Listas

10 livros nacionais lançados (até agora) em 2016

Na nossa última lista, apresentamos alguns lançamentos estrangeiros do Grupo Companhia das Letras que saíram até o último mês. Agora chegou a vez de conhecer alguns dos nossos lançamentos nacionais para não deixar nenhum livro de fora da sua lista de futuras leituras. Saiba mais sobre as melhores ficções e não ficções brasileiras publicadas até agora em 2016!

1) Outros cantos, de Maria Valéria Rezende

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No final de 2015, Maria Valéria Rezende ganhou o prêmio Jabuti por Quarenta dias. Logo depois, no comecinho de 2016, mais um livro da escritora que vive em João Pessoa foi lançado pela Alfaguara. Em Outros cantos, ela apresenta uma narrativa comovente sobre passado e futuro. Numa travessia de ônibus pela noite, Maria, uma mulher que dedicou sua vida à educação de base, entrelaça passado e presente para recompor uma longa jornada que nem mesmo a distância do tempo pode romper. Em uma escrita fluida, conhecemos personagens cativantes de diversos lugares do mundo e memórias que desfiam uma série de impossíveis amores, dos quais Maria guarda lembranças escondidas numa “caixinha dos patuás posta em sossego lá no fundo do baú”.

2) Esta terra selvagem, de Isabel Moustakas

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Quem é Isabel Moustakas? A pergunta ficou na cabeça dos leitores quando o livro Esta terra selvagem foi lançado em março. Em seu livro de estreia, a autora usa a cidade de São Paulo como cenário de um thriller sangrento repleto de crimes de ódio. João é um repórter policial de um grande jornal paulistano, sem muita sorte na vida pessoal e profissional. Mas sua vida muda quando uma jovem que assistiu à tortura e ao assassinato brutal dos pais — um boliviano e uma descendente de italianos -, e que depois fora abusada das piores maneiras, lhe faz um relato de cada detalhe perturbador do que havia presenciado. Ao final do depoimento, a garota tira a própria vida diante dos olhos dele. A partir deste terrível episódio, o repórter irá seguir pistas que o levarão a um suposto grupo racista que vem cometendo atrocidades contra imigrantes, negros, judeus, nordestinos, gays e quaisquer pessoas que considera impuras.

3) A vida invisível de Eurídice Gusmãode Martha Batalha

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Nossas mães, tias e avós são facilmente reconhecíveis neste romance de Martha Batalha. Nos anos 1940, Guida Gusmão desaparece da casa dos pais sem deixar notícias, enquanto sua irmã Eurídice se torna uma dona de casa exemplar. Mas nenhuma das duas parece feliz em suas escolhas. A trajetória das irmãs Gusmão em muito se assemelha com a de inúmeras mulheres nascidas no Rio de Janeiro no começo do século XX e criadas apenas para serem boas esposas. São mulheres invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a própria vida. Capaz de falar de temas como violência, marginalização e injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias.

4) Quadrinhos dos anos 10, de André Dahmer

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As tirinhas de André Dahmer são uma das melhores representações dos anos em que vivemos: os anos 2010. Quadrinhos dos anos 10, lançado em maio pela Quadrinhos na Cia.,  tem uma receita simples: três ou quatro quadros em sequência, contendo a mais dolorosa e mordaz crítica à vida moderna. O humor dessas páginas nasce da mesma angústia que sentimos diante das complicações contemporâneas que o autor tenta destrinchar — a política brasileira, a tecnologia, as relações pessoais. Mas as tiras não são pesadas e duras: pelo contrário, são tão engraçadas quanto os absurdos do dia a dia.

5) Histórias naturais, de Marcílio França Castro

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Marcílio França Castro participou da Flip deste ano, dividindo a mesa que levou o nome de seu livro com o mexicano Alvaro Enrigue. Exibindo um fantástico domínio técnico, um olhar original sobre as relações humanas e um ponto de vista singular para tratar a matéria imaginativa, o autor se debruça sobre as estranhezas que compõem a vida cotidiana neste volume de contos. A partir de situações aparentemente corriqueiras, um mundo de extravagâncias absorve o leitor, fazendo-o desconfiar das armadilhas que construímos para nós mesmos e para os outros.

6) Minhas duas meninas, de Teté Ribeiro

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A jornalista Teté Ribeiro tentou engravidar durante quase uma década, e estava quase desistindo da maternidade biológica quando resolveu tentar uma última vez por meio de uma barriga de aluguel na Índia. E deu certo: Teté agora é mãe de gêmeas. Minhas duas meninas é o relato dos detalhes que marcaram essa experiência — a relação com a mãe indiana, o dia a dia logo após o nascimento, todas as particularidades da clínica e os dilemas pelas quais passa uma mãe que não carregou suas filhas na própria barriga. Em parte livro de memórias, em parte retrato de geração, mas também reportagem exemplar, Minhas duas meninas é uma radiografia dos dilemas da mulher contemporânea.

7) Os visitantes, de B. Kucinski

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Imagine que você é um autor que escreveu um livro sobre a busca de um pai por sua filha desaparecida durante a ditadura militar. Após o livro ser publicado, lido e criticado, personagens dessa história começam a aparecer à sua porta apontando erros na história, reclamando de como foram retratadas. É esse o enredo de Os visitantes, de Bernardo Kucinski. Personagens de seu romance anterior, K.: Relato de uma busca, ressurgem em sua vida para tirar satisfações sobre como a história foi contada.

8) A Bíblia do Chede Miguel Sanches Neto

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Em meio a escândalos na política brasileira, A Bíblia do Che é um romance que conversa muito com o que estamos vivenciando agora. Morando em Curitiba, o professor recluso Carlos Eduardo é contratado para uma missão insólita: localizar um exemplar da Bíblia com anotações que Che Guevara teria feito durante uma passagem pelo Brasil. Para além da incerteza que ronda a jornada do revolucionário pelo país, a tarefa tem um complicador, justamente na forma de uma dama fatal, a esposa do operador financeiro que o contratou. Peça-chave no mistério da Bíblia do Che, Celina enlaça o professor ainda mais na teia de intrigas que circunda o livro. Em pouco tempo, o operador aparece morto e a investigação de Carlos Eduardo, que antes pertencia ao âmbito dos colecionadores de livros raros, evolui para uma rede de crimes que envolve governo, construtoras, dinheiro sujo de campanha e caixa dois.

9) O conto zero e outras histórias, de Sérgio Sant’Anna

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Um dos maiores contistas do Brasil, Sérgio Sant’Anna lançou em julho mais uma coletânea de textos. Neste que é um de seus trabalhos mais pessoais, Sant’Anna combina lembrança e imaginação para recriar viagens, impressões e momentos únicos que se perderam no tempo. Se é a memória que conduz essas histórias, a força está na maneira como a ficção refaz o passado. Lembranças de uma viagem com o irmão, do primeiro cigarro, de mulheres que cruzaram sua vida, tudo isso serve de pretexto para que Sérgio Sant’Anna atravesse com o leitor um caleidoscópio de estilos e vozes tão belo, complexo e múltiplo quanto sua obra.

10) Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, de Elvira Vigna

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E para terminar, temos o lançamento de uma de nossas maiores autoras brasileiras: Elvira Vigna. Como se estivéssemos em palimpsesto de puta chegou às livrarias no mês passado, e narra o encontro de dois estranhos num verão do Rio de Janeiro. Ela é uma designer em busca de trabalho, ele foi contratado para informatizar uma editora moribunda. O acaso junta os protagonistas numa sala, onde dia após dia ele relata a ela seus encontros frequentes com prostitutas. Ela mais ouve do que fala, enquanto preenche na cabeça as lacunas daquela narrativa. Elvira Vigna parte desse esqueleto para criar um poderoso jogo literário de traições e insinuações, um livro sobre relacionamentos, poder, mentiras e imaginação.

Sentiu falta de algum lançamento? Então conte aqui nos comentários. E fique de olho, ainda em 2016 teremos mais grandes lançamentos da nossa literatura. :)

10 livros estrangeiros lançados (até agora) em 2016

Já chegamos na metade de 2016, e são tantos livros lançados a cada mês que fica até difícil lembrar de tudo o que você quer ler, certo? Se você deixou alguma novidade escapar, não se preocupe: selecionamos dez livros lançados até agora que merecem entrar na sua lista de futuras leituras. Nesta primeira lista, vamos falar dos lançamentos estrangeiros. Confira! :)

1) Isso também vai passarde Milena Busquets (tradução de Joana Angélica d’Avila Melo)

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O romance da espanhola Milena Busquets se transformou num sucesso internacional, chegando aqui no Brasil em fevereiro. Neste livro, o leitor acompanha uma narradora que vive o luto pela morte da mãe durante um verão em Cadaqués. Diante da ausência da mãe, restam as memórias de tudo o que a narradora viveu ao lado de quem a trouxe à vida, e o desejo de reafirmar a existência por meio do sexo, do convívio com as amigas, dos filhos e dos homens do passado. Milena Busquets combina profundidade e leveza para falar de temas universais como a dor, o amor, o medo, o desejo, a tristeza, o riso, a desolação e a beleza.

2) Romances de Patrick Melrosede Edward St. Aubyn (tradução de Sara Grünhagen)

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Edward St. Aubyn vem de uma família inglesa de “pedigree”, cujas origens nobres remontam ao século XVII. Ele cresceu em Londres e viveu a separação dos pais quando ainda era criança, e logo foi mandado para um colégio interno de elite. Seu vício em heroína desde muito jovem, assim como a conturbada história familiar, inspiraram em grande medida a vida do protagonista de seu ciclo de romances, Patrick Melrose. Lançado no Brasil em fevereiro, o primeiro volume de Romances de Patrick Melrose reúne três dos cinco livros deste ciclo: Não importaMás notíciasAlguma esperança. Alternando cenas de profunda angústia e tragédia com momentos hilários, os livros dissecam a classe alta inglesa ao narrar a história de Patrick, dos abusos na infância ao vício e, por fim, à reabilitação.

3) As meninas ocultas de Cabul, de Jenny Nordberg (tradução de Denise Bottmann)

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Durante cinco anos de pesquisas no Afeganistão, a repórter Jenny Nordberg descobriu que algumas famílias criam suas filhas como se fossem meninos, tentando fazer com que a comunidade acredite que as crianças são de fato do sexo masculino. A prática, conhecida como “bacha posh”, foi revelada por Jenny em reportagem de grande repercussão no New York Times. Neste livro, lançado em março, ela mostra em detalhe os horrores de um ambiente machista, e faz um alerta para a comunidade internacional sobre um crime que nenhum relativismo cultural é capaz de atenuar.

4) Dois anos, oito meses e 28 noites, de Salman Rushdie (tradução de Donaldson M. Garschagen)

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Em março lançamos mais um livro de Salman Rushdie, autor de Os versos satânicos. Dois anos, oito meses e 28 noites — que, para quem fizer as contas, corresponde a mil e uma noites — é um romance de tirar o fôlego e um testamento duradouro sobre o poder da ficção, as relações humanas e a nossa ancestralidade. Depois de uma tempestade em Nova York, fatos estranhos começam a ocorrer. Um jardineiro percebe que seus pés não tocam mais o chão. Um quadrinista acorda ao lado de um personagem que parece um de seus desenhos. Ambos são descendentes dos djins, figuras mágicas que vivem num mundo apartado do nosso por um véu invisível. Séculos atrás, Bunia, princesa dos djins, apaixonou-se por um filósofo. Juntos, tiveram filhos que se espalharam pelo mundo humano. Quando o véu é rompido, tem início uma guerra que se estende por mil e uma noites.

5) Uma história de solidão, de John Boyne (tradução de Henrique de Breia e Szolnoky)

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O mais recente romance adulto de John Boyne, lançado em janeiro, aborda com extrema delicadeza o tema dos abusos sexuais na Igreja católica. Uma história de solidão acompanha a vida de Odran Yates, um garoto irlandês nascido nos anos 1950 que cresce em uma família disfuncional e entra para a vida eclesiástica. Da ingenuidade dos primeiros anos de colégio à descoberta dos segredos mais bem guardados da Igreja, o padre Odran Yates descreve uma Irlanda repleta de contradições e ódio por trás de um projeto social baseado nos bons costumes e vive a decadência de seu ofício, que, diante de tantas denúncias de abuso sexual, passa a ser visto com desconfiança. O padre tenta fazer um acerto de contas com a própria consciência, depois de ter sido convencido de que era inocente demais para entender o que ocorria ao seu redor.

6) Campos de sangue, de Karen Armstrong (tradução de Rogério W. Galindo)

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A ideia de que a fé pode ser fonte de violência e intolerância vem crescendo nas últimas décadas, especialmente após o Onze de Setembro. Mas seria uma visão precisa da realidade? Neste estudo, Karen Armstrong investiga as grandes tradições religiosas em busca de respostas, e nos conduz a uma viagem pela história das maiores religiões do mundo. Amparado na vasta erudição da autora e no seu compromisso em promover a empatia entre os povos, Campos de sangue mostra que a religião não é a causa de nossos problemas.

7) Pureza, de Jonathan Franzen (tradução de Jorio Dauster)

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Em 2016 também lançamos o novo livro de Jonathan Franzen, um dos maiores autores norte-americanos da atualidade. Em Pureza, acompanhamos a história da jovem Pip Tyler. Ela sabe que seu nome verdadeiro é Purity, que está atolada em dívidas, que está dividindo um apartamento com anarquistas e que a sua relação com a mãe vai de mal a pior. Coisas que ela não sabe: quem é seu pai, por que a mãe a força a uma vida reclusa, por que tem um nome inventado e como ela vai fazer para levar uma vida normal. Um breve encontro com um ativista alemão leva Pip à América do Sul para um estágio numa organização que contrabandeia segredos do mundo inteiro — inclusive sobre sua misteriosa origem. Pureza é uma história sobre idealismo juvenil, lealdade e assassinato.

8) Meu nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout (tradução de Sara Grünhagen)

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Lançado agora em junho, Meu nome é Lucy Barton acaba de ser selecionado para concorrer ao Man Booker Prize 2016. O romance é narrado por Lucy Barton, uma escritora bem-sucedida que está há três semanas num hospital se recuperando das complicações de uma simples operação para extrair o apêndice. Sofrendo de saudade das filhas e do marido, ela recebe uma visita inesperada da mãe, com quem não falava havia anos. Nas cinco noites que passa com a mãe, a narradora convalescente lança um olhar aguçado e humano, sem sentimentalismos, para os acontecimentos centrais de sua vida: o isolamento e a pobreza dos anos da infância, o distanciamento de um núcleo afetivo desestruturado, a luta para se tornar escritora, o casamento e a maternidade.

9) Voltar para casa, de Toni Morrison (tradução de José Rubens Siqueira)

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Uma das mais celebradas romancistas dos Estados Unidos, a Nobel de Literatura Toni Morrison expande seu olhar sobre a história norte-americana do século XX em Voltar para casa, uma narrativa de violência, amor e redenção. Frank Money volta da Guerra da Coreia vivendo em profundo conflito com seus fantasmas, perturbado pela enorme culpa de ser um sobrevivente e pelas atrocidades que cometeu. Ao se deparar com um país racista e segregado, ele reluta em voltar à sua cidade natal na Geórgia, onde deixou dolorosas memórias de infância e a pessoa que lhe é mais querida, a irmã Ycidra. Ci sobreviveu como pôde aos anos de ausência do irmão, numa sociedade machista e opressiva em que as mulheres não têm vez, são sistematicamente abandonadas pelos maridos e muitas vezes mutiladas sem piedade. Nesse mundo desfigurado, ao se reencontrarem no caminho de volta para casa, os irmãos poderão enfim ressignificar seu passado e voltar a ver com esperança o futuro.

10) Atlas de nuvens, de David Mitchell (tradução de Paulo Henriques Britto)

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E encerramos com um lançamento deste mês: Atlas de nuvens! Neste que é um dos romances mais cultuados do nosso tempo, David Mitchell combina o gosto pela aventura, o amor por quebra-cabeças e o talento para a especulação científica conduzindo o leitor por seis histórias que se encontram no tempo e no espaço, criando um jogo de bonecas russas que explora com maestria questões fundamentais de realidade e identidade. O livro, adaptado para os cinemas em 2012 e protagonizado por Tom Hanks, finalmente está nas livrarias brasileiras!

 

11 livros para ler no Dia do Rock

Biografias, romances, livros que se inspiram em canções ou bandas e que falam sobre grandes nomes da música: escolhemos onze leituras para você aproveitar no Dia do Rock! :)

1. Atravessar o fogo, de Lou Reed

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O primeiro da lista não poderia ser outro. Atravessar o fogo, que faz parte da coleção listrada da Companhia das Letras, reúne traduções de Christian Schwartz e Caetano W. Galindo para mais de 300 letras de Lou Reed. À frente do Velvet Underground, Reed “trouxe dignidade, poesia e rock and roll a temas como as drogas pesadas, as anfetaminas, a homossexualidade, o sadomasoquismo, o assassinato, a misoginia, a passividade entorpecida e o suicídio”, nas palavras do lendário crítico musical Lester Bangs, com quem mantinha uma notória relação de amor e ódio. Com sua carreira solo não foi diferente. Neste livro, o leitor pode contemplar o gênio de Lou Reed em suas múltiplas facetas: o cronista do submundo nova-iorquino, o narrador de inegável talento para capturar as vozes das ruas, o fetichista depressivo com tendências suicidas e masoquistas, o amante da literatura e das artes de vanguarda.

2. John Lennon, de Philip Norman

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Biografias de grandes nomes do rock estão no nosso catálogo, e uma delas é de John Lennon. Escrito após três anos de pesquisa, e longe de contentar-se com curiosidades ou mexericos, Philip Norman fez de John Lennon: a vida o relato biográfico mais completo já escrito sobre uma das personalidades mais fascinantes da segunda metade do século XX. Com acesso a documentos inéditos e testemunhos diretos de Yoko Ono, Sean Lennon e Paul McCartney, entre outros, Norman começa por descrever em detalhes infância e adolescência do ex-Beatle, e logo traz à tona episódios e personagens cruciais para o entendimento de uma figura tão unanimemente admirada quanto controvertida.

3. Linha Mde Patti Smith

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Em 1970 Patti Smith lançou Horses, considerado precursor do punk rock e um dos cem melhores álbuns de todos os tempos. Daí para frente, Patti não parou com sua carreira na música, que é marcada pela sua paixão por poesia. Linha M é um livro onde podemos ver seu talento também para a literatura. Num tom que transita entre a desolação e a esperança — e amplamente ilustrado com suas icônicas polaroides -, Linha M é uma reflexão de Patti Smith sobre viagens, séries de detetives, literatura e café. Um livro poderoso e comovente de uma das mais multifacetadas artistas em atividade.

4. Só garotos, de Patti Smith

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Não tem como falar de Patti Smith sem lembrar de Só garotos, livro em que fala sobre o início de sua carreira, quando se muda para Nova York no final dos anos 1960, e de seu relacionamento de amor e amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, para quem prometeu escrever a sua história. Só garotos é uma autobiografia cativante e nada convencional. Tendo como pano de fundo a história de amor entre Patti e Mapplethorpe, o livro é também um retrato apaixonado, lírico e confessional da contracultura americana dos anos 1970.

5. Cidade em chamas, de Garth Risk Hallberg

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Não só de música é feito Cidade em chamas, primeiro romance de Garth Risk Hallberg, mas ela é parte importante dessa história que recria a Nova York dos anos 1970. Clássicos álbuns do rock inspiraram o autor na escrita do livro (como The Rolling Stones, Patti Smith e Lou Reed, já citados na lista), e um de seus protagonistas é ex-vocalista de uma lendária banda de punk-rock, a fictícia Ex-Post Facto. Entre shows em bares abafados da cultura underground, os negócios de uma rica família de NY e a investigação de um crime, as personagens de Cidade em chamas se esbarram pela cidade que passa por transformações sociais e culturais.

6. Minha fama de mau, de Erasmo Carlos

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Com cabeça de homem e coração de menino, o cantor e compositor Erasmo Carlos conta em Minha fama de mau suas divertidas memórias, da infância humilde à consagração como ídolo do rock. Considerado por Rita Lee como “o pai do rock brasileiro”, Erasmo reuniu por dois anos e meio passagens que costuram os detalhes de sua vida e sua carreira para narrar como o menino criado pela mãe numa casa de cômodos superou todas as limitações e o preconceito da Zona Sul carioca, consagrando-se, junto ao amigo Roberto Carlos, como o porta-voz sentimental de milhões de pessoas.

7. Do que é feita uma garotade Caitlin Moran

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Do que é feita uma garota não é um livro sobre rock, mas ele é constante na vida da narradora, a adolescente Johanna Morrigan. Depois de passar vexame num programa de TV local aos 14 anos, a jovem decide mudar de vez para virar uma “garota legal”: se transforma em Dolly Wilde, uma menina gótica, loquaz e Aventureira do Sexo, que salvará a família da pobreza com sua literatura. Nos anos 1990, ela escreve críticas de shows e álbuns para uma revista de música, se relaciona com rockstars, vê nas letras das canções que escuta aquilo que faltava para a sua vida. Mas e se Johanna tiver feito Dolly com as peças erradas? Será que uma caixa de discos e uma parede de pôsteres bastam para se fazer uma garota? Caitlin Moran faz do livro uma história divertida sobre crescer e construir sua própria identidade.

8. Mick Jagger, de Philip Norman

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Mick Jagger é o astro da música que melhor encarnou o ideal de sexo, drogas e rock’n’roll. Nesta que é a mais completa biografia do líder dos Rolling Stones, Philip Norman refaz os passos da consagração de Mick Jagger e mostra como ele se tornou um showman sedutor, o protótipo do pop star genial, escandaloso e milionário. Passando pela infância e momentos turbulentos de sua carreira, Norman narra como, em sua longa trajetória de mais de cinquenta anos como astro e ícone sexual, Mick Jagger foi assimilado pelo establishment, mas manteve a mística transgressiva e fascinante do rock.

9. Norwegian Wood, de Haruki Murakami

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Uma música dos Beatles leva o narrador deste livro, Toru Watanabe, a lembrar de sua juventude em Tóquio, onde chegou aos 17 anos para estudar teatro. E é esta música que dá título a Norwegian Wood, romance de Haruki Murakami. Vivendo solitariamente em um alojamento de estudantes, um dia reencontra um rosto de seu passado: Naoko, antiga namorada de seu grande amigo de adolescência antes deste cometer suicídio. Marcados por essa tragédia em comum, os dois se aproximam e constroem uma relação delicada onde a fragilidade psicológica de Naoko se torna cada vez mais visível até culminar com sua internação em um sanatório. Ambientado em meio à turbulência política da virada dos anos 1960 para os anos 1970, Norwegian Wood é uma balada de amor e nostalgia cuja rara beleza confirma Murakami como uma das vozes mais talentosas da ficção contemporânea.

10. A maçã envenenada, de Michel Laub

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Em 1993, o grupo norte-americano Nirvana fez uma única e célebre apresentação no estádio do Morumbi, em São Paulo. Um estudante de dezoito anos, guitarrista de uma banda de rock e cumprindo o serviço militar em Porto Alegre, precisa decidir se foge do quartel — o que o levaria à prisão — para assistir ao show ao lado da primeira namorada. A escolha ganha ressonâncias inesperadas à luz de fatos das décadas seguintes. Um deles é o suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, que chocou o mundo em 1994. Outro é o genocídio de Ruanda, iniciado quase ao mesmo tempo e aqui visto sob o ponto de vista de uma garota, Immaculée Ilibagiza, que escapou da morte ao passar 90 dias escondida num banheiro com outras sete mulheres. Focado nos anos 1990, A maçã envenenada é o segundo volume da trilogia sobre os efeitos individuais de catástrofes históricas iniciada com Diário da queda, cuja ação central se dá nos anos 1980. Como no volume anterior, Michel Laub aborda o tema da sobrevivência usando os recursos da ficção, do ensaio e da narrativa memorialística, numa linguagem que alterna secura e lirismo, ironia e emoção no limite do confessional.

11. Alta fidelidadede Nick Hornby

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E terminamos nossa lista do Dia do Rock com um livro cheio de listas musicais! Rob é um sujeito perdido. Aos 35 anos, o rompimento com a namorada o leva a repensar todas as esferas da vida: relacionamento amoroso, profissão, amizades. Sua loja de discos está à beira da falência, seus únicos amigos são dois fanáticos por música que fogem de qualquer conversa adulta e, quanto ao amor, bem, Rob está no fundo do poço. Para encarar as dificuldades, ele vai se deixar guiar pelas músicas que deram sentido a sua vida e descobrir que a estagnação não o tornou um homem sem ambições. Seu interesse pela cultura pop é real, sua loja ainda é o trabalho dos sonhos e Laura talvez seja a única ex-namorada pela qual vale a pena lutar. Alta fidelidade é um romance sobre música e relacionamento, sobre as muitas caras que o sucesso pode ter e sobre o que é, afinal, viver nos anos 1990.

12 livros para o Dia do Orgulho Nerd

Hoje comemoramos o Dia do Orgulho Nerd! A data foi escolhida para o homenagear o dia da première de Star Wars IV e o famoso Dia da Toalha (uma homenagem a Douglas Adams, autor da série O guia do mochileiro das galáxias). Para celebrar o dia dos fãs da cultura nerd/geek, selecionamos algumas leituras que todo nerd vai amar. Confira!

1. Star Wars — Estrelas perdidas, de Claudia Grey

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Claro que a nossa primeira indicação só podia ser Star Wars! Ciena Ree e Thane Kyrell se conheceram na infância e cresceram com o mesmo sonho: pilotar as naves do Império, cujo poder sobre a galáxia aumentava a cada dia. Durante a adolescência, sua amizade aos poucos se transforma em algo mais, porém suas diferenças políticas afastam seus caminhos: Thane se junta à Aliança Rebelde e Ciena permanece leal ao imperador. Agora em lados opostos da guerra, será que eles vão conseguir ficar juntos? Star Wars — Estrelas perdidas acompanha  os principais acontecimentos da série desde o surgimento da Rebelião até a queda do Império sob o ponto de vista dessas duas personagens, trazendo, ainda, eventos inéditos que se passam depois do episódio VI, O retorno de Jedi, e pistas sobre o episódio VII, O despertar da Força, que estreou nos cinemas no ano passado. Se você acha pouco, também indicamos os demais livros de Star Wars publicados pela Seguinte.

2. Doctor Who — Cidade da morte, de Douglas Adams e James Goss

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Além de ter criado todo o universo da série O guia do mochileiro das galáxias, Douglas Adams também escreveu o roteiro de alguns episódios da série Doctor Who, no ar há mais de 50 anos. Um deles foi transformado em livro por James Goss em Doctor Who — Cidade da morte, publicado no Brasil pela Suma de Letras. O episódio mais assistido de toda a série narra um dia de folga do Doutor em Paris. Mas, enquanto ele e Romana almoçam em um dos charmosos cafés da cidade, o tempo parece saltar, deslizando alguns segundos para trás. Intrigado, o Doutor não demora a identificar uma rachadura no espaço-tempo. Em outro canto da capital francesa, o conde Scarlioni patrocina perigosas — e caríssimas — experiências com o tempo. Para isso, decide roubar a Mona Lisa e revendê-la. Um plano ousado, ainda mais quando os Senhores do Tempo descobrem que ele tem não apenas uma, mas sete Mona Lisas escondidas no porão: e todas são verdadeiras.Com a ajuda do detetive Duggan, especialista em esmurrar pessoas, o Doutor e sua companion precisam deter os planos do elegante e misterioso conde Scarlioni — e das onze versões dele! —, para que a humanidade tenha chance de sobreviver. A Suma de Letras também publicou a adaptação de outro roteiro de Douglas Adams que nunca chegou a ir para a TV, Doctor Who – Shada

3. Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley

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Cultuada série em quadrinhos do canadense Bryan Lee O’Malley, Scott Pilgrim contra o mundo utiliza muitas referências a games, mangás, filmes de kung fu e música para contar a saga do jovem Scott Pilgrim na luta contra os ex-namorados malvados de sua nova namorada, Ramona Flowers. Aos vinte e poucos anos, esse canadense levemente excêntrico divide os dias entre o ócio do desemprego voluntário e os ensaios de sua banda de rock, a improvável Sex Bob-Omb. O namoro casto com uma garota mais nova acaba quando ele conhece a americana Ramona, por quem se apaixona perdidamente. Mas junto com ela vem o seu passado, e para viver esse amor, Scott vai ter que derrotar a Liga dos Ex-Namorados do Mal. Cada um dos sete ex-namorados desafiará o herói para uma luta, enquanto ele ainda tenta contornar relacionamentos passados, o vibrante mundo do rock’n’roll canadense e a falta de mobília em sua casa. Scott Pilgrim contra o mundo foi publicado no Brasil pela Quadrinhos na Cia. em três volumes.

4. E se?de Randall Munroe

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O que aconteceria se você rebatesse uma bola de beisebol a 90% da velocidade da luz? Qual a velocidade máxima permitida para passar de carro por uma lombada sem morrer? Se os robôs causassem o apocalipse, quanto tempo a humanidade duraria? Essas são algumas das perguntas que Randall Munroe, responde em E se?. Unindo ciência, lógica e muito humor, o autor procura responder as pergunta hipotéticas e absurdas enviadas pelos seus leitores. Randall é o criador das famosas tirinhas do xkcd, quadrinhos que filosofam sobre a vida com muitas referências à ciência.

5. Sete breves lições de físicade Carlo Rovelli

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Não só de cultura pop vive o nerd, claro. E se você tem alguma dúvida sobre aquela teoria da física ou quer entender melhor como funciona nosso universo, Sete breves lições de física é a escolha certo. Neste pequeno livro, o físico italiano Carlo Rovelli explica em sete breves lições as principais teorias da física moderna, como a teoria geral da relatividade de Einstein, a mecânica quântica, as partículas elementares e os buracos negros. O livro foi best-seller na Itália, com mais de 300 mil exemplares vendidos.

6. Bom de briga, de Paul Pope

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Esse é para a turma dos super-heróis. Os monstros tomaram a cidade de Arcopolis, sequestrando as crianças para seu submundo nefasto e instaurando um reinado de terror. Apenas um homem pode salvar Arcopolis: o vigilante Haggard West, um misto de cientista e super-herói que patrulha as ruas da cidade. Infelizmente, Haggard West está morto. A cidade está desesperada, mas os deuses reagem à altura, enviando o garoto Bom de Briga para salvar o dia e derrotar os monstros. O semideus, que tem apenas doze anos e está tão surpreso quanto a população de Arcopolis, precisará se aliar à filha de Haggard West enquanto descobre seus próprios poderes e se prepara para a batalha final. Bom de Briga, de Paul Pope, apresenta ao fã dos quadrinhos um novo e eletrizante herói.

7. O cerne da matéria, de Rogério Rosenfeld

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Em O cerne da matéria, o físico brasileiro Rogério Rosenfeld retraça todo o caminho que levou à construção do Large Hadron Collider. Do ponto de vista privilegiado de quem trabalhou como pesquisador no próprio CERN, na Suíça, utilizando dados do LHC para seus estudos, Rosenfeld desvenda a longa batalha política que culminou no maior acelerador de partículas do mundo. Mais que isso, oferece um rico panorama histórico dos avanços científicos atrelados ao LHC, inserindo a descoberta do bóson de Higgs numa narrativa esclarecedora e empolgante sobre as fronteiras da ciência e sobre os homens que ousaram desafiá-las.

8. Jonathan Strange & Mr. Norrell, de Susanna Clarke

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Jonathan Strange & Mr. Norrell é uma mistura de ficção com fatos históricos que levou dez anos para ser escrito, baseado em uma extensa pesquisa da autora sobre a história da magia inglesa. Em 1806, a maioria da população britânica acreditava que a magia estava perdida há muito tempo — até que o sábio Mr. Norrell revela seus poderes, tornando-se célebre e influente. Ele abandona a reclusão e parte para Londres, onde colabora com o governo no combate a Napoleão Bonaparte e coloca em prática seu plano de controlar todo o conhecimento mágico do país. Tudo corre bem até que Jonathan Strange, um jovem nobre e impetuoso, descobre que também possui talentos mágicos. Ele é recebido por Norrell como seu discípulo, mas logo os dois começam a se desentender… e essa rixa pode colocar em risco toda a Inglaterra. Jonathan Strange & Mr. Norrell ganhou o Hugo Award, um dos prêmios mais importantes no gênero fantástico, foi indicado ao Man Booker Prize e ganhou uma adaptação para a TV pela BBC.

9. As sete maiores descobertas científicas da história, de David Eliot Brody e Arnold R. Brody

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Este livro é a aula de ciências que todos gostariam de ter na escola. As revolucionárias leis de Newton, a estrutura do átomo, os princípios da relatividade, a evolução das espécies, os mistérios do Big Bang e da formação do universo, a molécula do DNA e a linguagem da genética: transformando o saber especializado em informação para leigos, os irmãos Brody explicam aqui as mais extraordinárias descobertas científicas e suas relações com o avanço tecnológico vertiginoso dos tempos.

10. Próxima parada: Marte, de Mary Roach

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Próxima parada: Marte é um livro para quem ainda sonha em ser astronauta. A exploração do espaço é, de certa forma, uma exploração dos limites humanos e do que, de fato, significa ser humano. De que luxos podemos abrir mão? Por quanto tempo? O que acontece com nosso corpo se ficarmos sem andar por um ano? Nem ter relações sexuais? Para responder a essas perguntas, as agências espaciais criam todo tipo de testes e simulações surpreendentemente bizarras. Com seu humor irônico e sua curiosidade insaciável, Mary Roach nos guia em uma viagem investigativa, provando — sem margem para dúvidas — que é possível ir ao espaço sem sair da Terra.

11. Cósmico, de Frank Cottrell Boyce

cosmico

Liam sempre sentiu como se estivesse dividido entre dois mundos. Principalmente porque ele é um garoto de doze anos que parece ter mais ou menos trinta. Às vezes isso não é tão ruim, como quando o diretor da escola nova acha que ele é um professor ou quando ele consegue convencer um vendedor a deixá-lo fazer um test drive num Porsche sem apresentar a carteira de motorista. Mas na maior parte do tempo é muito frustrante ser uma criança presa num mundo adulto. Então Liam decide agitar um pouco a situação e participar do concurso que vai eleger o melhor pai de todos os tempos — concorrendo como pai, claro. O prêmio é o direito de estar no primeiro foguete que vai levar pessoas comuns para o espaço, em um voo especial para um grupo de crianças e um adulto responsável — no caso, Liam. Não demora muito para que ele e seus novos amigos fiquem presos entre dois mundos novamente — só que dessa vez a 380 mil quilômetros de casa.

12. A guerra dos mundos, de H. G. Wells

guerra

A nova edição com tradução revisada, extras e ilustrações de A guerra dos mundos, de H. G. Wells, ainda não chegou às lojas, mas não podemos deixar de indicar este clássico da ficção científica! Publicado pela primeira vez em 1898, A guerra dos mundos aterrorizou e divertiu muitas gerações de leitores. Esta edição especial contém as ilustrações originais criadas em 1906 por Henrique Alvim Corrêa, brasileiro radicado na Bélgica. Conta também com um prefácio escrito por Braulio Tavares, uma introdução de Brian Aldiss, membro da H. G. Wells Society, e uma entrevista com H. G. Wells e o famoso cineasta Orson Welles — responsável pelo sucesso radiofônico de A guerra dos mundos em 1938 —, que fazem desta a edição definitiva para fãs de Wells. O livro será lançado no dia 3 de junho, mas você já pode reservar o seu na pré-venda.

Vários livros nerds e geeks publicados pelo grupo Companhia das Letras estão em promoção. Consulte a lista e conheça novos títulos! :)

 

Oito livros para você se preparar para a Flip 2016

A 14ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty acontece entre os dias 29 de junho e 3 de julho, e a programação principal do evento já foi anunciada. O grupo Companhia das Letras está preparando vários lançamentos de seus autores convidados, mas enquanto os novos livros não chegam, você pode conhecer as suas obras com os títulos já lançados aqui no Brasil. Para isso, fizemos esta lista com alguns livros para você ir se preparando para a Flip. Confira!

1. McMáfiade Misha Glenny

mcmafia

Em junho, Misha Glenny lança O dono do morro, livro em que conta a história do traficante Nem e, por consequência, a história do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Mas abordando o crime em uma escala maior, o jornalista lançou no Brasil em 2008 o livro McMáfia, que aborda o crescimento exponencial do crime organizado em todo o planeta. Para este livro, Misha Glenny realizou três anos de pesquisas e investigações em todos os continentes para mapear a proliferação das redes criminosas mundo afora e apresenta dados estarrecedores sobre ações ilícitas que vão desde o tráfico de mulheres russas para Israel até os crimes eletrônicos perpetrados em países como o Brasil e a Nigéria, das rotas do narcotráfico ao contrabando de petróleo, diamantes ou caviar.

2. Retrato de um viciado quando jovem, de Bill Clegg

retrato

Antes deste livro, Bill Clegg atuava no mercado editorial como agente literário. Sua estreia como autor, Retrato de um viciado quando jovem é um relato comovente — e assustador — de sua vida como usuário de crack, a história de um jovem profissional que abandona a carreira promissora em Nova York e mergulha no mundo de paranoia e desespero do vício. Escrito com uma sinceridade atordoante, que muitas vezes toma o ponto de vista externo do narrador, como se o distanciamento permitisse uma liberdade maior em descrições espantosas e comoventes, o livro acompanha a queda e a redenção final de alguém que se propôs a destruir tudo o que tem e ama. Retrato ganhou uma continuação com o lançamento de Noventa dias, relato da reabilitação do autor. Agora em junho, lançaremos seu primeiro romance, Você já teve uma família?.

3. Vozes de Tchernóbilde Svetlana Aleksiévitch

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Vencedora do Nobel de Literatura de 2015, Svetlana não tinha sua obra publicada no Brasil até abril deste ano, quando lançamos Vozes de Tchernóbil no aniversário de 30 anos da tragédia nuclear. Para este livro, Svetlana entrevistou centenas de pessoas que viveram o desastre, viúvas, bombeiros, cientistas, soldados convocados para conter a destruição causada pela radiação. E são as vozes destas pessoas que a jornalista usa para contar a história de Tchernóbil. Vozes não é um livro que apresenta uma ordem cronológica dos fatos ou que explique o que causou o acidente, mas sim um relato do que aquelas pessoas sofreram e ainda sofrem depois de serem atingidas de alguma forma pela tragédia. O próximo livro de Svetlana Aleksiévitch a ser lançado pela Companhia das Letras é A guerra não tem rosto de mulher, a história das mulheres soviéticas que lutaram na Segunda Guerra Mundial que estará nas livrarias até a Flip.

4. Rostos na multidão, de Valeria Luiselli

rostos

No México, uma jovem mãe de duas crianças pequenas tenta escrever um romance sobre sua juventude em Nova York e a obsessão que tem por um excêntrico e obscuro poeta mexicano, Gilberto Owen — que viveu na mesma cidade nos anos 1920. A presença quase fantasmagórica do poeta envolve a narradora com frequência. A vida familiar da jovem rui lentamente, assim como a de Owen ruía tantas décadas antes. E assim as vozes da narradora e do poeta se encontram numa história que aproxima suas vidas, apesar de estarem distantes no tempo. A inventiva estrutura de narração de Valeria Luiselli faz de Rostos na multidão, seu primeiro livro publicado no Brasil, um romance multifacetado e emocionante, fruto de uma das vozes mais surpreendentes da nova literatura latino-americana. Seu próximo livro a ser lançado pela Alfaguara é A história dos meus dentes, que chega às livrarias em junho.

5. Minha luta, de Karl Ove Knausgård

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Difícil indicar só um dos três volumes já lançados da série Minha Luta, do norueguês Karl Ove Knausgård. Dividido em seis livros (o quarto, Uma temporada no escuro, será lançado em junho), a série autobiográfica se tornou best-seller na Noruega e fenômeno literário internacional. Com A morte do pai, Knausgård inaugura o projeto, centrando a história nos dias da adolescência e nas memórias sobre a convivência conturbada com o pai. Em Um outro amor, o autor escreve sobre a relação com a segunda esposa, os filhos que começam a nascer e a rotina conflitante de pai e escritor. Já em A ilha da infância ele reconstrói as memórias da infância, os seus medos na época e reflete sobre como aquela criança e o homem que agora escreve são a mesma pessoa. Até o final da série, serão mais de 6 mil páginas que revelam os detalhes mais íntimos da vida do autor e de seus familiares com pleno domínio da atividade narrativa.

6. Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi

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Crises de pânico, de ansiedade, o medo de viajar de avião e os remédios que controlam tudo isso estão em Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi. Um livro que, segundo Otavio Frias Filho, “é como se a tampa da cabeça de Tati Bernardi fosse desatarraxada para que os fãs bisbilhotassem à vontade lá dentro”. No livro, Tati retrata com muito humor, no seu estilo escrachado e ágil, as primeiras crises, a mania de fazer listas e os seus medos, conseguindo falar de um tema delicado que é a ansiedade provocando gargalhadas ao mesmo tempo em que mantém um pacto de seriedade com o leitor.

7. Vento sul, de Vilma Arêas

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Vento sul reúne vinte contos (ou “ficções”, como quer a autora) de leitura fácil, sentido cristalino e efeito impactante. Eles estão organizados em quatro blocos: “Matrizes”, “Contracanto”, “Planos paralelos” e “Garoa, sai dos meus olhos” – este último citando um poema de Mário de Andrade. Neles se articulam histórias fundadoras, lembranças de personagens e vivências, vinhetas poéticas, aqui e ali uma quase parábola para falar de temas de abordagem difícil como a violência solapada que às vezes se pratica nas famílias. Em todas as histórias o leitor encontra a perda – e sua outra face: a persistência da memória.

8. Poética, de Ana Cristina Cesar

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Não podemos falar da Flip 2016 sem falar de Ana Cristina Cesar, autora homenageada desta edição. Publicado em 2013, Poética reúne todos os livros de uma das mais importantes representantes da poesia marginal. Fazem parte de Poética os livros Cenas de abril, Correspondência completa, Luvas de pelica, A teus pés (que ganha nova edição pela coleção Poesia de Bolso agora em maio), Inéditos e dispersos, Antigos e soltos: títulos fora de catálogo há décadas reunidos em um único volume e enriquecidos por uma seção de poemas inéditos, um posfácio de Viviana Bosi e um farto apêndice. A curadoria editorial e a apresentação couberam ao também poeta, grande amigo e depositário, por muitos anos, dos escritos da carioca, Armando Freitas Filho, que participa da mesa de abertura da Flip e lança o livro Rol em julho pela Companhia das Letras. É leitura imprescindível para quem quer conhecer Ana C.

 

Conheça mais autores que estarão na Festa Literária Internacional de Paraty.