Ouvindo o romance de Renato Russo

Por Sofia Mariutti

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Você que nasceu em meados dos anos 1950 talvez ainda se lembre dos aguardados dias em que eram lançados novos singles, EPs ou LPs dos Beatles, dos Rolling Stones e dos Beach Boys. Talvez seu primo mais velho tenha comprado um disco recém lançado e te chamado pra ouvi-lo pela primeira vez na casa dele. Talvez enquanto vocês fumavam um baseado.

Em The 42nd St. Band, o romance de uma banda criada na imaginação de Renato Russo e até agora inédito, não é diferente. Foi assim que os protagonistas dessa história musical, os primos Eric Russell, Nick Beauvy e Jesse Philips, começaram a se interessar por rock.

Se vocês morassem nos Estados Unidos, talvez tivessem fugido de casa aos doze anos, como eles, para visitar o Monterey International Pop Festival, em 1967. E teriam feito tudo para estar no Woodstock em 1969, ano em que os primos formam sua primeira banda, The Music Box.

Mais tarde, na década de 1970, quando estão morando na Inglaterra, eles se juntarão a ninguém menos que Mick Taylor, Jeff Beck e Allan Reeves, além de outros músicos, para formar a 42nd St. Band, um grupo que fará um sucesso estrondoso até os anos 1990.

Ao imaginar a história da 42nd St. Band em seus mínimos detalhes, durante um período de convalescença, entre os quinze e os dezesseis anos, Renato, que ainda era conhecido por Renato Manfredini Jr., define as principais influências do grupo, que não deixam de ser também as suas. O Aborto Elétrico e a Legião Urbana são, de certa forma, continuações do projeto que Renato desenhou ali. Não à toa, é neste momento que Renato cria Eric Russell, espécie de alterego que lhe inspirará o nome artístico Renato Russo.

Talvez o grupo mais presente entre os membros da 42nd St. Band seja The Beach Boys. Mas suas influências eram muitas, e seu estilo, difícil de definir. Rock, blues, soul, ragtime, summer rock, country-folk, música eletrônica, folk britânico, country‑western e rhythm ‘n’ blues… A banda é um pouco disso tudo, tendo entre suas influências desde músicas tradicionais do folk americano como “I Ain’t Got No Home” de Woody Guthrie, gravada por Bob Dylan, até a pegada Disco da Average White Band, passando por The Mamas & Papas, YardBirds, Jefferson Airplane… e, é claro, os Beatles e os Rolling Stones.

Enquanto o livro não chega, para aquecer os corações, montei uma playlist com os hits da época, ouvidos, criticados, adorados e regravados por Eric Russell, Allan Reeves, Mick Taylor, Nick Beauvy, Jesse Philips e os outros personagens do romance de Renato Russo. Ao ouvi-la, você será transportado para aquelas décadas — 1960 e 1970 — tão decisivas na história do rock.

Depois de ler o livro, fica o desafio de imaginar como seriam as mais de trezentas músicas que Renato atribuiu à banda, com títulos definidos, em inglês, e muitas vezes acompanhadas de um esboço de estilo, instrumentação e letra. Isso sem falar na repercussão, as vendas, o acolhimento da imprensa, as turnês de lançamento — Renato era um visionário e pensou em tudo, vocês verão.

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Sofia Mariutti foi editora na Companhia das Letras e trabalhou na edição dos livros de Renato Russo.

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Lançamento de Verissimas
Luis Fernando Verissimo autografa seu novo livro, Verissimas, no Rio de Janeiro! Confira as datas dos eventos:

  • Rio de Janeiro
    Segunda-feira, 10 de outubro, às 19h
    Local: Livraria da Travessa Ipanema — Rua Visconde do Pirajá, 572 — Rio de Janeiro, RJ
  • Niterói
    Quinta-feira, 13 de outubro, às 19h
    Local: Blooks Livraria — Avenida Visconde de Rio Branco, 880, São Domingos — Niterói, RJ

Mesa redonda sobre João Cabral de Melo Neto
Segunda-feira, 10 de outubro, às 19h
Inez Cabral, filha do poeta João Cabral de Melo Neto, conversa sobre a sua obra e o livro A literatura como turismo em debate na Fenelivro.
Local: Fenelivro — Centro de Convenções Pernambuco — Av. Prof. Andrade Bezerra, s/n — Recife, PE

Palestras com Lilia Moritz Schwarcz
Em Fortaleza, Lilia Moritz Schwarcz fala sobre o livro Brasil: uma biografia, escrito com Heloisa M. Starling, em dois eventos. Confira as datas:

  • Quinta-feira, 13 de outubro, às 19h
    Local: Multiarte — Rua Barbosa de freitas, 1727 — Fortaleza, CE
  • Sexta-feira, 14 de outubro, às 9h
    Local: Unifor — Universidade de Fortaleza

Flica
De 12 a 16 de outubro, Cachoeira, na Bahia, recebe mais uma edição da Flica, que neste ano homenageia a autora Ana Maria Machado. Veja a programação com os autores do grupo Companhia das Letras:

  • Milton Hatoum
    Quinta-feira, 13 de outubro, às 15h
    Mesa “A voz do autor”.
  • Ana Maria Machado
    Quinta-feira, 13 de outubro, às 19h
    Mesa “O mar, um mapa, a audácia”.
  • Antonio Prata
    Sexta-feira, 14 de outubro, às 10h
    Mesa “Histórias de humor sutil, micromundos familiares e fratura generalizada”.
  • Ana Martins Marques
    Sexta-feira, 14 de outubro, às 14h
    Mesa “Exílios interiores”.

Lançamento de Meninos em fúria
Sábado, 15 de outubro, às 17h
Clemente Tadeu Nascimento e Marcelo Rubens Paiva lançam em São Paulo o livro Meninos em fúria, onde contam a história do movimento punk na periferia da capital.
Local: Livraria da Vila — Rua Fradique Coutinho, 915 — São Paulo, SP

Mesa com Ruy Castro e Heloisa Seixas em Santa Catarina
Sábado, 15 de outubro, às 17h
Ruy Castro e Heloisa Seixas participam da mesa “Ficção e não ficção — dois autores, duas vidas” na Flic — Festival Literário Internacional Catarinense.
Local: Cidade Criativa Pedra Branca — Rua da Universidade, s/nº — Palhoça, SC

Semana trezentos e dezoito

Companhia das Letras

Rio acima, de Pedro Cesarino
Um antropólogo desembarca na Amazônia para estudar os mitos de um povo indígena e a misteriosa história do “apanhador de pássaros”. Aos poucos, o pesquisador vai se aproximando da descoberta — mas ela pode ter consequências desastrosas. Narrado com precisão e agilidade, Rio acima é um misto de Nove noites, o romance de Bernardo Carvalho em que um pesquisador mergulha na vida dos índios do Xingu, e de Coração das trevas, o clássico de Joseph Conrad em que o lento avançar por um rio selvagem revela um universo sombrio. Pedro Cesarino é um dos pesquisadores mais brilhantes de sua geração e mostra que é também um grande ficcionista, capaz de ombrear com os melhores da nova literatura brasileira.

Enclausurado, de Ian McEwan (tradução de Jorio Dauster)
O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê -, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, Enclausurado é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade.

O voyeur, de Gay Talese (tradução de Pedro Maia Soares)
“Conheço um homem casado, com dois filhos, que comprou um motel de 21 quartos perto de Denver, há muitos anos, a fim de se tornar um voyeur residente.” Assim começa a espantosa história que Gay Talese, um dos maiores nomes do jornalismo literário, narra em O voyeur. O homem é Gerald Foos, que construiu uma “plataforma de observação” para bisbilhotar a vida de seus hóspedes. Intrigado, Talese investiga os diários do proprietário, um complexo registro de suas obsessões e das transformações da sociedade americana, mas só após trinta e cinco anos o jornalista pode divulgar a história. Um trabalho extraordinário e polêmico do repórter que mudou para sempre a face do jornalismo.

Como ser as duas coisas, de Ali Smith (tradução de Caetano W. Galindo)
Escritas com paixão, as obras de Ali Smith são únicas. Aclamadas, discutidas e premiadas, renderam um séquito de leitores à escocesa, sensação literária da contemporaneidade. Como ser as duas coisas não é diferente. Na Inglaterra, o livro vendeu 150 mil exemplares no primeiro ano — feito raro para um romance literário. A versatilidade da arte é o tema por trás das trajetórias de amor e injustiça que aqui se espelham dissolvendo gêneros, formas, tempos, realidades e ficções. Com técnica análoga à pintura de afrescos, Smith cria uma original história de duplos, protagonizada por um pintor renascentista dos anos 1460 e uma neta dos anos 1960.

Paraíso & inferno, de Jón Kalman Stefánsson (tradução de João Reis)
Numa parte remota da Islândia do século XIX, um pequeno barco de pesca é apanhado no meio de um violento temporal e a tragédia abate-se sobre os homens. Entre os tripulantes, um jovem pescador fica surpreso pela aparente indiferença dos companheiros à morte por hipotermia do seu único amigo. Desiludido e confuso ao retornar, ele decide abandonar sua aldeia, arriscando atravessar a pé as montanhas em pleno inverno, com uma ideia fixa: chegar à cidade mais próxima para devolver o livro Paraíso perdido, de John Milton, a um velho capitão cego, que o emprestara a seu amigo. Uma história vívida e lírica, com a intensidade da paisagem natural islandesa.

Penguin-Companhia

Romeu e Julieta, de William Shakespeare (tradução de José Francisco Botelho)
Há muito tempo duas famílias banham em sangue as ruas de Verona. Enquanto isso, na penumbra das madrugadas, ardem as brasas de um amor secreto. Romeu, filho dos Montéquio, e Julieta, herdeira dos Capuleto, desafiam a rixa familiar e sonham com um impossível futuro, longe da violência e da loucura. Romeu e Julieta é a primeira das grandes tragédias de William Shakespeare, e esta nova tradução de José Francisco Botelho recria com maestria o ritmo ao mesmo tempo frenético e melancólico do texto shakespeariano. Contando também com um excelente ensaio introdutório do especialista Adrian Poole, esta edição traz nova vida a uma das mais emocionantes histórias de amor já contadas.

Objetiva

Verissimas, de Luis Fernando Verissimo
Antologia reúne, em pílulas de sabedoria e humor, o suprassumo da obra do escritor e cronista, que completa 80 anos. O publicitário e jornalista Marcelo Dunlop tinha apenas dez anos quando descobriu, lendo um texto de Luis Fernando Verissimo, que até a morte podia ser engraçada. Deslumbrado com o achado e às gargalhadas, o menino recortou a crônica do jornal e passou a fazer o mesmo com várias outras. Duas décadas depois, eis aqui o resultado da empreitada: uma seleção de pérolas garimpadas em toda a obra do escritor. Salpicada de cartuns raros recolhidos no baú do autor, esta coletânea traz cerca de oitocentos verbetes — ou Verissimas — em ordem alfabética. Conduzido e instigado por esse alfabeto particular, o leitor seguirá se divertindo de A a Z com as comparações, máximas, mínimas e metáforas do mestre do humor sintético.

Como ter um dia ideal, de Caroline Webb (tradução de André Fontenelle)
Através de técnicas simples baseadas em pesquisas científicas de economia, psicologia e neurociência, Caroline Webb ajuda você a melhorar seu dia a dia. Em Como ter um dia ideal, Caroline Webb mostra que é possível usar as recentes descobertas da economia comportamental, da psicologia e da neurociência para transformar nossa relação com o cotidiano profissional. Avanços nessas ciências nos oferecem um melhor entendimento de como nosso cérebro funciona, por que fazemos as escolhas que fazemos e o que é necessário para conseguirmos dar o melhor de nós. Webb explica como aplicar essas descobertas em nossas tarefas e rotinas diárias e, assim, lidar melhor com os desafios do ambiente de trabalho moderno — dos conflitos com colegas a reuniões tediosas e caixas de entrada lotadas — com destreza e facilidade.

Reimpressões

Alta fidelidade, de Nick Hornby
Brasil: Uma biografia, de Lilia M. Schwarcz e Heloísa Starling
Budapeste, de Chico Buarque
Marighella, de Mário Magalhães
Mulheres de cinzas, de Mia Couto
O anjo pornográfico, de Ruy Castro
A corrida para o século XXI, de Nicolau Sevcenko
Pippi nos mares do sul, de Astrid Lindgren
O mundo assombrado pelos demônios (Edição de bolso), de Carl Sagan
Obra completa (Edição de bolso), de Murilo Rubião
Rumo à estação Finlândia (Edição de bolso), de Edmund Wilson
Anticâncer, de David Servan-Schreiber
Fora da curva, de Pierre Moreau

Sonho

Por DW Ribatski

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DW Ribatski nasceu em Curitiba em 1982. É artista plástico, ilustrador e quadrinista. Já colaborou com diversas publicações, como o caderno Ilustríssima da Folha de S.Paulo e a revista Superinteressante, entre outras. Nas HQs, publicou Campo em branco (Quadrinhos na Cia., 2013), Como na quinta série (Balão Editorial, 2012), La naturalesa (coleção MIL, Cachalote/Barba Negra, 2011), Vigor Mortis (Quadrinhofilia/Zarabatana Books, 2011, com José Aguiar e Paulo Biscaia) e Dois (Roax Press, 2013). Contribui para o blog com uma coluna mensal de quadrinhos.
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Carta a Mia Couto

Por Julián Fuks

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Foto: Fabio Uehara

No dia 28 de setembro, Mia Couto esteve no Brasil para lançar Sombras da água, segundo livro da trilogia As Areias do Imperador. Comemorando também os 30 anos da Companhia das Letras, o autor participou de um encontro em São Paulo que reuniu o escritor Julián Fuks e as cantoras Fabiana Cozza e Lenna Bahule. Entre leituras de trechos do livro e música, Mia Couto e Julián Fuks conversaram sobre as obras do autor moçambicano e também sobre sua parceria no Rolex Mentor and Protégé Arts Initiative, um projeto em que artistas de renome orientam novos nomes da literatura, música, cinema, teatro e outras áreas. Nesse encontro, Julián leu uma carta ao seu mentor, que você pode conferir agora aqui no blog.

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Estimado Mia,

Tudo poderia começar com um olá. Com um amplo meneio da mão eu fingiria estar abrindo as portas de todo um país, lhe daria cálidas boas-vindas, o acolheria com carinho como se entre milhares estivéssemos em família. Tudo poderia começar com um olá, mas não começa. Você ensina que tudo começa sempre com um adeus, e eu entendo que posso prescindir das formalidades, que as palavras têm que fugir desses agrados óbvios demais — e se fazer mais diretas, mais precisas, mais essenciais.

Escrever pode ser tão vital, você diz, que deixemos de sentir toda dor. Escrever é o gesto que se tece no vazio das mãos, que preenche de vazio o vazio, e que ainda assim nos assombra ao criar algo real, ao gestar algo maior. Na sombra das mãos sobre a folha branca parece que algumas palavras se antecipam. É pelas sombras das mãos que lhe digo quanto me alcança a dor através dos seus livros, quanto a dor se faz canoa que transpõe distâncias, que atravessa o largo rio que nos divide.

O meu ceticismo você já conhece, minha desconfiança de todo ímpeto ficcional, meu apego insistente ao mundo tangível. Preciso confessar, porém, que enquanto lia o seu livro me desertavam as precárias certezas, tremia o chão que nunca chegara a ser firme. A dor de Germano eu não sei se existiu, Imani talvez não seja mais que o sangue esquecido de uma mulher negra, o sangue convertido em tinta, e no entanto quão presentes se fizeram esses dois em meu mundo, quanto ainda agora me tangenciam.

Ninguém é uma pessoa se não for toda a humanidade, você diz, ou disse algum velho sábio de Nkokolani. Leio essa frase e me livro de todos os meus receios, me dispo dos meus pudores, me permito afirmar que uma verdade imensa se estampa aí. Imani é toda a humanidade, Germano é toda a humanidade, e é por eles que algo em mim se renova, é com eles que eu me faço mais humano. Têm esses seres, tão distantes no tempo e no espaço, um incrível poder evocatório: seus corpos são feitos de outro barro, outro é o século em que pairam suas vozes, mas quanto não guardam da nossa terra, dos nossos corpos. Não há sombra que não oculte outra sombra, você diz, e eu pergunto, já intuindo a resposta, se seremos nós as sombras ocultas em seus personagens, se eles existem para nos devolver a nossa humanidade.

Alguma vez você me contou, e isso eu não esqueceria, do seu primeiro encontro com Samora, o grande líder da independência moçambicana. Você era ainda muito jovem, imberbe, é provável, em seus olhos ainda não transbordavam tantas águas, e talvez por isso você não tenha sabido lhe oferecer as devidas respostas. Quem se lembra de alguma canção de infância?, perguntou Samora para silêncio geral. Quem se lembra de alguma história de infância?, insistiu para a sua estupefação. Pobre é quem não tem histórias — você disse que Samora arrematou –, o país que não tem histórias está condenado à morte.

Eu ouço essa história e me indago se Samora sabia, se intuía quem era o jovem que tinha diante de si. Depois percebo que isso não importa, que basta que você mesmo o soubesse, ou, menos ainda, basta que tenha se incumbido de recontar as muitas histórias de um povo tão rico, as muitas trajetórias a conformar uma única: a história de Moçambique. Depois me ponho ainda mais circunspeto e me pergunto quem um dia contará a história do meu país, desta ampla família que o recebe, quem percorrerá com as sombras das mãos as nossas cicatrizes. Não me refiro à história de qualquer tempo: hoje me permito indagar como será a narrativa deste presente que tanto nos inquieta, deste tempo de tantos golpes e ardis que nos afligem.

Mas isso já não lhe cabe responder, bem sei. A você talvez caiba perguntar se deve o escritor se ocupar do presente, e se é isso o que se alcança ao minuciar as infinitas dores de um tempo pretérito. É assim que podemos chegar a nos compreender, reescrevendo as muitas histórias ocultas debaixo da história oficial? Aqueles mortos cujas vozes você não deixou enterrar, aqueles mortos somos nós?

Tudo poderia terminar com uma palavra de admiração, apenas. Mas nada nunca termina: as palavras são muito imperfeitas; mesmo quando feitas para o adeus, só sabem ser um começo.

Julián

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Veja o vídeo completo do encontro com Mia Couto em São Paulo.

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Julián Fuks nasceu em São Paulo, em 1981. É autor de A resistência. Foi eleito pela revista Granta como um dos vinte melhores escritores brasileiros.