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Semana trezentos e dezessete

Companhia das Letras

Diários II, de Susan Sontag (organização e prefácio de David Rieff e tradução de Rubens Figueiredo)
Dos anos turbulentos de sua viagem a Hanói, em pleno auge da Guerra do Vietnã, até a experiência como cineasta na Suécia e às eleições presidenciais americanas de 1980, este volume documenta a evolução de uma mente extraordinária. Em 1966, a publicação de Contra a interpretação lançou Susan Sontag da periferia do ambiente artístico e intelectual de Nova York para os holofotes de todo o mundo, sedimentando seu lugar como uma força dominante no mundo das ideias. Esses registros são um retrato inestimável dos pensamentos íntimos de uma das mais inquisitivas e instigantes ensaístas do século XX.

Roberto Civita: O dono da banca – A vida e as ideias do editor da Veja e da Abril, de Carlos Maranhão
Roberto Civita (1936-2013) era o dono da banca. No auge, seu império editorial – a Abril – teve 10 mil funcionários e mais de trezentos títulos. Workaholic, curioso, grande formador de talentos, homem de convicções fortes mas avesso a confrontos, Civita redefiniu o jornalismo no Brasil ao criar publicações como Veja e Realidade – e por influenciar os rumos do país e da sociedade por meio desses veículos. Das origens familiares na burguesia italiana à crise da mídia impressa no início do século XXI, Carlos Maranhão reconstitui, com elegância, isenção e rigor na apuração, os acertos e os fracassos dessa figura tão fundamental quanto polêmica na história da mídia brasileira.

Companhia das Letrinhas

Abecedário – Abrir, brincar, comer e outras palavras importantes, de Ruth Kaufman e Raquel Franco (ilustrações de Diego Bianki, tradução de Mell Brites)
Com este abecedário ilustrado, ganhador do Prêmio New Horizons, da Feira de Literatura Infantojuvenil de Bolonha, vai ficar fácil aprender a ler. Acompanhando as 26 letras que compõem o alfabeto através dos verbos e suas ações e vinhetas que vão além do óbvio, as crianças vão perceber como o mundo das palavras diz tudo sobre a nossa vida.

Alfaguara

Meninos em fúria, de Marcelo Rubens Paiva e Clemente Tadeu Nascimento
O rock não morre. O punk não morre. E não morrerá enquanto existir fúria. Março, 1983. Diante de uma plateia atônita, Clemente e sua banda, os Inocentes, começam a tocar acordes rápidos. Ariel, o vocalista, cai do palco e segue cantando com o microfone desligado. Clemente, no baixo, toma os vocais. Caos e confusão, um show que se tornaria um marco do rock brasileiro. Em 1982, Marcelo Rubens Paiva havia acabado de sofrer o acidente que o colocara numa cadeira de rodas. Conhece Clemente e as bandas punks e começa a escrever seu livro, Feliz ano velho. Um livro vibrante — que se lê como um romance, mas onde tudo é estritamente real — que fala não só do movimento punk e da sublevação da periferia, mas também da abertura política brasileira, da fúria e do desencanto dos anos 1980.

Suma de Letras

Nós dois, de Andy Jones (tradução de Ângelo Lessa)
Se apaixonar é fácil. Difícil é o que vem depois. Durante dezenove dias, Fisher e Ivy vivem uma relação idílica e são praticamente inseparáveis. É claro que os dois sabem que estão destinados a ficar juntos para sempre, e o fato de se conhecerem tão pouco é apenas um detalhe. Nos doze meses seguintes, período em que suas vidas mudam radicalmente, Fisher e Ivy percebem que se apaixonar é uma coisa, mas manter uma relação é algo completamente diferente. Nós dois é um romance honesto e emocionante sobre a vida, o amor e a importância de dar valor a ambos.

Reimpressões

Lavoura arcaica, de Raduan Nassar
O último voo do flamingo (nova capa), de Mia Couto

Semana trezentos e dezesseis

Companhia das Letras

Trabalho urbano e conflito social – 1890-1920, de Boris Fausto
Trabalho urbano e conflito Social, do historiador Boris Fausto, foi publicado pela primeira vez em 1976. O livro trata da história da formação da classe trabalhadora e do movimento operário no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre 1890 e 1920. O surgimento de uma classe trabalhadora urbana e industrial no Brasil é acompanhado de perto pela reconstituição de suas formas de organização e mobilização política. Visionário e rigoroso, este livro é uma referência obrigatória para quem deseja entender o que foram as relações de trabalho no século XX no Brasil.

Paralela

A espiã, de Paulo Coelho
“Sou uma mulher que nasceu na época errada e nada poderá corrigir isso. Não sei se o futuro se lembrará de mim mas, caso isso ocorra, que jamais me vejam como uma vítima, mas sim como alguém que deu passos com coragem e pagou sem medo o preço que precisava pagar.” Mata Hari foi a mulher mais desejada de sua época: a famosa bailarina de danças orientais que chocava e encantava as plateias ao se desnudar nos palcos, a companheira de confidências e de encontros amorosos com os homens ricos e poderosos de seu tempo, a pessoa de passado enigmático que despertava o ciúme e a inveja das damas da aristocracia parisiense. Ela ousou se libertar do moralismo e dos costumes provincianos das primeiras décadas do século XX e pagou caro por isso: em 1917, foi executada pelo pelotão de fuzilamento do exército francês, sob alegações de espionagem de guerra. Em seu novo romance, Paulo Coelho mergulha com brilhantismo na vida dessa mulher fantástica, revivendo-a para o leitor contemporâneo como uma lição de que as árvores mais altas nascem de pequenas sementes.

Seguinte

Lobo por lobo, de Ryan Graudin (tradução de Guilherme Miranda)
Era uma vez, em outra época, uma garota que vivia no reino da morte. O Eixo ganhou a Segunda Guerra Mundial, e a Alemanha e o Japão estão no comando. Para comemorar a Grande Vitória, todo ano eles organizam o Tour do Eixo: uma corrida de motocicletas através das antigas Europa e Ásia. O vencedor, além de fama e dinheiro, ganha um encontro com o recluso Adolf Hitler durante o Baile da Vitória. Yael é uma adolescente que fugiu de um campo de concentração, e os cinco lobos tatuados em seu braço são um lembrete das pessoas queridas que perdeu. Agora ela faz parte da resistência e tem uma missão: ganhar a corrida e matar Hitler. Mas será que Yael terá o sangue frio necessário para permanecer fiel à missão?

Objetiva

Petrobras – Uma história de orgulho e vergonha, de Roberta Paduan
Um retrato revelador da crise da maior empresa do Brasil. Como a empresa que por tanto tempo foi espelho do que o Brasil tem de melhor se tornou sinônimo de roubo em grande escala? É o que a jornalista Roberta Paduan explica no impactante “Petrobras – Uma história de orgulho e vergonha”, que a Editora Objetiva lança em julho. Fruto de um trabalho extenso de pesquisa e apuração, o livro narra como a estatal foi cenário de vários casos de mau uso político e desvio de verbas ao longo de sua existência, nos governos posteriores à ditadura militar, até se tornar totalmente refém de um esquema de corrupção bilionário sob as presidências de Lula e Dilma. Repórter e editora da revista “Exame”, onde cobriu o Petrolão de perto, Roberta revê a cronologia do escândalo combinando histórias chocantes de bastidores com informações apresentadas de maneira acessível, ajudando o leitor a compreender a magnitude dos danos feitos à petroleira e seus desdobramentos. A Operação Lava-Jato surge como fio-condutor nos principais momentos, muitos dos quais ganham ares de thriller dado o ritmo do texto e o caráter cinematográfico dos personagens e suas ações. Um retrato revelador do debacle de um dos maiores simbolos do Brasil.

Fontanar

Nunca é tarde demais, de Julia Cameron com Emma Lively (tradução Alexandre Boide)
Um programa objetivo, que oferece ferramentas simples e acessíveis para inspirar e aproveitar ao máximo a melhor fase da vida. A chamada “terceira idade” pode ser um momento de grandes inseguranças: tédio, falta de disposição, sensação de vazio e medo do desconhecido são apenas alguns dos aspectos que podem nos assombrar. A liberdade adquirida pela aposentadoria pode ser muito estimulante, mas também bastante assustadora. Nunca é tarde demais transforma esses temores em grandes possibilidades. Repleto de exemplos práticos, este livro mostra como desenvolver a própria criatividade, usando o tempo e a experiência a nosso favor, para fazer deste o período mais rico, completo e criativo da vida, comprovando que nunca é tarde demais para começar de novo.

Companhia das Letrinhas

Karlsson no telhado, de Astrid Lindgren (ilustrações de Ilon Wikland e tradução de Fernanda Sarmatz Åkesson)
Lillebror queria muito ganhar um cachorrinho. Mas, em vez disso, acabou ganhando um amigo muito peculiar, que chegou voando pela janela: Karlsson, um morador do telhado de seu prédio. Karlsson é um homenzinho muito confiante. Apesar de criar várias confusões, ele não perde a pose e acha que é o melhor do mundo em tudo! E para Lillebror, sem dúvida ele é o melhor companheiro de brincadeiras. Os dois vivem aventuras no telhado, fazem shows de mágica, se disfarçam de fantasma e brincam até de mamãe e filhinho. Mas será que essa figura tão particular existe mesmo? Ou Karlsson é fruto da imaginação de Lillebror?

Reimpressões

A grande história da evolução, Richard Dawkins
A varanda do Frangipani (nova capa), Mia Couto
Antes de nascer o mundo (nova capa), Mia Couto
Ética, Fabio Konder Comparato
Foe, J. M. Coetzee
O continente – Vol. 2, Erico Verissimo
O último voo do flamingo (nova capa), Mia Couto
Poemas escolhidos, Mia Couto
Uma menina está perdida no seu século à procura do pai, Gonçalo M. Tavares
O livro dos porquês, Vários autores
Cisnes selvagens (edição de bolso), Jung Chang
O homem duplicado (edição de bolso), José Saramago
Orações de Nossa Senhora, Carolina Chagas
Os desafios à força de vontade, Kelly McGonigal
Foco, Daniel Goleman
O erro, Elle Kennedy
Dez dias que abalaram o mundo, John Reed
O retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde

150 anos do nascimento de H. G. Wells

Por Braulio Tavares

H G Wells' Desk

Para comemorarmos os 150 anos do nascimento de H. G. Wells, escolhemos um texto de Braulio Tavares, especialista em ficção científica e tradutor da obra do autor para o português.

* * *

A guerra dos mundos (1898) é provavelmente a primeira história de invasão da Terra. Até então, existiam histórias em que ela era visitada por seres de outros planetas que vinham meramente no papel de observadores filosóficos. Foi Wells quem teve a ideia de dar a esses habitantes alienígenas uma civilização e uma tecnologia comparáveis às nossas e, em alguns aspectos, superiores; e de colocá-los contra nós na disputa pelo espaço vital de que precisavam, quando viram esgotados os recursos do seu próprio planeta.

Este livro surgiu durante o primeiro e mais literariamente brilhante período da carreira de H. G. Wells (1866-1946), quando ele produziu uma impressionante série de romances misturando informação científica, especulação filosófica e conhecimento jornalístico, além de um domínio seguro da narrativa de ação e aventura. Em pouco mais de uma década ele publicou A máquina do tempo (1895), A ilha do dr. Moreau (1896), O homem invisível (1897), A guerra dos mundos (1898), entre outros, além de dezenas de contos extraordinários.

Toda essa produção, pela sua qualidade e originalidade, chega a parecer a explosão de uma supernova num céu noturno, considerando-se ser um escritor tão jovem (publicou A máquina do tempo aos 29 anos) e que também escrevia fartamente em outros gêneros. Seus romances mainstream não tiveram uma sobrevida editorial tão longa quanto a sua ficção científica, mas tiveram êxito na época, e são bem aceitos por muitos críticos até hoje.

Wells é um desses escritores de talento que têm a sorte de enriquecer muito cedo com seus escritos e usar esse sucesso para tentar mudar o mundo. Viajou muito, discutiu com luminares e estadistas de toda parte. Publicou dezenas de ensaios de história, sociologia especulativa, futurologia. Na história da ficção científica talvez somente Arthur C. Clarke tenha exercido um ativismo em escala internacional como o seu (Isaac Asimov ou Ray Bradbury também poderiam tê-lo feito, se viajassem de avião). Quanto às suas previsões futuristas, são mais ambiciosas do que as de Jules Verne, até porque foram publicadas sob forma de ensaios para uma futurologia.

Em suas obras filosóficas e de especulação histórica, Wells tentou imaginar para o futuro uma civilização mais humanista do que a nossa, no sentido de ver cada ser humano não apenas como um animal provido de força de trabalho ou um número numa estatística. Um modo de viver onde se reconheça que o trabalho e o consumo são termos de uma equação mais complexa, e não a fórmula essencial da vida.

Mas Wells não é um cientista que escreve, é um jornalista científico. Um jornalista da pena rápida e verbo fluente, mas com base na ciência. Não falo de conhecimentos científicos profundos; para um escritor como ele bastava ter um correto entendimento do que é o método científico, do grau de honestidade factual e da boa informação técnica necessários para construir as hipóteses especulativas que a ficção científica requer.

Os marcianos de Wells são o primeiro retrato do alienígena como encarnação do Outro, do Estranho, de tudo que representa o nosso medo diante do desconhecido, e principalmente de um desconhecido que nos provoca repulsa. Neste sentido, A guerra dos mundos trouxe aos leitores da época uma vigorosa e verossímil descrição literária de um Monstro Legião, um monstro que, ao contrário do monstro de Frankenstein, não é uma criatura isolada fabricada no sótão de um cientista imprudente. É uma espécie inteira, rival da nossa, disputando conosco um território que até então tínhamos imaginado ser exclusivamente nosso.

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Braulio Tavares é escritor, jornalista e tradutor. Publicou cerca de 15 livros, a maioria pelas Editora 34 e Casa da Palavra, além de livros independentes, em vários gêneros, tais como ensaio, poesia, conto, romance, etc.

Semana trezentos e treze

Companhia das Letras

Mutações da literatura no século XXI, de Leyla Perrone-Moisés
Leyla Perrone-Moisés é uma das críticas mais atentas e curiosas do Brasil. É famosa por descobrir os melhores jovens autores, além de se destacar pela qualidade de seus escritos. Neste livro atual e desafiador, ela lê autores como Jonathan Franzen, Bernardo Carvalho e Roberto Bolaño para tentar compreender como grandes livros continuam a surgir e a impactar os leitores. Como diz a autora na “Apresentação”: “Enquanto a situação do ensino da literatura continuou se degradando, a prática da literatura não só tem resistido ao contexto cultural adverso mas tem dado provas de grande vitalidade, em termos de quantidade, de variedade e de qualidade. E é isso que pretendo mostrar neste livro”.

Soy loco por ti, América, de Javier Arancibia Contreras
Diego García, obituarista de um grande jornal portenho, é enviado como correspondente à Guerra das Malvinas, enquanto trava uma guerra particular consigo mesmo. Santiago Lazar, poeta-pichador nas ruas militarizadas de Santiago do Chile, se torna William White ao se exilar em Londres. Duas décadas depois, é obrigado a reviver um traumático fato do passado. Sergio Vilela, brilhante e inescrupuloso jornalista, entra numa espiral de loucura e poder na Brasília selvagem dos anos oitenta. Condenado ao ostracismo, tenta se redimir ao investigar uma estranha seita que envolve um poderoso político.  Marlon Müller, milionário mimado e rebelde, inicia com outros dois jovens na Cidade do México um movimento controverso que usa a tecnologia para provocar o caos na sociedade midiática globalizada. Com essas quatro histórias interligadas no tempo e no espaço da América Latina dos anos sessenta até os dias atuais, Javier Arancibia Contreras afirma-se como um dos melhores talentos da literatura brasileira contemporânea.

Viva a língua brasileira!, de Sérgio Rodrigues
Este livro é uma declaração de amor à língua portuguesa falada no Brasil. Em forma de verbetes rápidos e instrutivos, dá dicas e tira dúvidas que você sempre teve sobre o uso do idioma. Contra aqueles que defendem que só os irmãos de Portugal sabem tratar a gramática como ela merece, aqui está um antídoto. Contra aqueles que adoram corrigir o que nunca esteve errado e defendem bobagens, aqui está a resposta perfeita. Contra o analfabetismo funcional, o pedantismo do juridiquês, a barbaridade do corporativês, a importação servil de estrangeirismos e o chiclete viciante do clichê, este é um manual perfeito para usar nossa língua em toda sua riqueza e sem nenhum preconceito.

Alfaguara

A literatura como turismo, de João Cabral de Melo Neto (seleção e texto Inez Cabral)
Nesta antologia, a poesia de João Cabral e as memórias de Inez Cabral, sua filha, revelam a faceta mais íntima de um dos maiores escritores da literatura brasileira. Ao longo de seus quase cinquenta anos de carreira diplomática, João Cabral de Melo Neto morou em países como Espanha, Inglaterra, Senegal, Equador e Honduras. A cultura e a paisagem desses lugares marcaram sua poesia de forma expressiva. Sevilha talvez tenha sido a cidade mais cantada pelo poeta, mas não foi, de modo algum, a única. No Equador, por exemplo, o fascínio pela natureza e os índios dos Andes produziu joias como “O corredor de vulcões” e “O índio da Cordilheira”. Entrelaçados a esses poemas, os relatos memorialistas de Inez Cabral revelam ao leitor aspectos cotidianos da vida de João: seus hábitos, opiniões e gostos.

Morte e vida Severina – auto de natal pernambucano, de João Cabral de Melo Neto
Publicado pela primeira vez há sessenta anos, o poema mais conhecido de João Cabral mudou os rumos da poesia no Brasil. Um dos poemas mais populares de João Cabral de Melo Neto, “Morte e vida severina” dá voz aos retirantes nordestinos e ao rio Capibaripe, em cenas fortes e contundentes. Clara crítica social, o autor descreve a viagem de um sertanejo chamado Severino, que sai de sua terra natal em busca de melhores condições de vida. Durante a jornada, Severino se encontra tantas vezes com a Morte que, desiludido e impotente, percebe que a luta é inútil — como ele, tantos outros severinos padecem com a miséria e o abandono. Apenas o nascimento de um bebê, uma criança-severina, renova as esperanças e o espírito cansado daquele que já não tinha motivos para continuar a viver.

Cinco esquinas, de Mario Vargas Llosa (tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman)
Uma sociedade permeada pela corrupção e pelo jornalismo sensacionalista é examinada pela lupa sensual do vencedor do Nobel, Mario Vargas Llosa. A amizade de Marisa e Chabela se transforma quando, presas tarde da noite na casa de uma delas, as duas se veem sozinhas, deitam-se na mesma cama e, sem conseguir dormir, dão asas aos seus mais reprimidos desejos. Quique e Luciano, seus maridos e amigos de longa data, são empresários peruanos de sucesso e não desconfiam de nada. Na verdade, Quique não tem tempo para isso. Ao receber a visita de um jornalista que possui fotos comprometedoras, ele se vê enredado num submundo de intriga e violência controlado pelas mais altas esferas do poder. Parte romance de costumes — na melhor tradição de Travessuras da menina má — parte suspense, Cinco esquinas é um livro envolvente, que retrata uma sociedade às voltas com a corrupção e o terrorismo, acossada pelo jornalismo sensacionalista, mas que luta até o fim pela liberdade.

Seguinte

Outra página de cada vez – Motivação para hoje e amanhã, de Adam J. Kurtz (tradução de Henrique de Breia e Szolnoky)
Com muita criatividade, humor e um toque de autoajuda, o designer americano Adam J. Kurtz encantou os brasileiros com seu primeiro livro, 1 página de cada vez. Lançado em 2014, ele já vendeu mais de cem mil cópias no país. Agora Adam está de volta com Outra página de cada vez, que reúne novas atividades capazes de melhorar o nosso dia a dia de maneira lúdica. Lançando mão de novo de um traço simples e elegante, ele propõe outras brincadeiras e questionários que levam o leitor a pensar ou simplesmente levantam a nossa moral nessa época difícil. Sempre com inteligência e sensibilidade. Algumas páginas são só para ler e pensar, mas nem por isso são menos divertidas. Como no primeiro livro, você pode fazer várias atividades de uma vez ou abrir o livro de vez em quando e brincar. Um raio de sol em tempos de trovoadas.

O livro de memórias, de Lara Avery (tradução de Flávia Souto Maior)
Uma história emocionante sobre aprender a viver quando a vida não sai como a gente espera. Sammie sempre teve um plano: se formar no ensino médio como a melhor aluna da classe e sair da cidade pequena onde mora o mais rápido possível. E nada vai ficar em seu caminho – nem mesmo uma rara doença genética que aos poucos vai apagar sua memória e acabar com sua saúde física. Ela só precisa de um novo plano. É assim que Sammie começa a escrever o livro de memórias: anotações para ela mesma poder ler no futuro e jamais esquecer. Ali, a garota registra cada detalhe de seu primeiro encontro perfeito com Stuart, um jovem escritor por quem sempre foi apaixonada, e admite o quanto sente falta de Cooper, seu melhor amigo de infância e de quem acabou se afastando. Porém, mesmo com esse registro diário, manter suas lembranças e conquistar seus sonhos pode ser mais difícil do que ela esperava.

Sou fã! E agora?, de Frini Georgakopoulos
Fã que é fã adora conversar, discutir, interagir. Mas nem sempre temos por perto um amigo tão fanático quanto a gente para desabafar. Foi pensando nisso que Frini Georgakopoulos, uma fã de carteirinha, escreveu este livro: um manual de sobrevivência voltado para quem é apaixonado por livros, filmes, séries de TV… Com uma linguagem rápida e divertida, Sou fã! E agora? é uma mistura de artigos breves e atividades interativas que convidam a refletir sobre os motivos para curtirmos tanto as histórias, além de ajudar a descobrir o que fazer com todo esse amor: criar seu próprio cosplay, escrever uma fanfic, organizar um evento, começar um blog ou canal e muito mais!

Reimpressões

Branca de neve e as sete versões, de José Roberto Torero
Tá gravando. E agora?, de Kéfera Buchmann
Macunaíma (nova edição), de Mário de Andrade
A queda dos reinos, de Morgan Rhodes
Por lugares incríveis, de Jennifer Niven
Lolita, de Vladimir Nabokov
Amor sem fim, de Ian McEwan
Amsterdam, de Ian McEwan
Costumes em comum, de E. P. Thompson
Depois a louca sou eu, de Tati Bernardi
Poemas, de Wislawa Szymborska
Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie
Steve Jobs, de Walter Isaacson
Trópicos utópicos, de Eduardo Giannetti
A insustentável leveza do ser, de Milan Kundera
Felicidade dá lucro, de Márcio Fernandes
O menino no alto da montanha, de John Boyne

Semana trezentos e quatro

A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch (Tradução de Cecília Rosas)
A história das guerras costuma ser contada sob o ponto de vista masculino: soldados e generais, algozes e libertadores. Trata-se, porém, de um equívoco e de uma injustiça. Se em muitos conflitos as mulheres ficaram na retaguarda, em outros estiveram na linha de frente.
É esse capítulo de bravura feminina que Svetlana Aleksiévitch reconstrói neste livro absolutamente apaixonante e forte. Quase um milhão de mulheres lutaram no Exército Vermelho durante a Segunda Guerra Mundial, mas a sua história nunca foi contada. Svetlana Alexiévitch deixa que as vozes dessas mulheres ressoem de forma angustiante e arrebatadora, em memórias que evocam frio, fome, violência sexual e a sombra onipresente da morte.

Rol, de Armando Freitas Filho
Na obra de Armando Freitas Filho, diversificada ao longo de mais de cinquenta anos de trabalho poético, Lar, (2009), Dever(2013) e este Rol formam uma trilogia involuntária. O clima dos três livros é o mesmo. Temas são tratados com minúcia e relevância, e questões de ordem cotidiana, filosófica, memorial, erótica e lírica vão sendo retomadas, revistas por ângulos diferentes ou repisadas na tentativa de conquistar maior densidade e conhecimento na nova elaboração. À diferença dos livros anteriores, este se estrutura através de dez séries de poemas e três longos: “Canetas emprestadas”, “Suíte para o Rio” e “De roldão”. Sob os títulos gerais, cada uma das séries vai analogicamente abrindo o leque do assunto motivador das correlações, dispostas no desenvolvimento da composição. Algumas delas incorporaram subtítulos que se impuseram no curso da escrita. E o livro se encerra com “Numeral”, que vem sendo realizado desde 1999. A poesia dos numerais não acaba, ela continuará no próximo ou nos próximos livros, sem prazo de fechamento, na linha virtual do horizonte. A sequência dos capítulos trata, como diz o “Poema-prefácio”, “de tudo um pouco”, tendo como pano de fundo a morte vista de perto pelo poeta de 76 anos. A obra, por isso mesmo, é austera: escrita com afinco e coragem. Não chega a ser um livro de despedida, uma vez que muito ficou de fora deste volume. O autor ainda terá o que dizer a seus leitores, pois o conjunto de poemas de Armando Freitas Filho que ficou na gaveta espera sua futura oportunidade, como ele diz em Rol: “Mas há ainda uma ‘melodia trêmula’/ que vale a pena ouvir, registrar como/ acompanhamento do meu tempo particular/ o que seria pouco, mas que desse ao menos/ uma pala do tempo de todo mundo”.

Os visitantes, de Bernardo Kucinski
O jornalista Bernardo Kucinski causou furor na cena literária brasileira com seu romanceK: Relato de uma busca, publicado em 2013. História de um pai em busca da filha que desapareceu durante a ditadura no Brasil, o romance angariou uma legião de fãs e foi aclamado como uma das grandes obras literárias daquele ano. A novela Os visitantes é uma continuação de K, e cada capítulo narra a visita de uma pessoa diferente que vai até o autor cobrar satisfações sobre o livro anterior. Narrado com frieza e precisão, Os visitantes confirma o lugar de Bernardo Kucinski entre os grandes autores da literatura brasileira.

Minhas duas meninas, de Teté Ribeiro
Após quase uma década lutando contra a infertilidade, a jornalista Teté Ribeiro tomou uma decisão ousada: ter filhos por meio de uma barriga de aluguel na Índia. Minhas duas meninas é o relato de seu périplo até essa decisão — e dos detalhes que marcaram a sua experiência.
A relação com a mãe indiana, o dia a dia logo após o nascimento das gêmeas, as particularidades da clínica e os dilemas de ser mãe sem passar pela experiência de dar à luz são alguns dos pontos presentes neste relato comovente. Em parte livro de memórias, em parte retrato de geração, mas também reportagem exemplar, Minhas duas meninas é uma radiografia dos dilemas da mulher contemporânea.

Uma temporada no escuro, de Karl Ove Knausgård
Karl Ove Knausgård está com dezoito anos quando parte para uma vila no norte da Noruega a fim de dar aulas a adolescentes. Sua intenção é juntar algum dinheiro para viajar e investir na incipiente atividade de escritor. No começo tudo corre bem, mas quando o escuro toma conta dos dias de inverno, a vida começa a se complicar. A escrita de Karl Ove para de fluir, e suas empreitadas para perder a virgindade fracassam.
Com o alto consumo de álcool ele se aproxima da sombra do pai alcoólatra e resgata a temática do primeiro livro da série Minha Luta, A morte do pai. Como a narrativa não segue ordem cronológica, este volume – um dos mais arrebatadores – pode ser lido de forma independente.

Alfaguara

Poemas negros, de Jorge de Lima
Esta seleção permite um olhar panorâmico sobre a diversificada obra de Jorge de Lima, poeta que percorreu de forma única os caminhos da poesia brasileira — do início parnasiano, passando pelo verso livre, as experimentações com o soneto, até a épica-lírica de Invenção de Orfeu. O ritmo e a capacidade de evocar imagens são marcantes na obra do poeta. Mas não se pode esquecer seu profundo senso de responsabilidade humana: o olhar atento para a realidade do povo, do negro e da desigualdade social. Outro aspecto importante é a densidade mística, resultante de uma forte religiosidade. Por trás da complexidade de seus versos, revela-se uma poesia absolutamente singular e sedutora.

Uma força para o bem, de Daniel Goleman
O testamento espiritual, político e social do Dalai Lama escrito pelo autor de Inteligência emocional. Ao longo de décadas, o Dalai Lama viajou pelo mundo e conheceu pessoas dos mais diversos países e culturas. Nesses encontros, ele sempre se deparou com os mesmos problemas: um sistema que permitiu aos muito ricos distanciarem-se ainda mais da multidão de pobres, um enorme desrespeito pelo meio ambiente e governos paralisados. Aos oitenta anos, tendo construído um conhecimento profundo do mundo em que vivemos, bem como um entendimento abrangente do seu contexto científico, o Dalai Lama nos apresenta a sua visão para um futuro melhor.

Seguinte

Lua de vinil, de Oscar Pilagallo
Em seu romance de estreia, Oscar Pilagallo faz um retrato vívido da São Paulo dos anos 1970, mas este é apenas o pano de fundo para uma história sobre o que significa amadurecer.
Em 1973, a ditadura militar comandava o Brasil. O Pink Floyd lançava o aguardado disco The Dark Side of the Moon. E Giba passava os dias jogando futebol de botão com os amigos do prédio, suspirando por Leila, sua vizinha irreverente e descolada. Ele tentava ignorar o estado grave de seu pai, internado no hospital, e não sabia que a violência do governo estava muito mais perto da sua casa na Vila Mariana do que ele imaginava. Até que, num dia tranquilo de março, ele acaba causando um acidente e se vê obrigado a lidar com um dilema moral que o fará abandonar a inocência dos dezesseis anos para sempre.

Suma de Letras

Gigantes adormecidos, de Sylvain Neuvel
Parte ficção científica, parte thriller, Gigantes adormecidos é uma história viciante sobre a disputa pelo controle de um poder capaz de engolir todos nós. Rose passeia de bicicleta pelo bosque perto de casa, quando de repente é engolida por uma cratera no chão. A cena intriga os bombeiros que chegam ao local para resgatá-la: uma menina de onze anos caída na palma de uma gigantesca mão de ferro. Dezessete anos depois, Rose é ph.D em física e a nova responsável por estudar o artefato que encontrou ainda criança. O objeto permanece um mistério, assim como os painéis que cercavam a câmara onde foi deixado. A datação por carbono desafia todas as convenções da ciência e da antropologia, e qualquer teoria razoável é rapidamente descartada. Quando outras partes do enorme corpo começam a surgir em diversos lugares do mundo, a dra. Rose Franklin reúne uma equipe para recuperá-las e montar o que parece ser um robô alienígena gigante quase tão antigo quanto a raça humana. Mas, uma vez montado o quebra-cabeças, ele se transformará em um instrumento para promover a paz ou causar destruição em massa? Parte ficção científica, parte thriller, Gigantes adormecidos é uma história viciante sobre a disputa pelo controle de um poder capaz de engolir todos nós.

Penguin

O cortiço, de Aluísio Azevedo
Publicado em 1890, O cortiço é um marco da aclimatação do naturalismo em nossas letras. É também uma denúncia — ainda muito atual e aguda — das condições de vida das classes populares, espremidas em lugares insalubres e exploradas por patrões gananciosos.
A ascensão social do português João Romão é contada com objetividade científica. Outros personagens também são examinados no microscópio de Aluísio Azevedo: Miranda, Zulmira, Bertoleza, Jerônimo. O choque da mentalidade do Velho Mundo com a exuberância do Brasil é representado pela relação entre os personagens e o meio (físico, social e geográfico) em que vivem. Um romance forte e absolutamente indispensável para qualquer leitor brasileiro.