerocada do texto, cuja cópia original eu guardava na gaveta da minha escrivaninha.

Realmente, a literatura nos faz viajar.

PS: Muito obrigada, Tania Rösing, pelo convite. Agradeço também a Fabiane Verardi Burlamaque por ter organizado o simpósio e pelos elogios encorajadores, e a Claudete e Nilde por cuidarem do meu cronograma em Passo Fundo com tanto afeto. Foi uma experiência e tanto.

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Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

iPum

Por Júlia Moritz Schwarcz

Depois de várias reuniões, alguns quilos de biscoito de polvilho e milhares de e-mails, ficou pronto o primeiro livro infantil digital da Companhia. A versão para iPad do livro Quem soltou o Pum? poderá ser comprada na Apple Store a partir do dia 15 de agosto. E já que fazer esse livro foi uma novidade do começo ao fim (pelo menos para quem está acostumado com papel, caneta e uma boa dose de Microsoft Word), vou tentar relembrar um pouco do que se passou ao looongo desse looongo processo.

Sabe aquela sensação de tela em branco? Pois foi assim que tudo começou. Em primeiro lugar, era preciso decidir se queríamos algo próximo do livro em papel ou um “produto” totalmente diferente. Melhor que seja diferente, peromuy importante! — sem que se tornasse um quase jogo eletrônico. Partindo daí, decidimos que cada página teria por volta de duas animações. E bolar o “roteiro” dessas animações foi menos simples do que parecia. O Lollo, ilustrador do livro, sempre chamava a nossa atenção para a história do livro: por que fazer a mosquinha se mexer e zunir se ela não tinha importância nenhuma no que acontecia naquela parte da narrativa? Claro! As animações deveriam incrementar a história e não desviar a atenção do leitor; uma salva de palmas ao Lollo, que, aliás, teve que praticamente redesenhar o livro.

Enquanto isso, já que não entendo bulhufas da parte de programação eletrônica, sugeria as animações mais espalhafatosas e absurdas aos olhos dos meus colegas do outro lado do balcão. “E fazer ele se esconder debaixo da cama, essa é fácil, vai?” Sem dominar a tecnologia, sem poder saber se era possível programar tal movimento e se ele não ficaria artificial porque a ferramenta existente tinha não sei qual empecilho, era difícil bolar essas animações. E os sons, então, mais uma estreia para uma editora de livros, que acabava sempre sugerindo clichês da publicidade e reclamava que o barulho do bebê chupando chupeta não estava bom. De resto, a Helen precisou rediagramar o livro, abrindo espaço para os movimentos das ilustrações, que passavam a ocupar novos espaços nas páginas, e também para juntar o texto, já que o livro acabou com 16 páginas em vez de 32.

Mas ficou pronto e ficou muito bom, espero que todo mundo ache o mesmo. Pena só que não vou poder dar um desses de presente para o filho do Domingos — o entregador da lanchonete aqui perto da editora, que um dia me pediu a indicação de um livro para o filho ler nas férias, ganhou um de presente e depois de um mês se deu ao trabalho de vir me deixar um x-bacon-salada-maionese de presente; maior obrigado que eu já recebi!

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Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

Livros infantoadultos

Por Júlia Moritz Schwarcz

Joy of reading

Que livro devo dar de presente ao meu sobrinho de 4 anos? Será que posso contar essa história a uma criança que cursa a educação infantil? Quais os temas mais adequados a um leitor de 7 anos? — essas são perguntas comuns de se ouvir. A resposta não é muito difícil. Tudo bem, conheço muitos livros infantis, mas basta pensar naqueles de que gosto e pronto. Porque livro bom é bom para criança e para adulto. E não sou só eu que acho isso: Walter Benjamin concorda comigo, oquei?

Em um texto chamado “Livros infantis antigos e esquecidos” (obrigada, Tinas!) ele mostra como “nada é mais ocioso que a tentativa febril de produzir objetos — material ilustrativo, brinquedo ou livros — supostamente apropriados às crianças”. Contando a história de um grande colecionador de livros infantis, Benjamin chama atenção para uma coisa muito importante: as crianças não são seres incompreensíveis para os adultos nem muito diferentes de nós, e por isso não precisamos realmente ser muitos inventivos na hora de criar histórias e desenhos que as agradem.

Os pequenos se interessam pelas respostas verdadeiras e não aquelas “criadas” para atender ao seu universo particular. E isso acontece de maneira saudável, pois, ao entrar em contato com aspectos do mundo adulto, as crianças sabem reorganizá-los em uma relação nova e original, construindo “seu mundo de coisas, um microcosmos no macrocosmos”.

Quem convive com crianças sente na prática como elas trazem mesmo tudo para a sua própria chave e repertório. Pegue um tema tabu como a morte, por exemplo, e duas meninas bem pequenas chamadas Zizi e Alice. Fomos à praia esse feriado, na casa de amigos. O lugar era lindo, a companhia estava ótima e minha filha mais velha (4 anos) foi embora chorando. No carro, aos prantos, dizia que queria ficar ali até morrer. Em 2 segundos mudou de expressão e corrigiu: “Peraí, não quero morrer”. Eu disse que isso ia demorar muito para acontecer porque ela era nova. “Mas um dia eu vou ter que morrer?” Sim, filha, todo mundo morre. “Então quer dizer que vai chegar um dia em que vou viver sem ter pai nem mãe?”. A irmã mais nova (2 anos) ouviu a conversa bem quieta e na noite seguinte, acordada por causa de uma dessas viroses chatas, com muita febre, me disse que também não queria morrer e me perguntou “aliás, por que a Alice nasceu?”.

A vida e a morte — até a morte da mãe —, esses não são temas “indicados” a duas pequenas desse escalão. Mas e daí? Na prática isso não vale. Acho que com os livros é parecido: podem interessar a todos e qualquer um, sem muita restrição de idade, e pelos motivos mais diversos possíveis. Lembro da Lili (que criou o selo infantil da Companhia e é a editora master) contando sempre como a Letrinhas nasceu com a aposta de que um bom livro não tem pátria ou origem, de que poderíamos editar livros estrangeiros, sim. Essa questão já está totalmente superada hoje em dia, mas tenho achado que, salvo algumas honrosas exceções, os livros podem não ter, também, idade. E por isso procuro manter com eles a minha postura de mãe: aquela que, de coração aberto, prepara cada volume para o mundo inteiro gostar.

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Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.

Festa da Companhia das Letrinhas

Por Júlia Moritz Schwarcz

Gente, tem festa de arromba da Companhia das Letrinhas em comemoração aos 25 anos da editora! Ai, ai, lembro como se fosse hoje da festa no Museu da Casa Brasileira quando a Companhia completou 1 ano, eu de vestido florido e sapato boneca vermelho, meu irmão, uma espécie de marinheiro mirim, óóóóó.

O arrasta-pé vai ser animado: às 10h tem show de música com o grupo Triii; às 10h30, oficina com o José Carlos Lollo (ilustrador do Quem soltou o Pum? e do Grande, pequeno); 10h30, também, contação de história com a Dilea Frate (autora do Histórias para acordar e Fábulas tortas); às 11h contação com a Heloisa Prieto (autora do Lá vem histórias, Divinas aventuras, entre muitos outros livros) e com o Daniel Kondo (ilustrador do Palavrinha, palavrão e outros); às 11h30 atividade com Ilan Brenman e Renato Moriconi (autores do Telefone sem fio); às 12h teatro com a companhia Le Plat du Jour (acho que vai ser Chapeuzinho Vermelho, é demais essa peça); às 12h40, Fabrício Corsaletti (Zoo zureta), Eucanaã Ferraz (Palhaço, macaco e passarinho) e Ricardo Cunha Lima (Bis) vão declamar poemas; e, para fechar, às 13h20 mais uma sessão de música com o Triii.

Peço calma pois este é um post informativo e tenho ainda alguns itens a mencionar. Teremos pipoca, pão de queijo, milho cozido, biscoito de polvilho, brigadeiro, bala, dadinho e pirulito; venda de livros com desconto, brindes (não vou contar quais são para não estragar a surpresa), um espaço de leitura, uma caixa para doação de brinquedos e mais de 30 autores e ilustradores em uma mesona de autógrafos. Ah, isso sem falar da decoração que estamos preparando — aqueles que comparecerem ao evento, favor elogiar os móbiles de papel pois estou com o dedão e o indicador da mão direita roxos de tanto usar a tesoura.

Tudo isso no sábado dia 11 de junho, das 10h às 14h, no Centro Cultural Rio Verde (rua Belmiro Braga, 181 — Vila Madalena).

E digo mais, quero ver todo mundo lá comemorando com a gente!

[Veja aqui a programação completa da Festa]

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Júlia Moritz Schwarcz é editora dos selos Companhia das Letrinhas e Cia. das Letras. Ela contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre literatura infantil.