amélia pinto pais

Semana cento e seis

Os lançamentos desta semana são:

Mata!, Leonencio Nossa
Antes da construção de rodovias, a região do Bico do Papagaio era escassamente povoada. Depois do golpe de 1964, as atenções de setores da esquerda armada se voltaram para o grande potencial estratégico da área. A guerrilha maoista do PCdoB sonhava em conquistar o Brasil a partir do sudeste do Pará, mas foi brutalmente desbaratada pelas forças da ditadura entre 1973 e 1974. Os comunistas e simpatizantes presos foram torturados, e muitos deles assassinados a sangue-frio. A partir de um perfil biográfico do lendário Major Curió e da história da guerrilha e de seu extermínio – com base em documentos inéditos e depoimentos de vítimas, testeminhas e protagonistas da repressão militar -, o premiado jornalista Leonencio Nossa constrói um relato épico que associa a história recente a dois séculos de conflitos sangrentos no país.

Para compreender Fernando Pessoa, Amélia Pinto Pais
Antes de discutir se de fato seria possível compreender aquele foi um dos maiores poetas de todos os tempos, o que este livro pretende é apresentar didaticamente a vida e a obra de Fernando Pessoa. Nos primeiros capítulos, são introduzidos dados biográficos, o contexto da época em que Pessoa viveu e seu percurso literário. A seguir, cada capítulo é dedicado a um de seus heterônimos e explica como foram concebidos, o que há em comum entre eles e quais as características que os distinguem. Para compreender Fernando Pessoa é, acima de tudo, uma oportunidade de conhecer alguns dos mais belos poemas do mundo e, por isso, de conhecer também a nossa língua, a mesma daquele que, nas palavras do seu semi-heterônimo Bernardo Soares, disse/; “A minha pátria é a língua portuguesa”.

Sabadão joia, Flavio de Souza
Dez anos depois de um passeio joia num certo domingão, a família do Zeca enche o porta-malas da Vânia pra descer a serra – num belo sabadão. Desta vez, a avó Bibi não se conforma que a estrada não tem mais curvas; o Zeca quase se perde no meio do caminho; o cachorro Sauro, que por pouco não fica em São Paulo, quase é esquecido em Santos; o filho mais velho, o Teo, pula de paraquedas se, avisar ninguém; e a bebê Lalá fala a primeira palavra, encontrando a chave da Vânia e salvando todo mundo!

Amsterdam, Ian McEwan (Tradução Jorio Dauster)
Dois amigos, um jornalista e um compositor, fazem um pacto que os envolve numa trama macabra. A partir desse mote, os eventos em Amsterdam revelam, com humor e sutileza, o verdadeiro caráter dos personagens, nesse romance que discute os limites do egoísmo e da moralidade.

Semana dezenove

Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt (Tradução de Rosa Freire d’Aguiar, José Rubens Siqueira, Antonio Carlos Viana e Dorothée de Bruchard)
Entremeando a narrativa do cativeiro com reflexões sobre a morte, a liberdade e o poder, Não há silêncio que não termine reconstitui com implacável lucidez o período de mais de seis anos que Ingrid Betancourt passou no inferno verde da selva amazônica em poder das Farc, a principal organização guerrilheira da Colômbia. Leia dois post sobre o trabalho de edição do livro: “Seis anos na selva, quatro meses de trabalho”, da editora-assistente Lucila Lombardi, e “Originais aos pedaços”, do colunista Luiz Schwarcz.

Seu rosto amanhã – vol. 3, de Javier Marías (Tradução de Eduardo Brandão)
O narrador deste ambicioso thriller metafísico, Jacques ou Jaime ou Jacobo Deza — o ex-professor da Universidade de Oxford que, ainda no primeiro volume, decide voltar à Inglaterra e se juntar a um grupo de velhos espiões do núcleo do Serviço Secreto britânico que atuaram contra o nazismo —, acaba conhecendo aqui os inesperados rostos dos que o rodeiam e também o dele. Descobre então que, sob o mundo mais ou menos tranquilo em que os ocidentais vivem, sempre lateja uma necessidade de traição e violência que é inoculada em nós como um veneno.

No buraco, de Tony Bellotto
Em seu novo romance, Tony Belloto mimetiza às avessas sua história para contar com humor ácido e contundente as aventuras de Teo Zanquis, um tipo solitário, que atingiu muito rápido seu apogeu para, em seguida, com a mesma rapidez, mergulhar no mais retumbante esquecimento. Agora ele caminha sem ilusões para a velhice, mas isso não impede que Teo busque o amor no corpo de uma jovem coreana, nem que estreite laços de amizade com figuras de quem ele jamais imaginaria se aproximar em seus tempos de semi-ídolo do rock nacional, como a dona Gladys, velha e excêntrica vizinha da quitinete onde ele mora.

Os anéis de Saturno, de W.G. Sebald (Tradução de José Marcos Mariani de Macedo)
Internado no hospital, o narrador deste poderoso romance tece o relato de uma caminhada de um ano pelo leste da Inglaterra, investigando a história, a arte e a natureza numa mistura de autobiografia, ensaio, narrativa histórica e prosa de ficção. A lucidez, a originalidade e a beleza descritiva de Sebald resultam numa narrativa hipnotizante, que remete a influências como Jorge Luis Borges, Thomas Bernhard e Joseph Conrad.

Livro da vida, de Santa Teresa d’Ávila (Tradução de Marcelo Musa Cavallari)
Livro da vida, o clássico mais lido pelos espanhóis depois de Dom Quixote, é a autobiografia de uma mulher que conta, entre outros feitos, a experiência de seu contato direto com Deus, numa prosa que mistura conversa de freira, romance de cavalaria e teologia mística. Em notável prefácio, escrito especialmente para esta edição, Frei Betto descreve Teresa da seguinte maneira: “Feminista avant la lettre, esta monja carmelita do século XVI, ao revolucionar a espiritualidade cristã, incomodou as autoridades eclesiásticas de seu tempo, a ponto de o núncio papal na Espanha, Dom Felipe Sega, denunciá-la, em 1578, como ‘mulher inquieta, errante, desobediente e contumaz’”. Esta edição traz também uma esclarecedora introdução de J. M. Cohen, especialista em literatura de língua espanhola e um dos mais notáveis homens de letras da Inglaterra no séc. XX.

Sete suítes, de Antonio Fernando de Franceschi
O contraponto entre a musicalidade das palavras e o rigor da composição, entre a maneira que tem o poeta de entrar no assunto com leveza e de ao mesmo tempo conferir-lhe a força da revelação, caracteriza o poeta Antonio Fernando De Franceschi, não deixando dúvida quanto à importância dessa poesia mineral, feita de pedras, de paisagens bruscas e desse outro minério que é o produto da memória. Os temas das sete suítes são “Pirassununga” (memórias da infância), “Asa e vento” (uma contraposição entre passado e presente), “As formas clássicas”, “As palavras”, “Poços de Caldas”, “Retratos” e “Inquietudes”.

Padre Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa, de Amélia Pinto Pais (Ilustrações de Mariana Newlands)
Escrito como uma autobiografia, o livro traz os principais acontecimentos da vida de Antônio Vieira, além de trechos de seus mais conhecidos sermões e de sua correspondência. O volume inclui ainda dois anexos: um texto explica a estrutura de um sermão e outro contextualiza a ação da Inquisição. Dirigido aos jovens leitores, Antônio Vieira, o imperador da língua portuguesa pretende despertar neles o gosto por conhecer a vida e a obra deste que é um dos maiores prosadores da nossa língua.

Quem soltou o Pum?, de Blandina Franco (Ilustrações de José Carlos Lollo)
A história é simples, mas a sacada é das boas: imagine um cachorrinho de estimação que se chama Pum! Daí dá para tirar diversos trocadilhos, criando frases e situações realmente hilárias. É um tal de não conseguir segurar o Pum, que é barulhento e atrapalha os adultos, que dizem que o Pum molhado, em dia de chuva, fica mais fedido ainda, o que faz o menino passar muita vergonha. Pobre Pum. E pobre dono do Pum! Mas não tem jeito, com o Pum é assim mesmo: simplesmente ninguém consegue evitar que ele escape e cause certos inconvenientes.