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A menina que queria ir para a escola

Por Adriana Carranca

malalinha

Recebi o convite para escrever um livro sobre Malala pouco depois do atentado contra ela. A ideia inicial era escrever para o público adulto. Mas, na medida em que eu conheci mais e mais sua história, tornou-se impossível ignorar a mensagem poderosa e transformadora que ela traz às crianças.

Quando cheguei ao Vale do Swat, onde ela vivia, Malala ainda estava em coma e não era certo se sobreviveria ao tiro disparado contra ela por um integrante do grupo Talibã, que controla partes do cinturão tribal do Paquistão, na conturbada fronteira com o Afeganistão. Ela era ainda desconhecida do mundo e nada indicava, então, que seu drama seria diferente daquele de milhares de crianças anônimas que morrem em números alarmantes na região, vítimas da violência – região que eu visitara inúmeras vezes como jornalista e onde testemunhara de perto a condição das mulheres e crianças.

Mas algo no caso Malala me intrigava. Ela não tinha sido mais uma vítima da violência generalizada no país, mas de um atentado bem planejado cujo alvo era ela, então uma menina de 14 anos. O que o Talibã temia? O que ela teria feito para despertar a ira dos terroristas? A resposta era tão simples quanto aterrorizante: Malala era uma menina que queria ir para a escola.

Em um mundo em que a educação é tantas vezes preterida por outros valores, não raro materiais, uma menina de uma zona tribal lutava pelo direito de estudar a ponto de arriscar a vida para realizar o que para ela era um sonho. Sua história é também a de um pai e de uma escola – o professor Ziauddin Yousafzai, fundador da Escola Khushal – que ousaram desafiar os terroristas ao continuar educando meninas e meninos e, pelo amor e dedicação ao ensino, transformaram filha e aluna com poucas perspectivas de futuro na mais jovem ganhadora do Nobel da Paz. Sua voz ressoou aos quatro cantos e transformou o mundo.

Sua história comoveu pessoas de todas as idades, mas não tinha ainda sido relatada às crianças. É uma história de amor à escola e aos livros, mas também de igualdade e tolerância, importante de ser lida num momento em que as crianças convivem cada vez mais com as diferenças.

A despeito de tentativas de uso político de sua imagem por governos envolvidos nos conflitos da região ou de certo exagero da mídia em tratá-la como celebridade, por trás dos holofotes Malala é apenas uma menina que queria ir para a escola e brigou por isso de forma pacífica, ao lado do pai e dos professores da Escola Khushal. Ela fez das palavras sua arma.

Eu fui uma menina que queria ir para a escola, tive pais que incentivaram meus estudos mesmo tendo poucos recursos disponíveis, fui acolhida por professores que transformaram meu destino. Talvez por isso, tenha me identificado tanto com Malala. Essa história de amor ao aprendizado e aos livros é um pouco a minha e, tenho certeza, também é do leitor.

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41133_gMALALA, A MENINA QUE QUERIA IR PARA A ESCOLA
Sinopse: 
Por mais absurdo que pareça, Malala Yousafzai quase perdeu a vida por querer ir para a escola. Ela nasceu no Paquistão, em uma região pacífica, e era uma das primeiras alunas da classe. Mas quando tinha dez anos, viu a sua cidade ser atacada e dominada por um grupo extremista chamado Talibã. Eles impuseram muitas regras, entre elas a que determinava que somente os meninos poderiam estudar. Mas Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava e lutou com todas as forças para continuar estudando. Por isso, em 9 de outubro de 2012, tomou um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. A jornalista Adriana Carranca visitou o vale do Swat pouco depois do atentado, e conta tudo o que viu e aprendeu por lá, apresentando a história dessa menina que, além de ser a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, é um grande exemplo, no mundo todo, do poder do protesto pacífico.

Evento de lançamento:

São Paulo — Sábado, 16 de maio, às 16h, na Livraria da Vila — Alameda Lorena, 1731.

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Adriana Carranca é repórter especial do Estado de S. Paulo e colaboradora com publicações internacionais. Ela cobriu a guerra no Afeganistão e Paquistão, e mergulhou no universo de países muçulmanos como Irã, Egito, Indonésia e nos territórios palestinos. Escreve principalmente sobre conflitos, tolerância religiosa e direitos humanos, com um olhar especial sobre a condição das mulheres. Lançou pela Companhia das Letrinhas o livro Malala, a menina que queria ir para a escola.

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Malala – a menina que queria ir para a escola, de Adriana Carranca
Por mais absurdo que pareça, Malala Yousafzai quase perdeu a vida por querer ir para a escola. Ela nasceu no Paquistão, em uma região pacífica, mas quando tinha dez anos, viu a sua cidade ser atacada e dominada por um grupo extremista chamado Talibã. Eles impuseram muitas regras, entre elas a que determinava que somente os meninos poderiam estudar. Mas Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava e lutou com todas as forças para continuar estudando. Por isso, em 9 de outubro de 2012, tomou um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. A jornalista Adriana Carranca visitou o vale do Swat pouco depois do atentado, e conta tudo o que viu e aprendeu por lá, apresentando a história dessa menina que, além de ser a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz, é um grande exemplo, no mundo todo, do poder do protesto pacífico.

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