annelore parot

Semana oitenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Wilson, Daniel Clowes (Tradução de Érico Assis)
Wilson é um adorável malandro e um solteiro solitário. Um pai e marido dedicado, um idiota. Um sociopata. Um fanfarrão desiludido. Uma flor delicada. Wilson é a mais nova graphic novel de Daniel Clowes, autor de Ghost World e David Boring.

História noturna, Carlo Ginzburg (Tradução de Nilson Moulin)
Durante mais de três séculos, de um extremo a outro da Europa, mulheres e homens acusados de feitiçaria confessaram ter se reunido no sabá, encontro noturno em que, na presença do diabo, celebravam-se banquetes, orgias sexuais, cerimônias antropofágicas, profanações e ritos cristãos. Nessas descrições, muitas vezes obtidas sob tortura, hoje se tende a reconhecer o fruto das obsessões de inquisidores e juízes. Carlo Ginzburg propõe uma interpretação diferente: por trás da imagem enigmática do sabá, vemos aflorar pouco a pouco um estrato antiquíssimo de mitos e processos de exclusão social: trata-se de uma viagem ao mundo dos vivos e dos mortos, à esfera do visível e do invisível.

O valor do amanhã, Eduardo Gianetti
Os juros fazem parte da vida de todos – aparecem tanto nas discussões sobre o crescimento econômico da nação como em aspectos miúdos do dia a dia. Em O valor do amanhã, Eduardo Gianetti defende que esse aspecto dos juros é apenas parte de um fenômeno natural maior, tão universal como a força da gravidade e a fotossíntese. Desde o momento em que aprendeu a planejar suas vida, o homem antecipa e projeta seus desígnios usando essa prática. Mesmo antes disso, a noção de juros já “está inscrita no metabolismo dos seres vivos e permeia boa parte do seu repertório comportamental”. Ao extrapolar os limites financeiros do fenômeno, o autor mostra que questões concretas – como a alta taxa de juros no Brasil – têm raízes comportamentais e institucionais ligadas à formação de nossa sociedade.

Retrato do Brasil – Ensaio sobre a tristeza brasileira, Paulo Prado
“Como da Europa do Renascimento nos viera o colono primitivo, individualista e anárquico, ávido de gozo e vida livre – veio-nos em seguida o português da governança e da fradaria. Foi o colonizador […] Dominavam-no dois sentimentos tirânicos: sensualismo e paixão do ouro. A história do Brasil é o desenvolvimento desordenado dessas obsessões subjulgando o espírito e o corpo de suas vítimas”. Organizado por Carlos Augusto Calil.

Histórias de Shakespeare — Otelo, Andrew Matthews (Tradução de Érico Assis)
Otelo e Desdêmona estão profundamente apaixonados e são capazes de abrir mão de tudo para ficar juntos. No entanto, o ambicioso e vingativo Iago, alferes de Otelo, quer arruinar a história de amor dos dois e, para tal, arma as mais terríveis tramoias. Isso porque Iago desejava se tornar tenente, mas, no seu lugar, Otelo promovera o soldado Cássio. Agora o alferes deseja vingança e não hesita em provocar a discórdia. Conheça esta tragédia repleta de aventura e emoção, descubra curiosidades sobre as características dos atores que representarem Otelo ao longo do tempo e aprenda um pouco mais sobre o ciúme, esse sentimento tão devastador.

O livro e ciências mais explosivo do universo, Claire Watts (Tradução de Antônio Xerxenesky)
Por que não conseguimos ouvir sons no espaço? Em quantas partes um átomo pode ser dividido? De que é feito o buraco negro? Prepare-se para a espetacular investigação das ciências que estudam como você, o mundo  o universo foram criados e funcionam. Passeie pela tabela periódica e conheça os elementos químicos; descubra as diferenças entre ácidos e bases; assista ao vivo e em cores às mudanças de estado da matéria. Da efervescência e barulhenta química à fenomenal força da física, há muito a descobrir.

Aoki, Annelore Parot (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Aoki é uma kokeshi – uma boneca de madeira de cabeça redonda, lindas roupas coloridas, que vem de um país distante: o Japão. Ela vai para Tóquio visitar sua amiga Yoko, levando os pequenos leitores em uma viagem cultural. Ela ensina palavras em japonês e pede ajuda para arrumar a mala, entre outras atividades que propõem uma leitura interativa. Com ela, viajamos no trem mais rápido do país, vemos as cerejeiras em flor, passeamos em um jardin zen, visitamos as lojinhas e sua infinidade de produtos, fazemos um piquenique e olhamos as estrelas do alto do monte Fuji. Repleto de acabamentos especiais e abas que se desdobram revelando muitas surpresas, este livro é uma maneira divertida de conhecer um pouco dessa cultura tão apaixonante.

O ogro da Rússia, Victor Hugo (Tradução de Eduardo Brandão)
Um ogro apaixonado por uma fada, como isso poderia dar certo? Na verdade, nesta história não deu, o pobre filho da fada que o diga…Um conto infantil de um dos escritores mais importantes de todos os tempos!

Semana sessenta e sete

Os lançamentos da semana são:

Ao ponto, de Anthony Bourdain (Tradução de Celso Nogueira)
Quem gosta de programas de culinária já conhece o crítico ranzinza Anthony Bourdain. Com seu programa de tevê, ele roda o mundo atrás de bons pratos e das histórias de quem os prepara. Seja comendo carne apimentada num bar sujo em Chengdu ou descrevendo o menu quatro estrelas do chef Thomas Keller, o que importa a ele é o material humano que compõe esse rico universo da gastronomia. Claro que Bourdain não se furta a longas e saborosas descrições culinárias, com requintes de crueldade que ele mesmo admite. Mas os textos reunidos neste livro vão muito além de um bom jantar. Bourdain desanca medalhões da crítica gastronômica, examina a indústria de fast-food americana e revela os bastidores do reality-show Top Chef. (Leia o capítulo “Educação básica”)

A forma difícil, de Rodrigo Naves
Publicado originalmente em 1996, este livro tornou-se um clássico da crítica brasileira. Ao analisar a obra de artistas como Debret, Almeida Júnior, Guignard, Volpi, Amilcar de Castro e Mira Schendel, Rodrigo Naves não busca inseri-los em uma determinada linha ou esquema teórico artificial. Pelo contrário, o que ele aponta é a dificuldade de encontrar “nexos esclarecedores” entre essas obras, para depois investigar o que isso diz sobre nossa melhor produção. A forma difícil é um estudo original e indispensável sobre a arte feita no Brasil.

Terramarear — Peripécias de dois turistas culturais, de Ruy Castro e Heloisa Seixas
Ruy Castro e Heloisa Seixas são dois grandes viajantes. Nas últimas décadas, têm rodado o mundo, levados por vários motivos, inclusive profissionais. Mas eles não são meros turistas. Quando viajam, buscam sempre o espírito dos lugares — a cultura das ruas pelas quais passeiam e suas relações com a história, a arquitetura, a música, o cinema, a gastronomia. Com isso, descobrem os roteiros mais surpreendentes, em Nova York, Paris, Roma, Veneza, Madri, Barcelona, Sevilha, Havana, Moscou, Saint-Tropez, Rio — e que, agora, eles nos revelam em Terramarear. (Leia o capítulo “Flanando pelo dédalo de ruelas”)

Branca de neve, de Fabrice Tourrier (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Quem não conhece a princesa que nasceu com a pele tão clarinha que foi chamada de Branca de Neve? E a madrasta malvada que sempre queria saber quem era a mais bela do reino e por isso não deixava em paz seu espelho mágico? Nesta edição desse célebre conto de fadas, destinada aos pequenos leitores, materiais de diferentes texturas são usados nas ilustrações. Dessa forma, as crianças poderão tocar a palha da cabana dos sete anões, o tecido do manto da bruxa e a maçã envenenada e também se mirar no espelho mágico. No final do livro, uma dobradura ilustra o desfecho da história.

Cachinhos dourados, de Annelore Parot (Tradução de Júlia Moritz Schwarcz)
Era uma vez uma mamãe ursa, um papai urso e um filhinho urso, que viviam em uma bela casa na floresta. Um dia, ao voltarem de um passeio, encontraram a casa toda revirada e uma menina de cabelos cacheados e amarelos feito ouro dormindo na cama do ursinho. Pena que, ao acordar, ela ficou assustada e fugiu. O pequeno urso nem pôde convidá-la a conhecer sua casa… Nas ilustrações desta edição, as crianças poderão tocar a pelagem dos ursos, o assento das cadeiras e o tecido dos lençóis. E também, ao puxar as setas, descobrir a Cachinhos Dourados dormindo e vê-la fugir para dentro da floresta.

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Além destes, também foram lançados mais 4 volumes da Coleção Prêmio Nobel. São títulos de autores que receberam o prêmio Nobel de Literatura, em edição limitada de capa dura e revestida de tecido.

Semana vinte e dois

Todos os homens são mentirosos, de Alberto Manguel (Tradução de Josely Vianna Baptista)
O ponto de partida do novo romance de Alberto Manguel é a história secreta de Alejandro Bevilacqua, misterioso autor de um único livro, que se matou no exílio em Madri. Caído no esquecimento, o escritor desperta a curiosidade de um jornalista francês, que decide escrever um livro sobre ele. As fontes são quatro pessoas que conviveram com Bevilacqua e prometem revelar segredos importantes. Enquanto o jornalista constata a impossibilidade de montar o quebra-cabeças das lembranças alheias, confundido entre equívocos e mentiras, Manguel demonstra com maestria a possibilidade de um romance dar vida nova ao passado — uma vida verdadeira, apesar de ficcional.

Palhaço, macaco, passarinho, de Eucanaã Ferraz (Ilustrações de Jaguar)
Palhaço é palhaço, macaco é macaco, passarinho é passarinho. Mas será que existe alguma coisa em comum entre eles? O poeta Eucanaã Ferraz acha que sim. E, ainda por cima, acredita que todo mundo tem um pouco dos três. A partir desses personagens, e de estruturas frasais simples, Eucanaã cria uma espécie de jogo de sintaxe em que, a cada página, palavras são trocadas de maneira a criar novos sentidos. As ilustrações são de Jaguar, que, apesar do nome de onça, faz coisas engraçadas e às vezes mais parece um macaco. E o macaco parece um palhaço que parece um passarinho. Deu para entender?

É um livro, de Lane Smith (Tradução de Júlia M. Schwarcz)
Ganha uma bolacha recheada quem responder primeiro a seguinte pergunta: qual O Assunto do Ano no mercado editorial? Sim, estamos falando do futuro do livro, dos tais e-books e a proposta de revolução que trazem consigo. E o que será do livro? E o que será dos direitos autorais? E o que será das prateleiras? E o que será dos pobres marcadores de página?! Muitos aproveitam a onda para reafirmar seu amor às letras impressas em papel, e dizem que o livro é uma espécie de deus grego: não morre nunca. Sem enveredar pelas malhas da vidência, mas deixando claro que um livro é um livro e isso basta, Lane Smith criou uma história ilustrada, tanto para crianças quanto para adultos, sobre o nosso velho e bom — e amado — livro. Aquele que, ao contrário dos produtos eletrônicos, não apita, não interage, não conecta nem retwitta. Mas que, só pela emoção da narrativa e das imagens, prende a atenção (e ainda rouba o coração) de qualquer um. Veja abaixo o trailer o livro:

Quimonos e Yumi, de Annelore Parot (Tradução de Eduardo Brandão)
Dois livros apresentam às crianças palavras e costumes japoneses a partir das kokeshis, bonequinhas típicas do país. Buracos nas páginas escondem fantasias; abas revelam o interior das casas; e recortes especiais sugerem algumas atividades, como encontrar as joaninhas que fugiram e descobrir qual a yukata — espécie de quimono levinho que se usa após o banho — de cada kokeshi. Com capa dura acolchoada, com uma tira de couro costurada, o livro é supercaprichado nos mínimos detalhes, assim como o são essas bonequinhas japonesas.