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Semana duzentos e trinta e sete

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Glória incerta – A Índia e suas contradições, de Jean Drèze e Amartya Sen (Tradução de Ricardo Doninelli Mendes e Laila Coutinho)
Combinando economia, política, história e direito, Jean Drèze e Amartya Sen apresentam as transformações que aconteceram na economia e sociedade da Índia após a independência, em 1947, que deu fim a dois séculos de subjugação colonial britânica. O país adotou um sistema político democrático, com vários partidos, liberdade de expressão e amplos direitos políticos, e alcançou um crescimento econômico bem acelerado nas últimas três décadas, tornando-se uma das economias que crescem com maior velocidade no mundo.
Ocorreram, porém, grandes falhas, tanto na promoção de um crescimento participativo quanto na aplicação dos recursos públicos gerados pelo crescimento econômico para melhorar as condições de vida dos indianos.
Drèze e Sen oferecem uma análise poderosa das privações e desigualdades do país, bem como mostram a possibilidade de mudanças que seriam permitidas por uma prática democrática com uma compreensão mais clara da gravidade dessas privações.

O livro da gramática interior, de David Grossman (Tradução de Paulo Geiger)
Aos doze anos, Aharon Kleinfeld, segundo filho de uma família de refugiados judaico-polonesa, é a cabeça de seu grupo de amigos em um bairro de Jerusalém, Beit-haKerem. Enquanto se debate com as pulsões de uma sexualidade juvenil tão poderosa, entre 1965 e 1967 ele escuta e observa a realidade cotidiana do entorno, que com as peripécias da história vai se enchendo de feiura, violência e morte. Os canhões da Guerra de Seis Dias ressoam ao longe, mas Aharon já não os ouve mais. Rejeita a ideia de viver conforme a gramática que dita aos homens como deve ser a vida e se refugia na sua “gramática interior”, protegido desse mundo adulto que ele julga tão ameaçador.

O brilho do amanhã, de Ishmael Beah (Tradução de George Schlesinger)
Benjamin e Bockarie, dois amigos de longa data, retornam à sua cidade natal, Imperi, após o fim da guerra. O vilarejo está em ruínas, o chão coberto de ossos, as ruas desertas.
À medida que os antigos moradores começam a voltar, os dois assumem a liderança da nova comunidade, esforçando-se para reatar os laços há muito desfeitos: retomam seus antigo postos de professores, reconectam-se aos veteranos na tentativa de preservar as tradições locais.
Diversos obstáculos, porém, surgem à frente: escassez de alimentos, onda de assassinatos, roubos, estupros e retaliações. São ainda obrigados a enfrentar a destruição causada por uma companhia mineradora que ameaça cortar o abastecimento de água e bloqueia as ruas com fios elétricos.
Com a atmosfera etérea de um sonho e a clareza moral de uma fábula, O brilho do amanhã é um romance poderoso sobre o significado de preservar o que é mais importante, mesmo em tempos de incerteza.

Companhia de Bolso

Muito longe de casa, de Ishmael Beah (Tradução de Cecília Gianetti)
Aos doze anos, Ishamel Beah  fugiu do ataque de rebeldes e vagou por uma terra arrasada pela violência. Aos treze, foi recrutado pelo Exército do governo de Serra Leoa e descobriu que era capaz de atrocidades inimagináveis.
Este é um relato raro e hipnotizante, contado com força literária e uma honestidade de cortar o coração.

Seguinte

Eu sou Malala – Edição Juvenil, de Malala Yousafzai e Patricia McCormick (Tradução de Alessandra Esteche)
Edição juvenil da autobiografia da mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da Paz,
Malala Yousafzai tinha apenas dez anos quando o Talibã tomou conta do vale do Swat, onde ela vivia com os pais e os irmãos. A partir desse dia, a música virou crime; as mulheres estavam proibidas de frequentar o mercado; as meninas não deveriam ir à escola.
Criada em uma região pacífica do Paquistão totalmente transformada pelo terrorismo, Malala foi ensinada a defender aquilo em que acreditava. Assim, ela lutou com todas as forças por seu direito à educação. E, em 9 de outubro de 2012, quase perdeu a vida por isso: foi atingida por um tiro na cabeça quando voltava de ônibus da escola. Poucos acreditaram que ela sobreviveria.
Hoje Malala é um grande exemplo, no mundo todo, do poder do protesto pacífico, e é a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz. 

Paralela

Neil Patrick Harris – A autobiografia interativa, de Neil Patrick Harris (Tradução de Juliana Cunha e Guilherme Miranda)
Primeiro livro do premiado e querido ator americano, Neil Patrick Harris mistura realidade, ficção e muito humor. E o melhor: é o leitor quem escolhe qual vai ser o rumo da história. Em cada momento crítico, é o leitor quem decide como a trama vai continuar. Caso escolha corretamente, Neil Patrick encontrará fama, dinheiro e amor verdadeiro. Se o leitor fizer a escolha errada, o resultado será miséria, sofrimento e uma morte horrível com mordidas de piranhas.
Neil Patrick, apresentador do Oscar, combina episódios de sua vida, comentários afiados sobre o dia a dia das celebridades e bastidores de Hollywood. Ele fala ainda do seu começo de carreira como prodígio ator-mirim e do relacionamento com o também ator David Burtka, com quem se casou recentemente e tem dois filhos. E ainda tem mais: truques de mágica, receitas de drinks, fotos embaraçosas e até uma música para o “grand finale”.

Amor ao pé da letra, de Melissa Pimentel (Tradução de David Agne)
A agente literária Melissa Pimentel, assim como sua personagem, Lauren, se mudou de uma pequena cidade nos Estados Unidos para Londres de um dia para o outro. Assim como a protagonista, seu principal objetivo também era se divertir, sempre que possível acompanhada de britânicos sexy.
Infelizmente, Melissa logo descobriu que conquistar esses homens era mais difícil do que parecia, mesmo quando ela jurava não querer nada sério. Foi aí que surgiu a solução: decidiu seguir os conselhos dos mais populares livros de autoajuda para conquistar homens e criou um blog para narrar suas experiências.

 

Semana sessenta e oito

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Os lançamentos da semana são:

A ideia de justiça, de Amartya Sen (Tradução de Denise Bottman e Ricardo Doninelli Mendes)
O que precisa ser feito para que as injustiças mais evidentes do mundo contemporâneo sejam eliminadas ou, ao menos, atenuadas? Nas sociedades democráticas, as instituições do Estado trabalham pela aplicação equânime das leis ou são meros instrumentos de uma burocracia autorreferente? Partindo do ordenamento jurídico em vigor — que negligencia a realidade concreta dos cidadãos para privilegiar a formulação de arranjos institucionais —, que caminhos podem levar à construção de um planeta mais inclusivo e menos iníquo? Neste livro ao mesmo tempo rigoroso e inovador, Amartya Sen, prêmio Nobel de economia em 1998, retira o foco das utopias conceituais do direito para tentar responder as questões mais urgentes da cidadania, desviando-se das elucubrações sobre a essência da justiça ideal que, desde o Iluminismo, vêm balizando a ciência do direito. Sen traz as esperanças e necessidades das pessoas reais para o centro da discussão, sugerindo uma radical reavaliação das prioridades da justiça e da política.

Como vou?, de Mariana Zanetti, Renata Bueno e Fernando de Almeida
Podemos ir de um canto a outro das mais diversas formas, dependendo de onde moramos, de quanto tempo temos e, às vezes, de algumas das nossas preferências também. Quando vamos a um lugar do ladinho de casa é bom ir a pé; se moramos em uma cidade grande, tem até metrô; se é preciso atravessar o oceano, só mesmo de avião ou navio; e quem não gosta de ir até a casa do amigo de bicicleta? Nas brincadeiras infantis, os meios de transporte estão sempre presentes e levam as crianças até onde a imaginação mandar. Neste livro, três artistas arquitetos se uniram para falar sobre a nossa movimentação no espaço, seja embaixo da terra, na água ou no ar — para cada situação, um jeito diferente de se deslocar —, e usaram um pouco de tudo de que gostam na hora de ilustrar: colagem, lápis e tinta.

Denúncias, de Ian Rankin (Tradução de Álvaro Hattnher)
Malcolm Fox tem que ser exemplar. Como inspetor da Divisão de Denúncias da Polícia de Edimburgo, na Escócia, ele precisa manter a linha para não dar munição aos policiais corruptos que investiga. Mas o passado de alcoolismo e a tendência a passar por cima de autoridades fazem de Fox uma presa fácil para seus inimigos. Especialmente quando ocorre um assassinato em sua família. Suspeito do crime, Fox tenta encontrar o verdadeiro assassino, e descobre que o encarregado da investigação é seu próximo alvo na Divisão de Denúncias: o sargento-detetive Jamie Breck, acusado de fazer parte de uma rede de pedofilia na internet. Na busca pela verdade, Fox e Breck topam com outra morte e uma intrincada trama de interesses que envolve pessoas importantes da sociedade escocesa. Para conseguir resolver o crime, o inspetor precisa decidir em quem confiar — quando todos parecem estar contra ele.

A especulação imobiliária, de Italo Calvino (Tradução de Mauricio Santana Dias)
O protagonista de A especulação imobiliária, o sr. Anfossi, espécie de alter ego do autor, é um intelectual em crise com suas ideias, que volta à sua cidade natal, na Riviera da Ligúria, para incorporar um imóvel — o que, por motivos óbvios, acaba complicando ainda mais sua vida. Incapaz de lidar com os problemas da vida prática, Anfossi acaba envolvido numa série interminável de problemas causados por seu antagonista, o sr. Caisotti, construtor trambiqueiro e inescrupuloso. Em meio a uma legião de advogados, engenheiros, funcionários públicos e operários, Anfossi e sua família assistem impotentes ao desenrolar dos fatos. O fracasso da empreitada, porém, convive com o sucesso dos agentes que contribuíram para transformar a nova Itália num paraíso de arrivistas, negociatas e do turismo de massa. Sem conseguir realizar-se nem no campo das ideias, ao anti-herói deste romance ao mesmo tempo cômico e amargo resta a alternativa improvável de reinventar para si um novo modo de sobrevivência neste mundo que muda vertiginosamente.

A crônica dos Wapshot, de John Cheever (Tradução de Alexandre Barbosa de Souza)
Primeiro romance de John Cheever, A crônica dos Wapshot é o retrato de uma família tradicional e decadente da Nova Inglaterra, cenário dileto das narrativas ácidas e minimalistas do autor. Na pequena e depauperada cidade de St. Botholphs, o patriarca da família é operador de balsa, o que não é um grande emprego para quem descende de lendários comandantes de navio, mas ele vai levando a vida com a esposa e os filhos. Os filhos crescem, deixam a casa dos pais para começar vida própria em Washington e Nova York, e a narrativa passa a girar em torno deles. Os dois parecem reconquistar o lugar “de direito” da família, mas o individualismo exacerbado e a vacuidade de suas existências são a tônica desta que é uma das grandes narrativas familiares do século XX.