andrew matthews

Semana cento e sessenta e cinco

Os lançamentos desta semana são:

Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes
“Tragédia carioca”, Orfeu da Conceição transporta para um cenário tipicamente brasileiro o mito de Orfeu, filho de Apolo, uma das histórias mais emblemáticas da vasta mitologia grega. Imerso em sofrimento depois da morte da amada Eurídice, o músico vê-se incapaz de entoar suas canções, por os sons melodiosos e tristes de sua lira não o consolam da perda do grande amor. Desesperado, Orfeu decide Descer ao Hades (reino dos mortos) para trazer Eurídice de volta à terra. Ambientado em uma favela carioca, Orfeu da Conceição estreou no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1956, com enorme sucesso. Nada mais justo: com músicas de Tom Jobim — a peça inclusive inauguraria a fecunda parceria entre o poeta e o compositor —, cenários de Oscar Niemeyer e figurinos de Lila Bôscoli, o texto é ainda hoje um marco na releitura inteligente dos mitos gregos diante da realidade social, da mistura entre poesia e música popular, entre teatro e canção.

Você é minha mãe?, de Alison Bechdel (Trad. Érico Assis)
Depois de falar da relação com o pai na cultuada graphic-novel Fun Home, Alison Bechdel investiga agora a relação com a mãe, uma atriz amante de música e literatura presa a um casamento infeliz. Num relato emocionante e divertido, a autora se debruça sobre o abismo que a separa de sua mãe — que parou de tocar ou beijar a filha antes de dormir, “para sempre”, quando ela tinha sete anos — em busca de respostas e de novas perspectivas para o futuro de ambas.

Barreira, de Amilcar Bettega
Filha de um imigrante turco estabelecido no sul do Brasil, Fátima — uma jovem fotógrafa — vai viver na Turquia. Lá se envolve com um artista performático de intenções duvidosas e com um autor de guia de viagens francês, divorciado, com uma história emocional difícil e acidentada. Paralelamente a isso, o pai de Fátima retorna pela primeira vez ao seu país natal para reencontrar a filha — mas não a encontra. Empreende então uma busca infrutífera pelas ruas da grande metrópole turca. A procura não rende frutos. E a busca pela filha se torna, aos poucos, a busca pela própria identidade de um homem encerrado entre passado e presente. Barreira é mais um título da coleção Amores Expressos, em que alguns dos melhores autores brasileiros escrevem histórias de amor em ambientes como Dublin, Tóquio, Lisboa e São Petesburgo.

A tempestade: histórias de Shakespeare, de Andrew Matthews (Trad. Érico Assis)
Depois de passar doze anos abandonado numa ilha deserta ao lado de sua filha Miranda, Próspero resolve fazer justiça. Para recuperar o trono, o antigo duque de Milão utiliza seus conhecimentos de magia e provoca uma grande tempestade, fazendo naufragar o navio em que estão seus traidores e trazendo-os para perto de si. Mas em vez de semear o ódio e investir na vingança, ele opta pelo caminho da reconciliação através do amor. Será com a ajuda do inexperiente coração de Miranda, que nunca viu outro homem a não ser seu pai, que Próspero reestabelecerá a união e provará a força que tem uma paixão verdadeira. Conheça a surpreendente história da última peça de Shakespeare e descubra qual é a relação desta Tempestade com a própria vida do escritor.

Getúlio (1930-1945): Do governo provisório à ditadura do Estado Novo, de Lira Neto
Getúlio em sua fase mais Getúlio. Ditador, pai dos pobres. Nesta segunda parte da grandiosa trilogia biográfica de Getúlio Vargas, Lira Neto reconstitui a trajetória do político gaúcho entre o momento de consolidação do poder após a Revolução de 1930 e o golpe militar que encerrou o Estado Novo em 1945. O autor constrói um painel que mescla com grande habilidade narrativa as vidas pública e privada de Getúlio ao longo desses quinze anos, marcados por acontecimentos dramáticos no Brasil e no mundo. Conheça de perto o homem que mudou o país, em seus 15 anos mais emblemáticos no poder.

Editora Paralela

A Equação do Casamento, de Luiz Hanns
A Equação do Casamento apresenta seis dimensões presentes em qualquer relação amorosa que as pesquisas mostram ser cruciais para que marido e mulher permaneçam juntos e tenham satisfação em fazê-lo. A partir dela, o renomado psicólogo clínico e terapeuta de casais Luiz Hanns propõe que você reflita sobre seu casamento e busque mudanças efetivas para melhorar a vida a dois. A partir de casos clínicos e exemplos práticos, A Equação do Casamento propõe exercícios para que você possa lidar com situações comuns nos dias de hoje: resgatar um casamento em crise, aprender a conviver com um cônjuge difícil, incrementar uma relação sem encanto e afinidades, buscar mais sintonia sexual e lidar com um caso de infidelidade.

Portfolio Penguin

A venda desafiadora, de Matthew Dixon e Brent Adamson (Trad. Cristiana Serra)
Partindo de um estudo exaustivo de milhares de representantes comerciais, oriundos das mais variadas indústrias e cenários, A venda desafiadora defende que a abordagem clássica de construção de relacionamentos está fadada ao fracasso. O estudo dos autores constatou que todos os representantes de vendas do mundo correspondem a um de cinco perfis distintos, e embora os profissionais de todos esses tipos possam alcançar um desempenho mediano, apenas um deles — o Desafiador — apresenta, com consistência, resultados elevados. Os traços que fazem dos Desafiadores figuras sem igual podem ser replicados e ensinados aos representantes comerciais comuns. Tendo compreendido como identificar os Desafiadores em sua organização, você poderá usá-los como exemplo para implantar uma nova postura em toda a sua força de vendas.

Semana cento e vinte e sete

Os lançamentos desta semana são:

Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera
Um professor de educação física busca refúgio em Garopaba, um pequeno balneário de Santa Catarina, após a morte do pai. O protagonista se afasta da relação conturbada com os outros membros da família e mergulha em um isolamento geográfico e psicológico. Ao mesmo tempo, ele empreende a busca pela verdade no caso da morte do avô, o misterioso Gaudério, que teria sido assassinado décadas antes na mesma Garopaba, na época apenas uma vila de pescadores.
Sempre acompanhado por Beta, cadela do falecido pai, o professor esquadrinha as lacunas do pouco que lhe é revelado, a contragosto, pelos moradores mais antigos da cidade. Portador de uma condição neurológica congênita que o obriga a interagir com as outras pessoas de modo peculiar, ele estabelece relações com alguns moradores: uma garçonete e seu filho pequeno, os alunos da natação, um budista histriônico, a secretária de uma agência turística de passeios. E aos poucos, vai reunindo as peças que talvez lhe permitam entender melhor a própria história.

Minhas histórias de Andersen, de Andrew Matthews (Trad. Eduardo Brandão)
Hoje em dia, todo mundo conhece Hans Christian Andersen, principalmente as crianças! Mas até ele se tornar um autor tão querido, o caminho foi longo. Filho de uma lavandeira e de um sapateiro, Andersen nasceu na Dinamarca, em 1805, e teve uma infância pobre. Mas, mesmo sem ter estudado, sempre foi apaixonado por literatura e teatro. Antes de começar a escrever suas histórias maravilhosas, tentou a vida como cantor, ator, dançarino; e leu muito: as obras dos irmãos Grimm, de Swift, Perrault, La Fontaine e muitos contos populares de seu próprio país, como as histórias escandinavas e as sagas islandesas. Neste livro, há onze dos seus principais contos de fadas – Polegarzinha, O soldadinho de chumbo, A pequena sereia, entre outros -, recontados pelo escritor inglês Andrew Matthews para as crianças de hoje – e também para as de ontem e as de amanhã.

Stieg Larsson, de Jan-Erik Pettersson (Trad. Maria Luiza Newlands)
“Escrever romances policiais é fácil. É muito mais difícil escrever um artigo de quinhentas palavras em que tudo tem de estar 100% correto”, foi o que Stieg Larsson declarou na única entrevista sobre os romances que escreveu e que deveriam torná-lo milionário. A Trilogia Millenium de fato viria a ser um sucesso estrondoso no mundo inteiro, mas seu autor morreu antes que pudesse ver o primeiro volume publicado. Esta é a biografia do jornalista e escritor sueco que, antes de criar os inesquecíveis personagens Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist, foi um dos maiores ativistas políticos de seu país. Larsson participou desde muito jovem da luta em defesa dos excluídos e dos humilhados pela sociedade, foi um antirracista ferrenho e passou anos sendo ameaçado pelos grupos de extrema direita que ele denunciava sem medo em seus artigos e reportagens. Este livro nos apresenta a intensa história de engajamento do escritor e como ela moldou sua vida e obra.

Editora Paralela

Cozinha de estar, de Rita Lobo
Cozinhar não precisa ser complicado. Mais ainda: pode ser uma delícia não só para os outros, mas para você. Foi-se o tempo em que receber os amigos em casa significava passar o dia todo no fogão, tentando executar uma sucessão de pratos elaborados a tempo de tomar pelo menos uma ducha. mas nem por isso você vai receber seus convidados com um pacote de amendoim e dois litros de refrigerante. Em Cozinha de estar: Receitas práticas para receber, Rita Lobo revela todos os segredos da arte de receber bem, deixar os convidados à vontade e surpreendê-los com pratos que vão parecer ter dado muito mais trabalho do que realmente deram – e você ainda vai se divertir nesse meio-tempo, claro.

Semana cento e quinze

Os lançamentos desta semana são:

Habibi, de Craig Thompson (Trad. Érico Assis)
Dodola, uma garota perspicaz e independente, foge de seus captores levando consigo uma criança. Eles crescem juntos no deserto, só os dois, vivendo num navio naufragado na areia. Em meio a sentimentos cada vez mais conflitantes, os dois passam o tempo contando histórias. Assim, somos apresentados também à origem do islamismo e de suas tradições, conforme as narrativas se combinam numa trama de aventura, romance, filosofia e tragédia. Para contar a saga de Dodola e Zam, Craig Thompson recorreu ao Corão e às Mil e uma noites. Do primeiro, colheu o próprio estilo do livro, inspirado na caligrafia árabe, e também as narrativas do texto sagrado dos muçulmanos, recriadas com maestria pela pena do autor. A partir do segundo, elaborou um cenário fantasioso, repleto de lendas e histórias, uma versão quase mitológica da nossa ideia de Oriente. Ambientado nos dias de hoje, Habibi não se passa em nenhum país conhecido. É uma terra igualmente fantástica e concreta, onde questões presentes se misturam a indagações ancestrais. Crítica social, questionamentos ecológicos, paralelos entre religião e amor: tudo encontra seu lugar nesta narrativa tão épica quanto particular. Fruto de sete anos de pesquisas e trabalho, Habibi é um monumento do quadrinho moderno e uma resposta atual a questões que nos perseguem desde sempre.

Poemas escolhidos, de Elizabeth Bishop (Trad. Paulo Henriques Britto)
Apesar de ter publicado pouco em vida, Elizabeth Bishop é tida como uma das mais importantes vozes da poesia norte-americana.
Esta antologia, organizada e traduzida por Paulo Henriques Britto, apresenta grande parte dos poemas que a autora publicou em vida e alguns poemas póstumos, ainda inéditos em português. Estão aqui também os poemas que a autora escreveu sobre o Brasil, resultado das quase duas décadas em que morou no país. Mesclando a capacidade de observar e descrever a textura do mundo, lugares e animais a uma inclinação psicológica e subjetiva, Bishop se debruça sobre temas como o tempo, a memória, a natureza e o amor, em composições que apresentam uma grande variedade de recursos formais, em que a relação entre forma e conteúdo é perfeitamente evidente. Como ressalta Paulo Henriques Britto em um dos textos introdutórios que acompanham o volume, “como todo poeta lírico, Bishop toma sua própria experiência individual como matéria-prima; como todo artista maior, com base nesse material pessoal ela cria obras cujo interesse vai além do puramente autobiográfico e pessoal”.

Mao: a história desconhecida, de Jung Chang e Jon Halliday (Trad. Pedro Maia Soares)
Mao: a história desconhecida é a mais sólida biografia de Mao Tse-tung já escrita, fruto de uma década de pesquisa em arquivos do mundo todo e centenas de entrevistas com amigos, colaboradores e conhecidos de Mao – boa parte dos quais nunca havia se pronunciado. O resultado do árduo trabalho de Jung Chang e de seu marido, Jon Halliday, é a demolição de diversos mitos. O livro foi um dos lançamentos mais esperados no mundo todo e causou grande impacto quando foi publicado, no Reino Unido, em 2005.

José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes
No filme José e Pilar, o diretor Miguel Gonçalves Mendes apresentou ao público um Saramago desconhecido. Acompanhando seu dia a dia, revelou a intimidade de um dos mais fascinantes escritores da língua portuguesa. Neste José e Pilar – Conversas inéditas, Miguel reuniu entrevistas realizadas durante o período em que conviveu com o autor e sua esposa, a jornalista espanhola Pilar del Río. São depoimentos sinceros e comoventes sobre trabalho, arte, morte e, é claro, o amor de um pelo outro. Nas conversas, estão presente o humor desconcertante de Saramago, o conhecido ritmo de suas frases e, sobretudo, o mesmo universo que a ele interessou durante toda a carreira, elementos que aparecem aqui em momentos inesperados: quando o autor fala de um sonho que teve na infância ou repara na paisagem durante um passeio de carro. Ou ainda quando interrompe um depoimento de Pilar para observá-la sendo entrevistada. Mas, se realmente não há distância entre o Saramago escritor e o José deste livro, isso fica ainda mais claro quando ele se volta à política e à religião, temas que sempre o acompanharam. Com um olhar crítico e ferino, revê episódios polêmicos de sua trajetória e defende uma vida livre “dessa superstição paralisante” que seria a crença em Deus. O homem que queria morrer “lúcido e de olhos abertos” surge aqui, enfim, como alguém que seguiu o conselho que ele mesmo costumava dar a jovens escritores: “Não tenhas pressa e não percas tempo”. Leia um trecho aqui.

O código de honra, de Kwame Anthony Appiah (Trad. Denise Bottmann)
Seja o fim do duelo na Inglaterra, a abolição do costume chinês de amarrar os pés, o término da escravidão no novo Mundo ou do assassínio de meninas e mulheres no Paquistão, o que está em jogo é a honra. Neste livro original e provocador, Kwame Anthony Appiah, um dos filósofos mais importantes da atualidade, mostra como o conceito de honra foi central para impulsionar revoluções morais no passado – e, ainda, como isso poderia acontecer no futuro. Ao narrar casos de ruptura na história e de tradições locais ainda vigentes, o autor revela que o apelo à razão, à religião ou à moralidade não é suficiente para causar mudanças efetivas. mais comumente, hábitos cruéis são erradicados quando entram em conflito com a honra. Mas eis que surge a questão: código de honra local versus código moral universal. Sem abrir mão do rigor filosófico, o autor imprime leveza ao texto, referindo-se também a fatos cotidianos. Em todas as instâncias, Appiah não se abstém de defender uma ética da identidade e das diferenças, e de valorizar, acima de tudo, o bem mais precioso: o direito à vida.

Sonho de uma noite de verão, de Andrew Matthews e Tony Ross (Trad. Érico Assis)
Na cidade de Atenas, tem gente sofrendo por amor: Hérmia está prometida a Demétrio, mas ama Lisandro, com quem decide fugir. porém, o plano logo chega aos ouvidos do noivo abandonado, que os segue até um bosque não muito longe dali. Por lá, a paixão também está causando discórdias. Oberon, o orgulhoso rei das fadas, está em pé de guerra com a esposa e resolve lhe dar uma lição usando uma flor encantada que tem o poder de despertar o amor em qualquer um. Prepare-se para muita diversão, nesta comédia romântica com um quê de conto de fadas – talvez o mais popular dos textos de Shakespeare -, e descubra curiosidades sobre as fontes de inspiração deste grande dramaturgo.

As dez melhores histórias da Bília, de Michael Coleman (Trad. André Czarnobai)
Basta abrir este livro para conhecer as histórias mais famosas do Ocidente sob novos – e hilariantes – pontos de vista. Aqui você lerá o diário de Adão e conhecerá a sua verdadeira personalidade; descobrirá como Deus e Noé bolaram o plano de transformar a Terra numa grande enxurrada, e como Noé fez para reunir toda aquela bicharada dentro da sua arca; saberá todas as coisas que Moisés fez – e que o transformaram na grande estrela do Antigo Testamento – a partir de seu próprio relato, entre muitas outras anedotas interessantíssimas. Além disso, dez seções de fatos fantásticos discutem como os animais, os símbolos, os direitos da mulher e outros assuntos são abordados na Bíblia.

Semana oitenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Wilson, Daniel Clowes (Tradução de Érico Assis)
Wilson é um adorável malandro e um solteiro solitário. Um pai e marido dedicado, um idiota. Um sociopata. Um fanfarrão desiludido. Uma flor delicada. Wilson é a mais nova graphic novel de Daniel Clowes, autor de Ghost World e David Boring.

História noturna, Carlo Ginzburg (Tradução de Nilson Moulin)
Durante mais de três séculos, de um extremo a outro da Europa, mulheres e homens acusados de feitiçaria confessaram ter se reunido no sabá, encontro noturno em que, na presença do diabo, celebravam-se banquetes, orgias sexuais, cerimônias antropofágicas, profanações e ritos cristãos. Nessas descrições, muitas vezes obtidas sob tortura, hoje se tende a reconhecer o fruto das obsessões de inquisidores e juízes. Carlo Ginzburg propõe uma interpretação diferente: por trás da imagem enigmática do sabá, vemos aflorar pouco a pouco um estrato antiquíssimo de mitos e processos de exclusão social: trata-se de uma viagem ao mundo dos vivos e dos mortos, à esfera do visível e do invisível.

O valor do amanhã, Eduardo Gianetti
Os juros fazem parte da vida de todos – aparecem tanto nas discussões sobre o crescimento econômico da nação como em aspectos miúdos do dia a dia. Em O valor do amanhã, Eduardo Gianetti defende que esse aspecto dos juros é apenas parte de um fenômeno natural maior, tão universal como a força da gravidade e a fotossíntese. Desde o momento em que aprendeu a planejar suas vida, o homem antecipa e projeta seus desígnios usando essa prática. Mesmo antes disso, a noção de juros já “está inscrita no metabolismo dos seres vivos e permeia boa parte do seu repertório comportamental”. Ao extrapolar os limites financeiros do fenômeno, o autor mostra que questões concretas – como a alta taxa de juros no Brasil – têm raízes comportamentais e institucionais ligadas à formação de nossa sociedade.

Retrato do Brasil – Ensaio sobre a tristeza brasileira, Paulo Prado
“Como da Europa do Renascimento nos viera o colono primitivo, individualista e anárquico, ávido de gozo e vida livre – veio-nos em seguida o português da governança e da fradaria. Foi o colonizador […] Dominavam-no dois sentimentos tirânicos: sensualismo e paixão do ouro. A história do Brasil é o desenvolvimento desordenado dessas obsessões subjulgando o espírito e o corpo de suas vítimas”. Organizado por Carlos Augusto Calil.

Histórias de Shakespeare — Otelo, Andrew Matthews (Tradução de Érico Assis)
Otelo e Desdêmona estão profundamente apaixonados e são capazes de abrir mão de tudo para ficar juntos. No entanto, o ambicioso e vingativo Iago, alferes de Otelo, quer arruinar a história de amor dos dois e, para tal, arma as mais terríveis tramoias. Isso porque Iago desejava se tornar tenente, mas, no seu lugar, Otelo promovera o soldado Cássio. Agora o alferes deseja vingança e não hesita em provocar a discórdia. Conheça esta tragédia repleta de aventura e emoção, descubra curiosidades sobre as características dos atores que representarem Otelo ao longo do tempo e aprenda um pouco mais sobre o ciúme, esse sentimento tão devastador.

O livro e ciências mais explosivo do universo, Claire Watts (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Por que não conseguimos ouvir sons no espaço? Em quantas partes um átomo pode ser dividido? De que é feito o buraco negro? Prepare-se para a espetacular investigação das ciências que estudam como você, o mundo  o universo foram criados e funcionam. Passeie pela tabela periódica e conheça os elementos químicos; descubra as diferenças entre ácidos e bases; assista ao vivo e em cores às mudanças de estado da matéria. Da efervescência e barulhenta química à fenomenal força da física, há muito a descobrir.

Aoki, Annelore Parot (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Aoki é uma kokeshi – uma boneca de madeira de cabeça redonda, lindas roupas coloridas, que vem de um país distante: o Japão. Ela vai para Tóquio visitar sua amiga Yoko, levando os pequenos leitores em uma viagem cultural. Ela ensina palavras em japonês e pede ajuda para arrumar a mala, entre outras atividades que propõem uma leitura interativa. Com ela, viajamos no trem mais rápido do país, vemos as cerejeiras em flor, passeamos em um jardin zen, visitamos as lojinhas e sua infinidade de produtos, fazemos um piquenique e olhamos as estrelas do alto do monte Fuji. Repleto de acabamentos especiais e abas que se desdobram revelando muitas surpresas, este livro é uma maneira divertida de conhecer um pouco dessa cultura tão apaixonante.

O ogro da Rússia, Victor Hugo (Tradução de Eduardo Brandão)
Um ogro apaixonado por uma fada, como isso poderia dar certo? Na verdade, nesta história não deu, o pobre filho da fada que o diga…Um conto infantil de um dos escritores mais importantes de todos os tempos!

Semana sessenta e um

Os lançamentos da semana são:

Os fatos são subversivos, de Timothy Garton Ash (Tradução de Pedro Maia Soares)
Timothy Garton Ash dedica-se há décadas a uma atividade híbrida entre jornalismo e historiografia: escrever a “história do presente”. Ele vai ao lugar onde as coisas estão acontecendo, entrevista pessoas nas ruas, discute com políticos, intelectuais e militantes. E essas reportagens são complementadas com a pesquisa e a reflexão que faz nas universidades de Oxford e Stanford, onde leciona. Neste livro estão reunidos artigos sobre a primeira década do século XXI, que tratam, por exemplo, das relações entre islamismo e terror, temática que o autor aborda com uma visão liberal equilibrada, sempre preocupada com a tolerância e o respeito pela diversidade. Com esse mesmo olhar, ele acompanha de perto a situação em países como Ucrânia, Belarus, Sérvia e Macedônia, bem como Birmânia, Brasil, Egito e Irã.

O cavaleiro da esperança, de Jorge Amado (Posfácio de Anita Leocadia Prestes)
Jorge Amado decidiu escrever a biografia de Prestes em 1941, como forma de pressionar pela libertação do líder revolucionário, preso desde 1936. Viajou então ao Uruguai e à Argentina, onde Prestes havia se exilado anos antes. O autor narra os momentos mais dramáticos da trajetória de Prestes: a épica coluna que atravessou o Brasil entre 1924-27, o exílio, a tentativa frustrada de levante contra Getúlio Vargas em 1935, a prisão na solitária, a entrega de Olga Benário — grávida de Anita Leocadia, que escreve o posfácio desta edição — ao governo nazista, a campanha internacional de Leocadia, mãe de Prestes, pela libertação do filho e de Olga, e pela guarda da filhinha do casal.

Monsieur Pain, de Roberto Bolaño (Tradução de Eduardo Brandão)
Paris, 1938. Enquanto a maioria dos franceses ainda lutava com os fantasmas da Primeira Guerra, pairava no ar uma tensão causada pela ascensão de regimes fascistas na Europa. Neste peculiar período, a capital francesa era habitada por poetas e romancistas vanguardistas, artistas selvagens e curandeiros nada convencionais: os mesmeristas. Discípulo dessa terapia heterodoxa, o obscuro protagonista do livro tem a missão ingrata de curar um poeta com ataques crônicos de soluço. Monsieur Pain, um dos primeiros romances escritos por Bolaño, é uma peça rara em sua obra: um livro atmosférico, repleto de temas caros à literatura de gênero, como o ocultismo, a busca detetivesca e a confusão entre sonho e realidade. Enquanto Pain se deixa levar pelo mistério, as fronteiras entre o que é real e o que é imaginação se dissolvem.

Borges oral & Sete noites, de Jorge Luis Borges (Tradução de Heloisa Jahn)
Em Borges oral (1979) e Sete noites (1980) se acham escritas palavras que brotaram da boca de um narrador cego, que falava como um sábio sibilino e irônico a auditórios do mundo todo. Sempre modesto, mas sem deixar de aludir a modelos gloriosos — Sócrates, Pitágoras, Cristo, Buda — e a outros mais próximos, como Macedonio Fernández, Borges (1899-1986) apresentava-se, na última etapa de sua vida, como um grande mestre da oralidade. A princípio tímido e reservado, a ponto de se ocultar em meio à plateia e pedir a um amigo para ler a conferência que redigira, com os anos e a progressiva cegueira, o escritor argentino tornou-se um narrador oral, como se quisesse dissolver-se na tradição épica dos narradores anônimos. Embora aparentemente abstratos e intelectuais, os temas de suas conferências são tratados num recorte concreto, a que servem exemplos precisos, sempre manipulados com perfeição pelo refinado contador de casos, que não perde uma deixa para uma frase de humor e se orienta em meio às dificuldades do assunto pela força da memória e da imaginação.

O anexo: a incrível história do garoto que amava Anne Frank, de Sharon Dogar (Tradução de Luiz A. de Araújo)
O diário de Anne Frank, um dos textos mais célebres do século XX, lido por jovens e adultos do mundo inteiro, só foi publicado graças ao pai da menina, o único sobrevivente dentre as 8 pessoas que passaram 2 anos escondidas no anexo de uma casa em Amsterdam, durante a perseguição aos judeus organizada pelos nazistas. Neste romance, a inglesa Sharon Dogar se baseia no diário mundialmente conhecido para imaginar como teria sido conviver de perto com Anne Frank e até se apaixonar por ela. É através dos outros de outro adolescente que acompanhamos a sensação clautrofóbica de morar no esconderijo, a revolta por não poder lutar contra o inimigo e as aflições de se viver numa época tão sombria.

Macbeth, de Andrew Matthews (Ilustrações de Tony Ross; Tradução de Érico Assis)
Macbeth, general do exército escocês, é um defensor leal do rei e de sua pátria. Mas, ao voltar de uma batalha, depara com três bruxas que lançam uma profecia: ele se tornará rei. A previsão desperta as ambições mais secretas de Macbeth: impelido pela esposa, ele assassina o rei e é proclamado o novo regente. E este é só o primeiro de uma série de crimes que irá cometer. Bruxas, um fantasma e um punhal espectral… prepare-se para muita aventura, nesta que se tornou uma das mais famosas peças de Shakespeare. Além da adaptação em prosa da peça, o livro traz um prefácio da autora e pesquisadora brasileira Marta de Senna e dois posfácios: um sobre a questão do mal em Macbeth e outro sobre a dificuldade enfrentada pelos escritores da época de Shakespeare em encontrar papel para escrever.

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