antonio prata

Autores da Companhia das Letras na Flip

Ontem foi divulgada a programação completa da Festa Literária Internacional de Paraty de 2014, que acontece de 30 de julho a 3 de agosto e homenageará o escritor Millôr Fernandes. Veja quais são os autores da Companhia das Letras que vão participar da 12ª Flip!

 

Gregorio Duvivier

Dia 31/7 — Mesa 1 — Poesia & Prosa
Com Eliane Brum, Charles Peixoto e Gregorio Duvivier

Autor de Ligue os pontos, Gregorio Duvivier vai integrar a primeira mesa da programação principal da Flip. A escrita poética de Duvivier tem foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano. A constelação de poemas de Ligue os pontos revela uma dicção marcadamente individual, que flerta, contudo, com o melhor da tradição carioca nonchalante, e extrai do dia a dia compartilhado imagens de desconcertante beleza.

 

Antonio Prata e Mohsin Hamid

Dia 1/8 — Mesa 8 — Livre como um táxi
Com Antonio Prata e Mohsin Hamid

O escritor e colunista da Folha de S. Paulo irá dividir a mesa 8 com o paquistanês Mohsin Hamid. No ano passado ele lançou Nu, de botas, um livro cheio de humor e lirismo que resgata suas memórias de infância.

Mohsin Hamid lançará em julho o livro Como ficar podre de rico na Ásia emergente. O romance acompanha a trajetória de um homem que sai da pobreza da zona rural para se tornar um magnata do mundo corporativo que constrói seu império a partir da água, baseando seu negócio nos conselhos de livros de autoajuda devorados por jovens ambiciosos.


Andrew Solomon

Dia 1/8 — Mesa 9 — Encontro com Andrew Solomon

Com Longe da árvore, Andrew Solomon fez uma abrangente pesquisa sobre o universo da diversidade em famílias com filhos marcados pela excepcionalidade. No livro, ele escolheu dez identidades de pessoas que “fogem do padrão” para falar sobre os sentidos de ser diferente e, principalmente, aprender a amar e respeitar as diferenças.

 

Juan Villoro

Dia 2/8 — Mesa 13 — A verdadeira história do paraíso
Com Etgar Keret e Juan Villoro

Juan Villoro é autor de O livro selvagem e vai lançar em junho no Brasil o seu novo romance, Arrecife. Se no primeiro livro o protagonista de treze anos se aventura atrás de uma obra na biblioteca de seu tio, o novo romance aborda o mercado do turismo no México ao apresentar um hotel que oferece pacotes de entretenimentos diferentes para seus hóspedes.

 

Fernanda Torres

Dia 3/8 — Mesa 18 — Romance em dois atos
Com Daniel Alarcón e Fernanda Torres

Mais conhecida pelo seu trabalho na televisão, cinema e teatro, Fernanda Torres estreou na literatura no ano passado com Fim. O livro acompanha a história de um grupo de cinco amigos cariocas que rememoram as passagens marcantes de suas vidas: festas, casamentos, separações, manias, inibições e arrependimentos.

* * *

Vai para a Flip mas ainda não conhece nossos autores? Vamos sortear um kit com cinco livros dos convidados da festa:

Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier
Nu, de botas, de Antonio Prata
Longe da árvore, de Andrew Solomon
O livro selvagem, de Juan Villoro
Fim, de Fernanda Torres

Para participar, deixe um comentário neste post até o dia 1º de junho dizendo qual autor você mais quer ver durante a Flip 2014. Só aceitaremos um comentário por pessoa. O resultado da promoção será anunciado aqui no blog no dia 2 de junho.

RESULTADO

A vencedora do kit com os livros dos autores que participarão da Flip 2014 foi a Denise Weisheimer. Iremos entrar em contato por e-mail e, caso não houver resposta em 48h, realizaremos um novo sorteio.

Obrigado a todos que participaram!

Dicas para o Dia das Mães

O Dia das Mães está chegando, e se você ainda não pensou em um presente para a sua, podemos ajudar.

Preparamos uma lista com dicas de livros para todos os tipos de mães para você não errar no presente. De guerreira a boa de cozinha, de trabalhadoras e independentes a sonhadoras e religiosas, há sempre uma boa leitura que poderá inspirar e emocionar a sua mãe. Confira a lista!

Para mães guerreiras

  • Eu sou proibida, de Anouk Markovits: Partindo da zona rural da Europa Central pouco antes da Segunda Guerra, passando por Paris e chegando a Williamsburg, no Brooklyn dos dias de hoje, Eu sou proibida dá vida a quatro gerações de uma família chassídica em que as escolhas acabam levando duas irmãs para caminhos opostos.

Para mães batalhadoras

  • Eu sou Malala, de Malala Yousafzai: Aos dezesseis anos, Malala se tornou um símbolo global de protesto pacífico e a candidata mais jovem da história a receber o Prêmio Nobel da Paz. Eu sou Malala é a história de uma família exilada pelo terrorismo global, da luta pelo direito à educação feminina e dos obstáculos à valorização da mulher.

Para mães politizadas

  • Almanaque 1964, de Ana Maria Bahiana: Com a linguagem mais descontraída do almanaque, muitas fotos, texto leve e altamente informativo, Ana Maria Bahiana faz um passeio delicioso e instrutivo por um tempo que ajudou a definir, com violência, paixão, som e fúria, o mundo de hoje.

Para mães nostálgicas

  • Nu, de botas, de Antonio Prata: O autor retrocede ao ponto de vista da criança e revive sua infância, em que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular – cômico, misterioso, lírico e encantado.

Para mães cult

  • Fim, de Fernanda Torres: O livro conta a história de um grupo de cinco amigos cariocas que rememoram as passagens marcantes de suas vidas: festas, casamentos, separações, manias, inibições, arrependimentos. Há graça, sexo, sol e praia nas páginas de Fim. Mas elas também são cheias de resignação e cobertas por uma tinta de melancolia.

Para mães bem-humoradas

  • Bridget Jones: Louca pelo garoto, de Helen Fielding: Quatorze anos depois do último livro, o tempo se encarregou de trazer à vida de Bridget Jones outros dramas e dilemas, mas não levou embora seu jeito estabanado e a personalidade luminosa sem a qual ela não poderia enfrentar os momentos comoventes que a aguardam.

Para mães saudáveis

  • O melhor momento, de Jane Fonda: Abordando questões sobre sexo, amor, sociabilidade, espiritualidade, alimentação, atividade física e autoconhecimento na maturidade, Jane Fonda mostra como a fase após os sessenta anos pode ser aquela em que realmente nos tornamos as pessoas ativas, afetuosas e plenas que sempre deveríamos ter sido.

Para mães trabalhadoras

  • Faça acontecer, de Sheryl Sandberg: Eleita uma das dez mulheres mais poderosas do mundo pela revista Forbes, Sheryl encoraja as mulheres a sonharem alto, assumirem riscos e se lançarem em busca de seus objetivos sem medo. Ela acredita que um maior número de mulheres na liderança levará a um tratamento mais justo de todas as mulheres.

Para mães independentes

  • O amor chegou tarde em minha vida, de Ana Paula Padrão: Neste livro comovente e inspirador, Ana Paula Padrão abre o jogo e revela que por trás da jornalista bem-sucedida há uma mulher profundamente humana, que amadureceu tendo de lidar com inseguranças, dores e desejos.

Para mães boas de cozinha

  • Pitadas da Rita, de Rita Lobo: Livro inédito de receitas e dicas que foram testadas e aprovadas pela chef Rita Lobo. Deliciosas e práticas, essas Pitadas prometem trazer novo fôlego para a cozinha do dia a dia.

Para mães vaidosas

  • Mulheres francesas não fazem plástica, de Mireille Guiliano: Mireille Guiliano, ex-presidente da Clicquot, Inc., revela os segredos e truques das francesas na alimentação, estilo e hábitos, e convida o leitor a abandonar alguns padrões, redefinir prioridades, aproveitar os anos de maturidade  e cuidar da aparência de uma nova forma, antes de recorrer ao bisturi do cirurgião plástico.

Para mães religiosas

  • A Igreja da misericórdia, de Papa Francisco: Escrevendo pela primeira vez como papa, Francisco nos passa uma bonita e esperançosa mensagem de misericórdia, em que busca rever seu papel no mundo moderno, ressaltando a importância de servir e acolher os necessitados.

Para mães sonhadoras

  • A invenção das asas, de Sue Monk Kidd: Uma obra-prima de esperança e ousadia, A invenção das asas usa a imagem histórica de Sarah Grimké para contar a história de duas mulheres que questionam as regras da sociedade em que vivem e buscam a liberdade.

Noite de estreia #1 – Antonio Prata e Gregorio Duvivier


(Crédito: Renato Parada)

Dia 7 de novembro aconteceu no Cine Joia a Noite de Estreia, primeira edição do novo formato de noite de autógrafos da editora Companhia das Letras, com o lançamento dos livros Nu, de botas, de Antonio Prata, Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier. Veja aqui mais fotos do evento, e leia abaixo os textos que os escritores fizeram como apresentação.

* * *

Gregorio por Antonio Prata

Uns anos atrás eu tava na sala de espera do oftalmologista, abri uma piauí e me deparei com o seguinte poema:

alguns lugares pertencem a tempos
específicos e jazem enclausurados
numa data como certos becos
de copacabana que moram em 1993
eternamente e de onde se pode ligar
de orelhões com fichas e comprar
revistinhas do cascão por cinco mil cruzeiros.

Eu fiquei muito impressionado. Primeiro: com a beleza estranha daqueles versos. Como um poema que contém Copacabana, orelhão e revistinhas do Cascão podia ser tão melancólico?

A segunda coisa que me chamou a atenção foi o nome do autor: Gregorio Duvivier. Um nome de livro de história, de Libertador da América, tipo Simón Bolívar. (Ou, no mínimo, o nome de um sambista do início do século passado: eu não estranharia nada se descobrisse o hino de um time já extinto, de 1932, o Laranjeiras Futebol Clube, digamos, escrito por Lamartine Babo e Gregorio Duvivier.)

Bom, passam-se alguns anos. Eu tô no bar Balcão e entra o Flávio Moura — amigo que, entre outros feitos mais notáveis, foi o editor do Nu, de botas. O Flávio vinha da Mostra de Cinema e tava empolgado com um filme chamado Apenas o fim. Lembro dele falando do protagonista: “o moleque é um Woody Allen, Prata! Um Woody Allen carioca, de vinte anos!” Umas semanas depois, consegui uma cópia do filme e descobri, feliz, que o Woody Allen era o dono daquelas revistinhas do Cascão, enclausuradas eternamente num beco de Copacabana, em 1993, o Libertador da América, o parceiro do Lamartine Babo, Gregorio Duvivier.

De lá pra cá, fui acompanhando a trajetória do Gregorio, meio de longe, mas atento, vendo-o aqui e ali, no cinema e na televisão, até que no ano passado, finalmente, esse rosto se tornou onipresente na minha vida, assim como na de milhões de brasileiros, através do Porta dos Fundos.

Aparentemente, um canal de sketches de humor e um livro de poesias são realidades tão distantes quanto as revistinhas do Cascão e a melancolia. Mas só aparentemente, porque o que o Gregorio faz, o tempo todo, é misturar humor e poesia, superficialidade e profundidade, peso e leveza. Você acha que ele tá falando dos Cavaleiros do Zodíaco, mas tá falando de amor. Ele te leva até o extremo do lirismo e inverte o clima com o zumbido de um ar condicionado.

Esse talento do Gregorio, de encontrar as pepitas da beleza e do humor garimpando na areia da praia ou nos becos de Copacabana é de fundamental importância no processo civilizatório. Tô falando sério. Num país em que ninguém lê, a literatura vai perdendo os pés do chão. Começa a se vestir de fraque, cartola e abotoaduras. Sai por aí cheia das mesóclises. Claro, é mais fácil ficar bonita maquiada, de brinco, pulseira e colar. Difícil mesmo é ser estonteante de cara lavada. É fazer poesia com revistinha do Cascão, dentaduras, sabonete Araxá, lagartas listradas ou miojos. Mas, quando você consegue pegar o lirismo pela orelha, assim, numa rua de Botafogo, entre os ambulantes da praia, no caixa do supermercado, a poesia desse momento (como diria outro poeta, mestre em tirar leite de pedra) inunda a nossa vida inteira.

* * *

Eu e o Prata (por Gregorio Duvivier)

Fiquei melhor amigo do Prata sem que ele soubesse. Li o livro Douglas e outras histórias, presente do Fernando Caruso, amigo meu que já era melhor amigo do Prata sem que ele soubesse. Não parecia que eu tinha lido o livro, parecia que eu tinha sentado num bar com o Prata e ele tinha me contado o livro inteiro. E falando assim parece que foi chato, mas não foi. Foi muito legal. Tanto é que a gente ficou melhor amigo à primeira vista. Sem que ele soubesse, é claro.

Eu reconheci nele o melhor amigo que me faltava desde que eu e meu então melhor amigo começamos a ver outras pessoas, porque a relação se desgastou, muito pela questão da presença física. Não demorei a perceber uma coisa: quando você não conhece alguém, é muito pouco provável que vocês briguem. O grande problema de uma amizade é você conhecer a outra pessoa. Durante anos, cultivei essa amizade platônica, que é um tipo de relação que eu recomendo.

Tive algumas oportunidades de conhecê-lo, mas preferi não chegar às vias de fato, porque isso poderia abalar a nossa relação. Vai que ele tem 1,90m. Eu não posso andar do lado de um cara de 1,90m. Eu sou muito criterioso em relação à altura das pessoas com quem eu ando. Na amizade platônica, a pessoa tem a altura que você quiser. Você só tem os benefícios da amizade, sem aquela obrigação de ir no chá-de-panela, ou liberar no candy crush. Caso vocês estejam se perguntando, ele não é o meu único amigo platônico. Tenho alguns, entre eles o Paul McCartney e o Fred do Fluminense. Mas o Prata era o mais íntimo, mesmo.

Percebam que eu já chamava ele de Prata como se eu o conhecesse. Sim, porque chamar pelo sobrenome é sinônimo de intimidade. Parece que você estudou na escola dele e tinha vários antonios e ele acabou ficando conhecido como o Prata. Quando a pessoa quer fingir que é amiga de alguém dá logo um apelido. “Eu tava tomando um chope com a Dilminha”. Eu duvido que alguém chame a Dilma de Dilminha. Agora, se alguém disser: “Eu tava tomando um chope com a Rousseff”, as pessoas vão falar: “Caramba, ele é amigo da Dilma”. Se bem que não. Porque acho que ela não toma chope. E eu não vejo porque alguém iria tirar essa onda. Péssimo exemplo. Mas resumindo: fomos muito amigos, eu e o Prata. E durou um tempo. E foi bom enquanto durou.

Até o dia em que a Companhia das Letras sugeriu que a gente lançasse o livro juntos. E me mandaram o livro Nu, de Botas. E descobri que a gente não era melhor amigo. A gente era a mesma pessoa. Li as memórias dele com a impressão estranhíssima de que eram as minhas memórias. E eu garanto que isso vai acontecer com você também. Por mais louca e específica que tenha sido a vida do Prata, por mais louca e específica que tenha sido a sua vida, quando o Prata fala da vida dele, parece que é a sua vida, parece que ele é você e sempre foi.

Resultado: o livro me fez rir e chorar e depois rir de novo do ridículo que foi chorar no aeroporto e chorar pelo ridículo que é ficar rindo e chorando no aeroporto e acabar perdendo o voo e pensar: que bom, vou poder rir e chorar mais um pouquinho. Volta e meia tinha que fechar as páginas e lembrar da minha própria vida, pra não misturar com a vida dele (na verdade não fechava as páginas porque recebi o livro como um arquivo pdf por e-mail e li no celular mesmo, mas “fechava as páginas” é muito melhor do que “fechava o aplicativo”). Entrei no voo com o “livro” nas mãos e li até o momento em que a aeromoça me pediu pra “desligar” o livro. Fiz o que todo o mundo faz. Fechei o livro apertando o botão em cima dele mas não tempo o bastante pra desligar. Assim que ela virou liguei o livro de novo e continuei a ler.

Cheguei no Rio determinado a terminar essa relação platônica. Em primeiro lugar, é muito narcisismo você ser melhor amigo de você mesmo. Em segundo lugar, a gente iria se conhecer. Poucas amizades platônicas resistem ao conhecimento do objeto “amigado”.

Aí a gente se conheceu. E parecia que a gente já se conhecia há muito tempo. Porque a gente já se conhecia há muito tempo. E tem coisas que a amizade platônica não pode te dar. Ele tem 1,69m, igualzinho a mim. Na verdade ele tem 1,68m e mente que tem 1,69m. Igualzinho a mim. Viva a amizade. A platônica, e as outras.

Semana cento e setenta e sete

Os lançamentos desta semana são:

Nu, de botas, de Antonio Prata
Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor a que seus milhares de leitores já se habituaram, primeiro no Estadão, enre 2003 e 2009, e agora na Folha de S.Paulo, jornal em que escreve semanalmente desde 2010. Cronista de grande destaque de sua geração e um dos maiores do país, Prata é criador de bordões que já fazem parte do léxico popular – tais como “meio intelectual, meio de esquerda”, título de um de seus textos mais célebres -, bem como de passagens hilariantes da novela global Avenida Brasil, cuja equipe de colabores ele integrou. Com este livro, Prata tira do baú mais uma coleção de achados memoráveis – pronto para figurar nas antologias da literatura brasileira ou na próxima conversa de bar.

Bridget Jones: Louca pelo garoto, de Helen Fielding (Tradução de Julia Romeu, Ana Ban e Renato Prelorentzou)
“O que fazer quando a festa de sessenta anos da sua amiga será no mesmo dia do aniversário de trinta do seu namorado? É errado mentir a idade em sites de relacionamento? O Dalai-Lama escreve os próprios tuítes ou será que ele tem um assistente? Dormir com alguém depois de dois encontros e seis semanas trocando mensagens de texto é o mesmo que se casar depois de dois encontros e seis meses de troca de cartas nos tempos de Jane Austen?” – Às voltas com esses e outros dilemas modernos, Bridget Jones encara neste novo e aguardado romance os desafios de ser mãe solteira, adaptar-se ao mundo digital e redescobrir sua sexualidade numa fase que algumas pessoas chamam, de forma grosseira e ultrapassada, de “meia-idade”. Bridget Jones está de volta!

Alimentar a cidade, de Richard Graham (Tradução de Berilo Vargas)
A partir de uma perspectiva instigante e inovadora – a história do abastecimento da cidade – o brasilianista Richard Graham analisa, com um misto de erudição e verve narrativa, um momento crucial e de profundas mudanças em Salvador e na colônia. Alimentar a cidade não trata exatamente de comida, nem é uma história da alimentação. Antes, revela as relações na sociedade colonial com base no comércio da comida. Graham parte daí para mostrar como brancos e negros, homens livres, escravos e libertos, “brasileiros”, africanos e portugueses interagiam uns com os outros, e em quais termos. Com descrições vívidas da cidade e de seus habitantes – as roupas, o interior das casas, os bens comerciados -, este livro é uma viagem às articulações mais essenciais, e portanto reveladoras, dessa sociedade atlântica.

O cerne da matéria, de Rogério Rosenfeld
Com quase trinta quilômetros de circunferência e instalado a uma profundidade de aproximadamente cem metros, o acelerador de partículas LHC é uma das grandes expressões do engenho humano, comparável em escopo apenas à exploração especial e ao mapeamento do genoma. Concebido para aumentar nosso entendimento acerca da estrutura da matéria e do cosmos, recentemente o LHC foi palco de uma das maiores descobertas científicas de nosso tempo, ao provar a existência do bóson de Higgs – partícula que explicaria a origem da massa de todas as partículas elementares. Em O cerne da matéria, o físico brasileiro Rogério Rosenfeld retraça o caminho que levou à construção do acelerador. Do ponto de vista privilegiado de quem trabalhou no LHC, Rosenfeld desvenda a longa batalha política que culminou na gigantesca estrutura. Mais que isso, oferece um rico panorama histórico dos avanços científicos atrelados ao acelerador, inserindo a descoberta do bóson de Higgs numa narrativa esclarecedora e empolgante sobre as fronteiras da ciência e os homens que ousaram desafiá-las.

Contos da Cantuária, de Geoffrey Chaucer (Tradução de José Francisco Botelho)
Publicado a primeira vez em 1475, Contos da Cantuária é uma das pedras fundamentais da literatura do Ocidente, uma coleção magistral de histórias de cavalaria, alegorias morais e farsa desbragada. Escritas pelo britânico Geoffrey Chaucer, as histórias ajudaram – assim como Dante e Cervantes fizeram em suas respectivas culturas literárias – a sedimentar a literatura de todo um país. Tudo começa a partir de um certame entre peregrinos acerca das melhores histórias de cavalaria e romances. Rico e diverso, o livro descortina – com crueza e lirismo, graça e deboche – o universo social e cultural da Inglaterra em plena Idade Média. Anedotas, ciclos cavalheirescos, escatologia, ensinamentos edificantes e muita caricatura surgem nas histórias desses peregrinos que rumam em direção à Cantuária, onde pretendem visitar o túmulo de São Thomas Becket. Vertido para o português com maestria, mas sem deixar de lado o humor e a diversão, o livro tem tudo para cativar leitores de todas as idades.

Noite de estreia #1 – com Antonio Prata e Gregorio Duvivier

Companhia das Letras e Cine Joia apresentam:

NOITE DE ESTREIA #1

com

Antonio Prata e Gregorio Duvivier

Dia 7 de novembro, às 20 horas, acontece no Cine Joia a Noite de Estreia, primeira edição do novo formato de noite de autógrafos da editora Companhia das Letras, com o lançamento dos livros Nu, de botas, de Antonio Prata, e Ligue os pontos, de Gregorio Duvivier. Após o bate-papo entre os autores e a sessão de autógrafos, acontece uma festa com a discotecagem por conta dos editores da casa.

Os ingressos, no valor de R$ 50,00, já estão à venda pelo site do Cine Joia e dão direito a um livro de cada autor – nas livrarias, a compra dos dois títulos sai por R$ 61,00.

“Em algum momento da vida as pessoas escolhem se vão ser sérias ou engraçadas. Para a nossa sorte, o Gregorio faltou nessa aula, sendo capaz, nestes belos e surpreendentes poemas, de extrair melancolia de um Guaraplus e graça do Big Bang.” — Antonio Prata

“Ler o livro do Antonio Prata me fez rir e chorar e depois rir de novo do ridículo que foi chorar no aeroporto e chorar pelo ridículo que é ficar rindo e chorando no aeroporto e acabar perdendo o voo e pensar: que bom, vou poder rir e chorar mais um pouquinho.” — Gregorio Duvivier

Sobre os autores

Antonio Prata é o cronista de maior destaque de sua geração e um dos maiores do país. Um dos integrantes da edição Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa Granta, Prata escreve semanalmente no jornal Folha de S. Paulo desde 2010.

Gregorio Duvivier é um dos idealizadores do coletivo Porta dos Fundos, em que trabalha como roteirista e ator. Já teve seus poemas publicados na revista piauí e no jornal O Globo e atualmente colabora com a Folha de S. Paulo, assinando uma coluna semanal na Ilustrada

Sobre os livros

Nu, de botas (crônicas)

Em Nu, de botas, Antonio Prata revisita as passagens mais marcantes de sua infância. As memórias são iluminações sobre os primeiros anos de vida do autor, narradas com a precisão e o humor.

As primeiras lembranças no quintal de casa, os amigos da vila, as férias na praia, o divórcio dos pais, o cometa Halley, Bozo e os desenhos animados da tevê, a primeira paixão, o sexo descoberto nas revistas pornográficas – toda a educação sentimental de um paulistano de classe média nascido nos anos 1970 aparece em Nu, de botas.

O que chama a atenção, contudo, é a peculiaridade do olhar. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular – cômico, misterioso, lírico, encantado.

Ligue os pontos — poemas de amor e big bang

Ligue os pontos mostra que, para além da prosa humorística, o tratamento lúdico das palavras pode render poesia de qualidade. Refinada no curso de Letras da PUC do Rio — e elogiada por autoridades como Millôr Fernandes, Paulo Henriques Britto e Ferreira Gullar —, a escrita poética de Duvivier tem foco na importância descomunal dos momentos insignificantes do cotidiano.

Flashes pungentes e irônicos da adolescência — o autor é um expoente da “geração do bug do milênio” —, o mistério da criação, as palavras e suas relações inusitadas, a experiência do amor vivido enfim como gente grande, a transitoriedade de tudo: tendo a geografia sentimental do Rio de Janeiro como pano de fundo, a constelação de poemas de Ligue os pontos revela uma dicção marcadamente individual, que flerta, contudo, com o melhor da tradição carioca nonchalante, e extrai do dia a dia compartilhado imagens de desconcertante beleza.

Serviço:

Quinta-feira, 07 de novembro
Abertura da bilheteria: 18h / Abertura da casa: 19h / Horário do talk-show: 20h
Valores: R$ 50,00 – O ingresso dá direito a um exemplar de Nu, de botas e Ligue os pontos

Cine Joia – www.cinejoia.tv/ingressos

Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade
Telefone: 3231.3705 / 3101-1305
Cartões de crédito e débito: Visa, Mastercard, Diners, Elo e American Express
Possui área de fumantes e acesso a deficientes
Classificação: 14 anos. Só será permitida a entrada de pessoas com menos de 14 anos se estiverem acompanhadas dos responsáveis.
Chapelaria: R$ 5,00
Serviço de vallet: R$ 25,00

O Cine Joia respeita a lotação máxima determinada por lei.