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Para Thomas Skidmore com um abraço (1932-2016)

Por Lilia Moritz Schwarcz

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Acaba de falecer em sua simpática casa à beira da praia — em Westerly, Rhode Island —, e sempre ao lado de sua esposa Felicity, o historiador Thomas E. Skidmore.

Brazilianista de formação, ele foi um dos primeiros e mais destacados historiadores norte-americanos que já nos anos 1970 dedicaram-se a investigar o nosso passado nacional.

Depois de defender em 1960 seu doutorado em História europeia na Universidade de Harvard, Skidmore recebeu uma bolsa para estudar um país da América Latina; qualquer um.

Foi então que ele escolheu o Brasil; acadêmica e afetivamente. Publicou, desde então, uma série de ensaios, artigos e  livros dedicados ao país, muitos deles considerados verdadeiros clássicos entre nós. Cito aqui, como exemplo,  apenas alguns deles.

Em Brasil: de Getúlio Vargas a Castelo Branco (publicado pela primeira vez em 1972, e pela Companhia das Letras em 2010) Skidmore elabora um painel tão impressionante como pioneiro, desses caminhos e descaminhos da democracia no Brasil.

Em 1974, quando integrava a Universidade de Wisconsin e editava a Luso-Brasilian Review, publicou seu Preto no Branco — Raça e nacionalidade no pensamento brasileiro (1970-1930)Companhia das Letras, 2012. Num contexto em que pouco se tratava do problema racial no Brasil, e em que esse assunto era uma espécie de tabu, Skidmore fez um amplo e sensível balanço sobre os intelectuais brasileiros que lidaram com o tema, passando pelo pensamento mais romântico, para chegar nos modelos racialistas ou as políticas de branqueamento.

O professor e pesquisador passou a ensinar, nesse contexto, na Universidade de Brown; instituição em que lecionou por 20 anos, desenvolvendo uma missão privada (bem certo), mas também pública: promover o conhecimento do Brasil nos Estados Unidos e vice e versa.

Skidmore fez parte de uma ilustre geração de Brazilianistas — verdadeiros intelectuais anglo-saxões devotados a estudar a história do Brasil —, geração na qual se destacam nomes fundamentais para a nossa historiografia, como Kenneth Maxwell e Stanley Stein, dentre tantos outros. Além de abrir áreas de pesquisa, introduzir documentos e explorar novas fontes, esses intelectuais mostraram-se identificados com o país nos momentos mais difíceis e agudos. Skidmore, por exemplo, defendeu o direito à liberdade de expressão no Brasil, e manifestou-se contra o regime militar e a ditadura que haviam se instalado no país nos anos 1970. Nesse momento em que a censura procurava cercear todos aqueles que se opunham à ditadura, Skidmore usou da sua imunidade como cidadão estrangeiro para atuar de maneira combativa na luta pelos direitos dos brasileiros.

Skidmore orientou uma boa centena de alunos e influenciou gerações de estudiosos interessados na política do nosso país, na questão racial e nessa história do Brasil, feita com tantos golpes e contragolpes.

O professor legou também uma lembrança doce. Ele recebia a todos — no Brasil e nos EUA; na universidade ou em sua casa — com um sorriso meigo e uma curiosidade intelectual genuína; típicos dos grandes pensadores. Daqueles talhados para fazer história e entrar nela.

Vai deixar muitas saudades.

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Lilia Moritz Schwarcz é professora titular no Departamento de Antropologia da USP, além de autora de O espetáculo das raçasAs barbas do imperador (vencedor do prêmio Jabuti na categoria ensaio), D. João carioca (em coautoria com Spacca) e O sol do Brasil (vencedor do prêmio Jabuti na categoria biografia), entre outros. Em abril, lançou com Heloisa Starling Brasil: Uma biografia.

Centenário fantástico

Há um século, num 1º de junho, nascia Murilo Rubião (1916-1991), o grande contista mineiro que foi um dos maiores expoentes da literatura fantástica em nossas letras. Um pioneiro que, com apenas 33 contos — lapidados à exaustão —, foi toda uma literatura. O realismo mágico, o inesperado, a surpresa e o maravilhamento são a base de sua obra. Um legado incontornável nas letras brasileiras.

Para comemorar a data, a Companhia das Letras publica este mês o volume Obra completa — edição do centenário, com todos os contos do autor, além de ensaio inédito de Carlos de Brito e Mello e um delicioso artigo feito pelo crítico Jorge Schwartz na década de 1970.

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Obra completa — edição do centenário chega às livrarias no final do mês.

Raduan Nassar, Prêmio Camões 2016

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Foi concedido na tarde de hoje em Lisboa o Prêmio Camões para Raduan Nassar. A distinção consagra o paulista de Pindorama (1935) como um dos mais altos momentos da nossa língua. Mais do que merecido. Com uma obra absolutamente imprescindível — o romance Lavoura arcaica, a novela Um copo de cólera e as histórias de Menina a caminho —, Raduan tornou-se um clássico instantâneo já em 1975, quando publicou Lavoura arcaica. Estavam ali os elementos de uma arte poderosa, que trabalhava o idioma de forma olímpica e poética, tratava das relações familiares e dos afetos, recontava, de forma sutil, a trajetória da imigração e expunha a tensão (social, cultural, emocional) entre o campo e a cidade. Um marco.

Com o Prêmio Camões, Raduan fica ao lado de outros grandes de Brasil e Portugal, como João Cabral de Melo Neto, José Saramago, Jorge Amado, Antonio Candido, Lygia Fagundes Telles, João Ubaldo Ribeiro, Ferreira Gullar, Mia Couto e outros formidáveis criadores de mundos e de palavras em nossa língua.

A Companhia das Letras, em nome de seus editores e funcionários, gostaria de parabenizar o autor e externar o seu imenso orgulho pelo privilégio de publicar as obras de Raduan Nassar.

Boris Schnaiderman

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Foto: Fernando Donasci/Agência O Globo

Um dos principais responsáveis pela tradução da literatura russa no Brasil nos deixou na noite de ontem, dia 18 de maio. Boris Schnaiderman era professor de russo e de teoria literária na USP, e traduziu grandes obras do idioma para o português, como os livros de Dostoiévski, Tolstói, Anton Tchékhov, Maiakóvski, Aleksandr Púchkin e Guenádi Aigui.

Nascido em Úman, na Ucrânia, em 1917, Schnaiderman chegou com a família no Brasil em 1925. Após se naturalizar brasileiro nos anos 1940, se alistou para lutar pelo país na Segunda Guerra Mundial. As suas primeiras traduções começaram a aparecer em 1944, quando ofereceu Os irmãos Karamazov para diversas editoras e foi publicado pela Vecchi. Schnaiderman completou 99 anos na última terça-feira.

Além das traduções lançadas pela Editora 34, Boris Schnaiderman publicou pela Companhia das Letras Os escombros e o mito, suas reflexões sobre os destinos da cultura e da política russa após a implosão do regime soviético. No ano passado, também lançou pelo selo Boa Companhia a tradução feita com Tatiana Belinky de Kaschtanka e outras histórias de Tchékhovuma seleção de contos que procura aproximar o leitor do universo ficcional de um dos maiores escritores russos de todos os tempos.

A Companhia das Letras lamenta profundamente a sua morte e envia seus sentimentos para a sua família.

 

Conheça nossos autores confirmados na Flip 2016

De 29 de junho a 3 de julho acontece a 14ª Festa Literária Internacional de Paraty. Em 2016, o tradicional evento literário de Paraty, no Rio de Janeiro, homenageia a poeta Ana Cristina Cesar, que teve toda a sua obra publicada pela Companhia das Letras em PoéticaNeste ano, onze autores do Grupo Companhia das Letras estão confirmados na programação principal da Flip, e mais cinco autores na Flipinha. Conheça!

Svetlana Aleksiévitch

Escritora Svetlana Alexijevich

O primeiro nome confirmado em 2016 foi o da Nobel de Literatura Svetlana Aleksiévitch. O primeiro livro da jornalista bielorussa publicado no Brasil é Vozes de Tchernóbil, que chegou às livrarias na última semana. No livro, Svetlana reúne relatos de viúvas, trabalhadores, soldados, bombeiros, médicos e cientistas que vivenciaram e sobreviveram ao desastre de Tchernóbil. O livro não só mostra a destruição que o acidente nuclear causou, mas apresenta também as consequências desse desastre na vida daquelas pessoas comuns. Em junho, lançaremos também A guerra não tem rosto de mulher, a história de soldadas soviéticas que lutaram durante a Segunda Guerra.

Svetlana participa da Flip no sábado, dia 2 de julho, às 17h15.

Misha Glenny

MishaGlenny - © Ivan Gouveia

Misha Glenny é um renomado jornalista e historiador britânico, trabalhou como correspondente do diário inglês The Guardian e da emissora BBC na Europa Central. Cobriu o colapso do comunismo nos países que pertenciam ao Pacto de Varsóvia e as guerras que despedaçaram a ex-Iugoslávia. Em junho, lança no Brasil o livro O dono do morro, que conta a história de Antônio Francisco Bonfim Lopes, um jovem pai trabalhador, que se transformou em Nem, o líder do tráfico de drogas na Rocinha. A partir de uma série de entrevistas na prisão de segurança máxima onde o criminoso cumpre sentença, Misha Glenny narra a ascensão e a queda do traficante, assim como a tragédia de uma cidade. Misha Glenny também publicou pela Companhia das Letras os livros McMáfia, sobre o crime organizado na globalização, e Mercado sombrioem que fala dos crimes na internet.

Misha Glenny divide a mesa “Os olhos da rua” com o jornalista Caco Barcellos na quinta-feira, dia 30 de junho, às 15h.

Karl Ove Knausgård

Karl Ove Knausgard 2012_Maria Teresa Slanzi

Karl Ove Knausgård nasceu em Oslo em 1968 e é considerado o mais importante escritor norueguês de sua geração. Conquistou leitores do mundo todo com a série Minha luta, livros híbridos entre a ficção e a memória, em que o autor explora, com pleno domínio da atividade narrativa, as possibilidades da ficção contemporânea. No Brasil, os três primeiros títulos da série já foram lançados — A morte do pai, Um outro amor A ilha da infância. Em junho chega às livrarias Uma temporada no escuro, quarto livro da série que será centrado na juventude do escritor.
O encontro com Knausgård acontece na sexta-feira, 1º de julho, às 17h15.

Marcílio França Castro

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De Belo Horizonte, Marcílio França Castro é mestre em teoria literária pela UFMG, publicou A casa dos outros e Breve cartografia de lugares sem nenhum interesse, pelo qual recebeu o Prêmio Literário Biblioteca Nacional. Pela Companhia das Letras, publica em maio Histórias naturais, livro que exibe um fantástico domínio técnico, um olhar original sobre as relações humanas e um ponto de vista singular para tratar a matéria imaginativa em contos sobre as estranhezas que compõem a vida cotidiana.

Marcílio França Castro divide a mesa “Histórias naturais” com Álvaro Enrigue na quinta-feira, 30 de junho, às 17h15.

Bill Clegg

Bill Clegg © Brigitte Lacombe

Bill Clegg é agente literário em Nova York. Sua estreia como autor foi com Retrato de um viciado quando jovem, livro em que narra sua experiência como usuário de crack. O livro recebeu elogios de diversos críticos e de escritores como Michael Cunningham e Irvine Welsh, e ganhou uma sequência em Noventa dias, que aborda sua reabilitação. Em maio, lança no Brasil Você já teve uma família?, seu primeiro romance, com personagens que procuram conforto nos lugares mais improváveis para superar suas tragédias pessoais.

Bill Clegg participa da mesa “Na pior em Nova York e Edimburgo” com Irvine Welsh na quinta-feira, 30 de junho, às 21h30.

Tati Bernardi

Retrato Tati Bernardi para Companhia das Letras, Janeiro de 2016.

Tati Bernardi já conquistou uma legião de leitores com a sua coluna na Folha de S. Paulo. Além da sua coluna, também é autora da Rede Globo e roteirista de cinema. Em fevereiro deste ano, lançou Depois a louca sou eu, um relato bem-humorado e escrachado que relembra suas histórias de pânico e ansiedade. As primeiras crises de pânico, a mania de fazer listas, o medo de viajar de avião, os remédios tarja-preta estão neste livro, onde tudo aparece sob o filtro de uma cabeça fervilhante de pensamentos, mãos trêmulas, falta de ar, taquicardia e, sobretudo, humor.

Tati Bernardi divide a mesa “Mixórdia de temáticas” com Ricardo Araújo Pereira no domingo, 3 de julho, às 12h.

Armando Freitas Filho

Armando Freitas Filho -® Bel Pedrosa

O poeta Armando Freitas Filho nasceu no Rio de Janeiro em 1940. Foi pesquisador na Fundação Casa de Rui Barbosa, secretário da Câmara de Artes no Conselho Federal de Cultura, assessor do Instituto Nacional do Livro no Rio de Janeiro, pesquisador na Fundação Biblioteca Nacional, assessor no gabinete da presidência da Funarte. É autor de Palavra, Dual, À mão livre, 3×4 (Prêmio Jabuti de Poesia, 1986), De cor, Números anônimos, Fio terra (Prêmio Alphonsus de Guimaraens da Biblioteca Nacional, 2000), entre outros livros. Reuniu sua obra poética em Máquina de escrever (2003). Pela Companhia das Letras, publicou os livros Dever, Lar, Raro mar. Em junho, lança Rol. 

Armando Freitas Filho participa da mesa de abertura da Flip na quarta-feira, dia 29 de junho, com Walter Carvalho.

Valeria Luiselli

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Valeria Luiselli nasceu na Cidade do México, em 1983. É colaboradora da revista Letras Libres e seus textos já foram publicados nos jornais The New York Times e Reforma. Ela vive atualmente entre o México e Nova York, onde faz um doutorado na Universidade Columbia. No Brasil, publicou pela Alfaguara Rostos na multidão, um romance multifacetado e emocionante sobre uma jovem mãe de duas crianças pequenas que tenta escrever um romance sobre sua juventude em Nova York e a obsessão que tem por um excêntrico e obscuro poeta mexicano. Em junho, a Alfaguara lança seu novo romance, A história dos meus dentes.

Valeria Luiselli participa da mesa “A história da minha morte” com J. P. Cuenca, na sexta-feira, 1º de julho, às 12h.

Álvaro Enrigue

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Álvaro Enrigue nasceu em Guadalajara, México, em 1969. Tem sido considerado um dos mais imaginativos e poderosos ficcionistas da literatura de língua espanhola. Publicou contos e romances, mas foi a partir de Morte súbita que se tornou um autor mundialmente reconhecido. O romance chega às livrarias brasileiras em maio, uma narrativa alucinante e vertiginosa que começa em uma partida de tênis e se transforma numa história alternativa da humanidade.

Álvaro Enrigue divide a mesa “Histórias naturais” com Marcílio França Castro na quinta-feira, 30 de junho, às 17h15.

Vilma Arêas

Vilma Areas©Lucila Wroblewski

Fluminense, Vilma Arêas estreou na ficção com Partidas (contos, Francisco Alves, 1976). Aos trancos e relâmpagos (literatura infantil, Scipione, 1988) e A terceira perna (contos, Brasiliense, 1992) mereceram o prêmio Jabuti. Em 2002, Trouxa frouxa (contos) recebeu o prêmio Alejandro José Cabassa (44o. aniversário da União Brasileira de Escritores), e em 2005 Clarice Lispector com a ponta dos dedos (ensaio) recebeu o prêmio APCA categoria literatura. Professora titular de literatura brasileira na Unicamp, Vilma Arêas ainda publicou pela Companhia das Letras o livro Vento sul.

Vilma Arêas participa da mesa de encerramento “Luvas de pelica” com Sérgio Alcides no domingo, 3 de julho, às 14h.

Patrícia Campos Mello

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Patrícia Campos Mello, jornalista paulistana, atualmente é repórter especial e colunista da Folha de S. Paulo. Cobrindo economia, relações internacionais e direitos humanos há 15 anos, já esteve em quase 50 países fazendo reportagens. É autora de Índia: da miséria à potência (Planeta, 2008) e prepara Lua de mel em Kobani, com publicação prevista pela Companhia das Letras, em que narra a história da guerra contra o estado islâmico na Síria através do olhar de um casal de refugiados.

Participa da mesa “Siria mon amour” no domingo, dia 3 de julho, às 10h com Abud Said.

Flipinha

Ernani Ssó

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Ernani Ssó é autor de livros infantis como Castelos e fantasmasCom mil diabos! Contos de gigantesTambém é tradutor da edição da Penguin-Companhia de Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Na Flipinha, o autor participa do “Mesão: desafios literários”, às 9h do dia 30 de junho, com Lázaro Ramos, Angela-Lago e a dupla Palavra Cantada. Já no sábado, dia 2 de julho, ele participa da mesa “Histórias de arrepiar!”, com Alexandre de Castro Gomes, às 10h30.

Angela-Lago

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Nasceu em Belo Horizonte, em 1945. Viveu na Venezuela e na Escócia. Há vinte anos escreve e ilustra livros para crianças, como os livros O caixão rastejante e outras assombrações de família, Muito capeta Sete histórias para sacudir o esqueletoNa quinta-feira, dia 30 de junho, participa do “Mesão: desafios literários”, às 9h, e da mesa “Caderno de segredos” com Lázaro Ramos, às 10h30.

Patricia Auerbach

Nasceu em São Paulo, em 1978. Se formou em arquitetura e trabalhou como diretora de arte, artista plástica e professora de história da arte. Desde pequena sempre adorou desenhar, escrever e inventar histórias. Hoje é autora e ilustradora de livros infantis, professora e mãe, e lançou pela Companhia das Letrinhas o livro Histórias de antigamentePatricia participa da mesa “Diálogos texto e imagem” no dia 1º de julho, às 10h30, com Aline Abreu.

Blandina Franco e José Carlos Lollo

Blandina Franco e José Carlos Lollo são a dupla responsável pelas historinhas do cãozinho Pum, como Soltei o Pum na escola! e Quem soltou o Pum?Em 2016 lançaram ErnestoBlandina e Lollo participam da mesa “Histórias parceiras” no dia 3 de julho, às 10h30, com Laura Castilhos.