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Setembro Amarelo — Andrew Solomon sobre o suicídio

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Detalhe do quadro “Sunflowers”, de Vincent van Gogh.

Desde 2014, acontece no Brasil o movimento Setembro Amarelo, que procura conscientizar a população sobre a prevenção do suicídio. O tema ainda não é amplamente discutido, e por isso mesmo o movimento busca fornecer mais informações sobre o suicídio. Em O demônio do meio-dia, Andrew Solomon dedica todo um capítulo ao assunto, que inicia já desfazendo o pensamento de que a depressão é sempre causadora do suicídio: “Muitos depressivos nunca se tornam suicidas. Muitos suicídios são cometidos por pessoas que não são depressivas. Os dois elementos não são partes de uma única equação lúcida, uma ocasionando a outra. São entidades separadas que com frequência coexistem, influenciando-se mutuamente.”

Publicado originalmente em 2000, O demônio do meio-dia é uma importante referência sobre a depressão, para leigos e especialistas. Entremeando o relato de sua própria batalha contra a doença com o depoimento de vítimas da depressão e a opinião de especialistas, Solomon desconstrói mitos, explora questões éticas e morais, descreve as medicações disponíveis, a eficácia de tratamentos alternativos e o impacto que a depressão tem nas várias populações demográficas (sejam crianças, homossexuais ou os habitantes da Groenlândia). No trecho que selecionamos a seguir, o autor comenta suas experiências com o suicídio e também fala sobre a busca de um “motivo” pelos parentes e amigos de um suicida.

* * *

Não sou dado a fantasias irresistíveis de suicídio. Penso em suicídio com frequência e, quando estou no auge da minha depressão, a ideia nunca está longe de minha mente; mas tende a ficar ali, brilhando com a mesma falta de realidade com que as crianças imaginam a velhice. Eu sei quando as coisas estão ficando piores porque os tipos de suicídio que imagino tornam-se mais variados e, de certo modo, mais violentos. Minhas fantasias ignoram os comprimidos em meu armário de remédios e mesmo a arma em meu cofre e me levam a pensar se as lâminas de meu barbeador poderiam ser usadas para cortar meus pulsos, ou se seria melhor usar uma faca. Cheguei até mesmo a testar uma viga só para ver se seria suficientemente forte para aguentar uma corda. Imagino o horário propício: quando eu estivesse sozinho em casa, em que hora eu poderia realizar meu suicídio. Ao dirigir nesse estado de espírito, penso muito sobre penhascos, mas então penso sobre air bags e a possibilidade de ferir outras pessoas e esse método revela-se inadequado demais para mim. Todas essas imagens são muito reais e podem ser muito dolorosas, mas até agora têm permanecido em minha imaginação. Já tive comportamentos irresponsáveis que poderiam ser chamados de suicidas e já quis morrer com frequência; nos períodos mais difíceis, brinquei com a ideia, assim como nos melhores períodos de minha vida brinquei com a ideia de aprender a tocar piano; mas isso nunca fugiu do meu controle ou se transformou numa realidade acessível. Quis deixar a vida, mas não tive impulso para retirar meu ser da existência.

Se minha depressão tivesse sido pior ou mais demorada, imagino que teria tendências mais acentuadamente suicidas, mas acho que eu não teria me matado sem uma prova forte da irreversibilidade de minha situação. Embora o suicídio aplaque o sofrimento presente, ele geralmente é posto em prática para evitar sofrimento futuro. Herdei de meu pai um forte otimismo, e, por razões que podem ser puramente bioquímicas, meus sentimentos negativos, embora às vezes intoleráveis, nunca me pareceram finais e imutáveis. Consigo me lembrar da minha incapacidade de vislumbrar o futuro durante os piores momentos de minha depressão. Ficava relaxado demais na decolagem de um avião pequeno porque pouco me importava se ele caísse e me matasse ou se me levasse até meu destino. Assumi riscos tolos quando se apresentaram a mim. Eu toparia tomar veneno, mas não estava disposto a achá-lo ou prepará-lo. Um de meus entrevistados, que sobreviveu a múltiplas tentativas de suicídio, disse que se eu nunca cortara os pulsos então nunca ficara realmente deprimido. Decidi não entrar nessa competição, conheço gente que tem sofrido enormemente, mas que jamais tentou se matar.

Na primavera de 1997, no Arizona, saltei de paraquedas pela primeira vez. Esse esporte é muitas vezes considerado uma atividade parassuicida e, se eu tivesse de fato morrido durante um salto, imagino que ele ficaria, na imaginação de minha família e amigos, ligado ao meu estado de espírito. Contudo — e acredito que seja este geralmente o caso durante um ato parassuicida —, não parecia um impulso suicida, e sim um impulso vital. Eu o fiz porque me sentia tão bem que fui capaz de fazê-lo. Ao mesmo tempo, tendo acalentado a ideia de suicídio, eu quebrara certas barreiras entre mim e uma autodestruição completa. Não queria morrer quando pulei do avião, mas não temia a morte como a temera antes de minha depressão, e assim não precisava evitá-la tão rigorosamente. Já saltei várias vezes desde então, e o prazer que sinto por minha ousadia, depois de ter vivido tanto tempo num medo irracional, é incalculável. Cada vez que estou à porta do avião, sinto o jorro de adrenalina ativar um medo real, que, como a dor real, é precioso para mim por sua simples autenticidade. Ele me lembra do motivo dessas emoções. Então vem a queda livre, a vista sobre uma região virgem, a impotência esmagadora, a beleza e a velocidade. E então a gloriosa descoberta de que o paraquedas está lá, afinal de contas. Quando o velame se abre, as correntes de ar ascendentes revertem a queda e eu subo e me afasto da terra, como se um anjo subitamente viesse em meu resgate para me carregar até o sol. E então, quando começo a descer de novo, o faço muito lentamente e vivo, num mundo de silêncio em múltiplas dimensões. É maravilhoso descobrir que o destino no qual você confiou justifica essa confiança. Que alegria tem sido descobrir que o mundo pode suportar minhas experiências mais ásperas, e sentir, mesmo ao cair, que sou sustentado firmemente pelo próprio mundo.

Tornei-me de fato consciente do que era suicídio pela primeira vez quando tinha cerca de nove anos. O pai de um colega de meu irmão se matou, e tivemos que discutir o assunto em minha casa. O homem em questão levantara na frente de sua família, fizera alguma observação extraordinária e depois pulara pela janela aberta, deixando esposa e filhos à vista de um corpo sem vida vários andares abaixo. “Algumas pessoas simplesmente têm problemas que não conseguem resolver e chegam a um ponto em que não suportam mais viver”, explicou minha mãe. “É preciso ser forte para atravessar a vida. É preciso ser um dos sobreviventes.” Não entendi bem o horror do acontecido; tinha uma característica exótica, fascinante e quase pornográfica.

Quando eu estava no ensino médio, um de meus professores preferidos deu um tiro na cabeça. Foi encontrado em seu carro, com uma Bíblia aberta a seu lado. A polícia fechou a Bíblia sem anotar a página. Lembro de discutir isso à mesa do jantar. Eu ainda não perdera ninguém realmente próximo; assim, o fato da morte dele ser um suicídio não se destacava tanto quanto se destaca agora, em retrospecto. Eu me deparava pela primeira vez com a morte. Conversamos a respeito de que ninguém jamais saberia em que página a Bíblia estava aberta, e algo literário em mim sofreu mais pela conclusão frustrada de uma vida do que por sua própria perda.

No meu primeiro ano de faculdade, a ex-namorada do ex-namorado da minha namorada pulou de um prédio no campus. Não a conhecia, mas sabia que estava implicado numa cadeia de rejeição que a incluía, e me senti culpado pela morte dessa desconhecida.

Alguns anos depois da faculdade, um conhecido meu se matou. Bebeu uma garrafa de vodca, cortou os pulsos e, aparentemente, insatisfeito com o lento escoar de seu sangue, foi para o telhado do edifício de seu apartamento em Nova York e pulou. Dessa vez eu fiquei chocado. Ele era um homem doce, inteligente e bonito, alguém de quem eu sentira inveja ocasionalmente. Naquela época, eu escrevia para o jornal local. Ele costumava pegar seu exemplar bem cedo em uma banca 24 horas, e cada vez que eu publicava algo ele era o primeiro a ligar e me dar os parabéns. Não éramos íntimos, mas nunca vou me esquecer de seus telefonemas e do tom de reverência ligeiramente inadequado com que ele tecia seu elogio. Ele costumava repetir, com uma certa tristeza, sua indecisão quanto a uma escolha de carreira e sua percepção de que eu sabia o que queria fazer. Foi a única característica melancólica que observei nele. Fora isso, ainda penso nele como uma pessoa animada. Divertia-se nas festas; na verdade, dava boas festas. Conhecia gente interessante. Por que uma pessoa assim cortaria os pulsos e pularia do telhado? Seu psiquiatra, que o vira no dia anterior, não foi capaz de esclarecer a questão. Havia um porquê a responder? Quando aconteceu, eu ainda achava que o suicídio tinha uma lógica, embora distorcida.

O suicídio, contudo, não é lógico. Laura Anderson, que tem batalhado contra uma depressão aguda, escreveu: “Por que eles sempre vêm com essa história de ‘motivo’?”. O motivo dado raramente é suficiente para o acontecido. É tarefa do analista e dos amigos buscar pistas, causas e categorias. Desde então aprendi isso nas listas de suicídio que li. As listas são longas e dolorosas. Todos tiveram algum trauma agudo próximo ao seu suicídio; um marido que insultou alguém, um amante que abandonou outro, uma pessoa que feriu muito a si mesma, alguém que perdeu seu grande amor para uma doença, alguém que faliu, alguém que destruiu o próprio carro. Alguém simplesmente acordou um dia e não queria ter acordado. Alguém que detestava as noites de sextas-feiras. Se eles se mataram, fizeram-no porque eram suicidas, não por algum raciocínio lógico. Embora o discurso médico insista que sempre há uma conexão entre doença mental e suicídio, a mídia sensacionalista sugere muitas vezes que a doença mental não tem nenhuma grande participação em suicídios. Definir causas para um suicídio nos deixa mais seguros. É a versão mais extrema da lógica segundo a qual uma depressão aguda é consequência do fato que a desencadeou. Não há linhas nítidas. Até que ponto é necessário ter instintos suicidas para tentar o suicídio, com qual intensidade é preciso sentir esses instintos para cometer o suicídio e em que ponto uma intenção se torna a outra? O suicídio pode de fato ser (como diz a Organização Mundial de Saúde) um “ato suicida de resultado fatal”, mas que motivos conscientes e inconscientes fundamentam esse resultado? Ações de alto risco — que vão desde se expor deliberadamente ao HIV até provocar a fúria de um homicida ou permanecer fora de casa numa tempestade de gelo — são frequentemente parassuicidas. Tentativas de suicídio são de escopo variado e vão desde atos totalmente deliberados e orientados para um único objetivo até aqueles levemente autodestrutivos. “O ato suicida”, escreve Kay Jamison, “é saturado de ambivalência.” A. Alvarez escreve:

As desculpas dos suicidas são geralmente casuais. O melhor que conseguem é aliviar a culpa dos sobreviventes, contentar os mais metódicos e encorajar os sociólogos em sua interminável busca por categorias e teorias convincentes. São como um incidente de fronteira tolo que acaba detonando uma grande guerra. Os verdadeiros motivos que impelem uma pessoa a pôr fim à própria vida estão em outro lugar; pertencem a um mundo interno, tortuoso, contraditório, labiríntico e geralmente invisível.

“Os jornais falam com frequência das ‘tristezas pessoais’ ou ‘doenças incuráveis’”, escreveu Camus.

Estas explicações são válidas. Mas teríamos que saber se no mesmo dia um amigo do desesperado não o tratou de modo indiferente. Ele é que é o culpado. Pois isto pode ser suficiente para precipitar todos os rancores e todas as prostrações ainda em suspensão.

E a crítica teórica Julia Kristeva descreve o total acaso do momento:

Uma traição, uma doença fatal, um acidente ou uma desvantagem que, de forma brusca, me arrancam dessa categoria que me parecia categoria normal, das pessoas normais, ou que se abatem com o mesmo efeito sobre um ser querido, ou ainda… Quem sabe? A lista das desgraças que nos oprimem todos os dias é infinita.

Em 1952, Edwin Shneidman abriu o primeiro centro de prevenção ao suicídio, em Los Angeles, e tentou produzir bases úteis (mais úteis que teóricas) para o pensamento sobre o suicídio. Propôs que ele é resultado do amor distorcido, controle despedaçado, autoimagem atacada, sofrimento e fúria.

É quase como se o drama do suicídio fosse se escrevendo sozinho, como se a peça tivesse uma mente própria. É possível não abrir os olhos ao perceber que, à medida que as pessoas, consciente ou inconscientemente, dissimulam suas dores e motivações com êxito, nenhum programa de prevenção ao suicídio pode ser 100% bem-sucedido.

Kay Jamison refere-se a tal dissimulação quando lamenta que “a privacidade mental é uma barreira impermeável”.

Alguns anos atrás, outro colega meu se matou. Ele sempre fora estranho, e de certo modo seu suicídio foi mais fácil de explicar. Eu recebera uma mensagem dele algumas semanas antes de sua morte e pretendia ligar de volta para combinar um almoço. Eu havia saído com amigos quando soube. “Alguém tem falado com fulano ultimamente?”, perguntei, quando um assunto me lembrou dele. “Você não soube?”, respondeu um de meus amigos. “Ele se enforcou há um mês.” Por algum motivo, essa imagem para mim é a pior de todas. Posso imaginar o amigo com os pulsos cortados no ar, seu corpo desintegrado depois de um salto. A imagem dele oscilando de uma viga como um pêndulo: bem, nunca consegui imaginar isso. Sei que meu telefonema e convite para almoçar não o teriam salvado de si mesmo, mas o suicídio inspira culpa, e não consigo expulsar da minha mente a ideia de que teria percebido uma pista, se eu o tivesse visto, e teria feito algo com essa pista.

Então o filho de um sócio do meu pai se matou. E então o filho de um amigo do meu pai se matou. Então, duas outras pessoas que eu conhecia se mataram. E amigos de amigos também se mataram e, desde que comecei a escrever este livro, soube de pessoas que perderam irmãos, filhos, amantes, pais. É possível compreender os rumos que podem levar alguém ao suicídio, mas a mentalidade desse momento em si, o salto necessário para realizar a ação final — isso é incompreensível e aterrorizante e tão estranho a ponto de fazer com que tenhamos a sensação de jamais ter realmente conhecido a pessoa que cometeu aquilo.

Enquanto escrevia este livro, soube de muitos suicídios, em parte devido aos mundos com os quais entrei em contato e em parte porque as pessoas olhavam para mim, através de toda a minha pesquisa, buscando uma espécie de sabedoria ou insight que eu era na verdade totalmente incapaz de oferecer. Uma amiga de quem sou próximo há dezenove anos, Chrissie Schmidt, me telefonou chocada quando um de seus colegas de faculdade enforcou-se no vão da escada atrás de seu quarto. O rapaz em questão fora eleito representante da turma. Depois de ser surpreendido bebendo (aos dezessete anos), fora removido do cargo. Fizera um discurso de renúncia ao qual todos aplaudiram de pé, depois tirara sua própria vida. Chrissie conhecera o rapaz apenas de passagem, mas ele parecia ocupar um mundo encantado de popularidade do qual ela às vezes se sentia excluída. “Depois de uns quinze minutos de descrença”, escreveu Chrissie num e-mail, “me desfiz em lágrimas. Acho que senti muitas coisas ao mesmo tempo — uma tristeza inexprimível diante da vida rompida voluntária e prematuramente; raiva da escola, um lugar sufocado pela própria mediocridade, por fazer um alarde tão grande contra a bebida e ser tão dura com o rapaz; e talvez, acima de tudo, medo de que eu, em algum momento, pudesse me enforcar no vão da escada de meu dormitório. Por que não conheci esse rapaz quando eu estava lá? Por que senti que era a única que estava tão mal, tão infeliz, quando o rapaz mais popular da escola provavelmente sentia tantas coisas iguais? Por que diabo ninguém notou que ele carregava um fardo tamanho? Todo esse tempo, deitada no meu quarto no segundo ano, desesperadamente triste e frustrada com o mundo à minha volta e a vida que estava levando… Bem, aqui estou. E sei que não teria dado aquele passo final. Sei mesmo. Mas cheguei bem perto de sentir que ele era, pelo menos, uma possibilidade. O que é isso — bravura? patologia? solidão? — que empurra alguém para além dessa borda final e fatal, quando a vida é algo que estamos dispostos a perder?” E no dia seguinte, ela acrescentou: “A morte dele agita e traz à tona todas essas perguntas não respondidas — e é insuportavelmente triste para mim neste momento precisar fazê-las e nunca ter as respostas”. Essa, basicamente, é a catástrofe do suicídio para os que sobrevivem: não apenas a perda de alguém, mas a perda da chance de persuadir essa pessoa a agir de modo diferente, a perda da chance de se ligar a ela. Não há ninguém com quem se anseie tanto entrar em contato quanto com uma pessoa que cometeu suicídio. “Se ao menos tivéssemos sabido” é a declaração dos pais de um suicida, vasculhando as próprias mentes para tentar entender que falha no amor deles permitiu um acontecimento tão surpreendente, tentando pensar o que deveriam ter dito.

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Leia mais sobre O demônio do meio-dia

9 livros que fazem aniversário em 2016

Em 2016, a Companhia das Letras completa 30 anos, e claro que algumas de nossas edições mais clássicas também fazem aniversário! A seguir, confira uma lista de obras publicadas pela editora que completam 30 e 20 anos de lançamento.

1. Poemas, de W.H. Auden

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Você deve lembrar da edição bilíngue de Poemas publicada em 2013. Mas a reunião dos 50 principais poemas de W. H. Auden foi um dos primeiros livros da Companhia das Letras, lançado em 1986. Auden é um dos mais importantes autores ingleses do século XX, e o livro reúne desde textos escritos em 1927, quando ele primeiro definiu publicamente suas posições estéticas no que ficou conhecido como “O Manifesto de Oxford Poetry”, até aqueles que datam de 1973, ano da morte do poeta. O volume procura “abarcar, na medida do possível, as várias fases da obra poética de Auden, que foi um poeta prolífico”, conforme declara João Moura Jr., o responsável pela seleção dos textos.

2. Rumo à Estação Finlândia, de Edmund Wilson

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Um estudo sobre os homens que fizeram a História. Ou um estudo sobre os homens que escreveram a História. Ou ambos. Rumo à Estação Finlândia também foi uma das primeiras obras publicadas pela Companhia das Letras em 1986. Enquanto amplia e problematiza o estudo da revolução soviética, Wilson desenvolve, como pano de fundo, uma trama em que personagens históricas, suas vidas, suas ideias e suas práticas compõem um todo complexo e contraditório, dinâmico e envolvente.

3. Tudo que é sólido desmancha no ar, de Marshall Berman

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Ensaio histórico e literário, este livro de Marshall Berman é uma aventura intelectual clara, concisa e brilhante publicada pela Companhia das Letras pela primeira vez há 30 anos. Disponível atualmente na nossa coleção de bolso, Tudo que é sólido desmancha no ar constitui uma instigante sucessão de leituras originais e reveladoras de autores e suas épocas, a começar pelo Fausto de Goethe, passando pelo Manifesto de Marx e Engels, pelos poemas em prosa de Baudelaire, pela ficção de Dostoiévski, até as vanguardas artísticas contemporâneas.

4. O último suspiro do mouro, de Salman Rushdie

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Em 1988 o aiatolá Khomeini condenou Salman Rushdie à morte por ter escrito um livro que desagradou aos fundamentalistas islâmicos, Os versos satânicos. A resposta do autor foi este romance. O último suspiro do mouro, lançado há 20 anos no Brasil, é uma defesa contundente das virtudes do pluralismo e da tolerância, em oposição às pretensas verdades únicas e excludentes.

5. Fima, de Amós Oz

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Com graça, agudeza e conhecimento profundo da alma humana, Amós Oz traça em Fima o retrato de um homem e de uma geração que teve sonhos nobres e generosos, mas é incapaz de fazer alguma coisa. A edição publicada em 1996 ainda está disponível nas livrarias.

6. Tristes trópicos, de Claude Lévi-Strauss

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Narrativa de viagem ou ensaio de ciência? O Brasil que se revela em Tristes trópicos está muito além da provinciana cidade de São Paulo. Lançado em 1996 (e ainda nas livrarias), o livro de Claude Lévi-Strauss não é só um clássico da etnologia e dos “estudos brasileiros”, mas uma obra universal, sem fronteiras, sobre a crise do processo civilizatório na modernidade.

7. Amor, de novo, de Doris Lessing

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Romance repleto de alusões filosóficas e literárias, em Amor, de novo Doris Lessing investiga as raízes profundas do amor e do desejo na psicanálise, partindo do princípio de que os desejos e anseios de uma pessoa apaixonada têm suas raízes nas necessidades de amor da primeira infância. Publicado em 1996, o romance está disponível na coleção Prêmio Nobel.

8. O silêncio da chuva, de Luiz Alfredo Garcia-Roza

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Vencedor do prêmio Jabuti de melhor romance em 1997, O silêncio da chuva foi a estreia na literatura do inspetor Espinosa, que se tornou um clássico dos romances policiais brasileiros – ganhando até série na TV. Lançado há 20 anos, neste romance ele investiga o assassinato de um executivo encontrado morto com um tiro, sentado ao volante de seu carro. Além do tiro, único e definitivo, não há outros sinais de violência. Os possíveis protagonistas do crime só aumentam, e tudo se complica quando ocorre outro assassinato e pessoas começam a sumir.

9. O mundo assombrado pelos demônios, Carl Sargan

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Assombrado com as explicações pseudocientíficas e místicas que ocupam cada vez mais os espaços dos meios de comunicação, Carl Sagan reafirma o poder positivo e benéfico da ciência e da tecnologia para iluminar os dias de hoje e recuperar os valores da racionalidade no livro publicado em 1996.

Semana duzentos e quinze

O demônio do meio-dia, de Andrew Solomon (Trad. Myriam Campello)
Partindo de sua própria batalha contra a depressão, Andrew Solomon constrói um retrato monumental da doença que assola os nossos tempos. o vasto amálgama de medicações disponíveis, a eficácia de tratamentos alternativos, o impacto do distúrbio nas várias populações demográficas, as implicações histórias, sociais, biológicas, químicas e médicas da depressão: nada fica de fora deste que é um dos maiores tratados já escritos sobre o tema. No epílogo inédito à nova edição brasileira, o autor retoma seu percurso, os avanços da medicina e a trajetória dos entrevistados desde a primeira edição do livro, em 2000. Com rara humanidade, sabedoria e erudição, Solomon convida o leitor a uma jornada sem precedentes pelos meandros de um dos assuntos mais espinhosos, significativos e complexos dos nossos dias. Um livro obrigatório para todos aqueles que sofrem ou conhecem alguém que sofre de depressão.

Uma nova história do poder, de David Priestland (Trad. Isa Mara Lando e Mauro Lando)
Quem manda no mudo hoje? Neste livro brilhante, o historiador e professor de Oxford David Priestland propõe  um olhar radicalmente novo sobre a nossa história, com uma interpretação ousada para desvendar as estruturas de poder que resultaram na atual crise financeira.

Obra autobiográfica, de Celso Furtado
Obra autobiográfica de Celso Furtado é formada por uma trilogia. Em A fantasia organizada, ele relembra o Rio de Janeiro dos anos 1940 e seu ambiente intelectual que deslumbrou o jovem recém-chegado da Paraíba; a devastada Europa do pós-guerra, que percorreu durante seu doutorado de economia em Paris; os anos vividos na América Latina, como diretor da Cepal, onde se formulava um pensamento econômico de influência mundial; os estudos em Cambridge, convivendo com os contemporâneos de lorde Keynes. A fantasia desfeita cobre os seis anos em que trabalhou com Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, como diretor da Sudene, e primeiro-ministro do Planejamento do país. Punido pelo golpe militar de 1964, dedicou-se, no exílio, à atividade acadêmica nas universidades de Paris, Yale, Cambridge e Columbia, onde produziu uma obra teórica vasta e original que expandiu as fronteiras da ciência econômica e aproximou-a das relações internacionais e da cultura. É o que conta no terceiro volume, Os ares do mundo, em que evoca também a vida na França, as viagens aos países do bloco comunista, da Ásia e da África. Villa-Lobos, Lévi-Strauss, Jean-Paul Sartre, Amartya Sen, Juan Perón, Fernand Braudel, Ernesto Sabato, Glauber Rocha e Che Guevara são alguns nomes que cruzam com o autor e personagem deste mosaico autobiográfico.

O amigo americano, de Antonio Pedro Tota
Herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo, membro da ala “liberal” do Partido Republicano, Nelson Aldrich Rockefeller foi governador do estado de Nova York por quatro mandatos, vice-presidente dos Estados Unidos e eterno aspirante ao primeiro posto da República ianque. Mas o que se revela neste saboroso perfil é a faceta menos conhecida de sua biografia: a de propulsor do capitalismo brasileiro. Rockefeller aproximou-se do país quando se tornou chefe do Office of Inter-American Affairs, a agência para assuntos interamericanos dos Estados Unidos (a qual trouxe Orson Welles e Walt Disney para o Brasil, e mandou Carmen Miranda na via inversa), organismo que tinha por missão afastar o governo Vargas do nazifascismo e, uma vez vencida a Segunda Guerra, garantir que o Brasil permanecesse no bloco de influência norte-americano. Com afinco, “boas intenções” e fortemente imbuído da ideologia de seu país e de sua classe, o político manifestou genuíno interesse pelo Brasil, e aqui se envolveu, inclusive como investidor direto, mecenas e empresário, nas mais diversas atividades, do cultivo da borracha ao planejamento urbanístico de São Paulo, do incentivo às artes à constituição de fundos de investimento que modernizaram o mercado de capitais local, sempre na tentativa de importar a eficiência e o American way of life como antídotos à expansão do comunismo.

Editora Paralela

Necrotério, de Patricia Cornwell (Trad. Angela Pessoa)
O ritmo alucinante de traição e tecnologia está presente na nova aventura de Scarpetta. Conhecemos o início de sua carreira,   quando aceitou uma bolsa de estudos da Força Aérea para pagar a universidade. Agora, mais de vinte anos mais tarde, suas conexões militares secretas a trazem de volta para a base aérea Dover, onde esteve em um programa de treinamento. Como chefe do novo Centro Forense de Cambridge, em Massachusetts, Scarpetta enfrenta um caso que pode destruir sua reputação e tudo aquilo que lutou para conquistar pessoal e profissionalmente.

 

O gesto de Andrew Solomon

Por Sofia Mariutti


Quando me consultei pela primeira vez com minha atual psiquiatra, estava resistente a sair de lá com uma receita de antidepressivo, então saí com a receita de ler O demônio do meio-dia, de Andrew Solomon. Eu já estava trabalhando na edição de Longe da árvore, o livro mais recente do autor, e sabia que a obra anterior também era monumental, mas só com a prescrição médica tomei coragem de enfrentar aquelas muitas páginas.

Passei muito tempo sem aceitar a depressão, cheia de desconfianças em relação à indústria farmacêutica, a essa estranha epidemia de doenças mentais nos nossos dias, aos efeitos obscuros dos psicotrópicos. Quando li o Solomon, não posso dizer que tudo se esclareceu, mas comecei a aceitar a existência da tristeza profunda e a respeitá-la em sua complexidade.

Entendi que há bons motivos para essa epidemia: a vida alienante nas cidades, a ruína das formações familiares tradicionais, o colapso das crenças religiosas, o velho e ancestral medo da morte. Entendi que a depressão sempre pode voltar, e ainda pior, quando não for bem tratada. Que há uma infinidade de pessoas sofrendo, o tempo todo, em todos os lugares do mundo.

Solomon me convenceu a me tratar, com esse gesto humano e terno que é o seu livro. A dor merece sair do armário, assim como a sexualidade, e Solomon tira tudo lá de dentro, não deixa nada pra trás. Seus trabalhos de fôlego, que envolvem pesquisas amplas, passam por questões pessoais, e talvez por isso sejam tão empáticos. Quase sempre, sair do armário acaba sendo um gesto pelo outro.

A boa nova para todos aqueles que sofrem de depressão, conhecem alguém que sofre ou se interessam pela doença é que o livro, lançado no Brasil em 2002 e fora das livrarias há algum tempo, ganha nova edição da Companhia das Letras agora em julho, quando o autor desembarca em Paraty para a 12ª edição da Flip. (Essa é a segunda boa nova, para quem não sabia).

A terceira boa nova é que pedimos um novo texto ao autor, em que ele atualizasse o cenário dos tratamentos contra a depressão e contasse o que aconteceu com ele desde a publicação do livro. Diante da encomenda de 3 mil palavras, Solomon se animou e nos entregou um texto de 20 mil palavras: oitenta páginas inéditas, escritas exclusivamente para a nova edição brasileira. O demônio do meio-dia ganhou um novo capítulo, um epílogo.

Nele, ficamos sabendo, por exemplo, que o botox vem sendo testado como tratamento da depressão (leia mais aqui). Que Solomon se transformou num depressivo profissional, o que veremos de perto na Flip. E que as coisas podem estar melhores desde a época em que ele saiu do armário, quando a doença era mais estigmatizada, mas ainda há grande hostilidade contra quem sofre de doenças mentais, e o estigma desencoraja outras pessoas a procurarem tratamento: daí a importância desse gesto.

Abaixo, em primeiríssima mão, as primeiras páginas do texto inédito.

* * *

Epílogo

para T.R.K.

Vinte anos se passaram desde a minha primeira depressão grave. Tenho uma doença mental, diagnosticada há quase metade da minha vida, e não posso mais me imaginar sem ela. Parece menos alguma coisa que me aconteceu do que uma parte de quem eu sou; certos dias, é a coisa que me define, mas é sempre pelo menos uma coisa que me define. Já não fico pensando sobre quando estarei fora de tratamento, da mesma forma que não fico imaginando quando vou deixar de comer ou dormir. É difícil saber o quanto a depressão me define devido à minha experiência com a própria doença e o quanto ela está gravada na minha identidade em virtude da postura pública que assumi ao falar sobre ela. O fato de ter escrito O demônio do meio-dia me transformou em um depressivo profissional, o que é uma coisa esquisita de ser. Um curso da universidade que frequentei recomenda o livro e consequentemente fui convidado a dar uma palestra. Quando era estudante, eu sonhava em ser um escritor tão talentoso que os alunos daquela universidade estudariam minha obra. Mas, nessa fantasia, não antevia minha obra como um livro de memórias selecionado para um curso de psicologia anormal.

Para mim, qualquer pensamento sobre a depressão tornou-se uma questão dialética. Por um lado, minha vida é tão menos afetada pelo problema do que antes que às vezes a escuridão daqueles episódios originais parece um sonho distante. Por outro lado, sentir-me seguro é quase sempre o prelúdio para uma das minhas recaídas ocasionais, e, quando ela bate, sinto mais uma vez que jamais escaparei da escuridão. Por um lado, estou mais acostumado a esses mergulhos do que costumava estar; posso sentir a depressão incubando do mesmo modo que artríticos sentem a chuva iminente. Por outro lado, é chocante a cada vez que acontece; esqueço como ela é uma sensação física, como é implacável: o aperto no peito, a apatia. Esqueço o arrasamento de meu ego, a luta para não acreditar que cada pensamento distorcido é um insight. Quando não estou deprimido, tiro força e beleza da depressão; quando estou deprimido, não encontro nenhuma dessas coisas. Oculto isso melhor do que costumava; posso funcionar surpreendentemente bem, mesmo quando me sinto como se estivesse morrendo — ou como se quisesse morrer. Mas a ansiedade continua sendo meu pior inimigo, e às vezes acordo sentindo que o dia é mais do que consigo suportar. Uma rotina de terapia e medicação parece um preço pequeno a pagar por uma equanimidade relativa, mas odeio o tempo e o gerenciamento que tudo isso exige. Detesto ter um cérebro frágil e saber que, ao fazer algum plano, devo prever a possibilidade de que minha mente me traia no curto prazo. Não deixei a depressão para trás: apenas a mantenho à distância.

Tive um pouco de sorte nos últimos vinte anos. Casei com meu marido, John, a pessoa mais gentil que já conheci, e tive filhos que ao mesmo tempo exigem muito e proporcionam grande felicidade. É possível conquistar sozinho certos aspectos de estabilidade, mas ela também vem de outras pessoas, e John me deu um lastro. Ele é paciente e gentil quando estou deprimido. Mas já não estou sozinho na depressão, e essa é uma mudança fundamental. Posso ter a sensação subjetiva de que a vida é intolerável, mas sei que o que sinto é inconsistente com o que é verdadeiro: tenho uma vida boa. Encontrei uma psicofarmacologista brilhante que montou uma rotina de medicação que na maioria das vezes tem uma eficácia surpreendente, com efeitos colaterais relativamente pequenos. Nós descobrimos como consertar quando o problema aparece. Na psicoterapia, frequento um analista que é sábio e engraçado. Uma vez, quando me mostrei um tanto desdenhoso em relação a alguns sinais de alerta precoces da depressão, ele comentou: “Nesta sala, Andrew, nunca esquecemos que você é totalmente capaz de tomar o caminho mais rápido para o porão de pechinchas da saúde mental”.

Eu controlo minha vida. Não perco um único dia de medicação. Com a ajuda de meus dois médicos, ajusto as doses e tento modificar meu comportamento assim que reconheço o menor indício de uma recaída. O propranolol, um betabloqueador que posso usar quando me sinto especialmente ansioso, diminui o meu ritmo cardíaco e me permite respirar. Ele não tem os efeitos sedativos dos benzodiazepínicos. Algum tempo atrás, aumentei meu Zyprexa, depois diminuí um pouco a dose, e gostaria de cortar totalmente, mas, em bem mais de um ano, nunca encontrei o momento certo para enfrentar a possibilidade de uma escalada da ansiedade. Sou fanático quanto ao sono e disposto a adiar quase tudo para ter certeza de que durmo o suficiente; John é quem se levanta com nossos filhos no meio da noite, se isso for necessário. Faço exercícios regularmente, tanto para o bem-estar físico como mental. Consumo bebidas alcoólicas em pequenas quantidades e ainda menos cafeína (embora tenha um fraco por chocolate amargo, que não posso comer se estou me sentindo ansioso).

Ao mesmo tempo, não estou disposto a fazer algumas concessões. Levo uma vida fascinante e estressante, e não vou abrir mão disso. Vou a todos os lugares e me dedico a pessoas demais; adoro minhas próprias ideias e tenho curiosidade pelas ideias de outras pessoas; sou um malabarista desajeitado, mas entusiasmado entre a família, os amigos e o trabalho. Prefiro tomar meus remédios e viver no mundo do que reduzi-los e me fechar em mim mesmo. Quando estou bem, faço tudo o que posso, e às vezes isso parece bipolar dois. Mas meu comportamento não é hipomaníaco; ao contrário, ele reflete a minha compreensão de que a capacidade de ser funcional pode me abandonar a qualquer momento e que devo explorar meus períodos funcionais ao máximo.

Às vezes, meus filhos são meus antidepressivos. Prometi a mim mesmo jamais pensar em suicídio depois que me tornei pai e não agir de modo deprimido perto deles se puder evitar fazê-lo, e estar com eles fortalece essas obrigações benignas. O som da voz deles tem um efeito milagroso quando estou leve ou moderadamente deprimido. Embora eles também possam me deixar furioso e preocupado, nunca me fazem sentir menos envolvido no mundo. Contudo, tento protegê-los não só da minha depressão, mas também da capacidade deles de mitigá-la, porque não quero que tomem isso como uma obrigação. John é de uma grande ajuda sempre que estou mal; quando estamos juntos em nosso quarto eu me sinto mais seguro do que me sentia em meu quarto sozinho, e não o afasto muito de minha realidade. O amor ajuda quando a depressão está em seus estágios iniciais. Mas, quando ela realmente se agrava, a maior parte dessa energia se esvai. Consigo dizer que as coisas estão ficando sérias quando minha ansiedade não responde ao riso de meus filhos. Nesse momento, meu trabalho é proteger as crianças de meu desligamento, agir do modo como eu gostaria de me sentir. Essa é a empreitada mais desgastante do mundo, embora haja certa satisfação sinistra em levá-la a cabo.

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Sofia Mariutti é editora da Companhia das Letras.

 

Autores da Companhia das Letras na Flip

Ontem foi divulgada a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty de 2014, que acontece de 30 de julho a 3 de agosto e homenageará o escritor Millôr Fernandes. Veja quais são os autores da Companhia das Letras que vão participar da 12ª Flip!

 

Gregorio Duvivier

Dia 31/7 — Mesa 1 — Poesia & Prosa
Com Eliane Brum, Charles Peixoto e Gregorio Duvivier

Autor de Ligue os pontos, Gregorio Duvivier vai integrar a primeira mesa da programação principal da Flip. A escrita poética de Duvivier tem foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano. A constelação de poemas de Ligue os pontos revela uma dicção marcadamente individual, que flerta, contudo, com o melhor da tradição carioca nonchalante, e extrai do dia a dia compartilhado imagens de desconcertante beleza.

 

Antonio Prata e Mohsin Hamid

Dia 1/8 — Mesa 8 — Livre como um táxi
Com Antonio Prata e Mohsin Hamid

O escritor e colunista da Folha de S. Paulo irá dividir a mesa 8 com o paquistanês Mohsin Hamid. No ano passado ele lançou Nu, de botas, um livro cheio de humor e lirismo que resgata suas memórias de infância.

Mohsin Hamid lançará em julho o livro Como ficar podre de rico na Ásia emergente. O romance acompanha a trajetória de um homem que sai da pobreza da zona rural para se tornar um magnata do mundo corporativo que constrói seu império a partir da água, baseando seu negócio nos conselhos de livros de autoajuda devorados por jovens ambiciosos.


Andrew Solomon

Dia 1/8 — Mesa 9 — Encontro com Andrew Solomon

Com Longe da árvore, Andrew Solomon fez uma abrangente pesquisa sobre o universo da diversidade em famílias com filhos marcados pela excepcionalidade. No livro, ele escolheu dez identidades de pessoas que “fogem do padrão” para falar sobre os sentidos de ser diferente e, principalmente, aprender a amar e respeitar as diferenças.

 

Juan Villoro

Dia 2/8 — Mesa 13 — A verdadeira história do paraíso
Com Etgar Keret e Juan Villoro

Juan Villoro é autor de O livro selvagem e vai lançar em junho no Brasil o seu novo romance, Arrecife. Se no primeiro livro o protagonista de treze anos se aventura atrás de uma obra na biblioteca de seu tio, o novo romance aborda o mercado do turismo no México ao apresentar um hotel que oferece pacotes de entretenimentos diferentes para seus hóspedes.

 

Fernanda Torres

Dia 3/8 — Mesa 18 — Romance em dois atos
Com Daniel Alarcón e Fernanda Torres

Mais conhecida pelo seu trabalho na televisão, cinema e teatro, Fernanda Torres estreou na literatura no ano passado com Fim. O livro acompanha a história de um grupo de cinco amigos cariocas que rememoram as passagens marcantes de suas vidas: festas, casamentos, separações, manias, inibições e arrependimentos.

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Vai para a Flip mas ainda não conhece nossos autores? Vamos sortear um kit com cinco livros dos convidados da festa:

Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier
Nu, de botas, de Antonio Prata
Longe da árvore, de Andrew Solomon
O livro selvagem, de Juan Villoro
Fim, de Fernanda Torres

Para participar, deixe um comentário neste post até o dia 1º de junho dizendo qual autor você mais quer ver durante a Flip 2014. Só aceitaremos um comentário por pessoa. O resultado da promoção será anunciado aqui no blog no dia 2 de junho.

RESULTADO

A vencedora do kit com os livros dos autores que participarão da Flip 2014 foi a Denise Weisheimer. Iremos entrar em contato por e-mail e, caso não houver resposta em 48h, realizaremos um novo sorteio.

Obrigado a todos que participaram!

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