amyr klink

Cem reuniões entre céu e mar

Por Fabio Uehara


Imagem exclusiva do aplicativo do livro Cem dias entre céu e mar, de Amyr Klink

Lembro da primeira vez em que li Cem dias entre céu e mar, de Amyr Klink. Como era possível um homem atravessar o Atlântico sozinho remando? Aquele oceano imenso que no meu atlas era maior que tudo, aquele azulão que dividia o Brasil da África, enquanto na minha mente infantil só tinha como referência uma praia onde eu havia remado exaustivamente no caiaque do meu tio. Se uma praia era tão imensa, imagine então um oceano. E o livro do Amyr mostrava aquela aventura inimaginável, cheia de encontros com animais selvagens, das dificuldades de passar tanto tempo só e, claro, enfrentar o Oceano, que parecia personificado em alguém a ser combatido e transposto.

Agora, trabalhando aqui na Companhia das Letras, em uma reunião que começamos a falar em ebooks, apps e afins, foi proposto fazer este livro para aplicativo em iPad. Imagine a minha felicidade: juntar aquele espírito aventureiro e empreendedor do Amyr com os recursos desta tábua digital!

Começaram então as reuniões: quem vai produzir conosco? Quais recursos iremos usar? Como iremos fazer? Para entrar neste mar, escolhemos a empresa Fluida, capitaneada pelo Daniel Mendes – afinal a Companhia das Letras faz cerca de 30 livros por mês, mas seria o primeiro aplicativo para iPhone e iPad. Apenas tínhamos molhado os pés no mundo eletrônico quando fizemos CD-Rom multimídia para o selo Letrinhas.

Logo pensamos em fazer o menu inicial como se fosse um mapa, mostrando capítulo a capítulo o avanço de um barco. Mostraríamos o barco em várias visões e todos os seus equipamentos. As reuniões foram avançando, detalhes foram se definindo, as pessoas foram enlouquecendo: “e agora o que fazemos com este botão? É melhor ser arredondado? Esta caixa poderia sumir? E as legendas? Temos de colocar as fotos! Mas elas são de época! A qualidade não é tão boa, mas são documentos! Cuidado com o mapa das correntes! E o mapa com os encontros e aventuras! A baleia foi antes! O desenho interno do barco está com a linha meio torta!”. E eu enlouquencendo o Daniel, que com toda a sua paciência e competência conseguiu resolver todos os problemas. E o Amyr e sua equipe sempre tão prestativa para não fazermos nenhuma besteira.

Foram 356 dias exatos, desde a primeira reunião até a Apple colocar no ar na App Store. Quando baixei o primeiro “exemplar” me senti novamente uma criança, descobrindo este novo mundo. E de quebra ainda conheci o Amyr Klink pessoalmente!

Foi o primeiro App que criamos (o do livro Quem soltou o Pum? foi o primeiro a ficar pronto). Foi difícil, mas vai ser o primeiro de muitos. Que sejam melhores, em todas as plataformas!

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Fabio Uehara é designer, fã de gadgets e produtor gráfico da Companhia das Letras, onde coordena o departamento de arte dos selos Companhia das Letras, Cia. das Letras e Companhia de Bolso.