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A Companhia das Letras lamenta a morte da filha do editor da e-galáxia Tiago Ferro, Manuela, de 8 anos, que nos deixou hoje. Enviamos nossos sentimentos a Tiago e Mika Matsuzake, e desejamos que todos que conheceram a Manuela tenham muita força neste momento de dor.

Os 80 anos de Mario Vargas Llosa

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Nesta segunda-feira, 28 de março, o escritor peruano Mario Vargas Llosa, único vencedor do Nobel de Literatura latino-americano ainda vivo, comemora 80 anos. Autor de mais de 30 romances, ensaios, peças e livros infantis, Llosa deve celebrar em grande estilo. Segundo informações da imprensa internacional, são aguardados cerca de 400 convidados no exclusivo hotel Villa Magna, em Madri, entre eles os ex-presidentes da Espanha Felipe González e José María Aznar, o ex-mandatário da Colômbia Álvaro Uribe e o ex-presidente do Chile Sebastián Piñera, além do também Nobel da Literatura Orhan Pamuk e de Isabel Preysler, atual mulher de Vargas Llosa.

Ainda dentro das comemorações, a biblioteca Mario Vargas Llosa em Arequipa receberá um lote com mais de 3 mil publicações do acervo do autor. Desde 2012, Vargas Llosa anunciou a doação de 30 mil livros para a biblioteca em sua terra natal no Peru. Entre tantas honrarias, talvez a mais emblemática seja a edição pela prestigiosa La Pléiade, da editora francesa Gallimard, de uma seleção com as obras mais emblemáticas do autor, um feito raro para um escritor ainda vivo e inédito entre autores que não nasceram na França.

No Brasil, a Alfaguara acaba de lançar uma edição em capa dura, ilustrada por Zuzanna Celej, do romance infanto-juvenil O barco das crianças, em que Llosa retoma o personagem Fonchito, desta vez já um pré-adolescente. Em 9 de maio, o escritor virá a São Paulo para o ciclo de debates Fronteiras do Pensamento no Instituto Tomie Ohtake.

Llosa é também notícia na imprensa brasileira. O jornal O Globo preparou um especial em seu site com um texto sobre a vida e a obra do escritor, e disponibilizou o acesso para assinantes a matérias sobre Llosa publicadas pelo veículo nas últimas três décadas. Em sua última edição, a revista IstoÉ chama a atenção para o lançamento de O barco das crianças por aqui e a publicação do romance Cinco esquinas, ainda inédito no Brasil, na Espanha, na França e no Peru. A Época também destaca em nota o último lançamento do autor no Brasil.

Aqui no blog, preparamos uma homenagem ao escritor peruano com uma lista de 12 títulos publicados no Brasil pela Alfaguara — entre romances, ensaios e obras voltadas para o público infantil e juvenil — e uma seleção de links para vídeos e artigos sobre o autor. Confira!

A cidade e os cachorros (Romance de estreia de Mario Vargas Llosa)

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A cidade e os cachorros é considerado hoje um clássico da literatura latino-americana. Com um história de fundo autobiográfico, sua trama se desenvolve no Colégio Militar Leoncio Prado, em Lima, onde um violento código de conduta permeava o cotidiano dos cadetes — experiência vivida pelo próprio autor, enviado para lá ainda menino pelo pai autoritário.

Leia um trecho do livro em tradução de Samuel Titan Jr. para a Alfaguara, a crítica de Luiz Zanin Oricchio sobre o romance de formação de Mario Vargas Llosa e veja um trecho do filme de 1985 dirigido pelo cineasta Francisco Lombardi em matéria do Estadão de 2012.

A casa verde

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Publicado originalmente em 1966, o romance recebeu no mesmo ano o Prêmio da Crítica, na Espanha, e, em 1967, o Prêmio Internacional de Literatura Rómulo Gallegos, na Venezuela, como melhor romance em língua espanhola. Vargas Llosa tinha apenas 29 anos quando terminou o livro. Antes, já havia tido grande sucesso com a publicação dos contos reunidos em Os chefes (1959) e com o lançamento de seu primeiro romance, A cidade e os cachorros (1963). Com A casa verde, ele se firmou como um dos principais autores latino-americanos dos anos 1960.

Conversa no Catedral

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Publicado originalmente em 1969, Conversa no Catedral é um dos livros mais importantes do autor Prêmio Nobel de Literatura, além de uma das obras mais contundentes da ficção latino-americana do século XX. Vargas Llosa narra uma história ambientada em um período de grande insatisfação política, em que os protagonistas da trama apresentam, cada um à sua maneira, ligações com a ditadura do general Manuel Odría (de 1948 a 1956). O próprio romancista chegou a declarar que “se tivesse que salvar do fogo só um dentre os (romances) que escrevi, salvaria este.”

Leia mais sobre o livro na matéria do jornal espanhol El País em português.

A festa do bode

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Considerado um dos romances mais importantes de Mario Vargas Llosa,  A festa do bode recria a República Dominicana de meados do século XX para recontar a história do general Rafael Leonidas Trujillo Molina — o “Bode” — e a implacável ditadura que implantou no país durante seus 31 anos de governo. Com uma pesquisa histórica rigorosa e uma preocupação flaubertiana pelos detalhes, Llosa propicia um mergulho em um dos momentos mais dramáticos da história recente da América Latina

A guerra do fim do mundo

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A guerra do fim do mundo pode ser considerado um raro exemplar dentro da vasta bibliografia de Mario Vargas Llosa, uma vez que não segue o caminho traçado na maioria de suas obras. Em vez de optar por uma reunião de memórias e personagens familiarizados com sua vida pessoal, o autor mergulhou no sangrento confronto da Guerra de Canudos para tentar decifrar a verdadeira face por trás do mito chamado Antônio Conselheiro. Em 1977, Vargas Llosa iniciou este romance, após se encantar, cinco anos antes, com a leitura de Os Sertões (1902), de Euclides da Cunha, obra que registrou o conflito com detalhes minuciosos e impressionantes. Um dos personagens, inclusive, é um jornalista com traços inspirados no próprio Euclides, principalmente pelo seu aspecto frágil.

Os cadernos de dom Rigoberto

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Os cadernos de dom Rigoberto é um livro sobre a arte de amar, em suas formas mais variadas e profundas. Lançado originalmente em 1997, tornou-se um sucesso mundial. No romance, Llosa retoma os personagens de seu romance Elogio da madrasta, de 1988, para narrar uma nova história de paixões e intrigas. Dom Rigoberto, embora seja um homem discreto, leva uma vida dupla. De dia, comporta-se como um senhor respeitável e de hábitos metódicos. À noite, aproveita as madrugadas insones para registrar fantasias amorosas em seus cadernos. Neles, sua ex-mulher, a voluptuosa Lucrecia, ocupa sempre o espaço da personagem principal.

Travessuras da menina má

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Nos anos 50, no bairro aristocrático de Miraflores, em Lima, o jovem Ricardo Somocurcio se apaixona pela estonteante e misteriosa “chilena” Lily. Depois de descobrir que, na verdade, ela é peruana e de origem humilde, ele a perde de vista, mas não consegue esquecê-la. Ricardo, um intérprete da ONU sem grandes ambições, e Lily, mulher fria e manipuladora que vive mudando de nome e de marido conforme as conveniências, se reencontram ao longo da vida, em diferentes momentos e em várias cidades do mundo. Segundo Vargas Llosa, este é um romance que desejava escrever há muito tempo. “É uma história de amor, um amor moderno, condicionado pelo mundo em que vivemos e que está muito mais próximo da realidade do que os amores românticos da literatura.”, afirmou ao El País.

Leia a entrevista publicada na Folha de S. Paulo em dezembro de 2006 sobre o romance Travessuras da menina má, um dos maiores êxitos comerciais do autor no Brasil.

Pantaleão e as visitadoras

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Publicada em 1974 e adaptada para o cinema, Pantaleão e as visitadoras é uma das obras mais populares e divertidas de Mario Vargas Llosa. Pantaleão Pantoja, um capitão recém-promovido do exército, recebe uma missão inesperada: criar um serviço de prostitutas para as Forças Armadas do Peru isoladas na selva amazônica, dentro do mais absoluto sigilo militar. O capitão tem que se mudar para Iquitos, se manter afastado dos demais militares, usar trajes civis e, acima de tudo, não contar nada à mãe e à mulher. É obrigado a trabalhar nas madrugadas, bebendo em bares infectos, e cuidar do empreendimento com personagens insólitos.

Veja o trailer da adaptação do romance para o cinema pelo diretor Francisco Lombardi:

A orgia perpétua – Flaubert e Madame Bovary

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Neste ensaio memorável, Vargas Llosa mescla memória e erudição para falar de um autor essencial para a arte do romance: Gustave Flaubert. Llosa não fala apenas “por que Madame Bovary remexeu camadas tão profundas do meu ser, por que me deu o que outras histórias não conseguiram me dar”, conta também as circunstâncias em que Flaubert o escreveu, de suas dificuldades para encontrar “a palavra justa” em cada frase, e de suas frequentes discussões e ideias sobre a literatura. A orgia perpétua é uma porta de entrada ao mundo flaubertiano, mas é também uma experiência emocionante sobre a força transformadora da ficção.

Leia a entrevista do escritor para o Estadão em novembro de 2015 em que Llosa fala sobre o impacto da leitura de Flaubert ao chegar a Paris em 1959. “O texto me deu prazer como leitor, mas me ajudou a descobrir o tipo de escritor que eu queria ser.”

A civilização do espetáculo

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A banalização das artes e da literatura, o triunfo do jornalismo sensacionalista e a frivolidade da política são características da sociedade contemporânea: a ideia temerária de converter em bem supremo a natural propensão humana para o divertimento. Este é o tema central deste ensaio de Mario Vargas Llosa. Em A civilização do espetáculo, o escritor defende que no passado a cultura era uma espécie de consciência que impedia que virássemos as costas para a realidade. Hoje, lamenta o escritor, a cultura atua como mero mecanismo de distração e entretenimento.

Em conferência de abertura do Fronteiras do Pensamento em 2013, Mario Vargas Llosa apresenta uma visão crítica sobre a produção cultural contemporânea. Segundo o autor, o livro de ensaios A civilização do espetáculo é “uma defesa rigorosa da importância da cultura e uma crítica da busca desenfreada pelo entretenimento light”:

Fonchito e a Lua

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Fonchito e a Lua é o primeiro livro infantil do autor peruano e vencedor do Prêmio Nobel de literatura em 2010. Originalmente, faz parte do projeto da Alfaguara espanhola de publicar os grandes nomes da literatura do país para crianças menores de dez anos. No livro, o pequeno Fonchito morre de vontade dar um beijinho no rosto de Nereida, a menina mais bonita da escola. Mas como nem tudo é tão simples, Nereida só aceitará o carinho se Fonchito puder lhe trazer, nada mais nada menos, do que a Lua! Em Lima, a Lua aparece muito pouco já que o céu quase sempre está nublado. Mas como nada é impossível, no terraço de sua própria casa, numa noite de sorte, Fonchito descobrirá uma maneira de conseguir o que tanto queria.

O barco das crianças

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Mario Vargas Llosa dedica o livro ao público mais jovem, construindo uma narrativa digna da tradição dos grandes contadores de histórias. Diariamente, ao se preparar para ir à escola, Fonchito vê de sua casa um homem sentado no banco do parque, contemplando o mar. Intrigado, resolve ir ao seu encontro e perguntar o que ele procura ali. O velhinho, com um sorriso nos lábios, decide compartilhar com Fonchito uma história tão antiga quanto extraordinária. Assim, sempre antes de o ônibus da escola chegar, Fonchito ouve um novo capítulo das aventuras de um barco cheio de crianças que, desde a época das Cruzadas, singra os mares do mundo. Inspirado pelo conto A cruzada das crianças, de Marcel Schwob (1867-1905), Llosa compõe uma bela ficção histórica com ecos de fábulas e mitos antigos.

Dia Internacional da Mulher: Sejamos todos feministas

“Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos.”

O discurso de Chimamanda Ngozi Adichie feito em uma das edições do TEDxEuston espalhou a mensagem de que todos nós devemos ser feministas. Com mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e trechos usados em uma das músicas mais famosas de Beyoncé, as palavras de Chimamanda continuam a se espalhar de várias formas, inclusive nos livros.

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, que acontece no 8 de março, convidamos os colaboradores da Companhia das Letras a lerem trechos de “Sejamos todos feministas”.
Conheça mais sobre o livro: http://bit.ly/1Diu7TJ
Baixe o e-book grátis: http://bit.ly/1DUdHmV

Agradecemos a todos da Companhia das Letras que colaboraram com o vídeo:
Adriane Piscitelli
Aida Stockler
Ana Macedo
Ana Marques
Antonio Castro
Aurora Guimarães
Bruna Brito
Camila Berto
Claudia Carvalho
Diana Passy
Fabiana Roncoroni
Fabio Uehara
Fernanda Belo
Fernanda Dias
Gabriela Tonelli
Julia Barreto
Julia Bussius
Juiliana Rodrigues
Ligia Ulian
Lilia Schwarcz
Lilia Zambon
Luisa Tieppo
Luiz Schwarcz
Marina Castro
Marina Pastore
Max Santos
Paula Souza
Quezia Cleto
Patricia Kanno
Sabrina Coutinho
Silvia Polazzetto
Taize Odelli
Tamires Cordeiro

Svetlana Aleksiévitch na Flip 2016

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Vencedora do Nobel de Literatura em 2015, a jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch foi confirmada hoje como convidada da Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 29 de junho e 3 de julho.

Um dos principais livros de Svetlana, Vozes de Tchernóbil, será lançado no Brasil no próximo mês, quando o acidente nuclear completa 20 anos. No livro, Svetlana constrói uma grande reportagem jornalística mostrando as consequências da tragédia por meio das vozes de pessoas que vivenciaram o seu potencial de destruição.

Outro título da escritora que chega às livrarias brasileiras é “A guerra não tem rosto de mulher”, sobre mulheres que participaram da Segunda Guerra Mundial. O livro será lançado durante a Flip.

Superprevisões, de Philip E. Tetlock e Dan Gardner

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Foto: thatwendyward – Tavern Brighton

A arte de prever o futuro intriga e fascina a humanidade desde sempre. São fartos os exemplos de rituais de sacrifícios, magias e jogos místicos em busca de respostas para o que está por vir. Afinal, todos nós tomamos decisões com base no que acreditamos em relação ao futuro. Comprar uma casa, mudar de emprego, ter um filho; quase todas as decisões dependem de uma expectativa sobre o que vai acontecer.

Superprevisões – a arte e a ciência de antecipar o futuro (Objetiva), do cientista político Philip Tetlock e do jornalista Dan Gardner, que acaba de chegar às livrarias, investiga o tema com base em pesquisas e em um estudo que levou vinte anos para ser finalizado, e chega a uma conclusão desconcertante: a média de acerto para previsões de longo prazo é de apenas 15% – a mesma de um chimpanzé atingir o alvo no arremesso de dardos. Mais que isso, Tetlock demonstra que a maior parte dos especialistas se sai ligeiramente melhor do que um leigo fazendo suposições aleatórias. A boa notícia é que é possível aprender a aprimorar a previsão do futuro. E há quem se saia bem na tarefa. São os chamados “superprevisores”, minuciosamente descritos pelos autores.

A questão não é simples e não pode ser resumida a modelos matemáticos, sem levar o fator humano (e toda a sua imprevisibilidade) em conta. Toda previsão é uma probabilidade que precisa ser revista a cada momento. Quem diria ainda durante as eleições presidenciais de 2014 que a recessão brasileira fosse alcançar o abismo que se confirmou ao final do ano passado? Uma das razões para a queda vertiginosa do investimento empresarial no Brasil é a perspectiva de piora da situação econômica. Mas qual a real dimensão do quadro político e econômico brasileiro para 2016?

Em entrevista recente para as Páginas Amarelas da revista Veja, Tetlock afirma que “as previsões são inevitáveis porque sempre que alguém toma uma decisão – seja ela pessoal, política ou econômica – leva em conta quais serão as suas consequências. E é disso que as previsões tratam, de consequências.”

Best-seller nos Estados Unidos, separamos para os leitores do blog trechos traduzidos das resenhas publicadas no Sunday Book Review, do New York Times, e das revistas The Economist e Forbes. Vale a pena conferir.

 

Prevendo o futuro

Uma abordagem esclarecedora

The Economist – 26 de setembro de 2015

Humildade diante de um mundo complexo torna os superprevisores pensadores sutis. Eles geralmente se sentem confortáveis com números e conceitos estatísticos como, por exemplo, a “regressão à média” – que basicamente afirma que na maior parte das vezes tudo segue um fluxo de regularidade, e, portanto, é provável que qualquer desvio significativo seja seguido por um movimento de retorno à normalidade. Mas eles não são estatísticos. (…)

Mais importante é o que Tetlock denomina como “ampliação da mentalidade”: um misto de determinação, autorreflexão e vontade de aprender com os erros alheios. Os melhores previsores não estavam tão interessados no fato de estarem certos ou errados, mas, sim, em por que haviam acertado ou errado. Sempre buscavam alternativas para melhorar seu desempenho. Em outras palavras, previsões não são apenas possíveis, podem também ser ensinadas. (…)

Previsões, assim como a medicina do início do século XX, são quase sempre baseadas em prestígio e não em evidências. Os previsores mais famosos do mundo são colunistas de jornais e comentaristas de televisão. Superprevisores não se saem bem como estrelas da mídia. Cuidado, nuance e um ceticismo saudável não se saem tão bem no vídeo um cabelo longo, um sorriso fascinante e declarações simplistas e convictas. Mas, mesmo que a aguardada revolução nunca ocorra, os hábitos e as técnicas mentais apresentadas nesse livro são um presente para qualquer indivíduo que precise pensar sobre os desdobramentos do futuro. Em outras palavras, para qualquer um.

 

É possível as empresas aprenderem a ser “Superprevisoras”?

Mais fácil na teoria que na prática

Revista Forbes – Por Frank David  – 4 de outubro de 2015

Muitas decisões empresariais se fundamentam em previsões sobre o futuro com base em fatos, e carreiras são construídas ou desmanteladas em função de resultados. Não surpreende, portanto, que empresas valorizem “especialistas” em todos os níveis – afinal, mais experiência e educação deveriam acarretar suposições melhor fundamentadas, e, sendo assim, melhores decisões.

Mas qual a confiabilidade das previsões dos assim denominados “especialistas”? Não muita, como se pode ver. Há mais ou menos uma década, o professor Philip Tetlock, da (Universidade) de Wharton, analisou as previsões de cerca de 300 autoridades respeitáveis – e Louis Menand, da New Yorker, avaliou os resultados: “Seres humanos que dedicam a vida estudando a situação mundial… são piores previsores que chimpanzés atirando dardos.” Tetlock dedicou a nova etapa de sua carreira questionando a síntese simplista de seu trabalho prévio. Mas ainda que “especialistas” façam essencialmente suposições, alguns chimpanzés conseguem ser mais precisos que outros para atingir um alvo? O título de seu último livro, Superprevisões, escrito em coautoria com Dan Gardner, adianta a resposta: “Superprevisores”, na realidade, caminham entre nós. E, ainda que não sejam “especialistas” de acordo com qualquer definição tradicional do termo, eles superam, de forma consistente, o desempenho em prever o futuro. (…)

(…) Mas um dos pontos centrais para Tetlock defende que nenhuma dessas habilidades é inata: é possível tanto ensiná-las quanto aprendê-las. Um tutorial de 60 minutos sobre as características de previsores com alto rendimento aumentou em cerca de 10% o índice de acerto dos participantes (da pesquisa desenvolvida por Tetlock) ao longo de todo o ano seguinte. Isso pode não saltar aos olhos, mas se o decorrer do tempo for levado em consideração, produziria um grande impacto, contando apenas com uma intervenção relativamente branda, que pode ser utilizada não apenas pela maioria dos indivíduos como também por empresas. Na verdade, com base apenas nessas informações, “Os dez mandamentos dos aspirantes a superprevisor”, criado por Tetlock, deveriam provavelmente ter um lugar de destaque na maior parte das salas de reuniões empresariais, bem ao lado (ou substituindo) os cartazes onipresentes com “os valores da empresa”.

 

Superprevisões

Sunday Book Review  do  New York Times – Por Leonard Mlodinow – 15 de outubro de 2015

O livro (Superprevisões) descreve as descobertas do Good Judgment Project, uma iniciativa empreendida por Tetlock e sua colaboradora (e esposa), Barbara Mellers, em 2011, que foi criada por um braço da comunidade de inteligência americana.

As agências de segurança nacional têm um interesse óbvio pelo projeto de Tetlock. Segundo estimativas, os Estados Unidos contam com 20 mil analistas de inteligência inteiramente dedicados a avaliar questões como a probabilidade de um ataque surpresa israelense contra o Irã no próximo mês ou a saída da Grécia da Zona do Euro até o final do ano. O número supera em quatro vezes a presença de físicos em centros universitários americanos de pesquisa. E, por isso, o valor gasto para aprimorar os resultados deve ter sido encarado como um bom investimento.

E foi. O Good Judgment Project utilizou a internet para recrutar 2.800 voluntários, pessoas comuns interessadas em temas da atualidade – um programador de computador aposentado, um funcionário do serviço social, uma dona de casa. Por quatro anos, os pesquisadores lhes pediram que se baseassem em notícias e outras fontes de informação para estimar a probabilidade com que vários eventos poderiam ocorrer, apresentando uma média de 500 perguntas nos mesmos moldes que os analistas de inteligência precisam responder todos os dias. Os voluntários também poderiam reafirmar ou ajustar essas probabilidades diariamente até que a questão “expirasse” em uma data de encerramento pré-anunciada.

As lições centrais de Superprevisões podem ser destiladas em uma série de diretrizes. Tenha como base previsões em dados e na lógica e tente eliminar inclinações pessoais. Acompanhe os resultados para que saiba o seu grau de precisão e o dos demais. Pense em termos de probabilidade e reconheça que tudo é incerto. Desmembre uma pergunta em seus componentes, distinguindo entre o que se sabe e o que não se sabe, e examinando as premissas. (…)

As prescrições apresentadas em Superprevisões (…) deveriam oferecer a todos nós uma oportunidade para entender e reagir de maneira mais inteligente diante do mundo confuso que nos rodeia.