arnaldur indridason

Semana cento e trinta e sete

Os lançamentos desta semana são:

Como ser babá do vovô, de Jean Reagan (Trad. Érico Assis)
Cuidar do vovô pode ser muito divertido — basta saber como é que se faz. Nas páginas deste livro, você vai descobrir dicas essenciais, que incluem: como brincar com o vovô, coisas para se fazer num passeio, lanches que o vovô gosta. Assim, da próxima vez que ele vier, você já vai estar preparado, com os lápis de cera, os tubarões de pelúcia e o ketchup a postos!

O mundo de Tainá, de Cláudia Levay
Olá! Meu nome é Tainá e eu moro na Floresta Amazônica, um lugar cheio de histórias, povos, bichos e plantas que você talvez não conheça. Já ouviu falar do tupi? Essa língua era falada há muito tempo no Brasil pelos índios e colonizadores que viviam por aqui, e várias palavras desse idioma acabaram virando parte do português e são muito usadas por todo mundo até hoje. Neste livro, eu explico o que quer dizer abacaxi, arara, capim e muitas outras palavras na língua dos índios e também conto algumas lendas que todas as crianças daqui da floresta conhecem. Com certeza você vai se divertir bastante — afinal, no Brasil todo mundo tem coração de índio!

Cidadania, um projeto em construção, de André Botelho e Lilia Moritz Schwarcz
Definir com exatidão o significado de cidadania não é tarefa fácil. Desde a Antiguidade, o termo foi sendo adaptado às novas práticas políticas, sociais e econômicas. Mas se existe um fio condutor, ele certamente diz respeito às relações do indivíduo com a sociedade, e talvez por isso hoje esteja tão ligado à luta dos cidadãos pelos direitos civis e políticos. Os textos aqui reunidos tratam de alguns dos principais temas do Brasil contemporâneo: o acesso à justiça, o combate à desigualdade, a distinção entre o público e o privado, a liberdade de culto, a segurança pública, a luta contra o racismo, o reconhecimento da diversidade sexual e a defesa do meio ambiente, temas tão complexos quanto cruciais, cujo debate de ideias é fundamental para a formação desse imenso projeto em construção chamado cidadania.

Nem preto nem branco, muito pelo contrário, de Lilia Moritz Schwarcz
Publicamente, em entrevistas à imprensa e pesquisas de opinião, a discriminação racial é condenada por unanimidade pela população brasileira. No entanto, apesar de não se declararem racistas, quase todos os brasileiros afirmam conhecer alguém que seja. A existência do preconceito é reconhecida, mas sua prática é sempre atribuída ao outro. O racismo ganha assim contornos de uma estranha invisibilidade: apesar de não aparecer na forma de políticas oficiais ou manifestações públicas abertamente discriminatórias, está presente nos contatos mais elementares das relações cotidianas. Em Nem preto nem branco, muito pelo contrário, a antropóloga Lilia Moritz Schwarcz aborda um dos temas mais recorrentes na discussão sobre racismo no Brasil: a ambiguidade. Em um estudo abrangente, que trata das relações sociais no país desde a época colonial, este ensaio revela que existe muito mais entre o branco e o preto no Brasil contemporâneo do que supõe o velho mito da democracia racial.

Índios no Brasil, de Manuela Carneiro da Cunha
Nos textos aqui reunidos, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha desfaz preconceitos recorrentes e responde a perguntas muitas vezes levantadas: como se determinou a configuração dos territórios indígenas? Quais os fundamentos dos direitos indígenas consagrados na Constituição? Quem pode ser considerado índio? A autora resgata, assim, a história dos índios no Brasil e a história da política indigenista. Mostrando como as ideias de progresso e desenvolvimento mudaram desde os anos 1970, como se conferiu novo valor à diversidade cultural e como foi abandonada a proposta de assimilação, de que eles deveriam “ser como nós”, Índios no Brasil debate a relevância dos povos indígenas para um projeto democrático de futuro.

As figuras do sagrado, de Maria Lucia Montes
O Brasil não é mais um país cuja religiosidade pode ser medida pelo número de católicos. A implantação do Estado laico, a chegada das igrejas protestantes, a ascensão do espiritismo e dos cultos afro-brasileiros e a influência crescente das igrejas pentecostais e de diferentes formas de misticismo foram alguns dos motivos que tiraram a igreja católica do centro da religiosidade no país. Historicamente influenciado pela religião, que por quatro séculos esteve associada à vida pública, o Brasil assistiu a vida social se tornar múltipla e fragmentária, sendo então o indivíduo, que não tinha mais uma única força para orientar a sua conduta, convidado a depender cada vez mais de si para eleger os valores que lhe são significativos. As figuras do sagrado faz uma análise importante desse tema central da vida brasileira e mostra que a sua complexidade vai muito além da constatação do tão aclamado sincretismo religioso.

Ceci e o vestido do Max, de Thierry Lenain (Trad. Marcela Vieira)
Max quer de todo jeito que Ceci use um lindo vestido de princesa cheio de laços e fru-frus. Mas ela odeia essas coisas de menina e decide que só vai experimentá-lo se Max fizer o mesmo antes. Será que ele topa?

O segredo do lago, de Arnaldur Indridason (Trad. Álvaro Hattnher)
Uma pesquisadora especializada em hidrologia faz medições no lago Kleifarvatn, nas proximidades de Reykjavík. O lago está quase seco, graças a um fenômeno de drenagem natural, e no leito de areia a cientista encontra um esqueleto com um buraco no crânio. Chamada ao local, a polícia descobre que a ossada está amarrada a um antigo dispositivo transmissor russo — graças ao peso do aparelho, o cadáver deve ter permanecido submerso por décadas. O inspetor Erlendur, seu assistente Sigurdur Óli e a detetive gourmet Elínborg mergulham  em uma investigação que os fará reconstituir um crime ocorrido muitos anos antes, mas que continua a refletir na vida cotidiana e na memória dos moradores da capital da Islândia. Nesta história que recua para os tempos da Guerra Fria e alterna-se entre a Reykjavík atual e a Leipzig da Alemanha Oriental dos anos 1950, o consagrado autor islandês Arnaldur Indridason constrói uma intrincada trama investigativa e existencial, que surpreende o leitor até as últimas páginas.

Origens do totalitarismo, de Hannah Arendt (Trad. Roberto Raposo)
Publicado pouco depois da Segunda Guerra Mundial, em 1951, este livro é considerado a história definitiva dos momentos políticos totalitários e um marco na obra de Hannah Arendt. No ensaio, a autora elucida o crescimento do antissemitismo e analisa o imperialismo colonial europeu, para então centrar-se nos dois principais regimes totalitários da nossa era, a Alemanha nazista e a Rússia stalinista. A transformação de classes em massas, o papel da propaganda e o uso do terror são fatores essenciais, segundo Arendt, para o funcionamento desse tipo de regime. Como destaca o professor Celso Lafer, “a incisiva e inesgotável sugestividade do abrangente pensamento de Hannah Arendt torna este livro ponto de referência indispensável para a reflexão político-filosófica no mundo contemporâneo”.

Editora Paralela

A menina que fazia nevar, de Grace McCleen (Trad. Renato Prelorentzou)
Judith McPherson e seu pai têm uma rotina simples e reclusa, numa casa repleta de lembranças da mãe que ela nunca conheceu, e as únicas pessoas com quem convivem são os fiéis da igreja a que pertencem. Judith não tem amigos na escola, onde é alvo de gozações, e para encontrar consolo se refugia no mundo de sucata que construiu em seu quarto, onde pode ser feliz graças a sua imaginação. Basta acreditar que a Terra Gloriosa — sua maquete — é realmente o paraíso prometido onde um dia vai viver ao lado da mãe. O que nem Judith poderia imaginar é que talvez seu brinquedo seja mais do que uma simples maquete. Pelo menos é o que parece quando ela cobre a Terra Gloriosa de espuma de barbear e a cidade aparece coberta de neve na manhã seguinte. Um pequeno milagre, é assim que ela interpreta esse e outros sinais parecidos. Tão pequeno que muitas pessoas poderiam pensar que não passa de coincidência, mas Judith sabe que milagres nem sempre são grandes, e que reconhecê-los é um dom de poucas pessoas. Longe de ser benéfico, no entanto, esse poder traz consigo uma grande responsabilidade. Afinal, seria certo usar a Terra Gloriosa para se vingar de Neil Lewis, o colega que a maltrata todos os dias na escola? Às vezes, nosso ato mais bem intencionado pode ter resultados desastrosos.

Semana noventa e três

Os lançamentos da semana são:

Vozes, Arnaldur Indridason (Tradução de  Álvaro Hattnher)
O porteiro de um luxuoso hotel de Reykjavík é encontrado morto em circunstâncias no mínimo estranhas: na cama manchada de sangue, Gudlaugur está com um traje de Papai Noel e um preservativo que parece conter traços de saliva. Ao chegar ao local do crime, o inspetor Erlendur, avesso às festividades de fim de ano em razão de um trauma de infância, decide ficar hospedado no hotel até o fim das investigações. Quem era, afinal, Gudlaugur, funcionário antigo do hotel mas que ninguém parecia de fato conhecer? Alguém frequentava o seu quarto? Para manter a reputação do lugar, ou preservar seus próprios interesses, os funcionários não dizem tudo o que sabem. Mas, entre as visitas da filha e as velhas lembranças que o aterrorizam, Erlendur embrenha-se aos poucos na misteriosa vida da vítima. Tendo como pano de fundo a atmosfera claustrofóbica do inverno islandês, Arnaldur Indridason cria um duro retrato do país, bem distante dos sonhos de Natal, onde intrincadas e violentas relações familiares se escondem sob as vozes do passado.

Preto no branco, Thomas E. Skidmore (Tradução de Donaldson M. Garschagen)
Em Preto e branco, Thomas E. Skidmore, decano entre os “brasilianistas”, examina como as elites intelectuais brasileiras enxergavam a sociedade multirracial do país nas últimas décadas do Império e nas primeiras da República. Com base nos escritos e discursos de uma grande gama de cientistas, políticos e romancistas, o livro revela que a intelligentsia local, influenciada por padrões e formas europeus, procurou acomodar as teorias racistas então em voga – que consideravam o negro inferior e condenavam a mestiçagem – à situação local. A solução original encontrada foi o “branqueamento” da sociedade, por meio da imigração européia. Skidmore mostra, no entanto, como as idéias deterministas foram gradualmente cedendo lugar a novas perspectiva, que davam ênfase aos aspectos positivos da miscigenação, e acabaram por produzir um consenso sobre a existência de uma “democracia racial” no país, tese que gerou uma percepção distorcida do racismo brasileiro. O livro é prefaciado por Lilia Moritz Schwarcz.

Segundos fora, Martín Kohan (Tradução de Heloisa Jahn)
De um lado, o embate mítico entre os boxeadores Jack Dempsey, campeão mundial, e Luis Angel Firpo, conhecido como El Toro Salvaje de lãs Pampas. De outro, a paresentação da primeira sinfonia de Gustav Mahler no Teatro Colón, em BuenosAires, regida por Richard Strauss. Setembro de 1923 foi abalado por esses dois eventos, que décadas mais tarde concorrem para ser a matéria principal da edição comemorativa do cinqüentenário do jornal de uma cidadezinha na Patagônia. A disputa é travada por dois colegas jornalistas: enquanto Ledesma defende Mahler e a cultura erudita, Verani aposta na popularidade da luta que aconteceu em Nova York e foi transmitida pelo rádio, abalando o moral da nação Argentina. À margem desse debate, surge a notícia de um assassinato (ou terá sido suicídio?) naquela mesma época – um mistério não solucionado que será o ponto de interseção entre as esferas erudita e popular, que, à primeira vista, pareciam incompatíveis.

A magia da realidade, Richard Dawkins (Tradução de Laura Teixeira Motta; Ilustrações de Dave McKean)
De que são feitas as coisas? Por que existe noite e dia, inverno e verão? O que é o Sol? Quando e como tudo começou? Existe vida fora da Terra? A resposta para essas e muitas outras perguntas que fazemos sobre o planeta e o universo pode ser encontrada neste livro divertido e surpreendente sobre os cientistas e suas descobertas. Escrito pelo best-seller mundial Richard Dawkins e com ilustrações do renomado Dave McKean, A magia da realidade contrapõe antigos mitos em que muitos ainda acreditam a verdades científicas por vezes desconhecidas para mostrar que a realidade é bem mais impressionante que qualquer invenção.

O acendedor de sonhos, Dorothée Piatek e Gwendal Blondelle (Tradução de Eduardo Brandão)
Num tempo em que a noite tinha se tornado eterna, em que não existiam nbem plantas, nem mesmo água, um acendedor de sonhos trabalhava sem parar, tentando trazer um pouco de luz à Terra. Ele era tão grande que tinha que se curvar para não encostar no céu! Um dia, ele recebe um pedido especial: ajudar uma criança a regar uma flor feita de sol. Juntos em busca da água, os dois vão aprender que a Terra é um bem muito precioso que todos precisamos preservar.

Semana sessenta e dois

Os lançamentos da semana são:

Causas nada naturais, de P.D. James (Tradução de Fernanda Abreu)
Depois de solucionar um caso difícil, Adam Dalgliesh, inspetor da Scotland Yard, tira férias e vai buscar um pouco de sossego na casa de sua tia, que vive na pequena comunidade de Monksmere Head, em Suffolk, leste da Inglaterra. Ele também precisa decidir se irá se casar com a namorada. Mas logo na manhã de chegada a paz é interrompida: Dalgliesh recebe a notícia de que um romancista policial foi encontrado morto, com as mãos decepadas, em um barco abandonado a poucas milhas dali. Apesar de a autópsia indicar morte por causas naturais, uma herança polpuda e um manuscrito de autoria duvidosa indicam que houve algo a mais. Mesmo não sendo responsável pelo caso, Dalgliesh se vê impelido a desvendá-lo. Afinal, a solução de um crime que envolve um grupo de literatos vaidosos e ressentidos pede a acuidade de um policial que também é poeta.

Microcosmos, de Claudio Magris (Tradução de Roberta Barni)
Claudio Magris, um dos maiores escritores italianos contemporâneos, volta a percorrer os lugares e temas centrais de sua obra. Danúbio e Microcosmos guardam muitas semelhanças, mas, se o primeiro se estendia das nascentes à foz do grande rio europeu, explorando personagens e acontecimentos históricos da Mitteleuropa, o segundo se retrai para a cidade natal do escritor, Trieste, e seu entorno. Magris circula pelos cafés e ruas de sua cidade, visita regiões da fronteira italiana que até recentemente tinham pertencido à ex-Iugoslávia, encontra escritores locais, familiares, figuras anônimas. O resultado é uma sucessão de fragmentos descritivos que não se deixam compor numa narrativa mais ampla, como ocorrera em Danúbio. Microcosmos se mostra apenas como quadros desgarrados da memória sentimental do autor, que olha e registra o que vê.

O silêncio do túmulo, de Arnaldur Indridason (Tradução de Álvaro Hattnher)
Neste premiado romance policial nórdico (mesma região que nos trouxe Stieg Larsson e Henning Mankell), um esqueleto, provavelmente datado da 2ª Guerra, é encontrado por acaso em um canteiro de obras próximo a Reykjavík, Islândia. Enquanto os ossos são removidos por um grupo de arqueólogos, cabe ao inspetor Erlendur e a seus assistentes remexer nas velhas histórias da região, que envolvem violência doméstica, um suicídio duvidoso e a presença de uma base aliada durante a guerra. Paralelamente à investigação, Erlendur precisa lidar com sua filha viciada em drogas, com quem mantém uma relação distante, mas que acabou de entrar em coma. Nessa narrativa concisa e potente, a memória é o grande fio condutor.

Histórias e versos das estações do ano, de vários autores e ilustradores (Tradução de Eduardo Brandão)
As quatro historinhas e os 24 poemas e quadrinhas reunidos neste livro, escritos e ilustrados por diversos artistas, tratam das estações do ano e das principais festas e datas especiais: Natal, Páscoa, o início das férias… A concisão, o tema familiar e os versos e diálogos fáceis de acompanhar fazem com que mesmo as crianças que ainda não sabem ler possam apreciar a leitura dos textos em voz alta. Como nos outros volumes da coleção, a capa dura é produzida com um tipo de acabamento que a torna “fofinha”, fazendo com que fique ainda mais atrativa para os pequenos leitores. Na mesma série já foram publicados os títulos de sucesso: Historinhas de contar, Histórias para todos os dias, Rima pra cá, rima pra lá e Histórias, quadrinhas e canções com bichos.

A lentidão, de Milan Kundera (Tradução de Teresa Bulhões Carvalho da Fonseca e Maria Luiza Newlands da Silveira)
Nesta que é sua primeira narrativa escrita em francês, Milan Kundera, autor de A insustentável leveza do ser, volta a investigar os limites do romance, mesclando ficção e especulação metafísica, a exemplo de mestres da Ilustração como Voltaire e Diderot. Integrando diversos personagens em planos múltiplos — o próprio autor e sua mulher, um entomólogo tcheco, os personagens de uma novela libertina do século XVIII, o “dançarino” —, Kundera propõe uma discussão a um tempo profunda e prazerosa sobre a dificuldade de apreensão do real ante a velocidade da vida moderna, a memória e o esquecimento, o clima frenético de hoje e uma época em se podia retardar o movimento em favor da fruição.