andré botelho

Dentre duas coletâneas e uma novidade

Por Lilia Moritz Schwarcz e André Botelho

Quando organizamos o livro Agenda Brasileira: temas de uma sociedade em mudança, em 2011, não tínhamos noção da importância que o assunto teria para um público leigo e carente de obras desse tipo. Na verdade, a ideia dessa coletânea veio após uma primeira experiência de bastante sucesso. Fazemos parte de um conjunto de acadêmicos nacionais que a cada ano se reúne num encontro chamado ANPOCS — Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais —, integrando um grupo de trabalho denominado “Pensamento social”. Como diz Jorge Luis Borges, muitas vezes se inventa o nome antes, e depois se dá sentido a ele. O fato é que o grupo foi crescendo durante seus mais de trinta anos de existência, e aos poucos o tema virou uma área e seus componentes, especialistas. Hoje, nos vários centros universitários do país, discute-se a importância dos intérpretes nacionais, e a maneira como eles realizaram uma agenda para o Brasil, não sendo mais necessário defender a relevância do enfoque ou do recorte temático.

Mas seria um tanto simplista supor que apenas um grupo como esse poderia ser responsável por tarefa de tal tamanho: mostrar a importância dos intelectuais nacionais. Se nunca é fácil dizer o que veio antes — a fome ou a vontade de comer —, o importante é que a demanda por esse tipo de questão, que envolve o próprio exercício da cidadania, foi crescendo. Juntando, então, a longa experiência do grupo, fizemos a coletânea Um enigma chamado Brasil, em 2009, reunindo o conhecimento dos colegas acerca de vários intérpretes nacionais. A boa recepção do livro não se restringiu, porém, (e para nosso espanto) ao nosso grupo específico, muito menos aos acadêmicos em suas salas, mas ganhou a sociedade, despertando o interesse do público leigo (e levando até um Jabuti na categoria de Ciências Sociais).

Claro que a ignorância era nossa, que, de tanto estudarmos nossos livros, quiçá, descuramos da recepção. O importante é que a felicidade da primeira empreitada nos fez arriscar uma segunda — a coletânea de 49 artigos chamada Agenda Brasileira — e, agora, partir para uma coleção em que a cada livro abrimos e desenvolvemos um tema de maneira especial e separadamente.

A coleção “Agenda Brasileira” foi lançada no final do ano passado com a publicação dos seus quatro primeiros títulos: Índios no Brasil, de Manuela Carneiro da Cunha, Nem preto nem branco, muito pelo contrário, de Lilia Moritz Schwarcz, As figuras do sagrado, de Maria Lucia Montes, e Cidadania, um projeto em construção. Se esse último texto foi organizado tendo como base alguns verbetes do livro Agenda Brasileira e um texto novo também escrito por nós dois, os demais trazem artigos clássicos, de ampla aceitação na comunidade acadêmica, e devidamente desenvolvidos para essa nova publicação.

A relevância política do assunto para o Brasil contemporâneo constitui o critério de escolha dos temas dos livros já publicados e dos que estão por vir. Por outro lado, além de profundo conhecimento sobre os temas, os autores convidados para compor esta coleção prezam pela clareza e concisão da linguagem. Essas nos parecem ser qualidades fundamentais para que assuntos complexos possam ser tratados de modo coerente por professores e alunos, tanto de ensino médio como de universidades, e interessados em entender a nossa sociedade, sua história, impasses e possibilidades no presente. Esse é um desafio tão novo como premente para professores universitários, que andam cada vez mais preocupados com a difusão ampla do conhecimento. A difícil equação é como acomodar pesquisa de ponta com uma linguagem que não se limite aos muros da academia. Se durante muito tempo essa não pareceu ser uma preocupação dos investigadores, o momento é hoje diferente e pede para que não sejam mais vistas com preconceito publicações que visam um público amplo.

Além do mais, como a disciplina Sociologia passou a integrar recentemente o currículo obrigatório no ensino médio em todo o território nacional, parece ser hora de encarar a tarefa como mais uma das atividades dos profissionais do ensino superior. Quem sabe essa seja uma nova maneira de construir pontes, unir e tornar ainda mais interessantes os diálogos possíveis entre a universidade e o ensino médio e fundamental. Ao abordar temas como cidadania, religião, racismo e outros, a coleção “Agenda Brasileira” oferece um ponto de partida consistente e original para o conhecimento daqueles que, como nós, acreditam no fortalecimento do país através do debate e do exercício pleno da cidadania democrática.

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André Botelho é professor do Departamento de Sociologia da UFRJ e pesquisador do CNPQ e da FAPERJ. Escreveu, entre outros, Aprendizado do Brasil (Editora da Unicamp, 2002) e O Brasil e os dias: Estado-nação, modernismo e rotina intelectual (Edusc, 2005).

Lilia Moritz Schwarcz é professora titular no Departamento de Antropologia da USP, além de autora de O espetáculo das raçasAs barbas do imperador (vencedor do prêmio Jabuti na categoria ensaio), D. João carioca (em coautoria com Spacca) e O sol do Brasil (vencedor do prêmio Jabuti na categoria biografia), entre outros.

Semana cento e trinta e sete

Os lançamentos desta semana são:

Como ser babá do vovô, de Jean Reagan (Trad. Érico Assis)
Cuidar do vovô pode ser muito divertido — basta saber como é que se faz. Nas páginas deste livro, você vai descobrir dicas essenciais, que incluem: como brincar com o vovô, coisas para se fazer num passeio, lanches que o vovô gosta. Assim, da próxima vez que ele vier, você já vai estar preparado, com os lápis de cera, os tubarões de pelúcia e o ketchup a postos!

O mundo de Tainá, de Cláudia Levay
Olá! Meu nome é Tainá e eu moro na Floresta Amazônica, um lugar cheio de histórias, povos, bichos e plantas que você talvez não conheça. Já ouviu falar do tupi? Essa língua era falada há muito tempo no Brasil pelos índios e colonizadores que viviam por aqui, e várias palavras desse idioma acabaram virando parte do português e são muito usadas por todo mundo até hoje. Neste livro, eu explico o que quer dizer abacaxi, arara, capim e muitas outras palavras na língua dos índios e também conto algumas lendas que todas as crianças daqui da floresta conhecem. Com certeza você vai se divertir bastante — afinal, no Brasil todo mundo tem coração de índio!

Cidadania, um projeto em construção, de André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz
Definir com exatidão o significado de cidadania não é tarefa fácil. Desde a Antiguidade, o termo foi sendo adaptado às novas práticas políticas, sociais e econômicas. Mas se existe um fio condutor, ele certamente diz respeito às relações do indivíduo com a sociedade, e talvez por isso hoje esteja tão ligado à luta dos cidadãos pelos direitos civis e políticos. Os textos aqui reunidos tratam de alguns dos principais temas do Brasil contemporâneo: o acesso à justiça, o combate à desigualdade, a distinção entre o público e o privado, a liberdade de culto, a segurança pública, a luta contra o racismo, o reconhecimento da diversidade sexual e a defesa do meio ambiente, temas tão complexos quanto cruciais, cujo debate de ideias é fundamental para a formação desse imenso projeto em construção chamado cidadania.

Nem preto nem branco, muito pelo contrário, de Lilia Moritz Schwarcz
Publicamente, em entrevistas à imprensa e pesquisas de opinião, a discriminação racial é condenada por unanimidade pela população brasileira. No entanto, apesar de não se declararem racistas, quase todos os brasileiros afirmam conhecer alguém que seja. A existência do preconceito é reconhecida, mas sua prática é sempre atribuída ao outro. O racismo ganha assim contornos de uma estranha invisibilidade: apesar de não aparecer na forma de políticas oficiais ou manifestações públicas abertamente discriminatórias, está presente nos contatos mais elementares das relações cotidianas. Em Nem preto nem branco, muito pelo contrário, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz aborda um dos temas mais recorrentes na discussão sobre racismo no Brasil: a ambiguidade. Em um estudo abrangente, que trata das relações sociais no país desde a época colonial, este ensaio revela que existe muito mais entre o branco e o preto no Brasil contemporâneo do que supõe o velho mito da democracia racial.

Índios no Brasil, de Manuela Carneiro da Cunha
Nos textos aqui reunidos, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha desfaz preconceitos recorrentes e responde a perguntas muitas vezes levantadas: como se determinou a configuração dos territórios indígenas? Quais os fundamentos dos direitos indígenas consagrados na Constituição? Quem pode ser considerado índio? A autora resgata, assim, a história dos índios no Brasil e a história da política indigenista. Mostrando como as ideias de progresso e desenvolvimento mudaram desde os anos 1970, como se conferiu novo valor à diversidade cultural e como foi abandonada a proposta de assimilação, de que eles deveriam “ser como nós”, Índios no Brasil debate a relevância dos povos indígenas para um projeto democrático de futuro.

As figuras do sagrado, de Maria Lucia Montes
O Brasil não é mais um país cuja religiosidade pode ser medida pelo número de católicos. A implantação do Estado laico, a chegada das igrejas protestantes, a ascensão do espiritismo e dos cultos afro-brasileiros e a influência crescente das igrejas pentecostais e de diferentes formas de misticismo foram alguns dos motivos que tiraram a igreja católica do centro da religiosidade no país. Historicamente influenciado pela religião, que por quatro séculos esteve associada à vida pública, o Brasil assistiu a vida social se tornar múltipla e fragmentária, sendo então o indivíduo, que não tinha mais uma única força para orientar a sua conduta, convidado a depender cada vez mais de si para eleger os valores que lhe são significativos. As figuras do sagrado faz uma análise importante desse tema central da vida brasileira e mostra que a sua complexidade vai muito além da constatação do tão aclamado sincretismo religioso.

Ceci e o vestido do Max, de Thierry Lenain (Trad. Marcela Vieira)
Max quer de todo jeito que Ceci use um lindo vestido de princesa cheio de laços e fru-frus. Mas ela odeia essas coisas de menina e decide que só vai experimentá-lo se Max fizer o mesmo antes. Será que ele topa?

O segredo do lago, de Arnaldur Indridason (Trad. Álvaro Hattnher)
Uma pesquisadora especializada em hidrologia faz medições no lago Kleifarvatn, nas proximidades de Reykjavík. O lago está quase seco, graças a um fenômeno de drenagem natural, e no leito de areia a cientista encontra um esqueleto com um buraco no crânio. Chamada ao local, a polícia descobre que a ossada está amarrada a um antigo dispositivo transmissor russo — graças ao peso do aparelho, o cadáver deve ter permanecido submerso por décadas. O inspetor Erlendur, seu assistente Sigurdur Óli e a detetive gourmet Elínborg mergulham  em uma investigação que os fará reconstituir um crime ocorrido muitos anos antes, mas que continua a refletir na vida cotidiana e na memória dos moradores da capital da Islândia. Nesta história que recua para os tempos da Guerra Fria e alterna-se entre a Reykjavík atual e a Leipzig da Alemanha Oriental dos anos 1950, o consagrado autor islandês Arnaldur Indridason constrói uma intrincada trama investigativa e existencial, que surpreende o leitor até as últimas páginas.

Origens do totalitarismo, de Hannah Arendt (Trad. Roberto Raposo)
Publicado pouco depois da Segunda Guerra Mundial, em 1951, este livro é considerado a história definitiva dos momentos políticos totalitários e um marco na obra de Hannah Arendt. No ensaio, a autora elucida o crescimento do antissemitismo e analisa o imperialismo colonial europeu, para então centrar-se nos dois principais regimes totalitários da nossa era, a Alemanha nazista e a Rússia stalinista. A transformação de classes em massas, o papel da propaganda e o uso do terror são fatores essenciais, segundo Arendt, para o funcionamento desse tipo de regime. Como destaca o professor Celso Lafer, “a incisiva e inesgotável sugestividade do abrangente pensamento de Hannah Arendt torna este livro ponto de referência indispensável para a reflexão político-filosófica no mundo contemporâneo”.

Editora Paralela

A menina que fazia nevar, de Grace McCleen (Trad. Renato Prelorentzou)
Judith McPherson e seu pai têm uma rotina simples e reclusa, numa casa repleta de lembranças da mãe que ela nunca conheceu, e as únicas pessoas com quem convivem são os fiéis da igreja a que pertencem. Judith não tem amigos na escola, onde é alvo de gozações, e para encontrar consolo se refugia no mundo de sucata que construiu em seu quarto, onde pode ser feliz graças a sua imaginação. Basta acreditar que a Terra Gloriosa — sua maquete — é realmente o paraíso prometido onde um dia vai viver ao lado da mãe. O que nem Judith poderia imaginar é que talvez seu brinquedo seja mais do que uma simples maquete. Pelo menos é o que parece quando ela cobre a Terra Gloriosa de espuma de barbear e a cidade aparece coberta de neve na manhã seguinte. Um pequeno milagre, é assim que ela interpreta esse e outros sinais parecidos. Tão pequeno que muitas pessoas poderiam pensar que não passa de coincidência, mas Judith sabe que milagres nem sempre são grandes, e que reconhecê-los é um dom de poucas pessoas. Longe de ser benéfico, no entanto, esse poder traz consigo uma grande responsabilidade. Afinal, seria certo usar a Terra Gloriosa para se vingar de Neil Lewis, o colega que a maltrata todos os dias na escola? Às vezes, nosso ato mais bem intencionado pode ter resultados desastrosos.

Semana cento e vinte

Os lançamentos desta semana são:

Freud: uma biografia em quadrinhos, de Corinne Maier e Anne Simon (Trad. Sandra M. Stroparo)
Mais de setenta anos após sua morte, o inventor da psicanálise continua a exercer grande influência em inúmeras áreas do conhecimento. Medicina, ciência da informação, crítica literária e sociologia são apenas algumas das disciplinas em que as descobertas do austríaco Sigmund Freud (1856-1939) sobre a psique humana permanecem fomentando investigações.
Por meio do estudo atento de nossos sonhos, desejos e fobias, Freud revelou novas dimensões do ser. Como o próprio autor de A interpretação dos sonhos certa vez afirmou, toda a sua obra é uma tentativa de “libertar a humanidade”
da opressão e da culpa. Este livro, realizado em parceria pela dupla francesa Corinne Maier (texto) e Anne Simon (ilustrações), mostra os principais momentos da fascinante biografia de Freud num registro leve e bem-humorado.

Totem e Tabu, contribuição à história do movimento psicanalítico e outros textos, de Sigmund Freud (Trad.Paulo César de Souza)
O volume 11 das Obras completas de Sigmund Freud traz um de seus textos mais conhecidos: “Totem e tabu”, acompanhado por “Contribuição à história do movimento psicanalítico” e outros textos. “Totem e tabu” foi a primeira aplicação da psicanálise a questões de psicologia social. A “Contribuição à história do movimento psicanalítico” descreve o desenvolvimento inicial da psicanálise e foi escrita com intenção polêmica, depois que dois dos principais discípulos de Freud, Alfred Adler e C. G. Jung, divergiram do mestre. “O interesse da psicanálise” procura sintetizar tudo o que na nova disciplina podia ser de interesse para a psicologia e para as outras ciências – entre essas, a linguística, a filosofia, a biologia, a antropologia, a história, a sociologia e a estética. “Sobre a fausse reconnaissance no trabalho psicanalítico” explica o fenômeno de o paciente afirmar já ter dito algo, quando na realidade não o fez. Por fim, o ensaio sobre o Moisés de Michelangelo oferece uma nova descrição e interpretação da célebre estátua do gênio renascentista.

Quincas Borbade Machado de Assis
Publicado pela primeira vez em livro em 1891, depois portanto de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881) e antes de Dom Casmurro (1899), Quincas Borba é uma das obras mais marcantes da fase realista de Machado de Assis. É uma das mais interpretadas pelos mais diversos críticos: trata-se de um dos mais penetrantes estudos desumanização escritos em língua portuguesa. Narrado com o ceticismo e a ironia implacável tão presentes na obra machadiana, o romance conta a história do provinciano Rubião ― herdeiro do filósofo Quincas Borba ― em meio a um triângulo amoroso que o leva à ruína moral e financeira. Esta edição de Quincas Borba, além de mais uma centena de notas explicativas, traz uma extensa e abrangente introdução do britânico John Gledson, estudioso da obra machadiana e tradutor de Dom Casmurro para o inglês.

De olho em Mário de Andrade, de André Botelho
A trajetória de Mário de Andrade está profundamente ligada à moderna cultura brasileira. Líder do movimento modernista, Mário participou da Semana de 22, em São Paulo, escreveu obras importantes, como Macunaíma, e, acima de tudo, viveu intensamente o espírito modernista nas mais diversas esferas. Nas artes, procurou promover o diálogo criativo entre formas populares e eruditas; a partir da música, estudou e refletiu sobre as mais variadas manifestações artísticas; como intelectual e homem público, experimentou e praticou a tão almejada renovação cultural. O sociólogo André Botelho apresenta esse grande personagem, chamando atenção para a atualidade do legado intelectual de Mário de Andrade, que, ao fim e ao cabo, tornou o Brasil mais familiar aos brasileiros. Um poeta, romancista, professor e leitor inverterado, que um dia se definiu dizendo: “Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cinquenta”.

Páginas sem glória, de Sérgio Sant’Anna (assista ao booktrailer)
Trinca de ases na mesa. Três ficções de um consumado mestre das formas breves, que volta a confirmar sua única fórmula: nunca se repetir ― sem trair suas obsessões de cabeceira. Nestas páginas retornam muitos dos elementos que identificam e magnetizam a prosa de Sérgio Sant’Anna: o jogo voyeurístico de espelhos e simulacros, a subjetividade fraturada, o clima de violência sexual, de pulsões obscuras. São, porém, mobilizados por novo impulso, representados por outros ângulos e com tonalidades diversas. A rodada é aberta com o naipe da ficção radical,num conto em que a crítica da narrativa toma o lugar da própria e desdobra em cascatas de vozes e sentidos, tendo no âmago a angústia do amor mal correspondido e a impotência da vontade. Na cartada seguinte, certo enviesado neorrealismo hardcore se apresenta na voz de um mendigo messiânico, com fome de operar milagres. E fechando a mão, o trunfo maior desta jogada: uma pequena obra-prima de ficção memorialista no ambiente do futebol, mas que transcende esse campo com uma tragicomédia de subúrbio para a qual Nelson Rodrigues tiraria o chapéu.

Joseph Anton, de Salman Rushdie (Trad. Donaldson M. Garschagen)
“Ah, não se preocupe muito, Khomeini sentencia o presidente dos Estados Unidos à morte toda sexta-feira.” Carregado de humor sardônico, o consolo ouvido de um correspondente estrangeiro logo após a decretação de sua sentença de morte naturalmente se revelaria sem fundamento para Salman Rushdie. Ao longo de mais de uma década, diversos grupos terroristas islâmicos perseguiram o autor de Os versos satânicos com determinação implacável. Rushdie foi proibido pelas autoridades indianas de pisar o solo do seu próprio país, sob o pretexto de prevenir distúrbios religiosos. As companhias aéreas de quase todo o mundopassaram a recusar a transportá-lo. Muitas editoras suspenderam ou adiantaram a publicação de seus livros. Até 2002, quatro anos após a revogação formal da fatwa, ele teve de sobreviver entre diversos esconderijos, além de assumir o pseudônimo de Joseph Anton, título desta corajosa autobiografia que reconstitui o período em que Rushdie precisou viver escondido, sob a proteção de policiais armados, e lutar pela liberdade de expressão.

Editora Seguinte

A seleção, de Kiera Cass (Trad. Cristian Clemente)
Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria apenas ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto. Um dia, America topa se inscrever na Seleção  só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa. Mas é claro que seu nome aparece na lista sas Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma…

Editora Paralela

21/12, de Dustin Thomason (Trad. Marcelo Barbão)
Em Los Angeles, nem todo mundo acreditava que o mundo acabaria em 21 de dezembro de 2012: luzes vermelhas e verdes decoravam cada canto da cidade para as festas de fim de ano. Mas quando uma doença altamente transmissível começa a se espalhar pela humanidade deixando as pessoas insones ― e descobre-se que seu surgimento está intrinsicamente ligado ao aparecimento de um antigo manuscrito maia ―, até os mais céticos começam a temer o fim do mundo.

Vencedores do 52º Prêmio Jabuti


(Foto por Danilo Máximo)

O Prêmio Jabuti, organizado pela Câmara Brasileira do Livro, divulgou hoje de manhã os vencedores da edição de 2010. Abaixo você vê os livros premiados da Companhia das Letras; a lista completa está no site do Jabuti. Estamos muito felizes porque, além de tudo, a Companhia foi a editora com mais obras premiadas este ano! Parabéns a todos os autores e colaboradores!

Romance:
2º – Leite derramado – Chico Buarque

Juvenil:
1º – AvóDezanove e o segredo do soviético – Ondjaki

Infantil:
2º – Carvoeirinhos – Roger Mello
3º – A visita dos 10 monstrinhos – Angela-Lago

Ciências humanas:
3º – Um enigma chamado Brasil – André Botelho, Lilia Moritz Schwarcz

Poesia:
3º – Lar, – Armando Freitas Filho

Biografia:
2º – Padre Cícero – Poder, fé e guerra no Sertão – Lira Neto

Reportagem:
1º – O leitor apaixonado – Prazeres à luz do abajur – Ruy Castro

Teoria e crítica literária
1º – A clave do poético – Benedito Nunes
2º – O controle do imaginário & a afirmação do romance – Luiz Costa Lima

Capa:
1º – O resto é ruído – Alex Ross (capa por Retina_78)

Tradução de obra literária do espanhol para o português:
1º – Purgatório – Tomás Eloy Martínez (tradução por Bernardo Ajzenberg)

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O Jabuti agora abriu a votação para o melhor livro de ficção e de não-ficção escolhido por Júri Popular : basta ir na página do prêmio e votar no seu favorito de cada categoria. Para facilitar a sua decisão, clique nas capas abaixo e leia um trecho de cada livro: