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Veja o encontro de Alberto Manguel com Robert Darnton

No dia 30 de agosto, Alberto Manguel e Robert Darnton inauguraram as comemorações dos 30 anos da Companhia das Letras no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Pioneiro nos estudos sobre a história do livro, Darnton é professor e diretor da biblioteca da Universidade de Harvard, e seu livro mais recente, Censores em ação, recria três momentos em que a censura restringiu a expressão literária. Manguel, que acaba de assumir a direção da Biblioteca Nacional da Argentina, lançou Uma história natural da curiosidadelivro em que mapeia os textos e autores que o inspiraram ao longo de sua vida como leitor. Com mediação do escritor e jornalista Sérgio Rodrigues, autor de Viva a língua brasileira!os autores conversaram sobre o mundo dos livros e da leitura com o público. Se você não pôde participar ou quer rever este grande encontro, assista ao evento completo no vídeo acima.

Os eventos de 30 anos da Companhia das Letras ainda trazem para o Brasil Mia Couto, que estará amanhã em São Paulo, Ian McEwan e David Grossman, que participam do evento em outubro. Todos os encontros serão gravados e postados em nosso canal no YouTube.

Robert Darnton e Alberto Manguel se encontram no primeiro evento de aniversário da Companhia das Letras

Evento 30 anos Companhia

Acontece hoje, dia 30, às 20h, o primeiro de uma série de eventos que comemoram os 30 anos da Companhia das Letras. O encontro com Robert Darnton e Alberto Manguel, com mediação de Sérgio Rodrigues, ocorre no Sesc Vila Mariana e tem entrada franca. Para participar, basta retirar o ingresso na Central de Atendimento uma hora antes do evento (2 por pessoa).

Robert Darnton é pioneiro nos estudos sobre a história do livro. É professor e diretor da biblioteca da Universidade de Harvard. Em seu livro mais recente, Censores em ação, Darnton recria três momentos em que a censura restringiu a expressão literária. Em entrevista para O Estado de S. Paulo concedida recentemente, Darnton afirmou que “não é exagero dizer que o mundo do livro está passando por sua maior transformação em 500 anos. É excitante e ameaçador para profissionais do livro, mas, para mim, é um tempo de grandes oportunidades”.

Alberto Manguel vem ao Brasil para divulgar seu mais novo livro, Uma história natural da curiosidade, no qual mapeia os textos e autores que o inspiraram ao longo de sua vida como leitor. Em entrevista para O Globo, falando de sua vinda ao Brasil e de seu novo livro, Manguel afirma que “o ódio é a vontade de não conhecer, por isso, a curiosidade é um meio de combater o preconceito”. Atualmente, Manguel dirige a Biblioteca Nacional da Argentina, cargo que já foi ocupado por Jorge Luis Borges. 

Conheça os demais eventos que comemoram os 30 anos da Companhia das Letras.

Semana trezentos e doze

Companhia das Letras

Uma história natural da curiosidade, de Alberto Manguel (tradução de Paulo Geiger)
Em Uma história natural da curiosidade, Alberto Manguel mapeia os textos e autores que o inspiraram ao longo de sua vida como leitor. Não se trata, porém, de um leitor qualquer. Manguel vivia rodeado por 30 mil livros em sua casa na França e atualmente dirige a Biblioteca Nacional da Argentina, cargo antes ocupado por Jorge Luis Borges. O livro se estrutura em torno de dezessete questões de respostas nada óbvias. “O que é língua? ” e “Quem sou eu?” são temas que estão na origem das histórias que o autor mobiliza neste livro. Manguel seleciona uma galeria de curiosos notáveis, como Tomás de Aquino, David Hume, Lewis Carroll, Sócrates e, sobretudo, Dante, para nos guiar em meio a tais questões.

O inferno dos outros, de David Grossman (tradução de Paulo Geiger)
Em cima de um palco decadente de uma pequena cidade israelense, Dovale apresenta um show de stand up para alguns gatos pingados e um amigo de infância, seu convidado especial da noite. Enquanto faz piadas mais ou menos sagazes, no limite do politicamente correto e do bom gosto, passeando por temas tão amplos quanto o conflito Israel-Palestina e os palavrões proferidos por um papagaio, o comediante provoca o riso da plateia, mas também o desconforto. A tensão aumenta conforme Dovale expõe seus dramas pessoais mais profundos, e o humor se esvai dando lugar a uma melancolia comum a todos nós. Um romance corajoso e atual, breve mas avassalador, de um dos maiores ficcionistas contemporâneos.

Suma de Letras

A colônia, de Ezekiel Boone (tradução de Leonardo Alves)
Uma história aterrorizante sobre uma espécie adormecida há mil anos, que agora voltou para reconquistar o planeta. Nas profundezas de uma floresta no Peru, uma massa negra devora um turista americano. Em Mineápolis, nos Estados Unidos, um agente do FBI descobre algo terrível ao investigar a queda de um avião. Na Índia, estranhos padrões sísmicos assustam pesquisadores em um laboratório. Na China, o governo deixa uma bomba nuclear cair “acidentalmente” no próprio território. Enquanto todo tipo de incidente bizarro assola o planeta, um pacote misterioso chega em um laboratório em Washington… E algo está tentando escapar dele. O mundo está à beira de um desastre apocalíptico. Uma espécie ancestral, há muito adormecida, finalmente despertou. E a humanidade pode estar com os dias contados.

Paralela

Tá gravando. E agora?, de Kéfera Buchmann
Ela está de volta. Depois de vender 400 mil exemplares do seu primeiro livro, Muito mais que 5inco minutos, Kéfera Buchmann publica Tá gravando. E agora?, novamente pela Editora Paralela. Nele a youtuber mais conhecida do Brasil conta como seu canal, 5incominutos, atualmente com mais de oito milhões de assinantes, surgiu, revelando detalhes até então inéditos. Kéfera relembra como foi gravar o primeiro vídeo, as inseguranças que surgiram e como ela conseguiu superar os obstáculos para, aos poucos, ir conquistando milhões de fãs. Ela ainda tenta responder a pergunta que mais ouve dos seus seguidores: “Como eu faço para fazer o meu canal de Youtube dar certo?”. Não, não existe uma fórmula mágica, mas Kéfera dá várias dicas úteis que podem ajudar os aprendizes de youtuber. Muitas das dicas servem não só para quem quer brilhar na internet. Kéfera fala de como melhorar sua criatividade de maneira geral na vida, sugerindo até exercícios para isso. De bônus, Tá gravando. E agora? traz depoimentos emocionantes de kélovers (como os fãs dela são conhecidos), que contam como Kéfera influenciou suas vidas.

Bridget Jones: No limite da razão, de Helen Fielding (tradução de Alda Porto)
Se em O diário de Bridget Jones os leitores já se apaixonaram pela personagem despojada e carismática, no segundo volume, Bridget Jones: No limite da razão, conheceremos seu lado ainda mais inusitado. Seja em uma prisão tailandesa ou em jantares desconfortáveis, nada é tão ruim que não possa piorar. Mas é imprescindível manter o bom humor e contar sempre com os amigos.

Seguinte

Capitolina vol.2 — O mundo é das garotas
Depois de mostrar o poder das garotas, a Capitolina vem provar que, juntas, podemos transformar o mundo. As 46 colaboradoras que participaram dessa edição usaram as mais diversas formas de expressão para produzir um conteúdo inclusivo e livre de preconceitos, voltado especificamente para garotas adolescentes. Além dos melhores artigos publicados no segundo ano da revista on-line, em Capitolina: o mundo é das garotas você encontrará temas inéditos, como ciências, esportes e saúde. Outra surpresa são os formatos diferentes: tem entrevista, bate-papo, história em quadrinhos, manifesto, conto, ensaio fotográfico… Tudo ilustrado por artistas supertalentosas.

Companhia das Letrinhas

O pum e o piriri do vizinho, de Blandina Franco e José Carlos Lollo
Todo mundo já conhece o Pum de outras aventuras e sabe que, quando ele quer sair, é quase impossível segurá-lo. Agora ele tem novos amigos: a Couve-Flor e o Piriri do vizinho, e os três vão passar um fim de semana inteiro juntos. Dá pra imaginar a bagunça que essa turma vai fazer – e o quão divertido vai ser acompanhá-la!
Você conhece a Píppi meialonga?, de Astrid Lindgren (ilustrações de Ingrid Nyman)
Quando Píppi Meialonga chega na Vila Vilekula, os irmãos Tom e Aninha ficam bastante felizes, pois queriam muito uma nova amiga. E eles têm uma grande surpresa ao descobrir que Píppi é uma menina diferente de qualquer outra: ela é tão forte que consegue carregar um cavalo sozinha e tão habilidosa que, ao mesmo tempo que faz tranças no cabelo, amarra os sapatos — e, quando vai ao circo, ainda se equilibra em um arame na frente de todos! É claro que, com tanto talento, os três vão viver as mais divertidas aventuras.

Reimpressões

A festa da insignificância, de Milan Kundera

A guerra não tem rosto de mulher, de Svetlana Aleksiévitch

A nervura do real, de Marilena Chaui

Cem dias entre céu e mar, de Amyr Klink

Deus, um delírio, de Richard Dawkins

Poética, de Ana Cristina Cesar

Seminário dos ratos, de Lygia Fagundes Telles

Sobre o Estado, de Pierre Bourdieu

De todos os cantos do mundo, de Magda Pucci

Divinas Desventuras, de Heloisa Prieto

Lá vem história outra vez, de Heloisa Prieto

Inferno no colégio interno, de Lemony Snicket

Mau começo, de Lemony Snicket

O elevador Ersatz, de Lemony Snicket

Achados e perdidos, de Stephen King

O apanhador de sonhos, de Stephen King

O infinito, só mais uma vez

Por Luiz Schwarcz

luiz-manguel

Ilustração: Alceu Chiesorin Nunes

livre42Queridos leitores, antes de redigir meu último post, escrevi no ano passado para Alberto Manguel e para Jorge Schwartz tentando averiguar se estava falando uma grande bobagem a respeito da obra de Jorge Luis Borges. A resposta de Alberto Manguel chegou muito tempo após o envio do meu texto para o blog. Achei tão boa a carta que pedi autorização deste para publicá-la, deixando meu texto inicial sem novas alterações ou complementos. Vejam abaixo. Aproveito para agradecer ao Jorge também pelos esclarecimentos preciosos.

* * *

Querido Alberto, como vai?

 

E os planos de voltar a morar em Buenos Aires? Quero saber de tudo!

Venho escrevendo para nosso blog uma pequena série de artigos sobre o ofício do editor, mais precisamente sobre a filosofia da editoração. Batizei a série de “Livre-editar”, referência à expressão “livre-pensar”.

Por ora, publiquei apenas um texto, embora já tenha escrito cinco. Planejo escrever outro, sobre a página em branco e a progressão infinita da escrita, de como uma frase se encadeia necessariamente com a anterior, não importando muito quais eram os planos prévios do autor.

E me deparei com uma questão que talvez somente você possa resolver para mim. Responda quando puder, sem pressa.

Você poderia me dizer como imagina que a cegueira, o não encarar uma página, ou reler a última frase e ter que memorizar as duas — uma página em branco e a última frase de um poema ou de um conto —, influenciaram a obra de Borges? Seria correto afirmar que suas obras-primas foram escritas quando ele podia fazê-lo fisicamente, sem se limitar a ditá-las? Antes de ficar completamente cego?

Estou relendo com enorme prazer grande parte do que você escreveu sobre ele. A noção do Aleph (o lugar de todos os lugares) como sendo mais importante que o labirinto é brilhante, e me ajudou muito.

Agradecer-lhe-ei imensamente se puder me dizer qualquer coisa sobre o assunto, mesmo se considerar isso uma grande tolice, quando puder. Eu adoraria conhecer sua opinião.

Com carinho e os votos de um feliz Ano Novo para você e para o Craig. (Estou muito contente com os novos rumos de sua vida, e por saber que você será parte das comemorações do aniversário de nossa editora no ano que vem).

 

Luiz

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Querido Luiz,

 

Sua pergunta é muito importante.

Conheci Borges quando ele já estava cego, como você sabe. Ele me disse que ainda podia escrever poesia porque os poemas vinham a ele como uma melodia musical, à qual então acrescentava palavras, o que lhe permitia guardar o poema inteiro em sua mente, ditando-o quando estivesse finalizado.

Escrever prosa, porém, era diferente: ele afirmou (era o início dos anos 1960) que jamais voltaria a escrever prosa, porque para isto “é preciso enxergar sua mão escrevendo”. Borges disse que podemos decorar um poema inteiro, mas não um romance: lemos um romance e nos recordamos de umas poucas cenas, alguns parágrafos, ou mesmo frases, jamais de tudo. O poema era para Borges uma entidade individual; o romance (e talvez o conto), uma massa de fragmentos, trechos, episódios que somente podiam ser vistos como um todo. Sendo cego, para ele não havia página em branco, apenas um texto musical completamente acabado em sua visão mental, ou fragmentos esparsos e peças que ele não se julgava capaz de reunir novamente de forma coerente, sequencial.

No entanto, passados alguns anos, ele sentiu que tinha que escrever as histórias que estavam vindo a ele como argumentos e anedotas, as histórias que se tornariam O informe de Brodie. Assim, solicitou-me que lesse para ele as histórias que considerava obras-primas, para sentir como funcionavam, como haviam sido construídas, como um mestre-construtor reaprendendo o seu ofício. E também aqui não havia página em branco, mas somente parágrafos construídos em sua mente, que deviam ser ditados um a um e lidos para ele vezes sem fim, até que considerasse estar perfeito. Esse era o método que ele utilizara no início de sua vida, quando começou a dar aulas: ele ensaiava lendo as aulas em voz alta para si (ou para sua mãe), com as pausas e mudanças de tom, como um ator praticando suas falas.

Sim, penso que ele soube que havia escrito suas obras-primas antes de ficar cego. Confira na Autobiografia dele. Na última página ele menciona algo assim.

Se puder te ajudar mais, me diga. Neste exato momento estou atulhado com um milhão de coisas, pra não falar da reinvenção da Biblioteca Nacional.

Com muito afeto,

 

Alberto

Tradução de Carlos Alberto Bárbaro.

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Luiz Schwarcz é editor da Companhia das Letras e autor de Linguagem de sinais, entre outros. Escreve pra o blog uma coluna semanal sobre livros e o trabalho editorial.

 

Semana vinte e dois

Todos os homens são mentirosos, de Alberto Manguel (Tradução de Josely Vianna Baptista)
O ponto de partida do novo romance de Alberto Manguel é a história secreta de Alejandro Bevilacqua, misterioso autor de um único livro, que se matou no exílio em Madri. Caído no esquecimento, o escritor desperta a curiosidade de um jornalista francês, que decide escrever um livro sobre ele. As fontes são quatro pessoas que conviveram com Bevilacqua e prometem revelar segredos importantes. Enquanto o jornalista constata a impossibilidade de montar o quebra-cabeças das lembranças alheias, confundido entre equívocos e mentiras, Manguel demonstra com maestria a possibilidade de um romance dar vida nova ao passado — uma vida verdadeira, apesar de ficcional.

Palhaço, macaco, passarinho, de Eucanaã Ferraz (Ilustrações de Jaguar)
Palhaço é palhaço, macaco é macaco, passarinho é passarinho. Mas será que existe alguma coisa em comum entre eles? O poeta Eucanaã Ferraz acha que sim. E, ainda por cima, acredita que todo mundo tem um pouco dos três. A partir desses personagens, e de estruturas frasais simples, Eucanaã cria uma espécie de jogo de sintaxe em que, a cada página, palavras são trocadas de maneira a criar novos sentidos. As ilustrações são de Jaguar, que, apesar do nome de onça, faz coisas engraçadas e às vezes mais parece um macaco. E o macaco parece um palhaço que parece um passarinho. Deu para entender?

É um livro, de Lane Smith (Tradução de Júlia M. Schwarcz)
Ganha uma bolacha recheada quem responder primeiro a seguinte pergunta: qual O Assunto do Ano no mercado editorial? Sim, estamos falando do futuro do livro, dos tais e-books e a proposta de revolução que trazem consigo. E o que será do livro? E o que será dos direitos autorais? E o que será das prateleiras? E o que será dos pobres marcadores de página?! Muitos aproveitam a onda para reafirmar seu amor às letras impressas em papel, e dizem que o livro é uma espécie de deus grego: não morre nunca. Sem enveredar pelas malhas da vidência, mas deixando claro que um livro é um livro e isso basta, Lane Smith criou uma história ilustrada, tanto para crianças quanto para adultos, sobre o nosso velho e bom — e amado — livro. Aquele que, ao contrário dos produtos eletrônicos, não apita, não interage, não conecta nem retwitta. Mas que, só pela emoção da narrativa e das imagens, prende a atenção (e ainda rouba o coração) de qualquer um. Veja abaixo o trailer o livro:

Quimonos e Yumi, de Annelore Parot (Tradução de Eduardo Brandão)
Dois livros apresentam às crianças palavras e costumes japoneses a partir das kokeshis, bonequinhas típicas do país. Buracos nas páginas escondem fantasias; abas revelam o interior das casas; e recortes especiais sugerem algumas atividades, como encontrar as joaninhas que fugiram e descobrir qual a yukata — espécie de quimono levinho que se usa após o banho — de cada kokeshi. Com capa dura acolchoada, com uma tira de couro costurada, o livro é supercaprichado nos mínimos detalhes, assim como o são essas bonequinhas japonesas.