alexandre barbosa de souza

Semana cento e cinquenta e três

Os lançamentos desta semana são:

O diabo no corpo, de Raymond Radiguet (Trad. Paulo César de Souza)
Em meio ao sofrimento das trincheiras da Primeira Guerra Mundial, a jovem esposa de um soldado em batalha inicia um caso com um adolescente de dezesseis anos, o narrador deste O diabo no corpo. O envolvimento entre os dois vai se tornando mais sério. Ela engravida. O falatório começa a se espalhar pela vizinhança. O cerco se fecha sobre os amantes. Um final trágico se anuncia. Quando publicado pela primeira vez, em 1923, o livro de estreia de Raymond Radiguet causou sensação nos círculos letrados de Paris — em parte por se tratar da produção de um prodígio, escrita quando seu autor tinha dezessete anos, em parte porque foi considerado uma obra-prima por autores como Jean Cocteau. Com tradução e posfácio de Paulo César de Souza, esta novela foi o único sucesso que Radiguet conheceu em vida. O autor faleceu poucos meses depois, de febre tifoide, aos vinte anos de idade.

Dix & Bisteca, de Rita Vidal e Alexandre Barbosa de Souza
Bisteca tem cor de caramelo, é vegetariano e passa horas a fio contemplando o vazio. Dix é preto, carnívoro e adora comer a ponta emborrachada dos grampos de cabelo. Do convívio apaixonado com os dois gatos e da observação fina de tantas manias curiosas nasceu este livro, que nos apresenta os dois felinos a partir de poemas inesperados e lindas ilustrações feitas com antigos papéis de parede.

Nova antologia pessoal, de Jorge Luis Borges (Trad. Davi Arrigucci Jr, Heloisa Jahn, Josely Vianna Baptista)
Nova antologia pessoal foi organizada pelo próprio Borges e publicada pela primeira vez em 1968. Em sua vasta atividade crítica, a organização de inúmeras antologias teve papel decisivo. Por meio delas, com os achados e a seleção de sua alta inteligência, fecundou seu ambiente literário, abrindo-o para traduções inéditas. Suscitou o diálogo com textos raros, desconhecidos ou reinventados; renovou o repertório dos autores considerados clássicos. Como antologista da própria obra, Borges não foi menos rigoroso. Tinha autocrítica severa com relação aos poemas da primeira juventude e vivia a reescrever os próprios textos. Esse trabalho pode ser visto na Antologia pessoal, originalmente de 1961, publicada pela Companhia das Letras na coleção Biblioteca Borges em 2008, e agora na Nova antologia pessoal. Mais generosa que a primeira, a Nova antologia traz um volume maior de textos e assuntos. A perplexidade metafísica, a memória dos mortos que se perpetua nos poemas, as imagens cifradas de uma língua pretérita, a linguagem, a pátria, o destino paradoxal dos poetas — esses e vários outros temas são nela recorrentes. A exemplo da anterior, esta antologia forma um caleidoscópio, em que pedacinhos de vidro recombináveis fantasiam as múltiplas faces da totalidade.

Os mortos, de James Joyce (Trad. Caetano W. Galindo)
Para um explorador da alma humana como James Joyce, o amor jamais poderia deixar de ser um tema de interesse. E, como não poderia deixar de ser no caso de um autor capaz de esmiuçar como ninguém a vida interior de seus personagens, suas visões sobre a experiência amorosa se descortinam por meio de reflexões reveladoras, suas tão comentadas epifanias. Como a de Gabriel Conroy — de “Os mortos”, conto que encerra a coletânea Dublinenses —, que numa festa descobre fatos novos sobre a vida afetiva pregressa da esposa e a partir de então começa a repensar sua relação conjugal e até mesmo seu próprio conceito de amor. Ou a epifania do protagonista de “Arábias”, outro conto do mesmo volume, um garoto que, incapaz de encontrar num bazar um presente para a menina por quem é apaixonado, descobre a falsidade por trás da ideia da idealização do amor romântico. Ou ainda a do célebre “sim” de Molly Bloom ao final de seu monólogo no último capítulo de Ulysses — um dos solilóquios mais lidos e admirados de todos os tempos —, aceitando Leopold Bloom em sua cama assim como a mítica Penélope acolheu de volta o herói da Guerra de Troia. Os mortos compreende três grandes momentos do amor na literatura, na prosa de um dos maiores escritores do século XX.

Lolô, de Grégoire Solotareff (Trad. Michaela Nanni)
O coelho Tom nunca tinha visto um lobo, e também não sabia que devia ter medo desse bicho que nós conhecemos tão bem e que aparece nas histórias como o senhor da braveza. Lolô, o lobo deste livro, também não tinha encontrado nenhum coelho na vida, tampouco sabia que deveria caçar esse animal tão bonzinho e saboroso. Assim, os dois se tornam melhores amigos e passam o dia se divertindo juntos. Mas, como sempre, uma coisa triste acontece e atrapalha tudo: Lolô inventa uma brincadeira chamada “medo-de-lobo” e assusta Tom além da conta. E agora?

Portfolio-Penguin:

Supertimes, de Khoi Tu (Trad. Peterso Rissatti)
O que a Pixar, os Rolling Stones, a Ferrari e a Cruz Vermelha têm em comum? Seu sucesso se deve a muito mais que o simples brilhantismo individual. Toda organização, seja uma empresa ou uma ONG, sobrevive ou desaparece pela qualidade de seu trabalho em equipe. A maioria dos desafios importantes exige uma reação coletiva e, embora a excelência individual seja essencial e necessária, a capacidade e a vontade de construir, liderar e trabalhar em equipe não raro representam a diferença entre sucesso e fracasso. Em Supertimes, Khoi Tu analisa os sete fatores que levam equipes a obter resultados sistematicamente extraordinários, emergindo ainda mais fortes das inevitáveis crises.

Semana cento e quarenta e sete

Os lançamentos desta semana são:

Bárbaro, de Renato Moriconi
Era uma vez um bravo guerreiro que montou em seu lindo cavalo e saiu em uma perigosíssima expedição. Ele lutou contra serpentes, gigantes de um olho só, sobreviveu a flechadas, enfrentou leões monstruosos, plantas carnívoras até que…

Vou ali e volto já, de Sávia Dumont
Há uma enormidade de segredos e tesouros esperando para serem descobertos por nós. Há aqueles que vêm lá de longe, dos tempos dos nossos avós e bisavós, com suas receitas mágicas e simples. Há outros que estão logo ali, escondidos no campo, entre as brincadeiras e os ramos de alecrim. Vamos juntos descobrir alguns desses mistérios?

A guerra da rua dos Siamipês, de Flavio de Souza
No fim da rua Professor Chiquinho de Souza, dois ipês (um amarelo e outro roxo) tomavam conta do pedaço: o Chris e a Flora ficavam tão perto um do outro que mais pareciam uma árvore só, com uma copa gigantesca e colorida. E é claro que o pessoal da rua estava sempre disputando a sombra deliciosa que eles faziam. Era ali que a turma dos Lobatos e os Hip-Hop tiveram que colocar um ponto final nas brigas para impedirem, juntos, que as árvores fossem arrancadas.

Totem e tabu, de Sigmund Freud (Trad. Paulo César de Souza)
Totem e tabu é um dos mais famosos e ousados trabalhos de Freud. Seu substituto — “Algumas concordâncias entre a vida dos homens primitivos e dos neuróticos” — não chega a dar ideia da riqueza dos temas que aborda, pois os quatro ensaios que o compõem tratam da origem da religião e da moralidade, ou seja, da própria civilização. Baseando-se em estudos de antropologia, biologia e história, Freud lança a conjectura de que o ato fundador da sociedade humana foi o assassinato do pai da horda primitiva pelos próprios filhos. Totem e tabu foi a primeira aplicação da psicanálise a questões de psicologia social.

Do que a gente fala quando fala de Anne Frank, de Nathan Englander (Trad. Claudio Alves Marcondes)
Com um talento peculiar para captar as risíveis contradições da alma humana que parece evocar os melhores filmes de Woody Allen, e com uma ironia devastadora digna dos romances de Philip Roth, o americano Nathan Englander se impôs — graças em grande parte a este novo volume de contos — como um dos mais agudos e divertidos observadores da cena contemporânea. Neste conjunto de ficções hilárias, o melhor humor judaico norte-americano ganha corpo renovado. Um livro celebrado como um dos mais altos momentos da ficção curta de nossos dias, com uma sequência absolutamente extraordinária de conversas e histórias tragicômicas.

Livro geral, de Alexandre Barbosa de Souza
Este Livro geral percorre vinte anos da poesia de Alexandre Barbosa de Souza com poemas de cada um dos livros que o autor publicou ao longo de sua carreira. Os poemas mais antigos conservam o mesmo frescor peculiar da época em que foram publicados, e em linhas gerais o que o livro apresenta é a juventude craquelada de um poeta que dá voz às experiências vividas.
Como a poesia do pernambucano Carlos Pena Filho, autor de outro Livro geral, de 1958, a de Alexandre não tem afetação nem frivolidade. A adesão ao cotidiano e às lembranças aqui não se dá como registro nem como reflexo, mas como afirmação de que um outro mundo é possível — pelo menos na poesia.

Nocilla dream, de Agustín Fernández Mallo (Trad. Joana Angélica d’Avila Melo)
Nocilla é uma pasta de chocolate com avelãs muito popular na Espanha, uma espécie de Nutella. É também a “musa” do grupo punk galego Siniestro Total, autor da canção “¡Nocilla, qué merendilla!”, que inspirou Agustín Fernández Mallo ao dar o título a seu ousado projeto, a trilogia Nocilla. É, ainda, o nome de uma nova geração de escritores espanhóis, que, tendo Mallo como expoente, investiga a sociedade de consumo, a mistura de gêneros literários e a liberdade narrativa. Nocilla dream, que pode sem agravo aceitar a etiqueta indie, bebe também de referências mais eruditas, sejam da física, da arte conceitual, da arquitetura pragmática ou da literatura. Se por vezes parece ter como maior inspiração O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar, tem também um quê de road movie — que fará o leitor se lembrar de Paris, Texas, de Wim Wenders — e de filme B americano. Os vários personagens que povoam estas páginas são todos freaks, outsiders, fracassados, cujas vidas mais se parecem com performances artísticas, carregadas de material poético.

Editora Paralela

Próxima parada: Marte, de Mary Roach (Trad. Donaldson M. Garschagen)
O espaço é um lugar desprovido de absolutamente tudo que precisamos para viver e prosperar: gravidade, oxigênio, banhos quentes, produtos frescos, privacidade… A exploração do espaço é, de certa forma, uma exploração dos limites humanos e do que, de fato, significa ser humano. De que luxos podemos abrir mão? Por quanto tempo? O que acontece com nosso corpo se ficarmos sem andar por um ano? Nem ter relações sexuais? Para responder a essas perguntas, as agências espaciais criam todo tipo de testes e simulações surpreendentemente bizarras. Com seu humor irônico e sua curiosidade insaciável, Mary Roach nos guia em uma viagem investigativa, provando — sem margem para dúvidas — que é possível ir ao espaço sem sair da Terra. Próxima parada: Marte é um livro para adultos que ainda sonham secretamente em ser astronautas. Afinal, quem nunca quis ser um?

Bate-papo: Jane Austen e tradução

Assista ao bate-papo sobre Jane Austen e tradução, com a editora Vanessa Ferrari e o tradutor Alexandre Barbosa de Souza.