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Maus, 30 anos

Por Érico Assis

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Neste agosto, faz 30 anos que Maus — A Survivor’s Tale I: My Father Bleeds History saiu em forma de livro. Ou de graphic novel, se preferir. Art Spiegelman não preferia, mas com o tempo topou. Maus saía desde 1980 em fascículos encartados na Raw, revista que ele e a esposa Françoise Mouly editavam. Reunir os seis primeiros fascículos em graphic novel-livro-coisa-que-para-em-pé-lombada-quadrada mudou tudo.

Faz 44 anos que Spiegelman publicou “Maus”, uma HQ de três páginas sobre um filho ratinho que ouve do pai rato os apuros que este passou nas mãos dos gatos. Gatos que prenderam sua família, que levaram pai rato para Mauschwitz e que mataram vários e vários ratos.

Faz 80 anos que Vladek (Zev) Spiegelman e Anja (Andzia) Zylberberg noivaram. Casaram-se um ano depois. Richieu, o primeiro filho, nasceu em oito meses. No ano seguinte, o casal viu a primeira bandeira nazista. No seguinte, Vladek foi convocado a lutar pelo exército polonês. Nos seguintes, eles e família são realocados entre guetos, campos de trabalho forçado e de concentração. Ficam separados. Richieu é envenenado junto a outras crianças sob os cuidados de uma parenta que teme o pior nas mãos nazistas — ela também se suicida. Vladek e Anja reencontram-se, não mais prisioneiros, há 71 anos.

Faz 68 anos que Art Spiegelman nasceu, em Estocolmo, Suécia.

Faz 38 anos que Spiegelman começou a gravar longas entrevistas com o pai, em rolo de fita, pensando em transformar sua história de vida em quadrinhos. O que se registrou foi não só a história, mas a relação conturbada entre pai (rato) e filho (rato).

Faz 24 anos que Maus II – A Survivor’s Tale II: And Here My Troubles Begin ganhou um Prêmio Pulitzer. Foi a primeira HQ a ganhar o prêmio. Até hoje a única.

Faz 29 anos que um jornalista alemão, na Feira de Frankfurt, perguntou se Spiegelman não considerava um gibi sobre Auschwitz “de mau gosto”. Spiegelman: “Não, eu achei Auschwitz de mau gosto.”

Faz 25 anos que Spiegelman mandou uma carta ao New York Times solicitando que Maus passasse a figurar na lista de best-sellers de Não-Ficção. E não, como estava, na de Ficção. O Times respondeu: “Vamos todos à casa do Spiegelman e só passamos para a lista de não-ficção se um rato gigante atender a porta!” Provavelmente foram, pois o livro passou para a lista de Não-Ficção.

Faz apenas 15 anos que Maus foi publicado na Polônia. Poloneses, que não curtiram ser desenhados como porcos, protestaram em frente ao local de trabalho do editor. Vestindo uma máscara de porco, o editor abanou da janela para os manifestantes.

Faz 28 anos que saiu o primeiro artigo acadêmico sobre Maus. Não há, pelo menos em inglês, HQ mais analisada, pormenorizada, dissecada pelo mundo acadêmico em artigos, livros, aulas e palestras. Há cinco anos, Spiegelman colaborou com os estudiosos publicando Metamaus, um arquivo de referências em torno de Maus.

Há quatro anos, quando Spiegelman era convidado de honra do Festival d’Angoulême, as banquinhas de editoras independentes vendiam Katz, uma reprodução quase exata de Maus em que a única diferença era rostos de gatos colados sobre todos os personagens. O détournement criado pelo grego Ilan Manouach motivou um processo da editora francesa de Maus, a Flammarion. Sem dinheiro para se defender nos tribunais, Manouach e editores decidiram recolher o livro e destruir todos os exemplares. A pilha de papel picado é capa de Metakatz, livro que documenta e comenta todo o processo.

Há 20 anos, o livro Comics, Comix & Graphic Novels reproduziu quadros de Maus em tamanho ampliado — “tamanho de livrão de arte”, diz Spiegelman — sem autorização. Spiegelman processou a editora. “Os ratos gritando de agonia ao serem queimados vivos num fosso haviam virado uma coisa impactante demais, totalmente fora de contexto. (…) [Maus] é feita para ser impressa no tamanho em que foi desenhada.”

Há um mês, Nadja Spiegelman, filha de Art e Françoise, publicou seu primeiro livro de memórias. Chama-se I’m Supposed to Protect You From All This [Era para eu proteger você dessas coisas]. Embora não se tenha Holocausto nem (a princípio) ratos, há pelo menos um paralelo com Maus: o tema é a relação entre ela e a mãe.

Há 34 anos, Vladek Spiegelman faleceu. “Fiquei menos afetado pela morte do que achei que ia ficar”, diz Art, “talvez porque já estivesse por acontecer, talvez porque não havia mais espaço para mudar aquela relação. Fui ao funeral quase como um repórter tentando descobrir como era o fim da pauta. Mas minhas emoções foram mais rudimentares do que qualquer coisa que rendesse uma anedota.”

No ano passado, Spiegelman alertou que Maus fora recolhido das livrarias da Rússia em função de uma nova lei que proibia propaganda nazista. “É óbvio que não acho que Maus tenha sido o alvo da lei”, disse o autor. “Mas não queremos que as culturas apaguem suas memórias.”

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Érico Assis é jornalista, tradutor e doutorando. É o editor convidado de O Fabuloso Quadrinho Brasileiro de 2015 (Editora Narval). Mora em Florianópolis e contribui mensalmente com o blog com textos sobre histórias em quadrinhos. Também escreve em seu site pessoal, A Pilha.

5 leituras sobre Auschwitz

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Há 70 anos, foram libertados os últimos prisioneiros de Auschwitz. Após a libertação pelo exército soviético, o maior campo de concentração nazista foi abandonado intacto, guardando até hoje a memória de milhões de pessoas que sofreram com um dos episódios mais macabros da história humana. E a memória de Auschwitz também está registrada em diversas obras que surgiram após a guerra, denunciando os horrores e a dimensão que as mortes e torturas deixaram em sobreviventes e seus familiares. Selecionamos aqui no blog uma lista de leituras sobre Auschwitz com histórias e relatos de quem viveu ou ainda sente as marcas do campo de concentração. Confira a seguir:

1) A trégua, de Primo Levi

Primo Levi entrou para os grandes nomes da literatura do século XX a partir dos relatos de sua experiência como prisioneiro e sobrevivente de Auschwitz. Em A trégua, Levi narra a longa e incrível viagem de volta para casa depois da libertação de Auschwitz e do fim da guerra. Numa Europa semidestruída, o autor e vários companheiros de estrada viajam sem destino pelo Leste até a URSS, entre as ruínas da maior de todas as guerras e o absurdo da burocracia dos vencedores.

2) Paisagens da metrópole da morte, de Otto Dov Kulka

Historiador de renome em temas como o nazismo e o holocausto, Otto Dov Kulka foi enviado para o campo de extermínio de Auschwitz aos 10 anos de idade. Durante dez anos, entre 1991 e 2001, Kulka fez gravações de áudio de suas memórias, evocando passagens daquele sofrimento quase indizível, somente articuladas por ele tanto tempo depois. Paisagens da metrópole da morte mistura as impressões daquele menino vivendo uma das experiências-limites do século XX com a reflexão do escritor maduro, tornando a leitura do seu livro uma poderosa experiência literária.

3) Maus, de Art Spiegelman

Em Maus, Art Spiegelman conta a história de seu pai, Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. Retratando os judeus como ratos e os nazistas como gatos, o livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos, ganhando o prestigioso Prêmio Pulitzer de literatura. Maus é um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto.

4) Diário da queda, de Michel Laub

Das reflexões de um homem que relembra o episódio em que machucou um colega da escola, o narrador apresenta as trajetórias de seu pai, com quem o protagonista tem uma relação difícil, e de seu avô, sobrevivente de Auschwitz que passou anos escrevendo um diário secreto e bizarro. Diário da queda é uma viagem inusitada pela memória de um homem, uma reflexão corajosa sobre identidade, afeto e perda.

5) O menino do pijama listrado, de John Boyne

Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, ele pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Sangue, suor e páginas

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Em maio de 1945, a Alemanha nazista era derrotada pelas potências aliadas. Encerrava-se assim o capítulo europeu da Segunda Guerra. Em setembro daquele ano, depois do bombardeio atômico (no mês anterior) de Hiroshima e Nagasaki, o Japão iria assinar os termos de sua rendição. Terminava completamente um dos conflitos mais sangrentos da história, com mais de 20 milhões de mortos, cidades e países arrasados, a conformação geopolítica do mundo bastante diferente daquela de 1939, quando Hitler invadiu a Polônia, dando início à refrega.

Nos últimos 70 anos, muito se escreveu sobre a Segunda Guerra. Testemunhos, ensaios pessoais e historiográficos, ficção, biografias, poesia, quadrinhos. Compreensível: alastrando-se a partir do coração da Europa, os conflitos fizeram terra-arrasada das pretensões iluministas que, até então, moldavam o continente. A guerra de 1939-1945 significou uma crise na civilização. A barbárie, o genocídio programado de populações inteiras, a extrema violência contra civis e a tecnologia a serviço do terror desconcertam até os dias de hoje. Daí a copiosa e necessária produção — criativa e intelectual —, que sempre se renova.

Preparamos uma seleção de livros, entre lançamentos e obras fundamentais do nosso catálogo, para você se aprofundar e entender um capítulo da história humana que, ainda hoje, 70 anos depois, reverbera na política, na cultura e na sociedade.

Lançamentos

Ano zero, Ian Buruma
A história do mundo que se formaria a partir dos escombros da Segunda Guerra.

Os compatriotas, Bo Lidegaard
A comovente extraordinária narrativa de como os judeus foram salvos do horror na Dinamarca.

O fim do Terceiro Reich, de Ian Kershaw
Do autor da melhor biografia de Hitler, um relato do crepúsculo do nazismo.

Seis meses em 1945, de Michael Dobbs
Como a Conferência de Ialta moldaria o futuro do Ocidente.

Central Europa, William T. Vollman (previsto para o segundo semestre)
Romance polifônico e fascinante sobre a violência e o autoritarismo da Alemanha nazista e da União Soviética.

Terra negra, Timoty Snyder (previsto para 2016)
Um palpitante ensaio sobre a insanidade que conduziu o mundo ao Holocausto.

Piloto de guerra, Antoine de Saint-Exupéry
A experiência do autor de O pequeno príncipe como aviador na Segunda Guerra.

Obras essenciais

A biblioteca esquecida de Hitler — Os livros que moldaram a vida do Führer, de Timothy W. Ryback

Alemanha, 1945, de Richard Bessel

Engenheiros da vitória — Os responsáveis pela reviravolta na Segunda Guerra Mundial, de Paul Kennedy

Eva Braun — A vida com Hitler, de Heike B. Görtemaker

Guerra aérea e literatura, de W. G. Sebald

Hitler, de Ian Kershaw

A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade

O imperialismo sedutor — A americanização do Brasil na época da Segunda Guerra, de Antonio Pedro Tota

Maus — A história de um sobrevivente, de Art Spiegelman

Stálin — A corte do czar vermelho, de Simon Sebag Montefiore

Hora da guerra — A segunda Guerra Mundial vista da Bahia, de Jorge Amado

1940 — Do abismo à esperança, de Max Gallo

1941 — O mundo em chamas, de Max Gallo

Os colegas de Anne Frank, de Theo Coster

Fim de jogo, 1945, de David Stafford

Pós-Guerra — Uma história da Europa desde 1945, de Tony Judt

22 Dias — As decisões que mudaram o rumo da Segunda Guerra Mundialde David Downing

Nazismo e guerra, de Richard Bessel

Heinrich Himmler: uma biografiade Peter Longerich

Joseph Goebbels: uma biografia, de Peter Longerich

Caçando Eichmann, de Neal Bascomb

Éramos jovens na guerra, de Sarah Wallis e Svetlana Palmer

Spiegelman & Mouly, Mouly & Spiegelman

Por Érico Assis


Françoise Mouly e Art Spiegelman com o editor André Conti

Françoise Mouly teve três casamentos. Nas três vezes, casou-se com Art Spiegelman.

A primeira vez foi quando Mouly, francesa, estava para perder o visto de estadia nos EUA. Ela havia deixado Paris aos 20 e poucos anos, apaixonou-se por Nova York, começou a namorar Spiegelman e não queria voltar para a Europa. Ao consultar um advogado, o casal descobriu que o jeito de ela ganhar o green card seria eles se casarem. Já estavam namorando mesmo, então por que não? Spiegelman, puro tato, perguntou: “tem certeza que não tem outro jeito?”. Não tinha.

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A Mariana Figueiredo, do Departamento de Divulgação da Companhia, me convidou no início de maio para mediar um bate-papo com Mouly, que aconteceria no fim do mês. Depois de três ameaças de vinda ao Brasil, inclusive para a Flip, ela e Spiegelman finalmente estavam 90% confirmados. Mouly participaria do II Encontro Quadrinhos na Cia. num sábado, Spiegelman palestraria no Congresso Internacional Cult de Jornalismo Cultural na segunda e faria sessão de autógrafos na terça.

Apesar do histórico de desconfirmações, lá estavam eles no sábado, na Livraria da Vila no Shopping Higienópolis. Ela de gabardine-previsão-de-chuva-em-Paris, ele de chapéu-vou-aos-trópicos. Pode desconsiderar todas as lendas: foram simpaticíssimos, abertos, falantes, sorridentes.

Minha mediação não foi “então, como é ser casada com Art Spiegelman?”. Aliás, tentei deixar as perguntas o mais distantes possíveis do marido. Nem era necessário. Mouly foi quem fez acontecer a RAW, principal antologia de quadrinhos dos anos 80, que revelou Chris Ware, Charles Burns, Gary Panter, levou HQs argentinas, francesas, suíças, japonesas aos EUA e foi o primeiro veículo de Maus. Mouly é há duas décadas editora de arte da New Yorker, responsável por selecionar as 47 capas — polêmicas, artísticas, definidoras de tendências — que a revista publica por ano. Mouly é criadora e editora da Toon Books, linha de quadrinhos especificamente para crianças que estão aprendendo a ler, como O ratinho se veste, Joca e a caixa, Beto e Bia. Não faltava assunto.

Spiegelman assistia da primeira fila. Quando não dava baforadas num cigarro eletrônico, andava pelo auditório a tirar fotos com o iPad.

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O segundo casamento aconteceu quando Spiegelman resolveu contar ao pai, o famoso Vladek de Maus, que já era homem casado. Vladek ficou atônito: Mouly não era judia. Spiegelman-filho não estava nem aí, mas Mouly compadeceu-se com Spiegelman-pai. Faria a conversão para ter um tradicional casamento judaico.

A história envolve um rabino que calculou o processo de conversão em nove meses, outro que propôs em seis semanas, a sinagoga não-ortodoxa que tinha uma rabina (que Vladek não podia ficar sabendo) e, enfim, o casamento. Seguido de comemoração numa lanchonete.

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Tive oportunidade de conversar com o casal num jantar. Queria perguntar sobre Katz — o détournement de um francês que colou cabeças de gato sobre todos os personagens de Maus —, queria perguntar sobre o Comics Philosophy & Practice — congresso que tinha acontecido no fim de semana anterior em Chicago, reunindo os dois e todos os luminares dos quadrinhos nos EUA, com Robert Crumb assumindo o papel de louco de palestra. Na timidez de não ser inconveniente, não perguntei nada. É meu comportamento automático diante dos ídolos: melhor deixar eles falarem.

Ok, falei um pouquinho. Perguntei à Mouly sobre a lista de 200 palavras da Toon Books (sou tradutor dos livrinhos, afinal) e me meti na conversa entre Spiegelman e o editor André Conti sobre Crime Does Not Pay. Spiegelman disse que eu e o Conti entendemos mais de HQs dos EUA que os amiguinhos dele de lá. Valeu, tio.

Também peguei uma conversa em que Spiegelman falava da apresentação que faria na noite seguinte e de como queria um “Powerpoint não-linear”, onde pudesse selecionar slides sem ordem definida. Tentei explicar como ele poderia fazer isso de forma simples a partir do iPad. Até mostrei no aparelho.

Como todo mundo sabe, Spiegelman acabou não usando o iPad na apresentação. O caso do laptop roubado era uma lembrança que eles não precisavam lembrar do Brasil. Mas eu não estava mais em São Paulo e não acompanhei a história, por isso espero que o Conti ainda faça esse relato aqui. Ele até já começou no Twitter (“Melhor momento da noite: descobrir que no computador da DP não constam as profissões ‘cartunista’ e ‘quadrinista’. Fechamos em ‘autor’.“)

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Mouly contou as histórias dos três casamentos durante o bate-papo de sábado. O terceiro foi no aniversário de 50 anos de Spiegelman, em 1998. Ela vinha implorando por uma ideia de presente. Ele respondeu: “quero a sua mão em casamento.” O auditório da Livraria da Vila fez um “awwww” que parecia combinado, se não gravado. “I’m a slow learner“, ba-dum-tsssss-ou Spiegelman da primeira fileira.

Eles já tinham dois filhos na faixa dos dez anos, vieram amigos de todas as partes do mundo e Crumb trouxe sua banda para animar o salão. “Dos três, esse foi meu preferido”, sorriu Mouly.

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Érico Assis é jornalista, professor universitário e tradutor. Do selo Quadrinhos na Cia., ele já traduziu Retalhos, de Craig Thompson, Umbigo sem fundo, de Dash Shaw, e os três volumes de Scott Pilgrim contra o mundo, de Bryan Lee O’Malley, entre outros. Ele contribui quinzenalmente para o blog com textos sobre histórias em quadrinhos.
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Semana quarenta e nove

Os lançamentos da semana são:

Joca e a caixa, de Art Spiegelman (Tradução de Érico Assis)
Joca acabou de ganhar dos pais um brinquedo novo, uma caixa cheia de surpresas. A cada vez que brinca com ela, ele nunca sabe o que vai acontecer: o que será que vai sair de lá de dentro? Um brinquedo assustador? Ou um brinquedo engraçado? Um jacaré ou muitos patinhos? O que mais? Surpresa!
Com poucas palavras e muita imaginação, Art Spiegelman — vencedor do prêmio Pulitzer por Maus: A história de um sobrevivente — criou uma história em quadrinhos para os pequenos leitores que fala sobre as brincadeiras incríveis que os próprios brinquedos nos propõem.
Segundo volume da série Toon Books — o primeiro é O ratinho se veste, de Jeff Smith —, que apresenta histórias em quadrinhos feitas por grandes artistas para crianças a partir de dois anos, mas que vão agradar leitores de todas as idades.

Sobre a revolução, de Hannah Arendt (Tradução de Denise Bottmann)
Escrito entre 1959 e 1962, sob o impacto da onda de revoluções e movimentos de libertação nacional que marcou as primeiras décadas da Guerra Fria, este livro assinala uma inflexão na obra de Hannah Arendt. A autora de Origens do totalitarismo, celebrizada pela dissecação do mal absoluto perpetrado pelas ditaduras de Hitler e Stálin, volta-se para o fenômeno político de maior alcance e influência dos últimos séculos: a revolução.
Nesta incursão magistral pela filosofia política, Arendt analisa os fundamentos históricos e filosóficos dos movimentos revolucionários que ainda hoje, malgrado o colapso de todas as utopias, não cessam de modificar a configuração do poder mundial. O livro descreve com lucidez e erudição as diferentes modalidades de conquista e transformação do poder político pela via revolucionária. Tomados como modelo incontornável pelas revoluções posteriores, os eventos dramáticos do século XVIII fornecem a Arendt as linhas mestras de sua investigação, centrada na ideia de liberdade.