André Dahmer

10 livros nacionais lançados (até agora) em 2016

Na nossa última lista, apresentamos alguns lançamentos estrangeiros do Grupo Companhia das Letras que saíram até o último mês. Agora chegou a vez de conhecer alguns dos nossos lançamentos nacionais para não deixar nenhum livro de fora da sua lista de futuras leituras. Saiba mais sobre as melhores ficções e não ficções brasileiras publicadas até agora em 2016!

1) Outros cantos, de Maria Valéria Rezende

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No final de 2015, Maria Valéria Rezende ganhou o prêmio Jabuti por Quarenta dias. Logo depois, no comecinho de 2016, mais um livro da escritora que vive em João Pessoa foi lançado pela Alfaguara. Em Outros cantos, ela apresenta uma narrativa comovente sobre passado e futuro. Numa travessia de ônibus pela noite, Maria, uma mulher que dedicou sua vida à educação de base, entrelaça passado e presente para recompor uma longa jornada que nem mesmo a distância do tempo pode romper. Em uma escrita fluida, conhecemos personagens cativantes de diversos lugares do mundo e memórias que desfiam uma série de impossíveis amores, dos quais Maria guarda lembranças escondidas numa “caixinha dos patuás posta em sossego lá no fundo do baú”.

2) Esta terra selvagem, de Isabel Moustakas

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Quem é Isabel Moustakas? A pergunta ficou na cabeça dos leitores quando o livro Esta terra selvagem foi lançado em março. Em seu livro de estreia, a autora usa a cidade de São Paulo como cenário de um thriller sangrento repleto de crimes de ódio. João é um repórter policial de um grande jornal paulistano, sem muita sorte na vida pessoal e profissional. Mas sua vida muda quando uma jovem que assistiu à tortura e ao assassinato brutal dos pais — um boliviano e uma descendente de italianos -, e que depois fora abusada das piores maneiras, lhe faz um relato de cada detalhe perturbador do que havia presenciado. Ao final do depoimento, a garota tira a própria vida diante dos olhos dele. A partir deste terrível episódio, o repórter irá seguir pistas que o levarão a um suposto grupo racista que vem cometendo atrocidades contra imigrantes, negros, judeus, nordestinos, gays e quaisquer pessoas que considera impuras.

3) A vida invisível de Eurídice Gusmãode Martha Batalha

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Nossas mães, tias e avós são facilmente reconhecíveis neste romance de Martha Batalha. Nos anos 1940, Guida Gusmão desaparece da casa dos pais sem deixar notícias, enquanto sua irmã Eurídice se torna uma dona de casa exemplar. Mas nenhuma das duas parece feliz em suas escolhas. A trajetória das irmãs Gusmão em muito se assemelha com a de inúmeras mulheres nascidas no Rio de Janeiro no começo do século XX e criadas apenas para serem boas esposas. São mulheres invisíveis em maior ou menor grau, que não puderam protagonizar a própria vida. Capaz de falar de temas como violência, marginalização e injustiça com humor, perspicácia e ironia, Marta Batalha é acima de tudo uma excelente contadora de histórias.

4) Quadrinhos dos anos 10, de André Dahmer

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As tirinhas de André Dahmer são uma das melhores representações dos anos em que vivemos: os anos 2010. Quadrinhos dos anos 10, lançado em maio pela Quadrinhos na Cia.,  tem uma receita simples: três ou quatro quadros em sequência, contendo a mais dolorosa e mordaz crítica à vida moderna. O humor dessas páginas nasce da mesma angústia que sentimos diante das complicações contemporâneas que o autor tenta destrinchar — a política brasileira, a tecnologia, as relações pessoais. Mas as tiras não são pesadas e duras: pelo contrário, são tão engraçadas quanto os absurdos do dia a dia.

5) Histórias naturais, de Marcílio França Castro

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Marcílio França Castro participou da Flip deste ano, dividindo a mesa que levou o nome de seu livro com o mexicano Alvaro Enrigue. Exibindo um fantástico domínio técnico, um olhar original sobre as relações humanas e um ponto de vista singular para tratar a matéria imaginativa, o autor se debruça sobre as estranhezas que compõem a vida cotidiana neste volume de contos. A partir de situações aparentemente corriqueiras, um mundo de extravagâncias absorve o leitor, fazendo-o desconfiar das armadilhas que construímos para nós mesmos e para os outros.

6) Minhas duas meninas, de Teté Ribeiro

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A jornalista Teté Ribeiro tentou engravidar durante quase uma década, e estava quase desistindo da maternidade biológica quando resolveu tentar uma última vez por meio de uma barriga de aluguel na Índia. E deu certo: Teté agora é mãe de gêmeas. Minhas duas meninas é o relato dos detalhes que marcaram essa experiência — a relação com a mãe indiana, o dia a dia logo após o nascimento, todas as particularidades da clínica e os dilemas pelas quais passa uma mãe que não carregou suas filhas na própria barriga. Em parte livro de memórias, em parte retrato de geração, mas também reportagem exemplar, Minhas duas meninas é uma radiografia dos dilemas da mulher contemporânea.

7) Os visitantes, de B. Kucinski

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Imagine que você é um autor que escreveu um livro sobre a busca de um pai por sua filha desaparecida durante a ditadura militar. Após o livro ser publicado, lido e criticado, personagens dessa história começam a aparecer à sua porta apontando erros na história, reclamando de como foram retratadas. É esse o enredo de Os visitantes, de Bernardo Kucinski. Personagens de seu romance anterior, K.: Relato de uma busca, ressurgem em sua vida para tirar satisfações sobre como a história foi contada.

8) A Bíblia do Chede Miguel Sanches Neto

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Em meio a escândalos na política brasileira, A Bíblia do Che é um romance que conversa muito com o que estamos vivenciando agora. Morando em Curitiba, o professor recluso Carlos Eduardo é contratado para uma missão insólita: localizar um exemplar da Bíblia com anotações que Che Guevara teria feito durante uma passagem pelo Brasil. Para além da incerteza que ronda a jornada do revolucionário pelo país, a tarefa tem um complicador, justamente na forma de uma dama fatal, a esposa do operador financeiro que o contratou. Peça-chave no mistério da Bíblia do Che, Celina enlaça o professor ainda mais na teia de intrigas que circunda o livro. Em pouco tempo, o operador aparece morto e a investigação de Carlos Eduardo, que antes pertencia ao âmbito dos colecionadores de livros raros, evolui para uma rede de crimes que envolve governo, construtoras, dinheiro sujo de campanha e caixa dois.

9) O conto zero e outras histórias, de Sérgio Sant’Anna

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Um dos maiores contistas do Brasil, Sérgio Sant’Anna lançou em julho mais uma coletânea de textos. Neste que é um de seus trabalhos mais pessoais, Sant’Anna combina lembrança e imaginação para recriar viagens, impressões e momentos únicos que se perderam no tempo. Se é a memória que conduz essas histórias, a força está na maneira como a ficção refaz o passado. Lembranças de uma viagem com o irmão, do primeiro cigarro, de mulheres que cruzaram sua vida, tudo isso serve de pretexto para que Sérgio Sant’Anna atravesse com o leitor um caleidoscópio de estilos e vozes tão belo, complexo e múltiplo quanto sua obra.

10) Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, de Elvira Vigna

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E para terminar, temos o lançamento de uma de nossas maiores autoras brasileiras: Elvira Vigna. Como se estivéssemos em palimpsesto de puta chegou às livrarias no mês passado, e narra o encontro de dois estranhos num verão do Rio de Janeiro. Ela é uma designer em busca de trabalho, ele foi contratado para informatizar uma editora moribunda. O acaso junta os protagonistas numa sala, onde dia após dia ele relata a ela seus encontros frequentes com prostitutas. Ela mais ouve do que fala, enquanto preenche na cabeça as lacunas daquela narrativa. Elvira Vigna parte desse esqueleto para criar um poderoso jogo literário de traições e insinuações, um livro sobre relacionamentos, poder, mentiras e imaginação.

Sentiu falta de algum lançamento? Então conte aqui nos comentários. E fique de olho, ainda em 2016 teremos mais grandes lançamentos da nossa literatura. :)

Semana duzentos e noventa e nove

Tá todo mundo mal, de Jout Jout
Do alto de seus 25 anos, Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De achar que seus peitos eram pequenos demais a não saber que carreira seguir. Em Tá todo mundo mal, ela reuniu as suas “melhores” angústias em textos tão divertidos e inspirados quanto os vídeos de seu canal no YouTube, “Jout Jout, Prazer”. Família, aparência, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar e o que fazer com os sushis que sobraram no prato são algumas das questões que ela levanta. Além de nos identificarmos, Jout Jout sabe como nos fazer sentir melhor, pois nada como ouvir sobre crises alheias para aliviar as nossas próprias!

Morte súbita, de Álvaro Enrigue (Tradução de Sérgio Molina)
Outubro de 1599, Piazza Navona, Roma. O pintor milanês Michelangelo Merisi da Caravaggio e o poeta madrilenho Francisco de Quevedo se enfrentam numa quadra de tênis — ou “pallacorda”, para sermos mais exatos. Um encontro improvável, mas historicamente possível. Em torno desse jogo o mexicano Álvaro Enrigue compõe uma colagem barroca de histórias da História. Cada game disputado traz à baila uma cena, um grupo de figuras emblemáticas de uma época especialmente conturbada — a do doloroso parto da modernidade. Nessa partida se enlaçam desde o martírio de Ana Boleña até a saga cruel de Hernán Cortés; desde as intrigas do papado contrarreformista até os embates da arte e da ciência entre a cruz e o cofre. Enquanto o romance penetra de forma sanguinária na intimidade de uma singular galeria de personagens históricos, cresce a curiosidade sobre o motivo do duelo de raquetes e a suspeita de que está em jogo muito mais que a simples vitória na quadra.

Paralela

O acordo, de Elle Kennedy (Tradução de Juliana Romeiro)
Hannah Wells finalmente encontrou alguém que a interessasse. Embora seja autoconfiante em vários outros aspectos da vida, carrega nas costas uma bagagem e tanto quando o assunto é sexo e sedução. Não vai ter jeito: ela vai ter que sair da zona de conforto… Mesmo que isso signifique dar aulas particulares para o infantil, irritante e convencido capitão do time de hóquei, em troca de um encontro de mentirinha. Tudo o que Garrett Graham quer é se formar para poder jogar hóquei profissional. Mas suas notas cada vez mais baixas estão ameaçando arruinar tudo aquilo pelo que tanto se dedicou. Se ajudar uma garota linda e sarcástica a fazer ciúmes em outro cara puder garantir sua vaga no time, ele topa. Mas o que era apenas uma troca de favores entre dois opostos acaba se tornando uma amizade inesperada. Até que um beijo faz que Hannah e Garret precisem repensar os termos de seu acordo.

Alfaguara

O céu de Lima, de Juan Gómez Bárcena (Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman)
José Gálvez e Carlos Rodríguez gostam de pensar que são poetas. Filhos da elite limenha dos anos 1910, passam o tempo escrevendo versos e lendo autores importantes. Quando não conseguem encontrar o novo livro do mestre espanhol Juan Ramón Jímenez, eles decidem criar uma personagem feminina e pedir o livro diretamente ao poeta. O resultado dessa broma literária foi uma vasta correspondência que culminou com o espanhol apaixonando-se por um fantasma. Baseando-se nesta história real, Juan Gómez Bárcena recria, de forma imaginativa e irônica, as condições sociais de Lima, o empenho de dois jovens poetas e a criação da musa perfeita para Ramón Jiménez, aquela que inspiraria um de seus melhores poemas.

Seguinte

Fração de segundo (Encruzilhada vol. 2)de Kasie West (Tradução de Flávia Souto Maior)
A vida pode mudar numa fração de segundo. Por causa de sua habilidade paranormal, Addie é capaz de Investigar seu futuro sempre que se depara com uma escolha, mas isso não torna sua realidade mais fácil. Depois de ser usada pelo namorado e traída por Laila, sua melhor amiga, ela não hesita em passar as férias com o pai no mundo Normal. Lá ela conhece Trevor, um garoto incrivelmente familiar. Se até pouco tempo ele era um estranho, por que o coração de Addie acelera toda vez que o vê? Enquanto isso, Laila guarda um grande segredo: ela pode restaurar as memórias de Addie — só falta aprender como. Muita gente poderosa não quer que isso aconteça, e a única pessoa que pode ajudar Laila é Connor, um bad boy que não parece muito disposto a colaborar. Como ela vai ajudar a amiga a alcançar o futuro feliz que merece?

Quadrinhos na Cia.

Quadrinhos dos anos 10, de André Dahmer
Difícil definir os anos 10. Na esteira das revoluções tecnológicas da virada do século, o ruído ampliou-se e a dispersão tomou conta. Todavia, a torrente de informações e opiniões não assusta André Dahmer. Na verdade, é desse caldo que ele tira algumas de suas melhores histórias. Quadrinhos dos anos 10 tem uma receita simples: três ou quatro quadros em sequência, contendo a mais dolorosa e mordaz crítica à vida moderna. O humor dessas páginas nasce da mesma angústia que sentimos diante das complicações contemporâneas que o autor tenta destrinchar. Mas as tiras não são pesadas e duras: pelo contrário, são tão engraçadas quanto os absurdos do dia a dia. Um riso meio doído, mas um riso mesmo assim.

11 HQs para ler no Dia do Quadrinho Nacional

Hoje é o Dia do Quadrinho Nacional! Para comemorar a data, listamos algumas dicas de HQs brasileiras para você ler e conhecer nossos autores. Confira!

1) Cachalotede Daniel Galera e Rafael Coutinho

CACHALOTE

Somando mais de trezentas páginas, as seis tramas de Cachalote são amarradas por temas e subtextos recorrentes, tais como o confronto dos personagens com acontecimentos drásticos ou misteriosos que transformam suas vidas, a conciliação da vida com a arte e a tentativa de preservar o afeto e o amor em relacionamentos ameaçados por circunstâncias adversas. Entre as histórias, há um escultor que recebe um inusitado convite para protagonizar um filme cujo roteiro parece estranhamente inspirado em sua vida privada, e uma velha senhora grávida e solitária vaga por sua mansão e tem encontros oníricos com uma baleia cachalote na piscina de sua casa.

2) Vida e obra de Terêncio Hortode André Dahmer

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Começando a publicar suas tirinhas na internet, André Dahmer reúne em Vida e obra de Terêncio Horto as histórias de um escritor eternamente frustrado, tão ambicioso quanto amargurado. Terêncio passa os dias em frente a uma máquina de escrever, seja redigindo suas memórias, seja dando vida a personagens cínicos, desiludidos e de um pessimismo assombroso. É a partir desse esqueleto enganosamente simples que Dahmer vai dar vazão a impressões sobre literatura, pintura, música e, por que não?, sobre a vida em geral.

3) Campo em branco, de Emilio Fraia e DW Ribatski

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Numa trama sobre família e memória, o escritor Emilio Fraia e o quadrinista DW Ribatski tratam com suspense e humor, doçura e medo, a jornada de dois irmãos que se reencontram numa cidade estrangeira com a ideia de, aparentemente, refazer uma viagem da infância, quando visitaram com um tio uma cidade nas montanhas. A arte vibrante de Ribatski e os temas enigmáticos de Fraia combinam-se num road movie às avessas, onde a viagem só começa quando podemos reconstruí-la, desmontá-la, inventá-la.

4) Có! & Birds, de Gustavo Duarte

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Gustavo Duarte teve passagem por vários jornais e revistas como cartunista, e com Có! & Birds despontou nos quadrinhos. As histórias de Gustavo, construídas inteiramente sem diálogos, são um primor do traço, da energia cinética e do humor torto e deslavado. Có! & Birds reúne pela primeira vez as aventuras do fazendeiro em guerra com os ETs que querem roubar seus porcos e a trágica história dos pássaros que tentaram enganar a morte.

5) Deus, essa gostosa, de Rafael Campos Rocha

deus

Nesta HQ, Deus assume a forma que, segundo consta, é a sua preferida: a de uma mulher negra, proprietária de um sex-shop, ligada nos movimentos mais exóticos (e esotéricos) do assim chamado amor carnal. Em Deus, essa gostosa, primeira graphic novel do artista plástico e quadrinista Rafael Campos Rocha, o leitor acompanhará sete dias na vida dessa Criadora incomum, fã de futebol e cerveja, amiga de Karl Marx e do Diabo em pessoa.

6) Diomedesde Lourenço Mutarelli

Diomedes

Esta é uma história policial de Mutarelli. Seu protagonista não é um tipo durão, envolvido com perigosas intrigas e belas mulheres. É um delegado aposentado, gordo e sedentário, em busca de uns trocados para completar o orçamento. Nunca resolveu um caso, e passa a maior parte do tempo bebendo e fumando em seu escritório imundo. No entanto, ao partir no encalço do há muito desaparecido mágico Enigmo, seu cotidiano ordinário fica para trás. Em busca da sorte grande e metido em circunstâncias cada vez mais desfavoráveis em seu caminho repleto de figuras bizarras, Diomedes será obrigado a usar todo o talento que jamais imaginou possuir para desvendar o “Enigma de Enigmo”.

7) Guadalupe, de Angélica Freitas e Odyr

guadalupe

Às vésperas de completar trinta anos, tudo o que Guadalupe quer é esquecer seu trabalho no sebo de Minerva, seu tio travesti. É ela quem pilota um furgão velho pela Cidade do México, apanhando coleções de livros que Minerva arremata por poucos pesos de famílias enlutadas. Mas um telefonema muda seus planos. No meio do pior engarrafamento do ano, fica sabendo que a avó, Elvira, morreu ao chocar sua scooter com uma banca de tacos sobre duas rodas. Como Guadalupe tem o furgão, ela é a única que pode cumprir o último desejo da avó: um enterro com banda de música em Oaxaca, onde nasceu. Guadalupe embarca com Minerva e sua inseparável poodle, mais o caixão, rumo à cidade. No caminho, contrariando a opinião de Guadalupe, Minerva dá carona a um exótico rapaz, que se diz guatemalteco, e os problemas começam.

8) Muchachade Laerte

Muchacha

Publicado originalmente na Folha de S.Paulo, Muchacha é, nas palavras do autor, o primeiro “graphic-folhetim” de sua carreira. Tendo como mote os bastidores de um programa de tevê, Laerte, ao mesmo tempo que cria uma elaborada e divertida revisão dos seriados de aventura da década de 1950, também faz uma espécie de resgate afetivo de suas memórias de infância.

9) A máquina de Goldberg, de Vanessa Barbara e Fido Nesti

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A máquina de Goldberg se passa num acampamento de férias onde Getúlio, um garoto punk e asmático, cumpre pena por ser antissocial na escola. Em meio à perversidade dos colegas e à temida hora da ginástica, ele conhece o zelador Leopoldo, um velho melancólico com uma obsessão: construir geringonças. Juntos, arquitetam uma ambiciosa vingança que une as fugas de Bach às variações de Rube Goldberg, numa engenharia absurda que vai se expandindo até derrubar todas as peças do dominó, instaurando o terror no coração da Montanha Feliz.

10) Memória de elefante, de Caeto

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Tudo parecia ir bem para o quadrinista até que seus projetos caem por terra antes que possam alçar voos mais altos: suas HQs não chegam ao grande público, sua música não é comercial o suficiente para fazer sucesso e seus quadros são vendidos a conta-gotas. Em Memória de elefante, Caeto faz uma reconstrução prodigiosa de sua memória, narrando a agitada vida noturna paulistana, as aventuras sexuais, o calvário familiar, a passividade da mãe, a agonia do pai, vítima do vírus HIV, e a contribuição fundamental de cada uma das pessoas que o acompanharam em sua jornada desesperada rumo à redenção.

11) Toda Rê Bordosa, de Angeli

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Mais de dez anos após o tenebroso assassinato, Angeli, um dos principais nomes do quadrinho brasileiro, ainda é cobrado por fãs por ter, literalmente, apagado Rê Bordosa. Surgida nas páginas da Folha de S.Paulo em 1984, Rê Bordosa extrapolou sua própria tira e tornou-se uma das mais conhecidas personagens da HQ nacional. Dotada de um humor ácido e de um cinismo incontornável, Rê Bordosa viveu porres homéricos, ressacas épicas e amores tão duradouros quanto uma tira de jornal. Reunidas pela primeira vez num álbum de luxo e restauradas digitalmente a partir dos originais do autor, as tiras de Toda Rê Bordosa trazem de volta à vida a musa do quadrinho brasileiro.

Semana duzentos e vinte e dois

Os lançamentos desta semana são:

Vida e obra de Terêncio Horto, de André Dahmer
Artista plástico e desenhista, André Dahmer tomou de assalto os quadrinhos brasileiros da última década. O ponto de partida foi, é claro, a internet. Ao se apropriar da linguagem, das técnicas e da cultura da rede, Dahmer pôde subvertê-las com ironia fina, acidez e uma capacidade infinita de se valer de um discurso conhecido e observá-lo por ângulos incomuns e reveladores. Em Vida e obra de Terêncio Horto, é outra das obsessões de Dahmer que vai para o primeiro plano: a arte. Escritor eternamente frustrado, tão ambicioso quanto amargurado, Terêncio passa os dias em frente a uma máquina de escrever, seja redigindo suas memórias, seja dando vida a personagens cínicos, desiludidos e de um pessimismo assombroso. É a partir desse esqueleto enganosamente simples que Dahmer vai dar vazão a impressões sobre literatura, pintura, música e, por que não, sobre a vida em geral.

Diário da Dilma, de Renato Terra
Diário da Dilma começou como uma seção da revista piauí. Todos os meses, a publicação trazia uma página de sátira sobre a rotina da chefe do Executivo. A ideia partiu do então editor da revista, Mario Sergio Conti, mas coube ao jornalista Renato Terra dar forma à seção e assumir a função de “ghost writer” da presidente.
A Dilma criada por Renato Terra é atenta aos mínimos detalhes do penteado, adora jogar tranca, paparica o neto, faz fofoca com amigas da Casa Civil e da Petrobras e vive a suspirar por seu príncipe encantado, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão. A seção é inspirada numa coluna sobre a ex-primeira dama francesa Carla Bruni, criada pelo jornal humorístico francês Le Canard Enchaîné. Para compor o diário, Terra mergulha no noticiário nacional, descobre cores de esmalte e tendências fashion em revistas femininas, capricha no vocabulário cafona e fica de olho na agenda cumprida pela presidente na vida real. Muitas informações de bastidores servem de material: há histórias que parecem brincadeira, mas são dados exclusivos recebidos pelo jornalista. De todo modo, a mistura entre fato e ficção não deixa dúvida sobre o traço que predomina em todos os textos: o humor corrosivo e escrachado.

Portfolio Penguin

#VQD – Vai que dá!, de Joaquim Castanheira (org.)
Qual seria o melhor sinônimo para “empreender”? Quando ouve essa pergunta, Jorge Paulo Lemann, talvez o mais bem-sucedido empresário brasileiro, costuma responder:“Vai que dá!” . Essas três palavras traduzem o espírito dos empreendedores de alto impacto: um otimismo incurável, a paixão pelo negócio que criaram e a vontade contagiante de fazer acontecer. Este livro reúne a origem de dez empreendedores que estão transformando o Brasil com o impacto dos seus negócios. Suas histórias, comentadas por mentores que acompanharam de perto seus desafios, mostram que não há um trilho definido para o sucesso que possa ser explicado por teorias e manuais. As trajetórias de cada um deles seguem um caminho próprio, que se cruzam apenas no brilho nos olhos com que cada um fala de sua jornada e de sua capacidade para resolver problemas da sociedade.O exemplo desses empreendedores tem o enorme poder de inspirar e motivar aqueles que querem encontrar os seus próprios caminhos no mundo do empreendedorismo. Para essas pessoas, Vai que dá! é leitura obrigatória.

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Mundo novo, de Chris Weitz (trad. de Álvaro Hattnher)
Depois que um misterioso vírus erradicou toda a população, exceto os adolescentes, os jovens dividem-se em tribos para sobreviver. Jefferson, o inseguro líder da tribo da Washington Square, e Donna, a garota por quem ele está apaixonado, se estabelecem precariamente em meio ao caos. Porém, quando outro integrante do bando descobre uma pista que pode levar à cura da Doença, eles partem em uma viagem arriscada para salvar o que restou da humanidade. Enquanto isso, Jeff tenta criar coragem para se declarar para Donna, e a garota luta para entender seus próprios sentimentos – afinal, conforme os dias passam, a adolescência vai ficando para trás e a Doença está cada vez mais próxima.