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Dicas de presentes para o Dia das Mães, por Contardo Calligaris

Amanhã Contardo Calligaris autografa seu novo livro, A mulher de vermelho e branco, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Como neste final de semana é comemorado o Dia das Mães, pedimos a ele que sugerisse alguns títulos para você dar de presente para a sua:

Sigmund Freud, Obras completas, volume 18 (1930-1936)
Mesmo que fosse só para ler ou reler “Mal-estar na civilização”, que é uma janela pela qual não paro de olhar o mundo.

Rafael Sica, Ordinário
Sou fascinado pela tiras de Sica, porque ele me surpreende quase sempre e por tudo o que ele consegue dizer e sugerir com uma extrema economia de traços e sem palavras.

Michel Laub, Diário da queda
Estou no meio do livro, e amando — com a sensação de uma “afinidade eletiva” com Laub, que não conheço, mas que me parece ser meu amigo desde sempre.

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Contardo Calligaris, colunista da Folha de S.Paulo e autor de O conto do amor, fará uma turnê de lançamento que passará por Guarulhos, Salvador, Recife, Ribeirão Preto, Brasília e Cidade de Goiás. Assista ao booktrailer de A mulher de vermelho e branco:

Uma outra Copa

O escritor Mia Couto foi à África do Sul para assistir o jogo Brasil x Portugal da Copa do Mundo, e nos enviou o relato abaixo sobre a experiência:

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Turistas de diversos países em bar de Cape Town, África do Sul (Foto por Damien du Toit)

Uma outra Copa

Quem ganhou o Mundial talvez tenha sido África. Ou mais precisamente, quem venceu a Copa foi uma das selecções que mais cedo foi eliminada: a África do Sul. A forma como decorreu o campeonato convenceu mesmo os mais cépticos. Afinal, uma nação africana passou o teste por todo um continente. Esse foi o golo mais convincente no fundo das redes do afropessismo.

Era isto que eu pensava enquanto, em Durban, a fila de gente esperava, ordeira, pela fila de onibus. Tudo organizado, sem registo de um precalço. Para mim, era uma lição. Também eu, como muitos moçambicanos, tive dúvidas. Vizinhos que somos da África do Sul, sabíamos da capacidade mas mantínhamos os nossos dedos cruzados por detrás da certeza.

Fiz a viagem de carro, com a família, de Maputo para Durban. São mais de 600 quilómetros, incluindo a passagem de três fronteiras. Ao volante, cansado, eu me perguntava: por que razão não fiquei em casa, sentado em frente ao televisor, no conforto do sofá? Mas quando entrei no estádio, as minhas dúvidas emudeceram. Aquela moldura de gente deflagrou como uma explosão nos meus olhos, nos meus ouvidos. As pessoas envergavam não as cores dos seus países, mas as cores da celebração festiva. Não pude deixar de percorrer com um olhar de biólogo aquela multidão dentro e fora do estádio. Milhares de pessoas se apressavam, cruzando-se, saudando-se com amizade para além do facto de serem adeptos de cores adversárias. Então, um sentimento de feliz confirmação me percorreu: a nossa espécie nasceu destinada à cooperação solidária. A ideia que somos, por essência, vocacionados para a agressão é uma construção cuja falsidade se confirmava, uma vez mais, nas minhas vivências.

À saída comentávamos sobre a mediocridade do espectáculo futebolistico. Para mim, porém, um outro espectáculo maior tinha vencido e convencido. Essa foi a Copa que eu lembrarei para sempre.

[Foi mantida a grafia vigente no país de origem do escritor.]

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Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955, e é um dos principais escritores africanos, comparado a Gabriel Garcia Márquez, Guimarães Rosa e Jorge Amado. Seu romance Terra sonâmbula foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX.

Autores no twitter

Comunicação: esse é o significado do Twitter para Margaret Atwood. Em um artigo na New York Review of Books, a escritora canadense conta sobre como, aos 69 anos, criou uma conta na ferramenta de microblogging e rapidamente atraiu diversos leitores, que a ajudaram com problemas de informática, contribuíram para instituições apoiadas pela autora e também se divertiram junto com ela.

Embora muitas pessoas não queiram usar o Twitter porque não acreditam que haja utilidade em ler frases sem importância sobre o dia-a-dia dos outros, o fato é que o valor da ferramenta depende das pessoas que se segue.

Felizmente, para aqueles que gostam de livros, não faltam pessoas interessantes para seguir. Desde as livrarias e editoras preferidas, até pessoas que costumam fazer resenhas, e jornalistas que escrevem sobre o mercado literário.

Com o Twitter é possível descobrir novos livros interessantes sendo lançados, assim como pedir a opinião de seus seguidores sobre um livro que você está pensando em ler.

Mas a interação mais inusitada que a ferramenta permite talvez seja o contato direto com os escritores. Diversos usam a ferramenta: desde Bryan Lee O’Malley (@radiomaru) contanto sobre as dificuldades de terminar o último volume de Scott Pilgrim, passando por Arturo Pérez-Reverte (@perezreverte) respondendo a perguntas de leitores, até Joca Reiners Terron (@jocaterron) comemorando a chegada do primeiro exemplar de seu livro.

Para ajudar você a complementar sua lista de perfis a seguir, nós fizemos uma lista dos autores da Companhia das Letras (@cialetras) que estão presentes no Twitter:

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