alberto martins

Semana duzentos e sessenta e sete

Sombras de reis barbudos, José J. Veiga
Publicado pela primeira vez em 1972,Sombras de reis barbudos foi tido como alegoria do regime militar brasileiro, ao contar a história de uma cidade que recebe a Companhia Melhoramentos de Taitara, símbolo da modernidade. Aos poucos, porém, a empresa impõe uma rotina tirânica aos moradores. Embora tenham influência do realismo mágico, seus livros não se encaixam nessa vertente; exploram o universo infantojuvenil, mas vão além do romance de formação. O leitor pode agora atestar por si só por que José J. Veiga é considerado um dos melhores autores brasileiros do século XX.

Claro Enigma

Se liga no som, Ricardo Tepeman
Não há como falar sobre o rap sem associá-lo ao racismo e à desigualdade social. Assim como nos Estados Unidos, os rappers brasileiros saíram dos bairros periféricos para se projetarem no cenário musical. Com posições de enfrentamento, outras mais apaziguadoras, questões caras sobre a sociedade brasileira emergem na produção artística desses jovens músicos. A ambiguidade do poder público em relação às batalhas de rua, o posicionamento dos rappers no mercado musical, a adesão da indústria fonográfica e de artistas consagrados são alguns dos temas tratados neste livro, que, longe de trazer respostas definitivas, propõe, a partir de uma introdução da história do rap, provocar, questionar, levantar dúvidas sobre essa nova e, acima de tudo, estimulante forma de fazer música.

Nos caminhos do barroco – Roteiros visuais do Brasil, Alberto Martins e Glória Kok
Poucas vezes um livro sobre arte atingiu um equilíbrio tão harmonioso entre clareza narrativa, simplicidade e erudição. Neste segundo volume da Coleção Roteiros Visuais no Brasil, Glória Kok e Alberto Martins fazem uma instigante incursão pelo período Barroco, guiando o leitor desde os primórdios do movimento até a sua consolidação como identidade nacional. Se a arte é em grande medida feita de forma, luz e movimento, entender o Barroco é saber como os artistas se apropriaram dessas ferramentas para criar a sua identidade. Ainda que instintivamente todos saibam sobre a arte barroca – seja pelo legado das cidades históricas como Tiradentes e Ouro Preto, seja pela figura do mestre Aleijadinho e suas igrejas, ou ainda pelos versos ácidos de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, que disparavam críticas contra todas as classes sociais -, este é um livro essencial para quem deseja conhecer um período importante da história da arte no Brasil.

Seguinte

A bailarina fantasma – Anabela em quatro atos, Socorro Acioli
Anabela mal podia conter a empolgação quando seu pai foi o arquiteto escolhido para coordenar uma obra no Theatro José de Alencar, em Fortaleza. A proposta era que aquela casa de espetáculos maravilhosa mantivesse as mesmas características de quando foi inaugurada há mais de um século, em 1910. Em pouco tempo vira rotina para Anabela passar as tardes naquele teatro antigo fazendo a lição de casa enquanto o pai trabalha. Mas essa reforma acaba desenterrando mistérios escondidos há muitos e muitos anos… Para a surpresa de Anabela, uma bailarina translúcida e vestida de azul aparece dançando no palco e passeando pelos corredores, perseguindo Anabela. O que será que ela está fazendo ali? E por que será que apenas a garota consegue enxergá-la? Quem é essa bailarina e por que ela aparece?

Companhia das Letrinhas

Cartas Lunares, Rui de Oliveira
Um astrônomo solitário descobre uma nova pequena estrela; um exímio cantor tenta convencer a tecla favorita do seu pianoforte a não lhe abandonar; uma princesa ajuda três amigos – a Chuva, o Raio e o Trovão – a encontrar trabalho; um rei sem castelo conhece uma semente cantora; um grande astrônomo prevê a passagem de um cometa, que não chega. Nesta nova edição de Cartas Lunares, o premiado ilustrador Rui de Oliveira acrescenta uma quinta história para completar este conjunto lunar. São contos líricos, sobre a amizade e o amor, escritos e ilustrados com uma delicadeza ímpar.

Alfaguara

O elefante e a porquinha: Elefantes não dançam!, Mo Willems
O elefante Geraldo está convencido de não sabe dançar. Então a Porquinha, que é sua melhor amiga, resolve ajudá-lo. Juntos, eles ensaiam vários passos. E quando parece que Geraldo realmente não conseguirá acompanhar as instruções da Porquinha, algo surpreendente acontece…Quem disse mesmo que elefantes não sabem dançar?

Poesia contemporânea

A coleção de poesia contemporânea da Companhia das Letras atualmente conta com seis autores: Fabrício Corsaletti, Alberto Martins, Antonio Fernando de Franceschi, José Almino, Zulmira Ribeiro Tavares e Fernando Moreira Salles. Para que você conheça um pouco mais do trabalho deles, pedimos que cada um lesse um verso de sua obra:

Veja também os poetas recitando alguns poemas que os inspiram.

Os poemas que inspiram nossos poetas

Acaba de chegar da gráfica Vesuvio, novo livro de Zulmira Tavares, que integra a coleção de poesia contemporânea brasileira da Companhia das Letras. Para marcar o lançamento, pedimos a todos os poetas da coleção que lessem um poema de um autor que os inspira. O resultado você confere abaixo:

Quatro dos poemas de Zulmira foram publicados na revista Piauí deste mês. Entre eles, “Travesti”:

Travesti

Prendeu a roupa no varal
e do outro lado dos lençóis
o mundo.

Esconde-se no branco lavado.
Não quer que o mundo, os outros a revelem

no sol que a incendeia.
E o seu nome é Radiância.

Quem o deu foi o doutor do Abrigo
sabedor dos que trazem na matalotagem
assombramento e luz.

Tendo por nome de chegada Cipriano
vindo da Paraíba ele
para São Paulo — Hoje

… Radiância ela,
no lusco-fusco das esquinas
___Rainha.

A caminho do trabalho, inscrições em trânsito


(Foto por Renata Virzintaite)

Em agosto a Companhia lançou Em trânsito, livro de poemas urbanos de Alberto Martins. Leia abaixo uma carta do autor, onde ele fala sobre suas inspirações, e o poema-dedicatória que abre o livro.

* * * * *

Conte um pouquinho a história do livro. Como você dividiu os poemas nas três partes que compõem o livro?

O livro surgiu a partir de 2000 mais ou menos. Nessa época, eu estava trabalhando no centro da cidade, no edifício Ester, e pegava ônibus e metrô todo dia. Comecei a prestar muita atenção na condição do transeunte e do transporte público. Depois me transferi para a [Editora] 34, que fica em frente ao rio Pinheiros, e comecei também a usar o trem da marginal Pinheiros. Assim, um núcleo de poemas, sobretudo os do início, A caminho do trabalho, tem a ver com essa condição de usar transporte coletivo, de estar na cidade, cruzar com pessoas na rua, no balcão de um café, de uma padaria, passear com o cachorro na rua. Tem a ver com essa existência pedestre.

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Semana catorze

Os lançamentos desta semana foram:

Em trânsito, de Alberto Martins
Os poemas de Em trânsito têm uma delicada linha narrativa, uma nítida espinha dorsal, visível quando o leitor acompanha o olhar do poeta em seu trajeto cotidiano para o trabalho e de volta para casa, e em seus pequenos trajetos aleatórios: são cenas corriqueiras, que transmitem a consciência constante de estar no mundo em companhia — e de partilhar a experiência dessa travessia com a multidão. A beleza desses poemas toca especialmente o leitor urbano, que busca definir e reconhecer seu trajeto no mundo apesar da infinidade de referências que o cerca e comprime.

Uma história de pinguim, de Antoinette Portis (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Imagine morar em um lugar onde só há o branco da neve, o azul do mar e o preto da noite. Para a pobre Edna, essas são as cores do mundo. Verdade verdadeira: ela mesma, pinguim que é, parece toda tintada de branco e preto, assim como seus amigos. Mas Edna não se conforma com essa paisagem tão pobrinha. Ela tem uma certeza das grandes e aposta qualquer coisa no fato de que existe, sim, “alguma outra coisa”. Até que, um dia, Edna e os demais pinguins recebem uma visita especial, bem chamativa, forte, brilhante! Adivinhe só…